{"id":1099,"date":"2018-11-20T18:10:48","date_gmt":"2018-11-20T20:10:48","guid":{"rendered":"http:\/\/revidigital.com.br\/?p=1099"},"modified":"2018-11-20T18:10:48","modified_gmt":"2018-11-20T20:10:48","slug":"dia-da-consciencia-negra-incentiva-reflexoes-sobre-preconceito-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2018\/11\/20\/dia-da-consciencia-negra-incentiva-reflexoes-sobre-preconceito-racial\/","title":{"rendered":"Dia da Consci\u00eancia Negra incentiva reflex\u00f5es sobre preconceito racial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Por Amanda Cristina, Amanda Primo e Jucilene Schneider<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o objetivo de mostrar \u00e0 sociedade que o racismo, al\u00e9m de ser um comportamento conden\u00e1vel, \u00e9 um processo hist\u00f3rico e pol\u00edtico, a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o<\/strong> (DPU) lan\u00e7a nesta ter\u00e7a feira (20), data da <strong>Consci\u00eancia Negra<\/strong>, a campanha audiovisual <strong>Interfaces do Racismo<\/strong>, que conta com 4 minidocument\u00e1rios. Saiba mais clicando <a href=\"http:\/\/www.dpu.def.br\/noticias-institucional\/233-slideshow\/47416-campanha-interfaces-do-racismo-e-lancada-no-dia-da-consciencia-negra\">aqui<\/a><\/span><\/p>\n<p>Confira tamb\u00e9m o primeiro\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\"> minidocument\u00e1rio\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC2EZg9gpSDph8XQEhvgYsuw\/\"><strong>Interfaces do Racismo: Racismo Estrutural<\/strong><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1105\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/WhatsApp-Image-2018-11-20-at-17.30.04-300x239.jpeg\" alt=\"\" width=\"805\" height=\"641\" \/><\/p>\n<p>Entre 2015 e 2017, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio Cont\u00ednua) constatou que o n\u00famero de brasileiros que se autodeclaram pretos e pardos aumentou. Agora mais 6% dos brasileiros passaram a se declarar negros, totalizando 17,8 milh\u00f5es de pessoas e 1% deles se declaram pardos, totalizando 96,9 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2017, foi realizado um estudo com cerca de 200 pessoas entre 18 e 50 anos. Destas, 67% acreditam j\u00e1 terem sido rejeitadas para uma vaga de emprego apenas por serem negras, al\u00e9m de seis entre dez delas terem sido v\u00edtimas de racismo no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAcredito que todo preto j\u00e1 tenha sofrido com racismo, seja de forma direta ou indireta. Ao longo dos meus 23 anos, j\u00e1 vivi bastante situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o ao assunto\u201d, explica Sabrina Quariniri. Tudo come\u00e7ou quando ela entrou na escola. Era a \u00fanica <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">aluna negra, e seus colegas colocavam apelidos por causa de seu cabelo afro. Tamb\u00e9m j\u00e1 foi &#8220;enquadrada&#8221; por policiais na rua, quando estava com uma amiga branca, que foi liberada sem ser revistada, ao contr\u00e1rio de Sabrina. \u201cO racismo \u00e9 algo que est\u00e1 incrustado na cabe\u00e7a das pessoas, o racismo \u00e9 cultural. Uma das sa\u00eddas que vejo \u00e9 come\u00e7ar a discutir o assunto nas escolas, virar obrigat\u00f3rio o ensino da cultura afro para as crian\u00e7as e ensinar as pessoas a respeitarem as diferen\u00e7as desde pequenas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><b>S\u00edmbolo de resist\u00eancia<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jeferson Fran\u00e7a v\u00ea o<strong>\u00a0Dia da Consci\u00eancia Negra<\/strong> como s\u00edmbolo de resist\u00eancia, um dia de profunda reflex\u00e3o sobre a luta e o sangue derramado de seus ancestrais e antepassados que vivenciaram o racismo como forma de exterm\u00ednio. \u201cA ilus\u00e3o de que somos todos iguais \u00e9 uma fal\u00e1cia, pois somos desiguais no mercado de trabalho, na cultura, na sa\u00fade, na religi\u00e3o e principalmente em cargos pol\u00edticos nos quais se tomam decis\u00f5es que representam a sociedade\u201d, explicou. Segundo ele, \u00e9 de responsabilidade da m\u00eddia e da imprensa buscar mais pluralidade, j\u00e1 que a informa\u00e7\u00e3o define a maneira como a sociedade se relaciona. \u201cEstamos aqui lutando contra o racismo e buscando visibilidade o ano inteiro, n\u00e3o s\u00f3 em datas pontuais.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Jeferson, n\u00e3o adianta se posicionar contra o racismo e aturar ou compactuar com piadas racistas em grupos de amigos brancos. \u201cTodo negro j\u00e1 sofreu racismo, por mais que ele n\u00e3o tenha consci\u00eancia disso\u201d, contou. Ele ainda explica que o preconceito est\u00e1 nos pequenos acontecimentos do dia a dia, olhares diferentes ao entrar no banco,\u00a0 persegui\u00e7\u00e3o do seguran\u00e7a do shopping, nas entrevistas de emprego, nas salas de aula.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1104\" aria-describedby=\"caption-attachment-1104\" style=\"width: 804px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1104\" src=\"http:\/\/revidigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/WhatsApp-Image-2018-11-20-at-17.15.46-300x215.jpeg\" alt=\"\" width=\"804\" height=\"576\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1104\" class=\"wp-caption-text\">Participantes do Movimento Negro Maria Laura: luta di\u00e1ria pelo fim do preconceito<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA mudan\u00e7a tem que vir por parte de voc\u00eas, brancos. Precisam assumir seu papel de privilegiados na sociedade, voltar na hist\u00f3ria e ver que a popula\u00e7\u00e3o negra foi sempre marginalizada\u201d, exp\u00f5e Jeferson. Ele esclarece que a chave da mudan\u00e7a consiste na ocupa\u00e7\u00e3o pelo negro de lugares que majoritariamente s\u00e3o ocupados por uma classe dominante e racista que enxerga o outro com menos desenvoltura intelectual e menos humano s\u00f3 por ser diferente. \u201cPor isso a representatividade negra \u00e9 t\u00e3o importante para que o menino ou a menina negra que sofre com o racismo consiga se enxergar em outros indiv\u00edduos que n\u00e3o estejam sempre ligados ao estere\u00f3tipo de favelado, empregada dom\u00e9stica, jogador de futebol, corpos ex\u00f3ticos e for\u00e7a. Somos muito mais que isso.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Sabrina Quariniri a data \u00e9 uma forma de trazer \u00e0 tona assuntos como o racismo, n\u00e3o ser lembrada em tom comemorativo, mas para todos ficarem cientes de toda a luta e sofrimento que o povo negro passou para ser realmente respeitado como ser humano. \u201c\u00c9 tamb\u00e9m uma data importante para n\u00f3s, negros, conhecermos nossas ra\u00edzes e, assim, podermos explicitar livremente a nossa cultura e saudar nossos ancestrais\u201d, contou.<\/span><\/p>\n<p><b>Relembrar \u00e9 preciso para n\u00e3o repetir erros do passado<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA import\u00e2ncia do <strong>dia da consci\u00eancia negra<\/strong> \u00e9 principalmente a mem\u00f3ria, relembrar para resistir, relembrar para n\u00e3o repetir os erros do passado\u201d, explica a doutora em Antropologia Social Maria Elisa M\u00e1ximo. Segundo ela, a palavra &#8220;consci\u00eancia&#8221; \u00e9 muito importante, porque \u00e9 atrav\u00e9s da conscientiza\u00e7\u00e3o que as pessoas conseguem perceber o qu\u00e3o racista \u00e9 o pa\u00eds em que vivem e assim podem apoiar a luta dos movimentos raciais e minimizar os efeitos do racismo<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, pois \u00e9 um dia de visibilidade, representatividade, <strong>luta<\/strong> e <strong>resist\u00eancia<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto a antrop\u00f3loga considera dif\u00edcil para as pessoas reconhecerem o<strong> privil\u00e9gio<\/strong> de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">serem brancas. \u201cSe eu nunca sofri preconceito racial, \u00e9 dif\u00edcil saber o quanto isso d\u00f3i, por mais que eu me esforce e me coloque no lugar do outro, mas \u00e9 justamente por isso \u00a0que temos que fazer esse exerc\u00edcio, pois eu n\u00e3o sei o que \u00e9 o <strong>preconceito racial<\/strong>, ent\u00e3o n\u00e3o posso falar sobre uma coisa que eu n\u00e3o vivencio\u201d, afirma. Para Maria Elisa, essa dificuldade em n\u00e3o reconhecer os privil\u00e9gios causa certo rep\u00fadio, cr\u00edtica e recusa da popula\u00e7\u00e3o branca em legitimar e reconhecer a import\u00e2ncia da consci\u00eancia negra. \u201cVoc\u00ea pode estar em uma situa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel, disputando uma vaga de emprego, mas se voc\u00ea for branca, contra uma pessoa negra, talvez voc\u00ea ganhe por ser branca\u201d, considera. Portanto, al\u00e9m da conscientiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante reconhecer os privil\u00e9gios antes de julgar a import\u00e2ncia do dia da consci\u00eancia negra. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Cristina, Amanda Primo e Jucilene Schneider Com o objetivo de mostrar \u00e0 sociedade que o racismo, al\u00e9m de ser um comportamento conden\u00e1vel, \u00e9 um processo hist\u00f3rico e pol\u00edtico, a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) lan\u00e7a nesta ter\u00e7a feira (20), data da Consci\u00eancia Negra, a campanha audiovisual Interfaces do Racismo, que conta com 4 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1116,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,20],"tags":[291,292,293,251],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1099"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1099\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}