{"id":14981,"date":"2023-12-05T09:59:07","date_gmt":"2023-12-05T12:59:07","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=14981"},"modified":"2024-03-18T17:15:13","modified_gmt":"2024-03-18T20:15:13","slug":"parto-domiciliar-planejado-conheca-mais-sobre-a-modalidade-em-ascensao-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/12\/05\/parto-domiciliar-planejado-conheca-mais-sobre-a-modalidade-em-ascensao-em-joinville\/","title":{"rendered":"Parto Domiciliar Planejado: conhe\u00e7a mais sobre a modalidade em ascens\u00e3o em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Dyeimine Senn&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo intitulado <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rgenf\/a\/MmKFntX3gb9qmTt8rwY8YKc\/?lang=pt\">\u201cPartos domiciliares planejados ocorridos em Joinville: perfil epidemiol\u00f3gico das mulheres e desfechos maternos e neonatais\u201d<\/a>, revelou que, de 79 gestantes atendidas por equipes de parto domiciliar, de janeiro de 2012 a mar\u00e7o de 2020, 83,5% dos partos ocorreram nos lares das fam\u00edlias, sem nenhum caso de morbidade materna (quando a mulher apresenta complica\u00e7\u00f5es graves no per\u00edodo gestacional, durante o parto e p\u00f3s-parto). Apenas 16,5%, houve a necessidade de transferi-las para o hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a orientadora deste estudo, Bruna Daniela Batista, os registros de atendimentos foram fornecidos pelas Equipes de Parto Domiciliar Bem-Querer e \u00c1rvore do Amor, ambas de Joinville. A pesquisa \u00e9 de autoria da enfermeira Rafaela Reinicke, que era residente da Maternidade Darcy Vargas na \u00e9poca. \u201cEla realizou este trabalho para concluir a especializa\u00e7\u00e3o de enfermagem em assist\u00eancia materno-infantil. A pesquisa passou pelo Comit\u00ea de \u00c9tica da maternidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Parto Domiciliar Planejado (PDP) trata-se de uma modalidade de parto e nascimento que ocorre de forma planejada, a partir de uma assist\u00eancia prestada por enfermeiras obstetras. Al\u00e9m disso, o PDP exige experi\u00eancia, treinamento e um plano de transfer\u00eancia bem estabelecido, seguindo protocolos e recomenda\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da Comiss\u00e3o de Direito \u00e0 Sa\u00fade da Subse\u00e7\u00e3o da OAB Joinville, Vin\u00edcius Maia, ressalta que, dentro das indica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, a mulher tem o direito de escolher como ser\u00e1 o seu parto. Inclusive, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) prev\u00ea essa possibilidade. \u201cPor meio da Portaria n\u00ba 1.459\/11, que criou a Rede Cegonha, as gestantes podem retirar na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade um kit para fazer o parto fora do ambiente hospitalar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados das an\u00e1lises tamb\u00e9m apontaram que mulheres que optaram pelo PDP em Joinville, t\u00eam, em m\u00e9dia, 31 anos de idade, s\u00e3o brancas, casadas, com alto n\u00edvel de escolaridade, multigestas, planejaram a gesta\u00e7\u00e3o e realizaram o pr\u00e9-natal adequadamente. O artigo foi publicado na Revista Ga\u00facha de Enfermagem, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 19 de junho de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os motivos que levaram casais a optarem pelo PDP, conforme consta no \u201cperfil epidemiol\u00f3gico das mulheres e desfechos maternos e neonatais\u201d, \u00e9 a insatisfa\u00e7\u00e3o com a assist\u00eancia prestada nos hospitais que costumam ser prestados de forma rotineira e, \u00e0s vezes, com t\u00e9cnicas violentas e ultrapassadas, que desestimulam a possibilidade da mulher ter sua autonomia respeitada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds com o maior \u00edndice de cesarianas, de acordo com dados do MS. Em 2022, 57,7% das gestantes tiveram parto ces\u00e1rea \u2014 foram mais de 1 milh\u00e3o de procedimentos. O n\u00famero \u00e9 quase quatro vezes maior que o recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), de 15%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que preocupam as mulheres est\u00e3o: a ideia de que a cesariana \u00e9 a alternativa mais segura em rela\u00e7\u00e3o ao parto normal; a preocupa\u00e7\u00e3o com a vida sexual ap\u00f3s ter o filho pela via natural; a busca pelo conforto proporcionado pela previsibilidade (marcar dia e hora para o nascimento do beb\u00ea); e o medo da dor do parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a enfermeira obstetra do Coletivo Bem-Querer Bruna Batista, desde que a medicina se apropriou do parto e nascimento, o parto natural ficou em segundo plano. \u201cEssa forma de assist\u00eancia ainda \u00e9 vendida como a \u00fanica realidade poss\u00edvel, o que faz com que muitas mulheres optem pela cesariana\u201d, considera Daniela Batista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da empreendedora, Suelen Cristina Padilha Andreacci, de 33 anos, que escolheu fazer parto em casa com a equipe de enfermeiras obstetras do Bem-Querer. \u201cEu estava com quatro meses de gesta\u00e7\u00e3o e tinha certeza que faria ces\u00e1rea. Sentia medo de n\u00e3o aguentar a dor e de morrer no parto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Andreacci disse que mudou de ideia porque buscou se informar a respeito da<\/p>\n\n\n\n<p>necessidade das interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. \u201cEu queria entender por que o m\u00e9dico injeta ocitocina para acelerar a dilata\u00e7\u00e3o, por que coloca a mulher para parir deitada, por que fazem episiotomia. Quando entendi que esses procedimentos, na maior parte das vezes, s\u00e3o desnecess\u00e1rios, decidi fazer parto humanizado em casa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m conta que temia a log\u00edstica interna do ambiente hospitalar, que, muitas vezes, impossibilita a gestante de ocupar o leito por muito tempo. \u201cQuando um m\u00e9dico acelera esse processo pode deixar sequelas, tanto na m\u00e3e, quanto na crian\u00e7a que nasce traumatizada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a profissional de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Renata Santayana Conversani, 42 anos, disse que escolheu fazer parto em casa porque n\u00e3o sentia confian\u00e7a nos m\u00e9dicos, ela teve dois partos em casa com a equipe do Bem-Querer. \u201cO parto humanizado \u00e9 pouco discutido porque vai na contram\u00e3o do sistema. As pessoas acreditam que o ambiente hospitalar \u00e9 mais seguro porque existe um discurso m\u00e9dico que aponta para isso e assusta as gestantes\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de popularmente ser um assunto pouco discutido, o parto humanizado j\u00e1 \u00e9 um modo de atendimento que tem pol\u00edtica p\u00fablica estabelecida pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade desde 2000, por meio do Programa de Humaniza\u00e7\u00e3o no Pr\u00e9-natal e Nascimento cujo objetivo \u00e9 \u201cqualificar a assist\u00eancia \u00e0 mulher e beb\u00ea, bem como auxiliar na redu\u00e7\u00e3o da morbimortalidade materna e neonatal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os requisitos legais para que um parto seja considerado humanizado, incluindo quest\u00f5es como a escolha do local de parto e a assist\u00eancia m\u00e9dica, a Lei n\u00ba 8.080\/90 regulamenta o funcionamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade. A Portaria n\u00ba 1.469\/2011 e a Portaria n\u00ba 569\/2000, tratam especificamente sobre Parto Humanizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, em Joinville possui a Lei Municipal n\u00ba 8.173\/2016 e em Santa Catarina, a Lei Estadual n\u00ba 16.869\/2016, que obriga que estabelecimentos hospitalares e cong\u00eaneres a permitirem a presen\u00e7a de doula durante o trabalho de parto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bem-Querer Parto Domiciliar Planejado&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do Coletivo Bem-Querer iniciou em 2011. Todas as enfermeiras na \u00e9poca j\u00e1 atuavam na obstetr\u00edcia, na assist\u00eancia em maternidades tradicionais e no modelo hospitalar. Formado pelas enfermeiras obstetras Rosimeire Pereira Bressan, Arnildes Rodrigues de Oliveira, Eliana Pontes e Ana Maria Brisola, no come\u00e7o, realizavam atendimento de forma individual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas faziam assist\u00eancia domiciliar focadas na amamenta\u00e7\u00e3o, outras realizavam atendimento pr\u00e9-parto, acompanhando o trabalho de parto em casa para depois ir \u00e0 maternidade. At\u00e9 que uma enfermeira obstetra de S\u00e3o Paulo, Maria Janu\u00e1rio, teve a ideia de prestar assist\u00eancia voltada \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o e passou a incentivar a realiza\u00e7\u00e3o do parto em domic\u00edlio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, cada uma foi estudando para realizar esse tipo de atendimento.\u201cN\u00e3o foi f\u00e1cil e s\u00f3 foi poss\u00edvel pois acredit\u00e1vamos neste modelo de assist\u00eancia e por isso buscamos nos aprimorar. Foi a\u00ed que surgiu uma gestante, interessada em fazer parto em casa\u201d, recorda Bruna Daniela Batista, uma das enfermeiras que hoje comp\u00f5em o coletivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Batista conta que, embora ainda n\u00e3o tivessem todo o material necess\u00e1rio, nem prontu\u00e1rio pronto, uma equipe de Florian\u00f3polis chamada Hanami, prestou aux\u00edlio para que elas pudessem realizar o primeiro atendimento de parto domiciliar, que ocorreu em 2012, em Jaragu\u00e1 do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a equipe do Bem Querer Parto Domiciliar \u00e9 composta por quatro enfermeiras obstetras, Rosimeire Bressan (2011), Arnildes de Oliveira (2011), Bruna Batista (2019) e Tayane de Oliveira Brasil (2022). Todas com experi\u00eancia em atendimento hospitalar e domiciliar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe atende os munic\u00edpios de Joinville, Guaramirim, Jaragu\u00e1 do Sul, Garuva, Araquari e, em \u00e9pocas de baixa temporada, S\u00e3o Francisco do Sul, Barra Velha, Pi\u00e7arras, Penha e Navegantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Juntas, desde 2011, j\u00e1 realizaram 147 atendimentos, sendo 117 partos domiciliares e 23 transfer\u00eancias (apenas 1 com urg\u00eancia). No ano de 2022, foram 16 atendimentos e em 2023, at\u00e9 o momento, 10.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao custo para realizar PDP com as enfermeiras do Bem-Querer, o valor varia conforme o munic\u00edpio. Joinville fica em torno de R$7.500, a depender da forma de pagamento. J\u00e1 em cidades vizinhas, fica em torno de R$6.000 a R$10.000, devido ao tempo de deslocamento. At\u00e9 o momento, o plano de sa\u00fade n\u00e3o cobre os servi\u00e7os de enfermagem obst\u00e9trica. \u201cNosso maior sonho \u00e9 que um dia o PDP fa\u00e7a parte do SUS e seja uma possibilidade para todas aquelas que desejam e podem\u201d, menciona Daniela Batista.<\/p>\n\n\n\n<p>O parto domiciliar pelo SUS, por enquanto, \u00e9 uma realidade apenas em Belo Horizonte (MG), com a equipe do Hospital Maternidade Sofia Feldman.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Esta reportagem foi publicada em 17 de novembro com um erro de interpreta\u00e7\u00e3o referente ao artigo utilizado como fonte de informa\u00e7\u00e3o. A reda\u00e7\u00e3o da REVI pede desculpas pelo erro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dyeimine Senn&nbsp; Um artigo intitulado \u201cPartos domiciliares planejados ocorridos em Joinville: perfil epidemiol\u00f3gico das mulheres e desfechos maternos e neonatais\u201d, revelou que, de 79 gestantes atendidas por equipes de parto domiciliar, de janeiro de 2012 a mar\u00e7o de 2020, 83,5% dos partos ocorreram nos lares das fam\u00edlias, sem nenhum caso de morbidade materna (quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,17,1],"tags":[1577,1783,1826,18],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14981"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14981"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14981\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14983,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14981\/revisions\/14983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}