{"id":14601,"date":"2023-09-22T14:00:00","date_gmt":"2023-09-22T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14601"},"modified":"2024-03-18T16:39:53","modified_gmt":"2024-03-18T19:39:53","slug":"primavera-2023-o-efeito-do-el-nino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/09\/22\/primavera-2023-o-efeito-do-el-nino\/","title":{"rendered":"Primavera 2023: o Efeito do EL NI\u00d1O"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por: Luiza Rodrigues&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada oficial da primavera no hemisf\u00e9rio sul est\u00e1 marcada para o dia 23 de setembro \u00e0s 03h50min. No entanto, este ano reserva uma diferen\u00e7a not\u00e1vel: a presen\u00e7a do fen\u00f4meno clim\u00e1tico conhecido como El Ni\u00f1o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Que \u00e9 o El Ni\u00f1o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O El Ni\u00f1o \u00e9 um fen\u00f4meno clim\u00e1tico caracterizado pelo aquecimento anormal das \u00e1guas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pac\u00edfico Equatorial. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Ni\u00f1o pode desencadear mudan\u00e7as nas press\u00f5es atmosf\u00e9ricas e no sistema de temperaturas do oceano Oscila\u00e7\u00e3o Sul.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o El Ni\u00f1o Impacta a Previs\u00e3o desta Primavera?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste cen\u00e1rio, a previs\u00e3o aponta para uma primavera em Santa Catarina que ser\u00e1 caracterizada por chuvas mais frequentes e intensas, impulsionadas pelo El Ni\u00f1o. A Associa\u00e7\u00e3o Catarinense de Meteorologia destaca que o \u00e1pice desse fen\u00f4meno ocorrer\u00e1 durante essa esta\u00e7\u00e3o, resultando em precipita\u00e7\u00f5es acima da m\u00e9dia, ocorr\u00eancia de eventos extremos e condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para o desenvolvimento de tempestades. Durante o m\u00eas de setembro, a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica sobre a Am\u00e9rica do Sul direcionar\u00e1 massas de ar quente e \u00famido para a Regi\u00e3o Sul do Brasil, com a perspectiva de chuvas acima do padr\u00e3o hist\u00f3rico em Santa Catarina. Isso traz consigo um aumento do risco de eventos clim\u00e1ticos extremos, como chuvas intensas em curtos intervalos, temporais com atividade el\u00e9trica intensa, queda de granizo e ventos fortes. Durante essa esta\u00e7\u00e3o, espera-se tamb\u00e9m a predomin\u00e2ncia de nebulosidade na maior parte dos dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o IMET, os ciclones extratropicais v\u00e3o atuar com frequ\u00eancia entre o litoral da Argentina, Uruguai e Sul do Brasil trazendo perigo \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es, com ventos fortes e mar agitado, que muitas vezes resultam em ressaca. Ressalta-se que o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o intensifica os ciclones extratropicais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Riscos e Preparativos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Santa Catarina, conhecida por sua topografia \u00fanica, o risco de inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos \u00e9 ampliado, exigindo prepara\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o redobradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que epis\u00f3dios similares no passado, como no ver\u00e3o de 2015, resultaram em consequ\u00eancias prejudiciais para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o de chuvas acima da m\u00e9dia climatol\u00f3gica aumenta o risco de eventos extremos, como chuvas intensas, granizo, ventanias e tempestades el\u00e9tricas. A Defesa Civil de Santa Catarina destaca a import\u00e2ncia de se preparar para poss\u00edveis desastres, investindo em melhorias na infraestrutura urbana, como sistemas de drenagem e limpeza. A curto prazo, o coordenador de Monitoramento e Alerta, Frederico Rudorff, cita aperfei\u00e7oamentos dos sistemas de drenagem e limpeza urbana.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>El Ni\u00f1o e o Surf<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os surfistas tamb\u00e9m sentir\u00e3o os efeitos do El Ni\u00f1o na primavera de 2023. O aumento da temperatura da superf\u00edcie do mar influenciar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es das ondas e do surf, trazendo swells maiores e mais intensos. No entanto, \u00e9 importante lembrar que o fen\u00f4meno pode tornar o ambiente aqu\u00e1tico mais desafiador, os surfistas devem enfrentar a for\u00e7a da natureza com respeito e conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora especula\u00e7\u00f5es sobre um &#8220;Super El Ni\u00f1o&#8221; estejam em pauta, a comunidade cient\u00edfica pede cautela, a doutora em Meteorologia Alice Grimm, abordou durante um workshop em Florian\u00f3polis a necessidade de cuidado ao classific\u00e1-lo como &#8220;super&#8221;, destacando que as previs\u00f5es at\u00e9 o momento n\u00e3o respaldam essa afirma\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o El Ni\u00f1o seja frequentemente associado a problemas clim\u00e1ticos, ele interage com outros sistemas meteorol\u00f3gicos menores em Santa Catarina, como ciclones extratropicais e circula\u00e7\u00e3o mar\u00edtima, que por si s\u00f3 podem causar condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impactos Clim\u00e1ticos Globais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos efeitos locais, o El Ni\u00f1o tamb\u00e9m est\u00e1 ligado a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. A Terra j\u00e1 enfrenta um aumento gradual da temperatura m\u00e9dia, e o El Ni\u00f1o pode intensificar ainda mais esse cen\u00e1rio. Cientistas alertam que um El Ni\u00f1o mais intenso pode contribuir para um aumento de 1,5\u00b0C na temperatura m\u00e9dia global, o que traria impactos catastr\u00f3ficos, como ondas de calor e inunda\u00e7\u00f5es devastadoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o nome<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pescadores do Peru e Equador deram a esse fen\u00f4meno o nome de &#8220;Corriente de El Ni\u00f1o&#8221;, em refer\u00eancia ao Menino Jesus, devido \u00e0 presen\u00e7a de \u00e1guas mais quentes. \u00c9 um processo complexo que desencadeia um efeito domin\u00f3 na atmosfera e, consequentemente, em nosso clima.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Super&nbsp; El Ni\u00f1o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cedo, por\u00e9m, para chamar o El Ni\u00f1o de \u201csuper\u201d, defende uma das maiores especialistas da \u00e1rea. As explica\u00e7\u00f5es foram dadas pela doutora em Meteorologia Alice Grimm durante um workshop sobre o tema, promovido em Florian\u00f3polis nesta semana. Ela, que estuda o El Ni\u00f1o desde a d\u00e9cada de 1980, disse que \u00e9 preciso cuidado ao afirmar que o fen\u00f4meno ser\u00e1 um dos piores j\u00e1 registrados. Isso porque, at\u00e9 o momento, boa parte das previs\u00f5es n\u00e3o mostram isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a comunidade cient\u00edfica j\u00e1 divulga, com base em outros eventos do mesmo tipo e nas previs\u00f5es mais recentes para o trimestre, \u00e9 que no primeiro ano do fen\u00f4meno \u00e9 esperado uma primavera com chuvas mais frequentes na regi\u00e3o Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a chuva ser\u00e1 acima da m\u00e9dia de forma gradual, segundo meteorologistas da Epagri\/Ciram e de outros \u00f3rg\u00e3os, o \u201cpico\u201d fica para novembro. Se fossem chuvas bem distribu\u00eddas n\u00e3o haveria tanto problema, mas os estudos mostram que o El Ni\u00f1o impacta mais a frequ\u00eancia dos eventos extremos. Pintado como \u201cvil\u00e3o\u201d do clima em regi\u00f5es castigadas pela chuva, como o Vale do Itaja\u00ed, o El Ni\u00f1o n\u00e3o age sozinho. Santa Catarina \u00e9 rota de sistemas meteorol\u00f3gicos menores que isolados j\u00e1 s\u00e3o capazes de \u201cfechar o tempo\u201d, como os ciclones extratropicais e a circula\u00e7\u00e3o mar\u00edtima. Por isso, eventos extremos podem acontecer a qualquer momento.<\/p>\n\n\n\n<p>A primavera de 2023 pode ser marcada por chuvas acima da m\u00e9dia em algumas \u00e1reas do Brasil e um aumento nas tempestades.&nbsp; A MetSul acrescenta que durante o \u00faltimo trimestre deste ano, a intensidade do fen\u00f4meno pode ficar entre &#8220;forte&#8221; e &#8220;muito forte&#8221;, podendo atingir o patamar de um Super El Ni\u00f1o. J\u00e1 nos mapas com a previs\u00e3o de setembro a novembro, \u00e9 poss\u00edvel observar que no Rio Grande do Sul e em \u00e1reas de Santa Catarina, o volume pode chegar a ficar at\u00e9 100mm acima da m\u00e9dia esperada para o per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A MetSul antecipa, por experi\u00eancia hist\u00f3rica, que muito provavelmente as anomalias de chuva em alguns meses devem ficar acima a muito acima das indicadas pelos modelos, ou seja, o cen\u00e1rio de chuva excessiva pode ser ainda pior que o indicado pelos modelos de clima&#8221;, ressalta a consultoria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O El Ni\u00f1o pode durar at\u00e9 um ano e vem com intensidade maior do que eventos de La Ni\u00f1a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o dos cientistas \u00e9 a temperatura m\u00e9dia anual da Terra aumentar 1,5\u00b0C. At\u00e9 agora, os gases de efeito estufa emitidos pelas atividades humanas elevaram a temperatura m\u00e9dia global em cerca de 1,2\u00b0C. E isso j\u00e1 trouxe impactos catastr\u00f3ficos em diferentes partes do mundo, desde ondas de calor intenso nos Estados Unidos e na Europa a inunda\u00e7\u00f5es devastadoras no Paquist\u00e3o e na Nig\u00e9ria, prejudicando milh\u00f5es de pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chance de eventos meteorol\u00f3gicos extremos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Francisco Eliseu Aquino, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e diretor substituto do Centro Polar e Clim\u00e1tico da mesma institui\u00e7\u00e3o, lembra que o ano mais quente registrado na hist\u00f3ria, em 2016, foi impulsionado por um grande El Ni\u00f1o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 cerca de 40 anos, a m\u00e9dia da temperatura da Terra era 14\u00b0C. Atualmente, estamos em 15,1\u00b0C, subindo lentamente. Pelos acordos (de Paris e Davos), a gente precisa frear as emiss\u00f5es de g\u00e1s de efeito estufa para que a Terra n\u00e3o chegue ao patamar de 1,5\u00b0C acima da m\u00e9dia global, alcan\u00e7ando 15,5\u00b0C. Confirmando o El Ni\u00f1o, h\u00e1 grande chance de bater uma anomalia de temperatura m\u00e9dia anual de 1,5\u00b0C entre 2023 e 2024. Mas quando ele finalizar, teremos a chance de voltar para 1,1\u00b0C ou 1,2\u00b0C de aumento na temperatura m\u00e9dia global. \u00c9 melhor, mas n\u00e3o \u00e9 o ideal, de forma alguma\u201d, resume Aquino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor da UFRGS esteve recentemente entre os cientistas que participaram da miss\u00e3o Criosfera 2022, na Ant\u00e1rtica para estudar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Terra. Ele alerta que, se a temperatura m\u00e9dia global atingir o aumento de 1,5\u00b0C em um planeta que j\u00e1 est\u00e1 com o oceano quente e a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica alterada, aliado aos desmatamentos do Cerrado e da Amaz\u00f4nia, h\u00e1 grandes chances de eventos meteorol\u00f3gicos extremos, inclusive no Rio Grande do Sul.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto as previs\u00f5es apontam para um El Ni\u00f1o moderado a forte, \u00e9 importante estarmos preparados para lidar com as consequ\u00eancias e adotar medidas que visem a mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos causados por eventos extremos. A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica e a\u00e7\u00f5es de precau\u00e7\u00e3o s\u00e3o cruciais para enfrentar essa esta\u00e7\u00e3o \u00fanica e desafiadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Luiza Rodrigues&nbsp; A chegada oficial da primavera no hemisf\u00e9rio sul est\u00e1 marcada para o dia 23 de setembro \u00e0s 03h50min. 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