{"id":14323,"date":"2023-05-16T18:04:22","date_gmt":"2023-05-16T21:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14323"},"modified":"2023-05-17T11:56:10","modified_gmt":"2023-05-17T14:56:10","slug":"cursinho-popular-insercao-incentiva-acesso-de-estudantes-perifericos-ao-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/05\/16\/cursinho-popular-insercao-incentiva-acesso-de-estudantes-perifericos-ao-ensino-superior\/","title":{"rendered":"Cursinho Popular Inser\u00e7\u00e3o incentiva acesso de estudantes perif\u00e9ricos ao ensino superior"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Alunos da periferia de Joinville podem fazer o cursinho pr\u00e9-vestibular gratuito&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por: Lara Donnola Rodrigues<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Somente 36% dos alunos que completaram o ensino m\u00e9dio na rede p\u00fablica entram numa faculdade. Para os da rede privada, esse percentual chega a 79,2%, mais do que o dobro. Os dados divulgados pelo <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/23300-taxa-de-acesso-ao-nivel-superior-e-maior-entre-alunos-da-rede-privada\">IBGE<\/a> fazem parte da S\u00edntese de Indicadores Sociais 2018, que destaca as desigualdades de acesso ao ensino na pr\u00e9-escola e no n\u00edvel superior. Neste cen\u00e1rio, alguns grupos criaram iniciativas populares para amenizar essa situa\u00e7\u00e3o, um exemplo \u00e9 o Cursinho Inser\u00e7\u00e3o, de Joinville.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada popular e coordenadora do cursinho, C\u00e1ssia Santanna, o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cursinhoinsercaojoinville\/\" target=\"_blank\">Cursinho Inser\u00e7\u00e3o<\/a> nasceu de uma demanda antiga da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica de Joinville, reinvindicada por movimentos sociais, principalmente pelo movimento negro. \u201cTentamos colaborar com a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino p\u00fablico superior a partir da constata\u00e7\u00e3o que <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2018\/12\/05\/estudante-de-escola-paga-tem-o-dobro-da-chance-de-entrar-na-faculdade-aponta-estudo-do-ibge.ghtml\" target=\"_blank\">a maioria da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica n\u00e3o consegue usufruir desse direito<\/a>\u201d, destacou C\u00e1ssia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a doutora em educa\u00e7\u00e3o e especialista em interdisciplinaridade, Mariana Datria Schulze, o grande papel do ensino superior no Brasil, pensando no processo de democratiza\u00e7\u00e3o que aconteceu a partir da d\u00e9cada de 80, \u00e9 a <strong><a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1677-11682019000100011\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ascens\u00e3o social<\/a><\/strong><a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1677-11682019000100011\"><strong>.<\/strong><\/a> \u201cN\u00f3s procuramos o ensino superior para termos uma outra vida, outra hist\u00f3ria, para ascendermos social e economicamente\u201d, disse a doutora.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o objetivo do Cursinho Inser\u00e7\u00e3o, trazer novas perspectivas para os jovens perif\u00e9ricos da cidade e inseri-los nas universidades. Em mar\u00e7o de 2022, o projeto foi finalmente viabilizado. As atividades s\u00e3o realizadas na Escola de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica Dr. Paulo Medeiros, no bairro Adhemar Garcia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1600\" height=\"1035\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/b6de119d-323b-4dc6-b9b6-ae8c57f0ec15.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14324\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/b6de119d-323b-4dc6-b9b6-ae8c57f0ec15.jpg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/b6de119d-323b-4dc6-b9b6-ae8c57f0ec15-1536x994.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption>Cr\u00e9ditos: Adonai (insta: @gatofighter.hey).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A advogada comentou que a escolha de uma escola p\u00fablica situada na Zona Sul de Joinville se d\u00e1 pelo fato de ser uma das mais pobres da cidade, onde concentra grande parte da classe trabalhadora. \u201cL\u00e1 tem habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, car\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos e essenciais\u201d, comentou C\u00e1ssia. \u201cO acesso \u00e0s universidades ainda \u00e9 uma realidade muito distante desses jovens.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o popular s\u00e3o oferecidas diversas atividades pedag\u00f3gicas. \u201cAs aulas, simulados, oficinas, semin\u00e1rios e debates buscam preparar os estudantes para o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/areas-de-atuacao\/avaliacao-e-exames-educacionais\/enem\">ENEM<\/a>)\u201d, disse a coordenadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela informou que o foco do cursinho no ENEM \u00e9 pela oportunidade de ingressar nas universidades federais atrav\u00e9s do Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (<a href=\"https:\/\/acessounico.mec.gov.br\/sisu\">Sisu<\/a>), e nas particulares pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e Programa de Financiamento Estudantil (<a href=\"https:\/\/acessounico.mec.gov.br\/fies\">Fies<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O papel dos programas governamentais de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para Mariana Schulze, iniciativas como o <a href=\"https:\/\/acessounico.mec.gov.br\/prouni\">ProUni<\/a>, o Sisu e o Fies s\u00e3o excelentes meios de promo\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil. \u201cN\u00e3o tem como mensurar a transforma\u00e7\u00e3o social que vivemos nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas nas universidades&#8221;, disse a educadora.<br>Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) divulgados em setembro de 2010, apontaram que a <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/ultimas-noticias\/222-537011943\/15851-pesquisa-mostra-que-aumenta-a-escolarizacao-dos-brasileiros\">escolariza\u00e7\u00e3o dos brasileiros aumentou<\/a> naquela \u00e9poca. Os dados mostram que a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que tinham pelo <\/p>\n\n\n\n<p>menos 11 anos de estudo subiu de 26% em 2004 para 33% em 2009. Tamb\u00e9m apontou que mais de 97% das crian\u00e7as de 6 a 14 anos frequentavam a escola.<\/p>\n\n\n\n<p>O gr\u00e1fico elaborado pelo INEP retrata a evolu\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia escolar da popula\u00e7\u00e3o de 15 a 17 anos, no per\u00edodo de 2001 a 2012. Conforme o <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=15774-ept-relatorio-06062014&amp;Itemid=30192\">relat\u00f3rio do Governo Federal<\/a>, alguns avan\u00e7os ocorreram pela amplia\u00e7\u00e3o no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel nesta faixa et\u00e1ria. Houve destaque para a distribui\u00e7\u00e3o por cor e ra\u00e7a, localiza\u00e7\u00e3o e renda domiciliar per capita.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"606\" height=\"342\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-16-at-21.40.43.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14331\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A taxa de frequ\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda teve um crescimento de 79% em 2004 para 82,5% em 2012. A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena apresentou um crescimento de 22,4% no per\u00edodo de 8 anos, indo de 74% em 2004 para 90,7% em 2012.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-16-at-21.40.43-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14332\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A especialista concorda que muitas pessoas distantes do sistema educacional e fora da realidade de acessar o ensino superior finalmente tiveram uma oportunidade. \u201c\u00c9 mais do que ter uma profiss\u00e3o, \u00e9 ter um sonho realizado\u201d, afirmou. \u201cEssa \u00e9 a maior prova de que as pol\u00edticas p\u00fablicas e afirmativas s\u00e3o <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/formacao-na-educacao-superior-nao-pode-prescindir-de-politica-de-ciencia-tecnologia-e-inovacao\/\">essenciais<\/a> para que a popula\u00e7\u00e3o consiga acessar esse espa\u00e7o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dificuldades enfrentadas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do avan\u00e7o nas pol\u00edticas sociais, ainda h\u00e1 empecilhos que dificultam a perman\u00eancia dos alunos nas aulas. C\u00e1ssia disse que a maioria dos estudantes do cursinho j\u00e1 s\u00e3o trabalhadores. \u201cA evas\u00e3o escolar \u00e9 recorrente por conta do mercado de trabalho\u201d, informou. Em 2022, o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/CursinhoI\">Cursinho Inser\u00e7\u00e3o<\/a> perdeu uma grande quantidade de alunos. \u201cMuitos deles precisam ajudar no sustento da fam\u00edlia, e \u00e0s vezes o hor\u00e1rio de trabalho se choca com o hor\u00e1rio do cursinho\u201d, lamentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Pnad, divulgada pelo IBGE em 2020, a necessidade de trabalhar \u00e9 o principal motivo para jovens de 14 a 29 anos abandonarem os estudos. A pesquisa aponta que aproximadamente quatro em cada dez jovens que n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio precisaram <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2020-07\/necessidade-de-trabalhar-e-principal-motivo-para-abandonar-escola\">deixar as salas de aula para trabalhar<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a coordenadora, a maioria dos alunos s\u00e3o provenientes de fam\u00edlias de baixa renda e enfrentam problemas como a inseguran\u00e7a alimentar. \u201cComo \u00e9 que o jovem vai estudar com a barriga vazia?\u201d, questionou.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da pobreza, existem outras <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Faz6GzDiP-8&amp;list=TLPQMDkwNDIwMjPhVpN6oXC6Ug&amp;index=5&amp;ab_channel=NexoJornal\">quest\u00f5es que mant\u00eam os alunos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social<\/a> e que podem retir\u00e1-los do ambiente escolar, como o racismo, machismo e a homofobia. Por isso, o Cursinho Inser\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m presta apoio psicol\u00f3gico relacionado a estas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem pode participar do Cursinho Inser\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Podem participar jovens perif\u00e9ricos que j\u00e1 conclu\u00edram ou que estejam concluindo o Ensino M\u00e9dio em escola p\u00fablica e, preferencialmente, da Zona Sul de Joinville. As aulas ocorrem aos s\u00e1bados, das 8h \u00e0s 12h15, na Escola de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica Dr. Paulo Medeiros, no bairro Adhemar Garcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a coordena\u00e7\u00e3o, o tempo do projeto \u00e9 de 9 meses durante o ano, come\u00e7ando em mar\u00e7o e terminando em novembro. Atualmente h\u00e1 o limite de 170 vagas, e todas est\u00e3o preenchidas. A maioria dos estudantes t\u00eam entre 16 e 18 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do primeiro ano do cursinho, no final de 2022, alguns alunos foram aprovados em vestibulares, inclusive, em universidades federais, conforme a coordena\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m tiveram um bom desempenho no ENEM, principalmente na reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1600\" height=\"1066\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/6a165321-4c55-46c7-936f-1a541821e53e.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14325\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/6a165321-4c55-46c7-936f-1a541821e53e.jpg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/6a165321-4c55-46c7-936f-1a541821e53e-1536x1023.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption>Cr\u00e9ditos: Adonai (insta: @gatofighter.hey).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acesso ainda distante para muitos grupos sociais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2018, no Brasil, os pretos ou pardos passaram a ocupar mais da metade das vagas do ensino superior da rede p\u00fablica. No entanto, como formam a maioria da popula\u00e7\u00e3o (55,8%), <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3821\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">permaneceram sub-representados<\/a>. Al\u00e9m disso, entre a popula\u00e7\u00e3o preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual que frequentava o ensino superior aumentou de 50,5% para 55,6% entre 2016 e 2018. Por\u00e9m, ainda ficou abaixo do percentual de brancos da mesma faixa et\u00e1ria (78,8%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os <a href=\"https:\/\/censoagro2017.ibge.gov.br\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/25989-pretos-ou-pardos-estao-mais-escolarizados-mas-desigualdade-em-relacao-aos-brancos-permanece.html\">dados<\/a> s\u00e3o do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Ra\u00e7a no Brasil, que faz uma an\u00e1lise das desigualdades entre brancos e pretos ou pardos ligadas ao trabalho, distribui\u00e7\u00e3o de renda, moradia, educa\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariana Schulze acredita que as pol\u00edticas sociais de educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma resposta hist\u00f3rica a tudo que foi feito com a popula\u00e7\u00e3o preta, descendente de povos origin\u00e1rios, quilombolas e afins. \u201c\u00c9 uma tentativa de retrata\u00e7\u00e3o. N\u00f3s fomos o \u00faltimo pa\u00eds do mundo a abolir a escravatura e ainda temos, sistematicamente, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-05\/mais-de-12-mil-pessoas-foram-resgatadas-de-trabalho-escravo-em-2023\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">not\u00edcias de circunst\u00e2ncias de trabalhos escravos<\/a>\u201d, informou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/NGJT56LBxz9VCDCp7gr86Tf\/?format=pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudos<\/a> apontam que o aumento da oferta de cursos superiores exerce um papel importante, por\u00e9m limita a redistribui\u00e7\u00e3o de oportunidades. Schulze acredita que o problema da educa\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o \u00e9 pontual, e sim estrutural. \u201cN\u00e3o funciona justamente porque foi organizado para n\u00e3o funcionar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1ssia considera que al\u00e9m da qualidade do ensino p\u00fablico, existem outros fatores que refor\u00e7am as <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PGgVZAZJKwY&amp;t=2s\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desigualdades sociais<\/a>. \u201cAs provas de vestibulares s\u00e3o filtros de ra\u00e7a e classe no acesso \u00e0s universidades. Ao selecionar os supostamente mais aptos, reafirma os extremos desequil\u00edbrios sociais\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariana acha que a resolu\u00e7\u00e3o do sistema educacional passa por quest\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas. \u201cA <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/comunicados-de-imprensa\/ha-32-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-na-pobreza-no-brasil-alerta-unicef\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel<\/a> n\u00e3o acessa o ensino superior da mesma forma e com a mesma qualidade que outros grupos, justamente por uma quest\u00e3o pol\u00edtica, social, ideol\u00f3gica e econ\u00f4mica\u201d, analisou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como resolver esse problema?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 um direito de todos e dever do Estado e da fam\u00edlia <a href=\"https:\/\/vademecumbrasil.com.br\/videsistematico.php?busca=constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-de-1988-capitulo-iii-da-educacao-da-cultura-e-do-desporto-arts-205-a-217\">(Art. 205)<\/a>. A oferta p\u00fablica \u00e9 organizada atrav\u00e9s do \u201cregime de colabora\u00e7\u00e3o\u201d entre Uni\u00e3o, Estados, Distrito Federal e Munic\u00edpios (Art. 211) e o ensino livre \u00e0 iniciativa privada (Art. 209). O acesso ao ensino obrigat\u00f3rio e gratuito \u00e9 um direito p\u00fablico subjetivo, sendo o Poder P\u00fablico responsabilizado pelo n\u00e3o oferecimento ou oferta irregular (Art. 208).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o deveriam haver situa\u00e7\u00f5es terceirizadas por um direito que \u00e9 meu\u201d, afirmou Schulze. Ela declara que devemos questionar o Estado sobre <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/gasto-com-maquinas-de-construcao-foi-oito-vezes-o-da-educacao-infantil-em-2021\/\">o que est\u00e1 acontecendo<\/a>, contestar por que ele est\u00e1 se eximindo de uma responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a doutora, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia que a <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/Hj6wG6H4g8q4LLXBcnxRcxD\/\">educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica popular brasileira<\/a> seja repensada. \u201cReorganizar a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Ela afirma que o Estado precisa ser responsabilizado. \u201c\u00c9 essencial escolher respons\u00e1veis p\u00fablicos (deputados, senadores, vereadores) que estejam de fato atrelados \u00e0 causa da educa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A educadora ainda incentiva que n\u00f3s, como cidad\u00e3os, devemos nos responsabilizar. \u201cPrecisamos escolher pessoas que estejam \u00e0 altura desse desafio, que defendam as&nbsp; pautas educacionais\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ajude a manter o Cursinho Inser\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Manter o Cursinho Inser\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas por uma equipe de <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSeFQ5hF8hnUQi6yCLoI2sSXToIArSfMgZFt-S4oEPg-igebSw\/viewform\">volunt\u00e1rios<\/a>, com 34 professores e 11 coordenadores. O projeto \u00e9 sustentado por meio de doa\u00e7\u00f5es mensais, que s\u00e3o feitas atrav\u00e9s de financiamento coletivo no site apoia-se. A meta mensal \u00e9 de R$ 3.000 (tr\u00eas mil reais).&nbsp;<br>A <a href=\"https:\/\/apoia.se\/prevestibularpopularinsercao\">arrecada\u00e7\u00e3o <\/a>\u00e9 destinada \u00e0 impress\u00e3o de materiais did\u00e1ticos, aquisi\u00e7\u00e3o de caneta, apagador, produtos de limpeza, papel higi\u00eanico, papel toalha e sabonete l\u00edquido. Al\u00e9m de alimentos para o caf\u00e9 da manh\u00e3 dos estudantes, como p\u00e3o, queijo, presunto, margarina, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar. Com esse aux\u00edlio, o cursinho tamb\u00e9m ajuda no custo do transporte para os volunt\u00e1rios e alunos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diversidade na educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>C\u00e1ssia acredita que o Cursinho Inser\u00e7\u00e3o causa um grande impacto social ao proporcionar a renova\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7as e perspectivas de vida aos jovens perif\u00e9ricos. \u201cO projeto contribui com o desenvolvimento social da regi\u00e3o, tornando as universidades mais inclusivas e representativas\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mariana, resolver os problemas da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 complicado porque se trata de um sintoma social. Schulze acha que o que acontece na escola n\u00e3o acontece apenas no ambiente escolar. \u201cAs pessoas s\u00e3o agressivas, preconceituosas e discriminat\u00f3rias na sociedade, a escola s\u00f3 traz isso como um sintoma\u201d, avaliou.<\/p>\n\n\n\n<p>A educadora acredita que as pol\u00edticas afirmativas s\u00e3o a principal ferramenta para a mudan\u00e7a na educa\u00e7\u00e3o. \u201cDefender a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa n\u00e3o critic\u00e1-la, e sim fortalec\u00ea-la\u201d, disse. \u201cJ\u00e1 que o sistema se organiza para que a mudan\u00e7a n\u00e3o aconte\u00e7a, n\u00f3s devemos sempre lutar pelo acesso democr\u00e1tico \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, pois o acesso ao conhecimento \u00e9 o acesso ao poder\u201d, incentivou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos da periferia de Joinville podem fazer o cursinho pr\u00e9-vestibular gratuito&nbsp; Por: Lara Donnola Rodrigues Somente 36% dos alunos que completaram o ensino m\u00e9dio na rede p\u00fablica entram numa faculdade. Para os da rede privada, esse percentual chega a 79,2%, mais do que o dobro. 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