{"id":14689,"date":"2023-10-02T14:46:52","date_gmt":"2023-10-02T17:46:52","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14689"},"modified":"2024-03-18T16:47:01","modified_gmt":"2024-03-18T19:47:01","slug":"em-santa-catarina-educacao-e-fator-decisivo-para-combater-a-violencia-politica-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/10\/02\/em-santa-catarina-educacao-e-fator-decisivo-para-combater-a-violencia-politica-de-genero\/","title":{"rendered":"Em Santa Catarina, educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fator decisivo para combater a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por: Maria Lu\u00edza Venturelli<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Neste cap\u00edtulo, a professora Vanessa da Rosa compartilha sua viv\u00eancia pessoal e os desafios enfrentados como mulher em uma posi\u00e7\u00e3o de poder<\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"0e66\">uando entende-se que o machismo e a viol\u00eancia de g\u00eanero s\u00e3o problemas estruturais da sociedade, \u00e9 poss\u00edvel recorrer a solu\u00e7\u00f5es. Uma das medidas para combater essa viol\u00eancia \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o anti machista, tanto nos ambientes escolares quanto dentro de casa. Ensinar as novas gera\u00e7\u00f5es que as mulheres devem ter autonomia e liberdade de viver sem sentir medo desde a inf\u00e2ncia \u00e9 possibilitar um futuro com uma sociedade mais igualit\u00e1ria e segura.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2a02\">Em 2023, entrou em vigor em Santa Catarina a Lei Maria da Penha Vai \u00e0 Escola, que cria estrat\u00e9gias para combater a viol\u00eancia contra a mulher na rede p\u00fablica de ensino. O texto foi promulgado no dia 20 de dezembro de 2023 pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), o deputado Moacir Sopelsa, do Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (PMDB).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9839\">A proposta busca divulgar em escolas da rede estadual, prioritariamente com alunos do ensino m\u00e9dio, os mecanismos previstos na lei federal n\u00ba 11.340, a Lei Maria da Penha, de 2006, que estabelece puni\u00e7\u00f5es para crimes de viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"382e\">A lei estadual prev\u00ea que sejam impulsionadas reflex\u00f5es sobre o combate \u00e0 viol\u00eancia e esclarece para os alunos a necessidade de denunciar casos aos \u00f3rg\u00e3os competentes. Tamb\u00e9m estabelece que devem ser feitas a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do respeito aos direitos humanos, principalmente aqueles que promovem a igualdade de g\u00eanero, al\u00e9m de movimentos que contribu\u00edram para a conquista dessas garantias.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"981f\">Para a professora do munic\u00edpio de Joinville Vanessa da Rosa, a educa\u00e7\u00e3o tem um papel essencial no combate a todas as vertentes da viol\u00eancia de g\u00eanero. \u201cNa minha escola, quando um menino agride uma menina, a gente faz ele estudar a Lei Maria da Penha. \u00c9 preciso educar meninos e meninas, n\u00e3o d\u00e1 para passar pano, fechar os olhos, porque ningu\u00e9m nasce machista, e sim aprende a ser. N\u00e3o nascemos, nos tornamos a partir das rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d, aponta a educadora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*-xaWW9qq4pToP5fUEXHCsg.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Arquivo Pessoal\/Vanessa da Rosa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"e3be\">A trajet\u00f3ria de Vanessa no mundo da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 longa. Aos 50 anos, ela \u00e9 professora de carreira em Joinville h\u00e1 33 anos. Natural de Curitiba (PR), fez o ensino fundamental, m\u00e9dio e magist\u00e9rio no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1. Aos 16 anos, passou a viver em Joinville sozinha, deixando a fam\u00edlia no estado vizinho. Foi na cidade catarinense que come\u00e7ou a fazer faculdade de pedagogia na Faculdade Guilherme Guimbala (ACE) e trabalhar no Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria (Sesi) de Joinville na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9404\">No Sesi atuou por 13 anos, onde passou a ser supervisora de educa\u00e7\u00e3o infantil. Neste mesmo per\u00edodo tamb\u00e9m fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Arte pela Universidade da Regi\u00e3o de Joinville (Univille). J\u00e1 em 2001 ela come\u00e7ou uma trajet\u00f3ria como professora de Hist\u00f3ria da Arte nos cursos de turismo, jornalismo, publicidade e propaganda e enfermagem da Faculdade Ielusc. Tamb\u00e9m foi aprovada no concurso p\u00fablico para atuar como professora de crian\u00e7as do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, no munic\u00edpio de Joinville.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Trajet\u00f3ria profissional\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ph8mOO42xxA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"2c1b\">Em toda a sua trajet\u00f3ria de vida, Vanessa foi um exemplo de algu\u00e9m que busca mudar o mundo atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ela sempre buscou mais, e em 2012, durante o governo de Carlito Merss, do Partido dos Trabalhadores (PT) conseguiu o feito hist\u00f3rico de ser a primeira mulher negra a comandar uma secretaria de Joinville, a pasta da Educa\u00e7\u00e3o. Para ela, toda essa caminhada dentro da educa\u00e7\u00e3o pode ser considerada um ato pol\u00edtico. \u201cA gente faz pol\u00edtica todos os dias. Mesmo nas rela\u00e7\u00f5es sociais a gente t\u00e1 fazendo pol\u00edtica\u2019, resume a educadora.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4141\">Como secret\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o, o desafio de Vanessa era ainda maior. Em uma cidade que cultua tradi\u00e7\u00f5es germ\u00e2nicas, ela, mulher negra perif\u00e9rica, funcion\u00e1ria de carreira, assumiu a maior rede de ensino do estado. Para ela, foi algo muito impactante em todos os sentidos, principalmente porque o racismo se mostrou muito presente quando Vanessa assumiu essa fun\u00e7\u00e3o. Ela relembra que como mulher negra, ao chegar nos eventos, precisava apresentar o cart\u00e3o de secret\u00e1ria, ou n\u00e3o seria reconhecida como tal.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"88a2\">Em toda a sua trajet\u00f3ria de vida, Vanessa foi um exemplo de algu\u00e9m que busca mudar o mundo atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ela sempre buscou mais, e em 2012, durante o governo de Carlito Merss, do Partido dos Trabalhadores (PT) conseguiu o feito hist\u00f3rico de ser a primeira mulher negra a comandar uma secretaria de Joinville, a pasta da Educa\u00e7\u00e3o. Para ela, toda essa caminhada dentro da educa\u00e7\u00e3o pode ser considerada um ato pol\u00edtico. \u201cA gente faz pol\u00edtica todos os dias. Mesmo nas rela\u00e7\u00f5es sociais a gente t\u00e1 fazendo pol\u00edtica\u2019, resume a educadora.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3e8b\">Como secret\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o, o desafio de Vanessa era ainda maior. Em uma cidade que cultua tradi\u00e7\u00f5es germ\u00e2nicas, ela, mulher negra perif\u00e9rica, funcion\u00e1ria de carreira, assumiu a maior rede de ensino do estado. Para ela, foi algo muito impactante em todos os sentidos, principalmente porque o racismo se mostrou muito presente quando Vanessa assumiu essa fun\u00e7\u00e3o. Ela relembra que como mulher negra, ao chegar nos eventos, precisava apresentar o cart\u00e3o de secret\u00e1ria, ou n\u00e3o seria reconhecida como tal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p id=\"4f90\"><em>\u201cEm cada fun\u00e7\u00e3o, eu senti na pele o que \u00e9 ser mulher e negra em uma cidade que ainda carrega um estigma muito grande, um racismo muito estrutural. Se pra mulher \u00e9 um ambiente que n\u00e3o estamos preparadas, para as negras \u00e9 ainda mais dif\u00edcil\u201d, declara.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"c326\">Apesar de 27% da popula\u00e7\u00e3o feminina se declarar negra, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) cont\u00ednua do IBGE, um levantamento feito pela consultoria Gest\u00e3o Kair\u00f3s, especializada em diversidade, aponta que, entre 900 l\u00edderes entrevistados, em n\u00edveis acima de ger\u00eancia, apenas 25% s\u00e3o mulheres e, entre elas, apenas 3% s\u00e3o negras. Al\u00e9m disso, no \u00e2mbito pol\u00edtico, mulheres negras representam apenas 2% do Congresso Nacional e s\u00e3o menos de 1% na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"bce1\">Esse fato tamb\u00e9m foi abordado por Vanessa no livro \u201cA invisibilidade da mulher negra em Joinville: forma\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o ocupacional\u201d, fruto da pesquisa realizada durante o mestrado da autora. A obra faz uma an\u00e1lise sobre como aconteceu a inser\u00e7\u00e3o de mulheres negras em centros de educa\u00e7\u00e3o infantil da rede p\u00fablica de Joinville e em setores da \u00e1rea da sa\u00fade, identificando fatores sociais, culturais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que influenciaram neste processo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*w0o9fnClFQb1zzrLxmrl2A.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Arquivo Pessoal\/Vanessa da Rosa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"2d7e\">Algo que tamb\u00e9m influenciou muito quando Vanessa assumiu como secret\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o foi o seu g\u00eanero, pois os \u00faltimos secret\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o de Joinville eram homens e a presen\u00e7a dela causou estranhamento em muitas pessoas. A educadora, desde o in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria profissional, em especial no cargo de secret\u00e1ria, sentiu na pele a viol\u00eancia de g\u00eanero que um cargo de poder feminino traz. Por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o ficou ainda pior quando ela decidiu se candidatar a um cargo eletivo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Racismo e machismo sempre presentes\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qYJ0QzNaaeI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"12de\">Ap\u00f3s o per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o na secretaria da educa\u00e7\u00e3o, Vanessa voltou a atuar na escola como professora e supervisora do ensino fundamental. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, se candidatou ao cargo de deputada estadual de Santa Catarina, pelo PT, na coliga\u00e7\u00e3o Federa\u00e7\u00e3o Brasil da Esperan\u00e7a \u2014 PT\/PCdoB\/PV. Ela, que sempre foi filiada ao partido mas nunca havia tentado se candidatar, define esse momento de sua trajet\u00f3ria como uma virada de vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*Ai68MJgNXlGBnEFGwnV_lg.png\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arte: Maria Lu\u00edza Venturelli<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"84ec\">\u201cEu resolvi aceitar o desafio e \u00e9 um desafio imenso. O Brasil foi um dos primeiros pa\u00edses a conceder o direito ao voto para a mulher. No entanto, as mulheres conquistaram o direito ao voto, mas n\u00e3o s\u00e3o votadas\u201d, reflete a educadora. Vanessa aponta que at\u00e9 mesmo o Afeganist\u00e3o possui mais mulheres em parlamentos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a601\">A luta das mulheres por seus direitos e pela equipara\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros ganhou for\u00e7a no mundo todo a partir do s\u00e9culo XIX, e um dos pontos fortes desse movimento era garantir a conquista de direitos pol\u00edticos para mulheres. Isso porque, nesse s\u00e9culo, as mulheres n\u00e3o eram enxergadas como cidad\u00e3s e, assim, ficavam exclu\u00eddas de uma das formas de exerc\u00edcio mais importantes desse direito.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"0257\">Al\u00e9m de n\u00e3o terem direito ao voto, as mulheres ficavam exclu\u00eddas da pol\u00edtica, n\u00e3o podendo candidatar-se aos cargos existentes. Foi somente por meio do engajamento das mulheres que o voto tornou-se um direito garantido. Essa luta aconteceu n\u00e3o somente no Brasil, mas em todos os pa\u00edses ocidentais. A a\u00e7\u00e3o em defesa do voto feminino ficou conhecida como movimento sufragista, e come\u00e7aram a ser debatidas no Brasil por volta do final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"998d\">Foi somente durante a presid\u00eancia de Get\u00falio Vargas que as mulheres tiveram seu direito ao voto garantido. Elas t\u00eam direito desde 1932, por meio do Decreto n\u00ba 21.076, assinado por Vargas. O decreto dava direito a mulheres casadas, com autoriza\u00e7\u00e3o de seus maridos, vi\u00favas e solteiras com renda pr\u00f3pria. Sem restri\u00e7\u00f5es, mulheres podem votar desde 1934. De l\u00e1 para c\u00e1, o desafio de ampliar a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres ainda \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua a vencer, lotado de misoginia e machismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*E6l8GINp9BlMn7zgL-KSaw.png\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arte: Maria Lu\u00edza Venturelli<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"8f90\">Um estudo realizado pela Uni\u00e3o Interparlamentar, organiza\u00e7\u00e3o internacional respons\u00e1vel pela an\u00e1lise dos parlamentos mundiais, mostra que dentre 192 pa\u00edses, o Brasil aparece na 142\u00b0 coloca\u00e7\u00e3o do ranking de participa\u00e7\u00e3o de mulheres na pol\u00edtica nacional. Os dados, que foram atualizados em outubro de 2021, analisam as elei\u00e7\u00f5es federais entre 1997 e 2018. Entre os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, apenas o Haiti ocupa uma posi\u00e7\u00e3o inferior ao Brasil no ranking que sinaliza a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"3942\">Conquista hist\u00f3rica<\/h1>\n\n\n\n<p id=\"5298\">Nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, a candidatura de Vanessa representou muito para as mulheres negras de Joinville e Santa Catarina. A professora atingiu mais de 17 mil votos e assumiu como primeira suplente, um feito hist\u00f3rico em um contexto de viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero e racismo. Ela cita que desde 1934, ou seja, h\u00e1 mais de 80 anos, o estado n\u00e3o elegia uma mulher negra como deputada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*X9lqR_EZiNw_3Py_CUCs2Q.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Arquivo Pessoal\/Vanessa da Rosa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"c938\">Essa conquista n\u00e3o acontecia desde Antonieta de Barros, primeira deputada estadual negra do Brasil, primeira deputada mulher no parlamento catarinense e a primeira representante feminina negra no poder legislativo em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"0842\">Em 1934, primeira elei\u00e7\u00e3o em que as mulheres brasileiras puderam votar e serem votadas para o Executivo e Legislativo, Antonieta concorreu para uma das vagas de deputada \u00e0 Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) e ficou suplente do Partido Liberal Catarinense (PLC). Como Le\u00f4nidas Coelho de Souza n\u00e3o tomou posse, Antonieta foi convocada e assumiu o mandato.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Baixa representatividade\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Vs16qsrGZvU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"89b8\">Vanessa destaca que todo esse processo de elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi nada f\u00e1cil. \u201cAs mulheres j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o muito votadas e dentro desse cen\u00e1rio de fazer campanha tamb\u00e9m tem muita viol\u00eancia. As pessoas n\u00e3o se percebem violentas, mas tem viol\u00eancia simb\u00f3lica, psicol\u00f3gica\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"eb85\">Ela tamb\u00e9m lamenta a triste hist\u00f3ria de in\u00fameras mulheres que foram candidatas apenas para cumprir a cota de 30% dos partidos. O Congresso Nacional promulgou em 5 de abril de 2023 a<a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/emecon\/2022\/emendaconstitucional-117-5-abril-2022-792479-norma-pl.html\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">&nbsp;Emenda Constitucional 117<\/a>&nbsp;(origin\u00e1ria da PEC 18\/21), que obriga os partidos pol\u00edticos a destinar no m\u00ednimo 30% dos recursos p\u00fablicos para campanha eleitoral \u00e0s candidaturas femininas, distribui\u00e7\u00e3o que deve ser proporcional ao n\u00famero de candidatas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9e59\">A cota vale tanto para o Fundo Eleitoral, como para recursos do Fundo Partid\u00e1rio direcionados \u00e0s campanhas. Os partidos tamb\u00e9m devem reservar no m\u00ednimo 30% do tempo de propaganda gratuita no r\u00e1dio e na televis\u00e3o \u00e0s mulheres. \u201cVoc\u00ea percebe a viol\u00eancia nos coment\u00e1rios e olhares. N\u00e3o entrei para brincar, fazer de conta ou cumprir os 30%. Mas sim fiz uma campanha justa, mostrei minha trajet\u00f3ria, de forma propositiva e alegre\u201d resume a parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"0656\">Em toda a campanha, Vanessa bateu muito na tecla de que, em 88 anos, era inadmiss\u00edvel que mais nenhuma negra, al\u00e9m de Antonieta de Barros, tivesse se sentado nas cadeiras da Alesc. A vontade de estar presente dentro da pol\u00edtica catarinense foi impulsionada pela necessidade de se manter firme para ser ouvida e representar todas as outras mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d0a1\">Entre as propostas, Vanessa deixou claro durante toda a campanha que al\u00e9m de defender o g\u00eanero feminino e os negros, tinha o compromisso de melhorar a educa\u00e7\u00e3o, exerg\u00e1-la al\u00e9m da sala de aula. Al\u00e9m disso, garantir mais seguran\u00e7a \u00e0s mulheres, dando a elas a certeza que seus agressores est\u00e3o sendo vigiados, criar varas especializadas para investigar e julgar os crimes contra elas e dar voz \u00e0 comunidade LGBTQIA tamb\u00e9m estavam nas propostas. \u201cS\u00f3 quem viveu na pele tudo isso, no dia a dia, sabe das necessidades\u201d, explica a suplente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Uma pauta de toda a sociedade by Por Todas N\u00f3s\" width=\"800\" height=\"400\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1547394436&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=1000&#038;maxwidth=800\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"cb23\">Vanessa relata que nunca sofreu viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero pessoalmente, mas nas redes sociais os ataques e ofensas eram comuns. Segundo ela, por tr\u00e1s das telas dos celulares e computadores, as pessoas t\u00eam coragem de proferir as mais duras palavras. \u201cEu adotei uma postura nas redes sociais que eu lia essas postagens e exclu\u00eda. Claro que n\u00e3o recebi uma amea\u00e7a de morte como in\u00fameras outras colegas, pois teria levado adiante. Mas xingamentos criei o costume excluir, pois acho de um profundo desrespeito e mal gosto a pessoa entrar na minha rede social para falar coisas negativas\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"67c5\"><strong>Bolsonarismo intensificou casos<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p id=\"6494\">A cada dois anos, o F\u00f3rum Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica divulga seu relat\u00f3rio com a coleta de dados relacionados \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher, al\u00e9m de estudos dos n\u00fameros para identificar causas e fatores de risco. As pesquisas identificaram um pico nas formas de viol\u00eancia contra a mulher, inclusive a viol\u00eancia pol\u00edtica, que est\u00e1 em seu n\u00edvel mais alto desde 2017. De acordo com o relat\u00f3rio, o bolsonarismo est\u00e1 atrelado \u00e0 explos\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*a1hi7QYHer7GVFVQt66-lw.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Elineudo Meira\/Brasil de Fato<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"da76\">A pesquisa foi feita em conjunto com o Datafolha. Pouco mais de mil mulheres, de 126 munic\u00edpios, foram entrevistadas ao longo da segunda semana de janeiro de 2023 sobre casos de viol\u00eancia de g\u00eanero que tenham vivenciado. Em 2019, com Bolsonaro rec\u00e9m eleito, 25,6% das entrevistadas afirmaram ter vivenciado algum tipo de agress\u00e3o, amea\u00e7a, persegui\u00e7\u00e3o ou estrangulamento. Em janeiro de 2023, logo ao acabar o governo, essa porcentagem subiu para 35,6%.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"cf89\">\u201cCom o bolsonarismo, a viol\u00eancia ficou mais intensa com as mulheres e legitimou. Santa Catarina est\u00e1 entre os estados mais violentos com elas. Quando a gente tem um governo abertamente machista, pessoas que j\u00e1 concordavam com essas posi\u00e7\u00f5es se sentem \u00e0 vontade para bater, falar, criticar mulheres\u201d, aponta Vanessa.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"bc30\">Viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero ronda mulheres em todas as regi\u00f5es de Santa Catarina<\/h1>\n\n\n\n<p id=\"2593\">No cen\u00e1rio pol\u00edtico catarinense, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complicada. Em diversos pontos do estado, mulheres em cargos eletivos precisam lidar com in\u00fameras formas de viol\u00eancia velada ou escancarada, por parte de colegas do meio pol\u00edtico ou at\u00e9 com ataques da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2acf\">Dentre as viol\u00eancias relatadas, a maior parte est\u00e1 relacionada ao machismo vivido diariamente, tanto dentro quanto fora dos partidos, manifestado por meio de ass\u00e9dios, amea\u00e7as, deslegitima\u00e7\u00e3o de seu lugar na pol\u00edtica, e falta de apoio \u2014 financeiro e pol\u00edtico \u2014 do partido \u00e0s suas candidaturas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2e88\">No dia 21 de fevereiro de 2018, a atual deputada federal por Santa Catarina, Ana Paula Lima (PT) sofreu uma ofensa mis\u00f3gina durante uma sess\u00e3o plen\u00e1ria da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), quando ainda era deputada estadual. O ataque aconteceu ap\u00f3s a parlamentar defender a extin\u00e7\u00e3o das Ag\u00eancias de Desenvolvimento Regionais (ADRs), \u00f3rg\u00e3os do governo do estado, por julg\u00e1-las \u201ccabide de emprego de partidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*1eCpxtdl_8AcEhPQOKRO7w.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Ag\u00eancia AL<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"8263\">Contr\u00e1rio \u00e0 opini\u00e3o, o deputado Roberto Salum usou a tribuna para dizer que n\u00e3o gostaria de debater com a deputada Ana Paula, \u201cmas com o marido dela, que \u00e9 homem\u201d. Ana \u00e9 casada com o ex-deputado federal e presidente do PT em Santa Catarina, D\u00e9cio Lima. Outro deputado, M\u00e1rio Marcondes, tamb\u00e9m usou a palavra para declarar apoio ao posicionamento do colega. Segundo testemunhas, o gesto de Salum recebeu o consentimento de outros deputados e passou entre risos no plen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"38c8\">J\u00e1 em 2019, a posse dos deputados eleitos na Alesc prometia ser hist\u00f3rica para as mulheres de Santa Catarina, que nunca haviam tido um n\u00famero t\u00e3o grande de representantes na Assembleia Legislativa, ainda que fossem apenas cinco. Por\u00e9m, o assunto principal envolvendo a posse das deputadas foi o macac\u00e3o usado por Ana Paula da Silva, do Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (PDT), durante a cerim\u00f4nia. A quinta parlamentar mais votada do estado virou alvo de cr\u00edticas devido \u00e0 roupa que usava.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2f26\">Paulinha, como \u00e9 conhecida, chegou a pensar que o seu traje de posse poderia provocar rea\u00e7\u00f5es por ser vermelho, uma cor estigmatizada desde as elei\u00e7\u00f5es de 2018. Por\u00e9m, foi o decote do macac\u00e3o, comprado especialmente para a ocasi\u00e3o, que causou alvoro\u00e7o nas redes sociais, e fez com que centenas de pessoas a chamassem de \u201cdaputada\u201d, \u201ctrabalhadora do cabar\u00e9\u201d e questionassem \u201ca quantos ela tinha dado\u201d para se eleger, entre outros incont\u00e1veis coment\u00e1rios ofensivos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*myatP8jJluY3OhV2lHD7Sw.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Luis Debiasi\/Ag\u00eancia AL<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"7dfa\">Os discursos de \u00f3dio, repletos de conte\u00fado mis\u00f3gino, tomaram tamanha repercuss\u00e3o que a Alesc emitiu uma nota de rep\u00fadio aos coment\u00e1rios ofensivos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2cc4\">\u201cRefor\u00e7amos que este tipo de vis\u00e3o n\u00e3o cabe mais em uma sociedade diversa, onde todo cidad\u00e3o tem o direito de se expressar. E que o ataque a qualquer parlamentar \u00e9 tamb\u00e9m um ataque ao Parlamento e, por consequ\u00eancia, \u00e0 democracia\u201d, disse a nota.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"bd49\">Atualmente, reeleita deputada estadual pelo Podemos, Paulinha ainda precisa lidar com coment\u00e1rios ofensivos por conta de sua vestimenta. Basta acessar as redes sociais da parlamentar para encontrar coment\u00e1rios repletos de machismo. \u201cIsso \u00e9 roupa de ir trabalhar?\u201d, comentou um internauta em uma publica\u00e7\u00e3o do dia 18 de maio de 2023. \u201cDel\u00edcia do congresso\u201d, disse outro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f336\">Os atos de ass\u00e9dio n\u00e3o param por a\u00ed. Em 8 de dezembro de 2022, a vereadora Carla Ayres (PT), que foi assediada em uma sess\u00e3o da C\u00e2mara de Florian\u00f3polis ao ser abra\u00e7ada e beijada \u00e0 for\u00e7a pelo seu colega de parlamento Marquinhos da Silva, do Partido Social Crist\u00e3o (PSC).<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/Cl4hw4wuKYn\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA%3D%3D\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">&nbsp;Ayres compartilhou o momento da viol\u00eancia nas redes sociais.<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*jCFYABtn3byp-6apRIgtkg.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Captura de tela: Partido dos Trabalhadores (PT)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"f566\">O ass\u00e9dio aconteceu no mesmo dia em que os parlamentares aprovaram a cria\u00e7\u00e3o da Procuradoria da Mulher na C\u00e2mara Municipal. Ela relata que estava conversando sobre outro projeto com vereadores aliados ao governo, Jeferson Richter Backer, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Maikon Costa, do Partido Liberal (PL) e Gabriel Meurer (Podemos), quando Marquinhos come\u00e7ou a fazer piadas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"001b\">Ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/catarinas.info\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Portal Catarinas<\/a>, Ayres contou detalhes do que aconteceu. \u201cO Marquinhos o tempo todo muito fanfarr\u00e3o no plen\u00e1rio, com uma postura de torcida, como se eu estivesse perdendo uma discuss\u00e3o para base do governo. Enquanto eu descia da tribuna, conversei com o Jeferson at\u00e9 sobre votar o projeto ontem mesmo, para n\u00e3o adiar\u201d, detalha a vereadora. Foi quando aconteceu o momento que \u00e9 poss\u00edvel ver no v\u00eddeo compartilhado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ccf7\">\u201cQuando eu passei ao lado do Marquinhos, ele fez uma gracinha como \u2018ah perdeu a discuss\u00e3o\u2019, eu nem me lembro exatamente o que ele falou, mas nesse sentido. Eu respondi \u2018para Marquinhos, essa \u00e9 uma discuss\u00e3o s\u00e9ria, n\u00e3o \u00e9 torcida, para de ser infantil\u2019, algo nesse sentido. E a\u00ed me virei, ele veio por tr\u00e1s e fez aquilo\u201d, conta em refer\u00eancia ao momento que \u00e9 abra\u00e7ada e beijada no rosto sem consentimento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6aba\">O parlamentar segurou a m\u00e3o da parlamentar, se levantou, abra\u00e7ou-a por tr\u00e1s e a beijou no rosto. A petista, instintivamente, afastou o rosto e seguiu caminhando.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ecef\">Pelas redes sociais, Marquinhos pediu desculpas e disse n\u00e3o perceber no momento que se tratava de um ass\u00e9dio. \u201cReconhe\u00e7o meu erro em abordar a vereadora de maneira inconveniente, sem a sua autoriza\u00e7\u00e3o, e diante disso pe\u00e7o minhas sinceras desculpas a ela e a todas as mulheres que se sentiram ofendidas pelo meu ato. Ressalto que em nenhum momento agi de maneira mal-intencionada, por\u00e9m, fui infeliz em invadir o seu espa\u00e7o. Levarei essa atitude equivocada como um aprendizado, compreendendo essa situa\u00e7\u00e3o e repudiando toda forma de ass\u00e9dio\u201d, escreveu.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"18f6\">J\u00e1 em 2023, a deputada federal J\u00falia Zanatta (PL) denunciou a conduta de um colega durante uma das sess\u00f5es da C\u00e2mara dos Deputados do dia 11 de abril. Nas imagens divulgadas por ela, o deputado M\u00e1rcio Jerry do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) aparece conversando pr\u00f3ximo ao pesco\u00e7o da parlamentar, pr\u00f3ximo ao ouvido dela.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6c4c\">De acordo com a deputada, ela participava da Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a P\u00fablica no plen\u00e1rio, quando foi abordada pelo colega. \u201cNunca dei liberdade para esse deputado e nem sabia qual era o nome dele, mas ele se sentiu LIVRE para chegar por tr\u00e1s de mim\u201d, disse ela em uma publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:583\/1*jW-0d5kLo9nIiouPk_pR3A.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Redes Sociais\/J\u00falia Zanatta<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"b870\">M\u00e1rcio Jerry escreveu nas redes sociais que a deputada \u201cdeturpou, distorceu\u201d a cena. \u201cFake news absurda. Apelei a ela para respeitar a deputada\u201d, pontuou. O parlamentar explicou que viu a deputada discutindo com Lidice da Mata, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e que ela estava agindo de forma desrespeitosa com a colega. O deputado alega que se aproximou e pediu respeito a sua aliada.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9459\">Trazer \u00e0 tona quest\u00f5es como as viol\u00eancias enfrentadas por essas mulheres revela que, al\u00e9m das barreiras hist\u00f3ricas para se eleger, quando as mulheres chegam ao poder ainda enfrentam muitas dificuldades para manter os cargos conquistados, simplesmente por serem mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c8bb\">Os desafios e o preconceito contra mulheres em cargos de poder s\u00e3o hist\u00f3ricos, mas vem ganhando contornos espec\u00edficos nos \u00faltimos anos, especialmente com o crescimento da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e resulta em um agravamento da rea\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres nos espa\u00e7os parlamentares.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A import\u00e2ncia da discuss\u00e3o by Por Todas N\u00f3s\" width=\"800\" height=\"400\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1547394787&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=1000&#038;maxwidth=800\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"8c29\">Para as prefeitas, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 preocupante. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2020, tr\u00eas em cada dez candidatas foram discriminadas por serem mulheres. O dado \u00e9 da pesquisa Equidade de G\u00eanero na Pol\u00edtica, desenvolvida pelo DataSenado em parceria com o Observat\u00f3rio da Mulher Contra Viol\u00eancia. Neste cen\u00e1rio, em 295 munic\u00edpios catarinenses, 28 prefeitas foram eleitas e comandam as prefeituras no estado desde 2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5a12\">Nilza Simas, do Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) \u00e9 a atual prefeita de Itapema, reeleita em 2020, sendo a candidata \u00e0 prefeitura que mais recebeu votos em todo o estado. Ela \u00e9 um exemplo de algo n\u00e3o comum para muitas mulheres em todo o pa\u00eds, pois conseguiu se consolidar na pol\u00edtica da cidade e conquistar espa\u00e7o em meio a maioria masculina.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c5a8\">Em 2008, Nilza se tornou vereadora na cidade e tamb\u00e9m a primeira mulher a assumir a presid\u00eancia da C\u00e2mara Municipal. Na reelei\u00e7\u00e3o, em 2012, foi recordista de votos entre as mulheres. Na elei\u00e7\u00e3o municipal seguinte, novo feito: a primeira mulher eleita para comandar o Executivo. E, em 2020, obteve a reelei\u00e7\u00e3o com 18.557 votos, representando um apoio de 63,74% do eleitorado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p id=\"208b\">\u201cN\u00e3o diria que o mundo pol\u00edtico \u00e9 machista, mas \u00e9 masculino, porque as mulheres n\u00e3o ousam entrar para a vida p\u00fablica. Elas t\u00eam um certo receio (\u2026) Temos que incentivar, com trabalho e n\u00fameros. As mulheres s\u00e3o capazes de assumir a vida p\u00fablica\u201d, disse Nilza, em entrevista ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/ndmais.com.br\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">ND+.<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"76c9\">Por Todas N\u00f3s<\/h1>\n\n\n\n<p id=\"04ee\">N\u00e3o se espera que algu\u00e9m aceite um convite para uma experi\u00eancia que promete ser dolorosa e cheia de empecilhos. Ao lutar para que mais mulheres ocupem espa\u00e7os de poder na pol\u00edtica, \u00e9 justamente isso que est\u00e1 sendo oferecido: uma experi\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 perigosa, mas violenta. Ao pensar na possibilidade de concorrer a um cargo eletivo, elas temem por sua seguran\u00e7a dentro e fora das redes sociais, e pelos ataques que sabem que ir\u00e3o sofrer n\u00e3o s\u00f3 de oponentes, mas tamb\u00e9m de colegas dentro do pr\u00f3prio partido. A viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero atinge, de certo modo, todas as mulheres que escolhem seguir pelo caminho da pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5e15\">Nos quatro cap\u00edtulos da reportagem especial \u201cPor Todas N\u00f3s\u201d foram contadas hist\u00f3rias de mulheres que tiveram a coragem de se impor e enfrentar todos os desafios de uma disputa pol\u00edtica em um pa\u00eds em que o g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual e ra\u00e7a s\u00e3o fatores determinantes para a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica. A baixa representatividade e participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica nacional podem ser considerados reflexos das desigualdades entre os g\u00eaneros presentes em tantas esferas da sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9553\">S\u00e3o formas de viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero todas as a\u00e7\u00f5es violentas direcionadas a mulheres que est\u00e3o na disputa do poder pol\u00edtico, seja nos partidos pol\u00edticos, nos movimentos sociais, durante a campanha eleitoral, ao longo do mandato e mesmo ap\u00f3s ele, por serem mulheres. Assim como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a viol\u00eancia pol\u00edtica pode incluir viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, simb\u00f3lica, sexual, patrimonial, moral ou feminicida, com o objetivo principal de diminuir ou anular direitos pol\u00edtico-eleitorais das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"fd3b\">Desde agosto de 2021, a Lei n.\u00ba 14.192\/2021, que criminaliza a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero, contribui para mudar o cen\u00e1rio e abre, no pa\u00eds, um momento de transi\u00e7\u00e3o de uma cultura de normaliza\u00e7\u00e3o para uma cultura de criminaliza\u00e7\u00e3o. Mesmo com avan\u00e7os no cen\u00e1rio pol\u00edtico para mulheres catarinenses e de todo o Brasil, ainda existem muitas lutas que precisam ser ganhas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"09bd\">Vanessa da Rosa, Maria Tereza Capra, Ana L\u00facia Martins, Maria Elisa M\u00e1ximo, Juliana Bertholdi e tantas outras citadas nesta reportagem s\u00e3o exemplos de mulheres que enfrentam batalhas di\u00e1rias e se mant\u00eam fortes mesmo em meio \u00e0 viol\u00eancia. Por meio destas personagens, a reportagem \u201cPor Todas N\u00f3s\u201d trouxe \u00e0 tona as viv\u00eancias e desafios de milhares de mulheres que, como elas, s\u00e3o incansavelmente diminu\u00eddas por conta do seu g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*Jrq3XKNVGdW3bt0e4rfFIA.png\" alt=\"\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Maria Lu\u00edza Venturelli Neste cap\u00edtulo, a professora Vanessa da Rosa compartilha sua viv\u00eancia pessoal e os desafios enfrentados como mulher em uma posi\u00e7\u00e3o de poder uando entende-se que o machismo e a viol\u00eancia de g\u00eanero s\u00e3o problemas estruturais da sociedade, \u00e9 poss\u00edvel recorrer a solu\u00e7\u00f5es. Uma das medidas para combater essa viol\u00eancia \u00e9 a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14690,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,188,1],"tags":[1797,1577,34,185,1796],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14689"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14689"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15132,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14689\/revisions\/15132"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}