{"id":15023,"date":"2023-12-12T10:05:41","date_gmt":"2023-12-12T13:05:41","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15023"},"modified":"2023-12-12T10:05:41","modified_gmt":"2023-12-12T13:05:41","slug":"as-faces-do-conflito-entre-hamas-e-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2023\/12\/12\/as-faces-do-conflito-entre-hamas-e-israel\/","title":{"rendered":"As faces\u00a0 do conflito entre Hamas e Israel"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Geopol\u00edtica e religi\u00e3o s\u00e3o causas dos combates que perduraram mais de 70 anos no Oriente M\u00e9dio sem perspectivas de ter um fim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Suyane Urbainski<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se passou mais de um m\u00eas que o mundo recebeu abruptamente informa\u00e7\u00f5es sobre os ataques em terras israelenses. Em 7 de outubro, iniciou o conflito Hamas e Israel, quando o Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Hamas), lan\u00e7ou foguetes a partir da Faixa de Gaza, em dire\u00e7\u00e3o a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos ataques, acontecia um festival de m\u00fasica eletr\u00f4nica na regi\u00e3o do kibutz Re\u2019im, pr\u00f3ximo \u00e0 Faixa de Gaza, que foi um dos primeiros alvos. Mais de 200 pessoas, a maioria delas jovens que participavam do evento, perderam a vida. Al\u00e9m disso, houve feridos que escaparam para o deserto, estradas ou se esconderam em lugares pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a CNN Brasil, no dia 23 de novembro, a Guerra j\u00e1 havia ultrapassado 15.900 mil mortos, mais de 35.000 mil feridos e mais de 7.000 mil desaparecidos, a maioria deles crian\u00e7as e mulheres. No dia 24 de novembro, um acordo entre Hamas e Israel iniciou uma tr\u00e9gua, com a liberta\u00e7\u00e3o de ref\u00e9ns e prisioneiros, mas no dia 1o de dezembro retomaram os ataques.<\/p>\n\n\n\n<p>Contratempo em Israel<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Geraldo Brauer, 73, \u00e9 aposentado e dono de uma pousada em Itapo\u00e1, onde vive com sua esposa, a pedagoga Rosana Maria de Lima Brauer, 66. O casal estava em Israel durante os ataques recentes. Eles descreveram o pa\u00eds como fortemente policiado. \u201cA minha sensa\u00e7\u00e3o era a de que a qualquer momento algo estava prestes a acontecer\u201d, conta Andr\u00e9. Na manh\u00e3 do dia 7 de outubro, o aposentado ouviu uma sirene soando do pr\u00e9dio em que estavam hospedados em Jerusal\u00e9m e consultou sites de jornais brasileiros, por\u00e9m, com a diferen\u00e7a de fusos, n\u00e3o havia informa\u00e7\u00f5es. \u201cSa\u00edmos para visitar Bel\u00e9m. A cidade palestina \u00e9 cercada e carros com placas de Jerusal\u00e9m n\u00e3o entram. O guia fez uma foto minha e da minha esposa pr\u00f3ximo a uma igreja e depois fomos notar os rastros de m\u00edsseis registrados no c\u00e9u\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O clima foi de apreens\u00e3o quando os port\u00f5es da cidade se fecharam durante a visita. Andr\u00e9 e Rosana deixaram o carro do lado de fora de Bel\u00e9m e cruzaram a cidade de t\u00e1xi, onde foram informados do fechamento dos port\u00f5es sem data para abertura. \u201cNossa comida e bebida acabaram e est\u00e1vamos sem banheiro. Recebemos um an\u00fancio por meio de alto falante que os port\u00f5es seriam abertos no dia seguinte\u201d. Os taxistas locais ofereceram ajuda para lev\u00e1-los para fora de Bel\u00e9m at\u00e9 o carro, onde estavam todas as bagagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegarem na hospedagem em Tel Aviv, um bombardeio come\u00e7ou e todos do pr\u00e9dio seguiram at\u00e9 o abrigo antia\u00e9reo. \u201cNa verdade os estrondos eram o sistema de defesa de Israel que interceptou as bombas lan\u00e7adas pelo Hamas. No domingo, entramos em contato com a embaixada solicitando a repatria\u00e7\u00e3o e na ter\u00e7a-feira pegamos o voo para Istambul\u201d.&nbsp; Andr\u00e9 ainda relata que a energia do aeroporto estava ca\u00f3tica, pessoas chorando, cancelamento de voos, check-ins lotados. \u201cQuando enfim entramos no voo, fizemos uma foto e enviamos para nossos amigos e familiares. Minha esposa at\u00e9 postou com a legenda \u201co sorriso do al\u00edvio\u201d pois era o sentimento presente no momento\u201d, diz o aposentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Parentes no conflito<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico Ilson Enk, 69, tem parentes na regi\u00e3o dos combates em Israel. \u201cMinha prima, netos e familiares vivem em sobressalto. Precisam dormir de roupas, apenas sem cal\u00e7ados. Ao soar o alarme de bombardeio ou m\u00edssil, s\u00f3 cal\u00e7am os sapatos e se deslocam at\u00e9 o bunker. O neto de uma prima foi atacado, h\u00e1 alguns meses antes da guerra, quando trabalhava em um restaurante de Tel Aviv, por um terrorista que desferiu v\u00e1rias facadas. Felizmente sobreviveu\u201d. O m\u00e9dico ainda acrescenta: \u201co povo pa- lestino merece seu espa\u00e7o, j\u00e1 previsto em acordos internacionais n\u00e3o consolidados. Precisamos de lideran\u00e7as&nbsp; inspiradas na paz, sem educar crian\u00e7as para o \u00f3dio desde a mais tenra idade. Judeus e palestinos precisam conviver. \u00c9 um tema complexo, mas precisamos acreditar num futuro sem terror, sem armas, sem ataques aleat\u00f3rios, com fronteiras estabelecidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivendo a guerra<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem vive pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o dos conflitos existe muita apreens\u00e3o. O m\u00e9dico aposentado Jorge Ignacio Szewkies, 71, reside em Jerusal\u00e9m h\u00e1 dois anos. Ele conta que na regi\u00e3o tudo est\u00e1 funcionando normalmente, com\u00e9rcio, escolas. Tem uma filha e netos que tamb\u00e9m moram l\u00e1,um deles nasceu h\u00e1 duas semanas. \u201cNesse per\u00edodo, passo o dia cuidando dos meus netos, j\u00e1 que meu genro foi convocado para a guerra, falamos com ele todos os dias\u201d, conta emocionado. Ele tamb\u00e9m relata o sentimento de tristeza, pelas mortes e sequestros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm 7 de outubro, n\u00e3o morreram s\u00f3 israelenses, foram crist\u00e3os, mul\u00e7ulmanos, tailandeses, argentinos, alem\u00e3es. Al\u00e9m dos sequestros desses povos, n\u00e3o vejo os pa\u00edses exigindo a liberdade deles. As guerras devem ser evitadas porque depois de come\u00e7adas viram trag\u00e9dias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperan\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista palestino-brasileira Eman Abusidu, 33, \u00e9 membro do Sindicato dos Jornalistas Brasileiros (FENAJ). Veio de Gaza em 2016 e atualmente reside em Florian\u00f3polis. Seus pais, irm\u00e3os e av\u00f3s ainda est\u00e3o l\u00e1. \u201cNenhuma palavra pode descrever a situa\u00e7\u00e3o em Gaza, o que as pessoas veem na televis\u00e3o \u00e9 apenas 1% do que realmente est\u00e1 acontecendo. H\u00e1 mais de 50 dias, tentamos convencer o mundo de que querem apagar a nossa hist\u00f3ria e exist\u00eancia, extinguindo nossas igrejas, mesquitas e monumentos\u201d, descreve a jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Eman tamb\u00e9m pontua como era o pa\u00eds quando vivia l\u00e1. \u201cEra complicado, existe um bloqueio terrestre, mar\u00edtimo e a\u00e9reo a Gaza desde 2007. Eles impedem os palestinos de muitas coisas, como entrada de comida, \u00e1gua, g\u00e1s, tudo est\u00e1 fechado. Al\u00e9m disso, j\u00e1 testemunhei guerras l\u00e1 antes, em 2009, 2012 e 2014. Espero que esta guerra acabe e eu possa ver meus pais em uma situa\u00e7\u00e3o melhor. Espero ver mais solidariedade internacional com o nosso povo, seja no Brasil ou em todo o mundo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geopol\u00edtica e religi\u00e3o s\u00e3o causas dos combates que perduraram mais de 70 anos no Oriente M\u00e9dio sem perspectivas de ter um fim Por Suyane Urbainski J\u00e1 se passou mais de um m\u00eas que o mundo recebeu abruptamente informa\u00e7\u00f5es sobre os ataques em terras israelenses. 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