{"id":14184,"date":"2023-04-11T17:16:35","date_gmt":"2023-04-11T20:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14184"},"modified":"2023-04-11T17:16:37","modified_gmt":"2023-04-11T20:16:37","slug":"a-presenca-da-arte-e-cultura-de-rua-na-militancia-e-em-lutas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/04\/11\/a-presenca-da-arte-e-cultura-de-rua-na-militancia-e-em-lutas-sociais\/","title":{"rendered":"A presen\u00e7a da arte e cultura de rua na milit\u00e2ncia e em lutas sociais"},"content":{"rendered":"\n<p>A cultura de rua est\u00e1 presente na sociedade de diversas formas. Com o tempo, a arte de rua vem ganhando mais espa\u00e7o e reconhecimento, mas artistas continuam sendo marginalizados e sofrendo preconceito. A presen\u00e7a da arte e cultura de rua, como o grafite e o hip-hop, \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para as lutas pessoais dos artistas, mas tamb\u00e9m para representar lutas sociais e pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Mouco, de 32 anos, \u00e9 artista de rua e trabalha com grafite h\u00e1 cerca de 14 anos. Mouco gosta muito de utilizar sua arte para protestar. Segundo ele, a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 uma forma de reflex\u00e3o e leitura da sociedade, e acredita que os temas mais costumeiros expressados nas artes sejam a desigualdade social pelo vi\u00e9s do trabalho, a situa\u00e7\u00e3o atual das minorias e a valoriza\u00e7\u00e3o cultural da identidade dos artistas de rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Mouco observa que a arte de rua tem um papel importante em nossa sociedade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A arte de rua em um sentido bem direto de import\u00e2ncia, penso que seja a redemocratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 arte. O estudo e aprecia\u00e7\u00e3o art\u00edstica em nossa sociedade n\u00e3o \u00e9 algo levado e ampliado para v\u00e1rias camadas da sociedade, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 restrito e de uma linguagem nada acess\u00edvel. N\u00e3o vejo grande interesse das velhas vanguardas art\u00edsticas de ampliar esse contato com a sociedade, e a arte urbana, por utilizar espa\u00e7os p\u00fablicos, acaba ocasionando essa liga\u00e7\u00e3o, ainda que muito t\u00edmida, principalmente fora dos grandes centros, mas j\u00e1 dando passos importantes.<\/p><cite>comentou o artista.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como disse Gabriel Mouco, a aprecia\u00e7\u00e3o art\u00edstica na sociedade atual ainda n\u00e3o \u00e9 ampliada para v\u00e1rias camadas da sociedade, fazendo com que artistas sejam marginalizados e v\u00edtimas de preconceito. Mesmo ganhando cada vez mais espa\u00e7o, a cultura de rua continua sendo pouco representada dentro da pol\u00edtica. A pauta da descriminaliza\u00e7\u00e3o da arte e cultura de rua \u00e9 pouco comentada e discutida, apesar de ser de extrema relev\u00e2ncia. Por\u00e9m, com o tempo, mais pessoas defensoras dessa cultura v\u00eam ganhando espa\u00e7o no \u00e2mbito pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano, a joinvilense Zelize, candidata do PSOL, concorreu ao cargo de deputada estadual do estado de Santa Catarina. Uma de suas principais propostas de campanha era a descriminaliza\u00e7\u00e3o da arte e cultura de rua. Zelize entrou na \u00e1rea antiproibicionista quando come\u00e7ou a trabalhar no CAPS ad (Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u00e1lcool e outras drogas), servi\u00e7o do SUS que oferece tratamentos a pessoas com problemas com drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de experi\u00eancias no meio da sa\u00fade, Zelize entendeu que a arte como forma de protesto promove identifica\u00e7\u00e3o com os nossos, reflex\u00f5es, possibilidades de se expressar de uma forma diferente, revolu\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m \u201cdeixa muros tristes lindos\u201d. A respeito da pauta sobre a descriminaliza\u00e7\u00e3o da arte e cultura de rua, a candidata afirma que tudo que est\u00e1 ligado com a cena <em>underground<\/em> de rua, \u00e9 vista com maus olhos, e que, assim como em batalhas de rima, a criminaliza\u00e7\u00e3o da arte e cultura de rua est\u00e1 totalmente atrelada ao racismo estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Zelize tamb\u00e9m comentou sobre sua ideia como deputada quando defendeu a descriminaliza\u00e7\u00e3o da arte e cultura de rua. \u201cMinha ideia era trabalhar em conjunto com as pol\u00edcias (civil e militar) e com a guarda municipal na defesa dos movimentos de rua. Criaria ent\u00e3o projetos de lei para garantir que as batalhas de rima continuassem acontecendo em Santa Catarina e, assim, garantir a seguran\u00e7a das pessoas do grafite, do picho, das batalhas e qualquer outro tipo de cultura de rua. A arte e a cultura salvam vidas!\u201d, relatou Zelize.<\/p>\n\n\n\n<p>O ilustrador gr\u00e1fico e diretor criativo Mako Dias, de apenas 18 anos, se aproximou bastante da cultura de rua nos \u00faltimos anos e tamb\u00e9m participou da campanha da candidata Zelize. Mako j\u00e1 era ilustrador antes de entrar nessa cultura, mas diz que come\u00e7ou a realmente trazer sua ess\u00eancia em suas artes quando teve contato com a cultura de rua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor muito tempo eu fiz arte comercial, e, em 2021, eu decidi fazer o que eu gosto de verdade. Eu me inspiro em tudo que eu vejo, em coisas, em pessoas, mas eu n\u00e3o estava me inspirando em mim, nas coisas que eu sentia e no que eu tinha vivido. Eu n\u00e3o nasci em ber\u00e7o de ouro, eu sa\u00ed de uma situa\u00e7\u00e3o humilde, e foi dif\u00edcil. Atualmente eu evolu\u00ed, mas a ess\u00eancia nunca sai. N\u00f3s acabamos tomando essas experi\u00eancias para n\u00f3s mesmos e entendendo como \u00e9 essa adapta\u00e7\u00e3o pro agora. Por exemplo, a mesma necessidade que eu passei n\u00e3o \u00e9 a mesma necessidade que pessoas que est\u00e3o na rua passam hoje\u201d, comentou Mako.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem ilustrador conta que o grafite tem a for\u00e7a de trazer cores para um bem estar e que ele muda o foco de protesto e vem com o \u00e2mbito de rua para deixar as pessoas felizes. Portanto, ele deixa de ser um protesto, mas ele ainda faz parte dessa pauta, que \u00e9 a arte de rua.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/WhatsApp-Image-2023-04-11-at-16.47.37.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14185\" width=\"640\" height=\"639\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/WhatsApp-Image-2023-04-11-at-16.47.37.jpeg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/WhatsApp-Image-2023-04-11-at-16.47.37-150x150.jpeg 150w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/WhatsApp-Image-2023-04-11-at-16.47.37-1536x1536.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o digital feita pelo ilustrador Mako Dias.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Mako Dias tamb\u00e9m relata que acha de suma import\u00e2ncia a descriminaliza\u00e7\u00e3o da arte e da cultura de rua, proposta de campanha de Zelize. Mako conta que principalmente na regi\u00e3o sul do Brasil, as pessoas n\u00e3o ligam para a situa\u00e7\u00e3o que as outras se encontram, que \u00e9 um local de \u00e2mbito social muito frio e pouco solid\u00e1rio, embora tenhamos uma das melhores condi\u00e7\u00f5es de vida do pa\u00eds. Portanto, para ele, a descriminaliza\u00e7\u00e3o da arte e cultura de rua tem muito a ver com isso, para que as pessoas que est\u00e3o inseridas na rua possam se expressar e serem valorizadas como elas s\u00e3o, e n\u00e3o criminalizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual em que vivemos e nos preconceitos sofridos pelos artistas de rua, dar voz e visibilidade a esses protestos e lutas sociais e pol\u00edticas se torna algo muito importante. Hist\u00f3rias como as de Gabriel Mouco, Zelize e Mako Dias s\u00e3o apenas algumas entre tantas outras que existem no mundo inteiro, e, ao ouvir e dar o devido valor \u00e0 essas hist\u00f3rias, a arte e cultura de rua, que \u00e9 t\u00e3o importante nos dias de hoje, s\u00f3 tende a continuar crescendo e ganhando espa\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura de rua est\u00e1 presente na sociedade de diversas formas. Com o tempo, a arte de rua vem ganhando mais espa\u00e7o e reconhecimento, mas artistas continuam sendo marginalizados e sofrendo preconceito. 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