{"id":14574,"date":"2023-09-14T14:00:00","date_gmt":"2023-09-14T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14574"},"modified":"2024-03-18T16:31:18","modified_gmt":"2024-03-18T19:31:18","slug":"a-freira-2-mais-do-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/09\/14\/a-freira-2-mais-do-mesmo\/","title":{"rendered":"A Freira 2 &#8211; Mais do Mesmo?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por: Guilherme Beck Scolari&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil que o p\u00fablico-alvo do &#8220;Invoca-verso&#8221; v\u00e1 assistir a &#8220;A Freira 2&#8221; sem saber o que esperar. O universo de Invoca\u00e7\u00e3o do Mal \u00e9 uma franquia muito bem consolidada e com um padr\u00e3o de qualidade claro: Os filmes principais da saga t\u00eam um grande cuidado por tr\u00e1s das c\u00e2meras (vulgo &#8220;Invoca\u00e7\u00e3o do Mal 1&#8221;, 2 e 3), e todo o resto \u00e9 extremamente inconsistente, oscilando entre &#8220;Annabelle 2&#8221; e 3 &#8211; que possuem sua dose de originalidade e frescor, com destaque para o \u00f3timo segundo filme dirigido por David F. Sandberg &#8211; e abomina\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas como &#8220;A Maldi\u00e7\u00e3o de La Llorona&#8221; e o primeiro &#8220;A Freira&#8221;. Com isso dito, vale citar que estes s\u00e3o tradicionais filmes de terror de shopping center, que, com exce\u00e7\u00e3o dos longas dirigidos por James Wan, n\u00e3o se preocupam em subverter ou inovar absolutamente nada dentro do g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, &#8220;A Freira 2&#8221; cai no famoso &#8220;n\u00e3o fede nem cheira&#8221;. Aqui voc\u00ea vai encontrar jumpscares previs\u00edveis, exageradas m\u00fasicas que fazem &#8220;PAM!&#8221; quando o espectador &#8220;menos&#8221; espera, dem\u00f4nios com poderes inconsistentes e uma falta de criatividade tremenda para dar sustos, al\u00e9m de muitas (muitas mesmo) sequ\u00eancias de sonho &#8220;assustadoras&#8221; e extremamente inconsequentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o de Michael Chaves, respons\u00e1vel por &#8220;La Maldici\u00f3n de La Llorona&#8221; e &#8220;Invoca\u00e7\u00e3o do Mal 3&#8221;, tenta ir um pouco al\u00e9m de emular o estilo de James Wan, entretanto, falha miseravelmente em uma dire\u00e7\u00e3o morna e entediada com o pr\u00f3prio material. O ritmo aqui \u00e9 p\u00e9ssimo, as cenas v\u00e3o passando sem transmitir nada, n\u00e3o evoluindo o mist\u00e9rio proposto e rapidamente entediando qualquer espectador que tenha visto pelo menos um filme de terror ou mist\u00e9rio na vida. A \u00fanica coisa realmente ofensiva fora o desinteresse do pr\u00f3prio diretor em seu filme, \u00e9 como ele chama o espectador de burro: colocando flashbacks desnecess\u00e1rios para lembrar o espectador de coisas que aconteceram a pouqu\u00edssimo tempo atr\u00e1s, al\u00e9m de cenas expositivas que extrapolam o brega, al\u00e9m de arqu\u00e9tipos&#8230; digo, personagens extremamente gen\u00e9ricos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro \u00e9 bem problem\u00e1tico, consistindo em uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es supostamente malignas colocadas em sequ\u00eancia, sem muito desenvolvimento ou senso de progress\u00e3o entre si, o que faz a hist\u00f3ria tomar muito tempo para ser contada e trazendo um forte sentimento de que uns 40 minutos poderiam facilmente ser cortados sem comprometer o andamento do longa.- e poderiam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando um pouco o lado positivo da vida, existem 3 momentos que demonstram um leve grau de inspira\u00e7\u00e3o pelo diretor, me deixando triste pelo potencial desperdi\u00e7ado de se ter uma freira encapetada muito louca. Outro ponto bacana do filme \u00e9 sua cinematografia, usando simetria combinada com uma \u00f3tima ambienta\u00e7\u00e3o para criar belos cen\u00e1rios desconfortantes, mas muito bem montados (e com uma \u00f3tima integra\u00e7\u00e3o de efeitos especiais). Os efeitos especiais s\u00e3o bons, uma pena que mal utilizados pelo diretor em cenas artificiais e bobas &#8211; al\u00e9m das extens\u00f5es digitais dos cen\u00e1rios, que s\u00e3o excelentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo minha irm\u00e3 de 12 anos, o filme n\u00e3o assusta muito porque sempre d\u00e1 para saber quando a freira vai aparecer (e olha que esse foi o primeiro filme de terror que ela assistiu no cinema). Ela at\u00e9 previu o momento em que a vil\u00e3 voltaria para um \u00faltimo susto, olhando pra mim e dizendo &#8220;eu j\u00e1 aprendi essa li\u00e7\u00e3o com &#8220;P\u00e2nico&#8221;, deixando qualquer irm\u00e3o cin\u00e9filo cheio de orgulho!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, n\u00e3o consigo dizer que desgostei completamente do filme. Alguns conceitos s\u00e3o t\u00e3o rid\u00edculos e absurdos que n\u00e3o consegui n\u00e3o me divertir. O MacGuffin &#8211; nome t\u00e9cnico para o objeto que move a trama &#8211; vai muito al\u00e9m do maluco e tem um design t\u00e3o parecido com os dispositivos Alexa da Amazon que n\u00e3o consegui conter o riso durante a sess\u00e3o. Alguns sustos me pegaram e admito ter ficado curioso para saber o desfecho do longa, que, embora previs\u00edvel, possui uma alegoria visual no m\u00ednimo interessante. Al\u00e9m disso, as atua\u00e7\u00f5es fazem um bom trabalho com o que foi proporcionado pelo roteiro: quando t\u00eam que parecer assustados, os atores parecem assustados. Gostaria de dar um destaque para Katelyn Rose Downey, j\u00e1 que, al\u00e9m de ter pouqu\u00edssimo material para trabalhar, conseguiu conquistar minha empatia e entregou um trabalho competente, m\u00e9rito que merece ser celebrado, ainda mais se considerarmos a pouca idade da atriz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Curioso ver como o filme aos poucos praticamente se torna um longa de her\u00f3is, com superpoderes, armas m\u00e1gicas sagradas (voc\u00ea n\u00e3o leu errado) e frases de efeito. Para mim, o momento que me deixou mais chocado foi a cena p\u00f3s-cr\u00e9ditos, relacionando-se com outra franquia dentro do Invoca-verso e te lembrando de n\u00e3o perder o pr\u00f3ximo epis\u00f3dio (que sinceramente, espero que seja melhor que esse aqui).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final das contas, &#8220;A Freira 2&#8221; n\u00e3o \u00e9 um desastre completo, mas passa longe de qualquer m\u00e9rito significativo. Enquanto os cr\u00e9ditos (que inclusive, s\u00e3o mais assustadores que o pr\u00f3prio filme) rolavam, o meu sincero sentimento era de &#8220;puts, deveria ter ido conferir o novo Tartarugas Ninja&#8221;. Dito isso, s\u00f3 recomendo esse filme caso voc\u00ea queira dar uma boa risada e levar uns sustinhos com amigos, j\u00e1 que medo \u00e9 algo que voc\u00ea n\u00e3o vai encontrar por aqui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota final 5\/10.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Guilherme Beck Scolari&nbsp; \u00c9 dif\u00edcil que o p\u00fablico-alvo do &#8220;Invoca-verso&#8221; v\u00e1 assistir a &#8220;A Freira 2&#8221; sem saber o que esperar. 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