{"id":14628,"date":"2023-09-21T14:30:06","date_gmt":"2023-09-21T17:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14628"},"modified":"2024-03-18T16:38:39","modified_gmt":"2024-03-18T19:38:39","slug":"slam-guara-chega-ao-fim-com-duas-finalistas-para-a-etapa-estadual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/09\/21\/slam-guara-chega-ao-fim-com-duas-finalistas-para-a-etapa-estadual\/","title":{"rendered":"Slam Guar\u00e1 chega ao fim com duas finalistas para a etapa estadual"},"content":{"rendered":"\n<p>Na tarde do \u00faltimo domingo de agosto, 27, nove artistas apresentaram suas poesias na final do Slam Guar\u00e1, batalha de poesia que est\u00e1 desde 2019 em Joinville, para garantir duas vagas na etapa estadual, que acontece em Florian\u00f3polis. O evento, que \u00e9 aberto e gratuito, ser\u00e1 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no pr\u00f3ximo dia 24, \u00e0s 13. As duas representantes do Slam Guar\u00e1 s\u00e3o: Suellen Grosskopf e Elisa Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Joinville, a final aconteceu no espa\u00e7o da Barbiearia, na rua Dona Francisca, e contou com nove artistas como Karolli Mc, Peace, Do Gueto, Santiago, Lais Goes, Yuri Skrosk, Tha\u00eds Lima, Stefany Moura.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o m\u00eas de fevereiro, o slam vem trazendo v\u00e1rios encontros de poesia pela cidade, com diversas apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas para o p\u00fablico. A final ter\u00e1 v\u00e1rios representantes de slam de outras regi\u00f5es do estado, e o ganhador da fase estadual, ir\u00e1 para a copa Abya Ala, no Rio de Janeiro, e os classificados, ir\u00e3o para a fase nacional em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As finalistas e suas obras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Elisa Moraes, 21, teve sua primeira participa\u00e7\u00e3o no Slam este ano, onde a mesma ficou surpresa em ter adquirido uma vaga para a final. Mas teve seu primeiro contato em sua cidade natal, Cama\u00e7ari, na Bahia, mas nunca pensou em participar. Atualmente, Elisa trabalha na \u00e1rea de gest\u00e3o de eventos, e produz alguns materiais audiovisuais culturais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em seus poemas ela relata suas viv\u00eancias durante toda a sua trajet\u00f3ria de vida, narra em ambientes que ela viveu e as lembran\u00e7as dessas fases de vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/EPSxfqfn1BNUod5GuUg5EDu6QTTgVrrkGwHBamsPkt_9HVdjvVs5mnXE87v7GGRcoHirUcrvVAooByG5G3E39sbl51S8lKbfi3hALsN6UDZgpNOBSUy5xvio0s0ldZLZsJQfdCOO3rawMXP0uxFTRJ8\" alt=\"\" style=\"width:759px;height:757px\" width=\"759\" height=\"757\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Da esquerda para a direita: Gabriel Alves, Evellyn Silva, Elisa Moraes, Zalu Amorim e Juan Gehlen. Cr\u00e9dito: arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Princ\u00edpio da M\u00e1xima Atividade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Guardo dois medos com morte<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e dela mesma, nenhum.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O primeiro \u00e9 de morrer jovem, caminho cortado pelo meio;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>o segundo, de morrer senhora, idosa\u2026 enjoada de tudo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>De morrer em si, guardo nada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>me importam mesmo s\u00e3o as circunst\u00e2ncias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e digo firme nesse n\u00e3o temer, que desde cedo me vejo assim: vida em fuga.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Qu\u00ea que \u00e9 morrer sen\u00e3o isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2014 o derradeiro desaparecer do corpo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A incontorn\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o do despresenciamento, como\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>como quando aconteceram os oceanos entre n\u00f3s dois.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O maxilar travado, o corpo tenso, os olhos vazios<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>esses movimentos mec\u00e2nicos que coleciono \u00e0s segundas-feiras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O incha\u00e7o no corpo, as doen\u00e7a na pele, e o cora\u00e7\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>S\u00e3o fotos, mem\u00f3rias,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>tantos, tantos quil\u00f4metros,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>divisas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os infinitos finais, onde nada se cria e tudo se perde<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Eu me vejo na borda.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Me diga o que acontece \u00e0 \u00e1rvore uma vez arrancada do ch\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00e0 folha uma vez separada do caule<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ent\u00e3o me responde qu\u00ea que \u00e9 morrer sen\u00e3o isso:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O derradeiro desaparecer do corpo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Elisa Moraes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Suellen Groskoopf, 23, teve seu contato com o slam por conta de uma poeta paulista, Mariana Felix. Logo depois participou de uma organiza\u00e7\u00e3o de um sarau na Univille, em 2019, onde cursava Letras, que atualmente, est\u00e1 fazendo na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1, a PUCPR. \u201cMas, demorou alguns anos at\u00e9 eu ter coragem para me inscrever em um dia Slam.\u201d Suellen ainda acrescentou que logo depois que participou, na edi\u00e7\u00e3o deste ano, n\u00e3o pretende mais parar de recitar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os poemas autorais de Suellen tem como principal inspira\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s ser internada com uma crise dissociativa, por conta do seu esgotamento mental, vindo dos ambientes universit\u00e1rios e de trabalho. Contando suas viv\u00eancias como mulher preta e perif\u00e9rica dentro de um ambiente predominantemente branco, onde teve que se moldar aquela realidade, ainda relata sobre a descrimina\u00e7\u00e3o de sua realidade social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/hdkN_fkcu5Sgq34UYmfrzPRVaFouwoRbn2B0-jC0CKYVvA1JdybAqVxzQq3Nmc4VMOE6O5sYyQCV1fsEXrhu-lfJtRrDEN_qknpTUVSBA7i24Xk6833kHJd6NmOfQ-kY5l9ajX40Cu4gw1xXcB78F9U\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Da esquerda para a direita: Gabriel Alves, Evellyn Silva, Suellen Grosskopf, Zalu Amorim e Juan Gehlen. Cr\u00e9dito: arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Sobre(viver)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esses dias me perguntaram numa aula na universidade o que \u00e9 sobreviver pra voc\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nenhum segredo que a cada 23 de minutos morre um jovem negro, meu povo soma 80% das mortes mais violentas, estamos sendo excutados e n\u00e3o \u00e9 de forma lenta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Santa e bela Catarina, quanto \u00f3dio escrachado&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Consigo enxergar tua bandeira manchada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Preciso de um ar, respiro meu pai grita ao fundo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Ei mas leva o documento&nbsp; minha filha e cuidado com tiro&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>23 anos de vida, nunca fiz nada mas isso n\u00e3o impediu que um PM fardado apontasse uma arma na minha cara.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nem o uniforme do &#8220;trampo&#8221; me serviu de escudo, apenas a boca MUDA.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O corpo treme e a perna n\u00e3o se governa &#8220;c\u00ea&#8221; sabe que n\u00e3o fez nada de errado mas na hora lembra das palavras de dona N\u00e9ia&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cmenina, c\u00ea \u00e9 neguinha, toma cuidado com esse cabelo raspado e este degrad\u00ea disfar\u00e7ado\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esses dias me perguntaram numa aula na universidade o que \u00e9 sobreviver pra voc\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No meio de todo caos, \u00e0s vezes me esque\u00e7o&nbsp; que vivo demais em minha bolha social.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O meu clich\u00ea neste espa\u00e7o branco apavora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O meu clich\u00ea \u00e9 o tempo inteiro afirmar&nbsp; que \u00e9 estrutural, e nem \u00e9 por mal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c0s vezes me cansa, me fadiga explicar o tempo inteiro o que \u00e9 \u00f3bvio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Camila de Lucas eu &#8220;t\u00f4&#8221; contigo, n\u00f3s estamos cansados de explicar o que \u00e9 racismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o quero mais perdoar ou entender, quero repara\u00e7\u00e3o e restitui\u00e7\u00e3o de nosso real poder.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Imagina, que louco os pretos todos no topo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>De 10 linguistas apresentados em&nbsp; uma aula de metodologia de ensino da l\u00edngua portuguesa 3 apenas s\u00e3o mulheres, e n\u00e3o tem nenhum nem um pouquinho mais pardo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Machado e Cruz de Sousa s\u00e3o brancos nos livros de hist\u00f3ria e pra chegar mais longe nem Nossa Senhora escapa!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Imagina que lindo a universidade tomada por um monte de preto sorrindo, sem se preocupar com o s\u00edmbolo de nazismo escrito no banheiro, sem medo de voltar para casa morto o tempo inteiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em nenhum lugar estamos a salvo do branco patriarcado, \u00e9 injusto que quando aumento a minha voz para ser finalmente ouvida sempre tem um cara branco pra dizer &#8220;voc\u00ea tem que se acalmar menina!&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ah e n\u00e3o posso esquecer,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como ainda n\u00e3o suportam uma mulher preta em posi\u00e7\u00e3o de poder.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esses dias minha irm\u00e3 me ligou:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Eu n\u00e3o aguento mais, eu n\u00e3o aguento mais! Esse homem me odeia, n\u00e3o consigo trabalhar, e se eu sair me diz como as contas vou pagar!?&#8221;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A \u00fanica mulher preta da empresa com 3 diplomas nas costas, e sete anos de casa mas adivinha ningu\u00e9m faz nada! Ningu\u00e9m se importa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E sempre v\u00e3o nos rotular, cansei de explicar vou come\u00e7ar a revidar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esses dias me perguntaram numa aula na universidade o que \u00e9 sobreviver pra voc\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esses dias me perguntaram numa aula na universidade o que \u00e9 sobreviver pra voc\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 ser preta e ainda estar viva!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <em>Suellen Groskopf<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tarde do \u00faltimo domingo de agosto, 27, nove artistas apresentaram suas poesias na final do Slam Guar\u00e1, batalha de poesia que est\u00e1 desde 2019 em Joinville, para garantir duas vagas na etapa estadual, que acontece em Florian\u00f3polis. O evento, que \u00e9 aberto e gratuito, ser\u00e1 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no pr\u00f3ximo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":14629,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,88],"tags":[1577,90,1787,449,451,1786],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14628"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14628"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14628\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15127,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14628\/revisions\/15127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}