{"id":13751,"date":"2022-10-20T17:21:59","date_gmt":"2022-10-20T20:21:59","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=13751"},"modified":"2024-03-18T15:35:09","modified_gmt":"2024-03-18T18:35:09","slug":"selecao-brasileira-na-luta-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2022\/10\/20\/selecao-brasileira-na-luta-antirracista\/","title":{"rendered":"Sele\u00e7\u00e3o brasileira na luta antirracista"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Brasil busca por vit\u00f3ria que ofusca qualquer outra estrela<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 27 de setembro, a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol jogou contra a Tun\u00edsia seu \u00faltimo amistoso da Data Fifa antes da Copa do Mundo do Qatar, que inicia dia 20 de novembro. A partida terminou em 5 a 1 para a equipe canarinho, que teve uma performance digna de aplausos. <strong>O show brasileiro, contudo, foi ofuscado por outro acontecimento: o racismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Minutos antes do apito inicial, o time brasileiro fez uma a\u00e7\u00e3o contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial. O elenco posou para uma foto com faixa que dizia: \u201cSem nossos jogadores negros, n\u00e3o ter\u00edamos estrelas na nossa camisa\u201d. Pouco tempo depois, por volta dos 20 minutos do primeiro tempo, <strong>uma banana foi arremessada em dire\u00e7\u00e3o a Richarlison em sua comemora\u00e7\u00e3o do gol de desempate<\/strong>. Em entrevista p\u00f3s-jogo, o jogador disse: \u201cacho que foi at\u00e9 Deus que me livrou de n\u00e3o ter visto aquilo, porque\u2026 Na hora, de cabe\u00e7a quente\u2026 Mas que possam reconhecer esse torcedor e puni-lo, porque \u00e9 dif\u00edcil, n\u00e9?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, n\u00e3o se trata de um caso isolado. Outros nomes conhecidos do futebol brasileiro t\u00eam sofrido discrimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de Vinicius Jr, atleta do Real Madrid, que recentemente foi v\u00edtima de manifesta\u00e7\u00f5es racistas de torcedores, jogadores e da pr\u00f3pria imprensa espanhola. A pol\u00eamica come\u00e7ou com uma goleada de 4 a 1 dos merengues sobre o Mallorca pela La Liga (campeonato espanhol). O jogador brasuca se destacou com um gol e diversas firulas, que irritaram, principalmente, o atacante rival Jaume Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>A internet inflamou com discuss\u00f5es sobre a diferen\u00e7a entre jogar futebol com alegria e respeitar o advers\u00e1rio. Dias antes do cl\u00e1ssico contra o Real Madrid, o jogador Koke, capit\u00e3o do Atl\u00e9tico de Madrid, publicou <strong>coment\u00e1rios irrespons\u00e1veis<\/strong> sobre o assunto em suas redes sociais: &#8220;cada um tem seu jeito de ser e comemora os gols como quiser, mas se Vin\u00edcius marcar gol e comemorar dan\u00e7ando? Vai ter confus\u00e3o, certamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que Vini Jr. n\u00e3o \u00e9 o primeiro jogador a comemorar com dancinhas. H\u00e1 muito tempo isso \u00e9 moda, inclusive, entre jogadores europeus, como o pr\u00f3prio Antoine Griezmann, futebolista franc\u00eas que atua ao lado de Koke no clube <em>colchonero<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 efervesc\u00eancia das discuss\u00f5es sobre o tema, a m\u00eddia n\u00e3o poderia ficar de fora. Colocou seus \u201cespecialistas\u201d para discutirem a respeito disso. O problema \u00e9 que as cr\u00edticas se tornaram ofensas racistas. Em um programa de TV da Espanha, Pedro Bravo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Agentes Espanh\u00f3is, disse: &#8220;tem que respeitar o advers\u00e1rio. E quando voc\u00ea marca um gol em seu advers\u00e1rio, se quiser sambar, v\u00e1 para o Samb\u00f3dromo, no Brasil. <strong>Aqui, o que voc\u00ea tem que fazer \u00e9 respeitar seus companheiros de profiss\u00e3o e deixar de brincar de macaco<\/strong>. Tem que respeitar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es, Vini Jr. publicou um v\u00eddeo em suas redes sociais. Famosos no mundo inteiro apoiaram o atleta pela hashtag #BailaViniJr, que chegou a ocupar o <em>trending topics<\/em> do Twitter.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"550\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">\u270a\ud83c\udfff\ud83d\udda4! Obrigado pelo apoio! Eu n\u00e3o vou parar! <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/BailaViniJr?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\">#BailaViniJr<\/a> <a href=\"https:\/\/t.co\/h3RsmwYAYw\">pic.twitter.com\/h3RsmwYAYw<\/a><\/p>&mdash; Vini Jr. (@vinijr) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/vinijr\/status\/1570893793028874240?ref_src=twsrc%5Etfw\">September 16, 2022<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O comentarista espanhol Pedro Bravo, criticado pelos ataques que proferiu contra o jogador na televis\u00e3o, pediu desculpas em outro programa, mas sem reconhecer o teor racista em suas falas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"JOSEP PEDREROL ACLARA LA POL\u00c9MICA CON VINICIUS\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2toiU7XoCX0?start=56&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fala de Pedro Bravo, comentarista espanhol.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O problema, claro, n\u00e3o se restringe apenas ao futebol europeu. Em agosto, o Semin\u00e1rio de Combate ao Racismo e \u00e0 Viol\u00eancia no Futebol, organizado pela CBF, divulgou o <a href=\"https:\/\/ludopedio.org.br\/biblioteca\/relatorio-anual-da-discriminacao-racial-no-futebol-2021\/\">Relat\u00f3rio Anual de Discrimina\u00e7\u00e3o Racial no Futebol<\/a>, com dados sobre o ano de 2021. Conforme a pesquisa, o n\u00famero de casos de racismo duplicou no ano passado. Foram registrados 64, frente a 31 de 2020 \u2014 um aumento de 106%. <strong>A tend\u00eancia \u00e9 que 2022 tenha outro crescimento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, o futebol \u00e9 um reflexo da sociedade. Enquanto n\u00e3o resolvermos o mal do racismo nela, outros jogadores pretos sofrer\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o. E, neste contexto, a sele\u00e7\u00e3o brasileira pode muito bem ser uma frente de luta, tal como os jogadores, agentes de transforma\u00e7\u00e3o. Neymar Jr., Richarlison, Vin\u00edcius Jr., Raphinha, Casemiro, entre outros futebolistas, formam hoje um plantel de \u00eddolos que exercem grande poder de influ\u00eancia sobre as novas gera\u00e7\u00f5es. A forma como encaram o racismo \u00e9 exemplo para muitas pessoas. Isso supera qualquer grande jogada e gol que possam fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outra coisa em jogo no torneio que ser\u00e1 disputado no Qatar. N\u00e3o se trata mais de exportar para o mundo o estilo brasileiro de jogar, alegre e ousado, mas de mostrar que pessoas pretas exercem papel de protagonismo em diversas esferas, dentre as quais est\u00e1 o futebol. <strong>Que nesta Copa tor\u00e7amos pela equidade com mais fervor do que pelo hexacampeonato, pois uma sociedade mais igualit\u00e1ria e inclusiva ser\u00e1 uma vit\u00f3ria maior para o Brasil do que uma estrela a mais no peito<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil busca por vit\u00f3ria que ofusca qualquer outra estrela No dia 27 de setembro, a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol jogou contra a Tun\u00edsia seu \u00faltimo amistoso da Data Fifa antes da Copa do Mundo do Qatar, que inicia dia 20 de novembro. 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