{"id":14594,"date":"2023-09-20T14:00:00","date_gmt":"2023-09-20T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14594"},"modified":"2023-09-28T15:44:38","modified_gmt":"2023-09-28T18:44:38","slug":"sanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/09\/20\/sanidade\/","title":{"rendered":"Sanidade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por: Leonardo Budal<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a coisa mais preciosa para uma pessoa? Bem, pode ser muitas coisas, como fam\u00edlia, amigos, sa\u00fade, dinheiro ou status. Sim, tudo isso pode ser precioso, por\u00e9m, nada disso importa sem uma coisa \u00fanica e que pertence apenas a n\u00f3s humanos. Nossa consci\u00eancia. Sem ela nada do que foi listado importa. Se n\u00e3o temos sanidade, nada importa, nem a fam\u00edlia, dinheiro e muito menos status. Por isso, ver aquele homem deitado gritando por ajuda completamente insano, far\u00e1 parte dos meus piores pesadelos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram quase 21h, estava em casa somente eu e minha v\u00f3. Ela j\u00e1 se arrumava para dormir e eu estava prestes a assistir um filme com uma garrafa de cerveja na m\u00e3o. Mal encostei no controle remoto quando comecei a escutar gritos do lado de fora da minha casa. Olhando rapidamente vi que&nbsp; um vizinho chamava pelo outro no port\u00e3o da casa ao lado da minha. Com curiosidade, deixei a <em>long neck <\/em>&nbsp;em cima do balc\u00e3o da cozinha e fui perguntar&nbsp; o motivo da algazarra:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 o Jo\u00e3o <em>(nome fict\u00edcio)<\/em>! Ele est\u00e1 gritando por ajuda a quase uma hora. Diz que tem homem armado dentro. Chama a pol\u00edcia vizinho! Para eles virem mais r\u00e1pido!<\/p>\n\n\n\n<p>Com agilidade digitei o n\u00famero de emerg\u00eancia em meu celular. O atendente diz que a pol\u00edcia j\u00e1 estava ciente do ocorrido, mas ele n\u00e3o soube me informar se alguma viatura estava&nbsp; a caminho.&nbsp; Enquanto isso, Jo\u00e3o gritava com todas as for\u00e7as por piedade. Dizia que n\u00e3o queria morrer e batia com for\u00e7a na janela. Depois de um tempo, come\u00e7amos a duvidar sobre a veracidade das palavras de Jo\u00e3o. Quase 20 minutos tinham se passado, e n\u00e3o t\u00ednhamos uma palavra ou grito sequer do criminoso. As janelas estavam fechadas com cortinas grossas tampando nossa visibilidade e todas as luzes estavam apagadas. Tamanha foi nossa d\u00favida que um dos vizinhos tomou coragem e foi dar uma espiada. De fininho ele quebrou um dos vidros da pequena janela e confirmou que n\u00e3o havia criminoso, somente uma crise alucin\u00f3gena do pobre rapaz.<\/p>\n\n\n\n<p>A espera era angustiante. Uma hora se passou e ainda sem sinal da for\u00e7a policial. Neste momento j\u00e1 t\u00ednhamos chamado outras entidades de emerg\u00eancia, entretanto, nenhuma parecia ligar para a nossa situa\u00e7\u00e3o. Tudo que pod\u00edamos fazer pelo pobre rapaz era esperar por ajuda, pois todas as nossas tentativas de conversa n\u00e3o pareciam ser suficientes. Nosso maior temor era que Jo\u00e3o acabasse se machucando, j\u00e1 que ele continuava a bater com for\u00e7a o corpo na janela.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 eram quase 23h quando a viatura policial subiu o morro em que moro. Os dois oficiais, ambos desanimados e levemente irritados desceram do carro e logo foram ver a situa\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o. Meus amigos, sinto dizer mais nunca vi em toda minha vida uma cena t\u00e3o atroz quanto aquela. Ao ver as luzes da sirene, Jo\u00e3o abre com todas as for\u00e7as as janelas da frente e come\u00e7a a gritar por miseric\u00f3rdia, pois segundo o mesmo \u201cEle vai me matar!\u201d. Com um impulso, o rapaz se pendurou na janela com sua cintura, fazendo com que sua cabe\u00e7a fosse em dire\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o e suas pernas subissem em um movimento de gangorra. Rapidamente um dos policiais o segura impedindo que batesse com a cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se debatia e gritava com toda a garganta para acreditarmos nele. Estava estampado em seus olhos o pavor genu\u00edno de um homem a beira da morte, ele tinha a respira\u00e7\u00e3o ofegante e quase pude ver l\u00e1grimas surgindo. Os oficiais o algemaram e em forma degradante, o amarraram com a pr\u00f3pria cortina. Depois da conten\u00e7\u00e3o um dos homens fez uma breve varredura na casa do rapaz e logo encontrou o motivo de toda a confus\u00e3o. Embaladas em pl\u00e1stico filme estavam duas pedras de crack.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanta pena senti do rapaz. Segundo um dos vizinhos que o conhecia, ele estava longe das drogas h\u00e1 cerca de 19 anos. Por\u00e9m, com a perda de sua amada m\u00e3e e rec\u00e9m desempregado, Jo\u00e3o achou conforto em seu antigo v\u00edcio. Um dos policiais comentava que agora que \u201centrou no crack\u201d, sua recupera\u00e7\u00e3o ficaria ainda mais dif\u00edcil. E questionado por mim sobre o que aconteceria com Jo\u00e3o, ele disse.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Com esse a\u00ed? Bem, v\u00e3o dar um soro e liberar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de toda essa adrenalina e com Jo\u00e3o dentro da ambul\u00e2ncia, decidi por fim, voltar para dentro de casa. Estava completamente arrasado e inconsol\u00e1vel. Sentia uma mistura de pena e medo. Duas horas passaram desde que eu fui ver o que se passava na minha rua, comecei a refletir sobre todo o sofrimento que Jo\u00e3o ter\u00e1 que enfrentar pelo resto de sua vida. E voltando a cozinha, ainda estava l\u00e1, minha garrafa de cerveja, repousada sobre o balc\u00e3o. Sem piedade, joguei tudo ralo abaixo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Leonardo Budal Qual \u00e9 a coisa mais preciosa para uma pessoa? Bem, pode ser muitas coisas, como fam\u00edlia, amigos, sa\u00fade, dinheiro ou status. Sim, tudo isso pode ser precioso, por\u00e9m, nada disso importa sem uma coisa \u00fanica e que pertence apenas a n\u00f3s humanos. Nossa consci\u00eancia. Sem ela nada do que foi listado importa. 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