{"id":14745,"date":"2023-10-18T14:00:00","date_gmt":"2023-10-18T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14745"},"modified":"2024-03-20T17:46:56","modified_gmt":"2024-03-20T20:46:56","slug":"a-cultura-drag-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/10\/18\/a-cultura-drag-em-joinville\/","title":{"rendered":"A cultura Drag em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por Anna Bibow e Milena Natali<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Felipe Arthur, conhecido pelo pseud\u00f4nimo de Gall\u00e1xia, atua como Drag Queen, cantor, compositor, DJ e arquiteto. \u00c9 considerado uma das Drag Queens mais influentes do norte catarinense. Seu primeiro contato com a arte ocorreu ainda na inf\u00e2ncia, e hoje, faz parte de uma tribo urbana pouco reconhecida na regi\u00e3o. De acordo com Felipe, as Drag Queens desempenham um papel importante na cultura LGBTQIAP+ ao quebrar estere\u00f3tipos de g\u00eanero e desafiar as normas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O artista escreveu recentemente uma m\u00fasica, seu primeiro trabalho audiovisual, nomeado \u201cPIRA\u201d. A m\u00fasica est\u00e1 nas plataformas de streaming e tem videoclipe no Youtube, contendo cenas de empoderamento. Santa Catarina \u00e9 o quarto estado brasileiro com mais registros de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAP+ e Gall\u00e1xia sente-se constantemente censurado. Apesar de n\u00e3o ser expl\u00edcito, esse cerceamento ocorre de diferentes maneiras, algumas das quais est\u00e3o relacionados ao preconceito e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, fazendo jus \u00e0 letra de sua m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1066\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-15-at-10.08.40-PM-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14748\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-15-at-10.08.40-PM-1.jpeg 1066w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-15-at-10.08.40-PM-1-1023x1536.jpeg 1023w\" sizes=\"(max-width: 1066px) 100vw, 1066px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Confira a entrevista:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em sua experi\u00eancia, quais as dificuldades de levar esse estilo de vida em cidade como Joinville?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acredito que ser Drag Queen no Brasil \u00e9 igualmente associado \u00e0 dificuldade, pois a arte Drag \u00e9 uma cultura marginalizada, as pessoas n\u00e3o v\u00eaem com bons olhos, afinal o desconhecido assusta. No geral, as Drags sofrem preconceitos em qualquer lugar do mundo, mas, especificamente em Joinville, creio que o maior problema \u00e9 a falta de oportunidades e de mercado para atuar. Nossa regi\u00e3o \u00e9 carente de espa\u00e7os que acolham esse grupo social e que deem liberdade para performar. As Drag Queens passam dificuldades independentemente da cidade no Brasil. Mas, em Joinville, faltam ambientes prop\u00edcios \u00e0 liberdade de express\u00e3o. Porque quem faz Drag, faz por amor, mas tamb\u00e9m faz por profiss\u00e3o. Santa Catarina \u00e9 desprovida de espa\u00e7os que acolham a gente, onde se possa trabalhar, para ent\u00e3o mostrar a nossa arte. Ent\u00e3o eu acredito que essa seja a maior adversidade aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o crescimento da cultura drag em Joinville?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Cultura Drag em Joinville passa por altos e baixos, de vez em quando alguns artistas passam pela cidade, entretanto, n\u00e3o permanecem por um longo per\u00edodo. Apenas os locais atuam de maneira fixa. Nesse momento, o cen\u00e1rio est\u00e1 em ascens\u00e3o, com mais eventos inclusivos na cidade, encontros e festas que abordam o tema de maneira relevante. Inclusive, sou produtor de uma festa chamada Drag Show, no Soma. \u00c9 um evento para realmente fomentar a cena Drag Queen, isso impulsiona o movimento na cidade e, por consequ\u00eancia, aparecerem novas Drags. At\u00e9 o Reality Show Drag Race Brasil mudou a perspectiva das pessoas sobre a cultura, essa visibilidade \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. Acredito que haver\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es constantes para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a sua rela\u00e7\u00e3o com as demais drags da cidade? Voc\u00eas compartilham as mesmas ideias e valores?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho contato com todas, mas tenho com a maioria. Com as Drag Queens da Velha Guarda, que s\u00e3o as artistas que j\u00e1 est\u00e3o a\u00ed fomentando a cena bem antes da gente, eu n\u00e3o tenho muito contato, mas com as da minha gera\u00e7\u00e3o, no geral, tenho uma \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o, n\u00f3s conversamos, nos apoiamos e, acima de tudo, nos respeitamos. Sempre com uma comunica\u00e7\u00e3o muito boa, at\u00e9 porque precisamos de uni\u00e3o, sabemos das dificuldades vivenciadas, ent\u00e3o a gente busca se abra\u00e7ar nessas causas em que compartilhamos o mesmo prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico, como \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o das pessoas? Tem alguma hist\u00f3ria que marcou sua carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o das pessoas geralmente \u00e9 muito calorosa, porque quem consome a arte Drag gosta do conte\u00fado. Ent\u00e3o esse p\u00fablico nos v\u00ea realmente como estrelas, tem total interesse em saber da nossa vida e dos nossos projetos. Esse carinho todo \u00e9 muito bom, o reconhecimento do trabalho faz todo o esfor\u00e7o valer a pena. Acho legal quando percebem um pouquinho do Felipe na Gallaxia e vice-versa. Inclusive, quando estou fora da minha Persona Drag, estou desmontado, essas pessoas v\u00eam trazer ainda esse carinho, ent\u00e3o \u00e9 muito legal. J\u00e1 passei por bastante viv\u00eancias, afinal, s\u00e3o 8 anos de Drag, \u00e9 uma longa caminhada. Uma experi\u00eancia recente foi a contrata\u00e7\u00e3o pela Workroom Porto Alegre, \u00e9 um bar que refor\u00e7a a cena Drag no sul do pa\u00eds, na verdade ele tem uma visibilidade nacional. Ent\u00e3o eu fiquei muito feliz de poder ter a oportunidade de pisar naquele palco e fazer o que fa\u00e7o de melhor. Acredito que seja uma das mem\u00f3rias mais marcantes pra mim, al\u00e9m do meu primeiro videoclipe e composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, \u2018PIRA\u2019, que \u00e9 uma grande mistura de pop, brega funk e trap.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como drag, voc\u00ea acredita que tem o reconhecimento necess\u00e1rio para sobreviver apenas da cultura em Santa Catarina, estado que ocupa o quarto lugar em registros de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAP+?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Olha, eu estou lutando e trabalhando muito para conseguir sobreviver apenas da minha arte. Mas ser artista no Brasil \u00e9 muito complicado, ainda mais Drag Queen, como eu comentei antes, as pessoas v\u00eam com outros olhos. Eu acredito que d\u00e1 pra viver somente com Arte Drag, mas se dedicar o tempo somente a isso. Ultimamente, inclusive, est\u00e1 aparecendo muito trabalho para performar, s\u00f3 que a quest\u00e3o de valoriza\u00e7\u00e3o na parte financeira n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, o que acaba n\u00e3o compensando. A maioria das Drags de S\u00e3o Paulo, que trabalham nas grandes baladas, t\u00eam um outro emprego durante o dia, porque realmente n\u00e3o d\u00e1 pra pagar todas as contas s\u00f3 vivendo da arte. Estou esperan\u00e7oso que as coisas v\u00e3o melhorar para a cena art\u00edstica drag queen nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00e1 experienciou alguma situa\u00e7\u00e3o de desconforto e\/ou censura na comunidade LGBTQIAP+?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se aconteceu, acho que foram pouqu\u00edssimas vezes, inclusive eu lembro que teve uma gay que olhou na minha cara e falou que eu estava feia. Ent\u00e3o, assim, tem muita gente sem no\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o entende todo o processo de constru\u00e7\u00e3o de uma Drag Queen, s\u00e3o tamb\u00e9m opini\u00f5es, ele n\u00e3o precisava me achar bonita ou feia, mas era quest\u00e3o de respeito mesmo, era s\u00f3 n\u00e3o ter falado nada, o que j\u00e1 poupa muita coisa. Outra situa\u00e7\u00e3o bem desconfort\u00e1vel que passei no ano passado, foi logo ap\u00f3s um evento. Estava em uma lanchonete com alguns amigos, um homem aproximou-se e sentou ao meu lado, come\u00e7ando a mexer na minha peruca e falar bobagens, fiquei t\u00e3o constrangida que levantei e pedi para que sa\u00edsse, ou chamaria pol\u00edcia. Mas, no geral, a comunidade me apoia bastante na cidade e regi\u00e3o, recebo muito mais coisas boas do que ruins.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em sua perspectiva, a diferen\u00e7a entre sexualidade e g\u00eanero influencia a opini\u00e3o p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade nem entende direito o que \u00e9 g\u00eanero e o que \u00e9 sexualidade. Ent\u00e3o, acabam misturando muita coisa, as pessoas n\u00e3o entendem nem o que \u00e9 Drag Queen, que n\u00e3o tem nada a ver com g\u00eanero e sexualidade, sabe? E sim com arte, express\u00e3o e cultura. Acredito que falta \u00e0s pessoas buscarem mais conhecimento. A gente tem um celular na palma da m\u00e3o 24 horas por dia, e falta as pessoas pararem de se alienar em conte\u00fados errados e prestarem mais aten\u00e7\u00e3o no que realmente \u00e9 dito, mas n\u00e3o \u00e9 ouvido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1066\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-15-at-10.08.40-PM-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14747\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-15-at-10.08.40-PM-2.jpeg 1066w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-15-at-10.08.40-PM-2-1023x1536.jpeg 1023w\" sizes=\"(max-width: 1066px) 100vw, 1066px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Anna Bibow e Milena Natali Felipe Arthur, conhecido pelo pseud\u00f4nimo de Gall\u00e1xia, atua como Drag Queen, cantor, compositor, DJ e arquiteto. \u00c9 considerado uma das Drag Queens mais influentes do norte catarinense. 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