{"id":15630,"date":"2024-07-11T19:19:40","date_gmt":"2024-07-11T22:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15630"},"modified":"2025-01-24T09:41:41","modified_gmt":"2025-01-24T12:41:41","slug":"rede-de-apoio-transforma-dor-em-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/07\/11\/rede-de-apoio-transforma-dor-em-forca\/","title":{"rendered":"Rede de apoio transforma dor em for\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Luana Alves da Maia, Stefani Junge e Maria Eduarda Alecrim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A mulher violentada precisa de uma rede de apoio para se sentir acolhida e em seguran\u00e7a para compartilhar seu caso e denunciar o agressor. Esse acolhimento precisa ocorrer de maneira adequada e humanizada. A assist\u00eancia mais conhecida \u00e9 a Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Crian\u00e7a, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), onde a v\u00edtima realiza a den\u00fancia. Entretanto, o hor\u00e1rio de atendimento pode limitar o acesso das v\u00edtimas.\u00a0 Segundo o Anu\u00e1rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP),\u00a0 60% das mulheres agredidas preferem recorrer \u00e0 ajuda de familiares. A Igreja onde frequentam tamb\u00e9m foi apontada por, 45% das entrevistadas e a op\u00e7\u00e3o amigos foi citada por 42%. Somente 31% das mulheres disseram fazer den\u00fancias em delegacias comuns e 22% recorrem \u00e0s Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Juliana Lima Medeiros, da DPCAMI de Joinville, destaca que existem muitas mulheres que deixam de denunciar por medo ou vergonha, mas n\u00e3o h\u00e1 dados oficiais sobre a \u201cn\u00e3o den\u00fancia\u201d. Evitar&nbsp; a puni\u00e7\u00e3o do agressor \u00e9 outro motivo que leva as mulheres a se calarem. Juliana conta que existe um protocolo&nbsp; municipal espec\u00edfico para v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, assim a agress\u00e3o tamb\u00e9m pode ser detectada quando a v\u00edtima recebe outros atendimentos de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, como escolas, servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Joinville, a Casa Abrigo Viva Rosa destina-se a mulheres e seus dependentes em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar com risco de morte ou grave amea\u00e7a. No per\u00edodo de acolhimento, rotinas s\u00e3o estabelecidas como alimenta\u00e7\u00e3o, limpeza e organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os. Tamb\u00e9m s\u00e3o realizadas atividades l\u00fadicas, pedag\u00f3gicas, grupos e oficinas planejadas de acordo com a aptid\u00e3o dos acolhidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Prefeitura de Joinville, a expans\u00e3o do n\u00famero de vagas na Casa Abrigo, no momento, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, considerando a demanda. S\u00e3o 24 vagas com acolhimento provis\u00f3rio de 180 dias, dependendo das situa\u00e7\u00f5es apresentadas. Outros tipos de assist\u00eancia s\u00e3o oferecidas \u00e0s mulheres e crian\u00e7as com parcerias para atendimento psicol\u00f3gico, jur\u00eddico e defensoria p\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cynthia da Luz, assessora jur\u00eddica do Centro de Direitos Humanos Maria da Gra\u00e7a Braz, defende a expans\u00e3o do n\u00famero de vagas na Casa Abrigo Viva Rosa. Para ela 24 lugares n\u00e3o atende as necessidades de uma cidade com mais de 600.000 habitantes. &#8220;\u00c9 apenas uma forma de dizer que existe, mas n\u00e3o d\u00e1 conta da real demanda,&#8221; lamenta Cynthia. Para a advogada, as estat\u00edsticas de viol\u00eancia contra mulheres em Joinville indicam a necessidade de um equipamento p\u00fablico muito mais robusto para oferecer um suporte adequado. &#8220;A Casa Viva Rosa \u00e9 fruto de uma luta muito grande da sociedade civil de Joinville no sentido de implementar essa pol\u00edtica p\u00fablica de apoio \u00e0 mulher v\u00edtima de viol\u00eancia,&#8221; explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma homenagem \u00e0 Rosa, uma mulher marginalizada que vivia na beira do cais do mercado p\u00fablico, simbolizando a exclus\u00e3o e opress\u00e3o sofrida por muitas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A precariedade das estruturas e a falta de servidores p\u00fablicos s\u00e3o pontos cr\u00edticos destacados por Cinthya. Anos atr\u00e1s a prefeitura extinguiu o programa espec\u00edfico que cuidava da viol\u00eancia contra mulheres, diluindo essa pol\u00edtica nos Centros de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS), em vez de manter um centro de refer\u00eancia espec\u00edfico para atendimento. A pol\u00edtica atual do governo municipal de Joinville para erradicar ou minimizar a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 considerada por Cynthia como extremamente ineficiente. &#8220;Pode-se dizer, de forma segura, que n\u00e3o atinge seus objetivos,&#8221; afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>As v\u00edtimas que v\u00e3o para o abrigo normalmente passaram por muitas dificuldades at\u00e9 conseguir quebrar o ciclo de viol\u00eancia. H\u00e1 casos de mulheres cujos parceiros t\u00eam hist\u00f3rico de uso de subst\u00e2ncias psicoativas e at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es envolvendo fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme informa\u00e7\u00f5es da prefeitura,&nbsp; para garantir a seguran\u00e7a e a prote\u00e7\u00e3o das mulheres depois que elas deixam a Casa Abrigo Viva Rosa, h\u00e1 uma solicita\u00e7\u00e3o de medida protetiva, antes mesmo do acolhimento tempor\u00e1rio. As v\u00edtimas s\u00e3o orientadas a manter a medida protetiva. A Pol\u00edcia Militar, por meio da Rede Catarina, faz o acompanhamento das medidas vigentes. Ao sair do acolhimento, todos os casos s\u00e3o encaminhados aos CREAS (Centro de Refer\u00eancia em Assist\u00eancia Social).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Baque Mulher, o ritmo que empodera<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel ignorar a presen\u00e7a delas. Quando chegam, o som dos tambores e chocalhos enchem o ambiente de ritmo, cor e dan\u00e7a. O Maracatu do Baque Mulher denuncia o machismo estrutural e a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento Nacional de Empoderamento Feminino Baque Mulher engloba m\u00fasica, dan\u00e7a e hist\u00f3ria e ajuda muitas pessoas a constru\u00edrem um novo futuro. Em Joinville, o Baque existe h\u00e1 9 anos, e teve seu in\u00edcio a partir de integrantes que j\u00e1 tocavam Maracatu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ser um canal direto de atendimento a casos de viol\u00eancia, o movimento promove encontros que s\u00e3o divulgados atrav\u00e9s das redes sociais. Isso traz mais proximidade para que as v\u00edtimas se sintam \u00e0 vontade para contar seu cen\u00e1rio de viol\u00eancia. Segundo Josenita, uma das integrantes do Baque, as mulheres contam atos machistas sofridos. Por estarem em um grupo do qual os homens n\u00e3o podem participar, elas se sentem mais confort\u00e1veis para falar. \u201cQuando temos rodas de conversa, que normalmente s\u00e3o tem\u00e1ticas, as mulheres costumam compartilhar suas hist\u00f3rias com as pessoas que est\u00e3o participando no dia\u201d, conta Josenita. Ampliar a rede de apoio \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de combater o machismo estrutural e, consequentemente, deixar um lugar mais seguro para elas.<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" alt=\"Multid\u00e3o de pessoas\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente com confian\u00e7a m\u00e9dia\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXc5PnZz_--W4iIc72-4ygU-RwAGy2vmPCDuQXKxruQnfWN7qm-A4XSHV_YKyR3uU1EeBxM8LsSbGCL7Qt8qhpVXBnJTc4usEpzxZ8Sz79Qsw1QeXIV_0kJKDZ-_9e4w1v5EUkSKpm__NI4xI5J-DYq7m-lh1B8Nbko8ro6Bv-GuTxIUg92wmA?key=eNW2DSc_f6JotP0bYGjGuQ\" width=\"567\" height=\"312\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luana Alves da Maia, Stefani Junge e Maria Eduarda Alecrim A mulher violentada precisa de uma rede de apoio para se sentir acolhida e em seguran\u00e7a para compartilhar seu caso e denunciar o agressor. 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