{"id":13609,"date":"2022-09-27T16:56:08","date_gmt":"2022-09-27T19:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=13609"},"modified":"2022-09-29T14:58:56","modified_gmt":"2022-09-29T17:58:56","slug":"mes-do-combate-ao-suicido-pode-ser-motivo-de-preocupacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2022\/09\/27\/mes-do-combate-ao-suicido-pode-ser-motivo-de-preocupacao\/","title":{"rendered":"M\u00eas do combate ao suic\u00eddo pode ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Setembro \u00e9 o m\u00eas em que a discuss\u00e3o sobre o suic\u00eddio entra em pauta. \u00c9 um momento em que todos est\u00e3o abertos e dispostos ao di\u00e1logo e a compreens\u00e3o. Por\u00e9m, algumas pr\u00e1ticas das pessoas vem preocupando profissionais da \u00e1rea fazendo com que alguns alertas tamb\u00e9m sejam discutidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 muito comum que durante esse per\u00edodo as pessoas fiquem mais suscet\u00edveis a&nbsp; querer ajudar o pr\u00f3ximo. Gestos como este, mesmo bem intencionados, podem desencadear um efeito reverso em pessoas que possuem maior tend\u00eancia ao suic\u00eddio. \u201cMuitos podem pensar sobre o suic\u00eddio, alguns mais, alguns menos e outros pensam de forma compuls\u00f3ria e aguda\u201d, enfatizou Nasser Haidar Barbosa, psic\u00f3logo e professor da Faculdade Ielusc.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nasser, que trabalha em um dos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS), \u201cfalar de suic\u00eddio abertamente, pode causar o afloramento de gatilhos aqueles que pensam nisso de forma doentia, e isso n\u00e3o \u00e9 nada bom\u201d, completa o psicol\u00f3go. A campanha do setembro amarelo n\u00e3o deveria se tratar de um di\u00e1logo aberto sobre suic\u00eddio, mas sim abrir o espa\u00e7o para falar sobre sa\u00fade mental e como cuidar dela, assim \u201cfalamos de suic\u00eddio n\u00e3o falando sobre\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fen\u00f4meno da psican\u00e1lise amplamente discutido no meio \u00e9 o efeito <em>Werther<\/em>. Em 1774, o escritor alem\u00e3o Johann Wolfgang Goethe escreveu a obra \u201cOs Sofrimentos do Jovem Werther\u201d. O enredo consiste na constru\u00e7\u00e3o do suic\u00eddo do seu protagonista ap\u00f3s se apaixonar por uma jovem comprometida. O tr\u00e1gico destino de Werther n\u00e3o ficou apenas nas p\u00e1ginas do romance de Goethe, j\u00e1 que n\u00e3o foram poucos os casos de jovens da \u00e9poca que cometeram suic\u00eddio ap\u00f3s a leitura do livro. A partir disso, em 1974, o pesquisador americano David Philips nomeou esse fen\u00f4meno como efeito Werther.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo esse efeito sendo citado em diversas obras que retratam o suic\u00eddio, n\u00e3o se pode dizer que ele \u00e9 cem por cento comprovado. A maior tese sobre esse tema \u00e9 a que a explica n\u00e3o como um causador direto da imita\u00e7\u00e3o ao ato suicida, mas sim um vetor de reflex\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o foi a leitura do romance de Goethe em si que causou o autoexterm\u00ednio dos jovens, mas sim a reflex\u00e3o que esses mesmos jovens fizeram de suas pr\u00f3prias vidas ap\u00f3s lerem o livro. Portanto, falar e romantizar o suic\u00eddio pode ser um gatilho para que pessoas emocionalmente inst\u00e1veis acabem por faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal motivo de preocupa\u00e7\u00e3o de profissionais mais cr\u00edticos a campanha se d\u00e1 principalmente pela romaniza\u00e7\u00e3o por parte de algumas pessoas juntamente ao sentimento de achar que sabe como agir em uma conversa com pessoas tendentes ao suic\u00eddio. \u201cNa teoria, profissionais como psic\u00f3logos e psiquiatras s\u00e3o mais capacitados. Mas, a grande verdade \u00e9 que nem mesmo isso torna algu\u00e9m capaz de lidar com pessoas com esse tipo de comportamento, qui\u00e7\u00e1 pessoas sem preparo algum\u201d, pondera Nasser.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior ato de sensibilidade e prote\u00e7\u00e3o que se pode fazer para algu\u00e9m que est\u00e1 enfrentando este tipo de situa\u00e7\u00e3o, jamais ser\u00e1 substituir o papel de um profissional da \u00e1rea. O verdadeiro aux\u00edlio ser\u00e1 quando o ajudante admitir que esse problema est\u00e1 longe de suas capacidades e que n\u00e3o cabe a ele resolver a quest\u00e3o, mas sim direcionar a pessoa a um profissional competente. Isso claro, n\u00e3o significa que n\u00e3o se deve escutar uma pessoa com problemas e simplesmente ignor\u00e1-la. Deve-se, sim, escutar e agradecer a pessoa por confiar em algu\u00e9m, mas ter no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 apenas  aconselhando que esse problema ir\u00e1 sumir. O devido tratamento deve ser aplicado exclusivamente por um profissional.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os caminhos a serem tomados para o redirecionamento da pessoa com problemas s\u00e3o diversos, desde a procura de m\u00e9dicos particulares, at\u00e9 centros p\u00fablicos de atendimento, como os CAPS. O <a href=\"https:\/\/www.cvv.org.br\/\">Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida<\/a> (CVV) est\u00e1 sempre com suas linhas abertas para conversas em momentos de crise atrav\u00e9s do n\u00famero <a href=\"https:\/\/www.cvv.org.br\/ligue-188\/\">188<\/a>. Al\u00e9m disso, atendimentos e direcionamentos podem ser feitos a partir de qualquer m\u00e9dico em postinhos de sa\u00fade e hospitais p\u00fablicos na rede SUS.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Setembro \u00e9 o m\u00eas em que a discuss\u00e3o sobre o suic\u00eddio entra em pauta. \u00c9 um momento em que todos est\u00e3o abertos e dispostos ao di\u00e1logo e a compreens\u00e3o. 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