{"id":15642,"date":"2024-07-12T19:26:53","date_gmt":"2024-07-12T22:26:53","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15642"},"modified":"2025-01-24T09:39:34","modified_gmt":"2025-01-24T12:39:34","slug":"grupos-reflexivos-tentam-diminuir-reincidencia-dos-agressores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/07\/12\/grupos-reflexivos-tentam-diminuir-reincidencia-dos-agressores\/","title":{"rendered":"Grupos reflexivos tentam diminuir reincid\u00eancia dos agressores"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Por Guilherme Miranda e Mateus Oliveira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o assunto \u00e9  viol\u00eancia contra a mulher, \u00e9 inevit\u00e1vel confrontar uma realidade: o maior culpado \u00e9 o homem. No entanto, apenas personalizar a culpa n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio refletir sobre as ra\u00edzes desse problema. A viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 o resultado de uma jun\u00e7\u00e3o de fatores, incluindo normas sociais, desigualdades estruturais e quest\u00f5es individuais de poder e controle.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 patriarcal desde cedo, as brincadeiras dos meninos est\u00e3o muito mais voltadas ao vencer sexual e tamb\u00e9m para a guerra ou a viol\u00eancia mesmo que seja de forma inocente\u201d, afirma o  pesquisador Daniel Fauth Martins, psic\u00f3logo e mestre em Direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o muda o fato de que autores de atos violentos devem ser responsabilizados por suas a\u00e7\u00f5es. No entanto, a simples puni\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente para resolver o problema e, muitas vezes, nem acontece. Algumas iniciativas visam reduzir a reincid\u00eancia de atos violentos. S\u00e3o os chamados \u201cgrupos reflexivos\u201d, que discutem as causas da viol\u00eancia e oferecem suporte e interven\u00e7\u00e3o para aqueles que desejam mudar.  Esses projetos visam, n\u00e3o apenas responsabilizar os agressores por seus atos, mas tamb\u00e9m ajud\u00e1-los a entender e a modificar suas atitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO autor de viol\u00eancia \u00e9 o homem que botou em pr\u00e1tica o que j\u00e1 vivenciou ou viu, e por mais que isso n\u00e3o isente sua culpa, buscamos tratar, nos grupos, como foi o contato com a viol\u00eancia e trazer o pensamento de que ele \u00e9 s\u00f3 mais um, mas \u00e9 totalmente a respeito dele\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pol\u00edcia Civil de Joinville informou que h\u00e1 palestras feitas por policiais civis intituladas \u201cPapo de Homem para Homem\u201d, nas quais s\u00e3o feitas reflex\u00f5es a respeito de condutas que caracterizam atos violentos contra a mulher. Essas palestras incentivam a mudan\u00e7a de comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, os grupos buscam trazer a reflex\u00e3o por meio do di\u00e1logo, abrindo espa\u00e7o para que os autores de atos violentos conversem e entendam que agiram errado e que a mudan\u00e7a depende deles.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bons resultados<\/h2>\n\n\n\n<p>Pesquisa realizada pelo N\u00facleo Margens, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), mostra que a reincid\u00eancia entre homens que passaram pelos grupos \u00e9 de apenas 5% contra 30% daqueles que n\u00e3o participaram do programa. O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior n\u00famero de grupos registrados no mundo, cerca de 500, que est\u00e3o sob o radar dos pesquisadores da UFSC, e a tend\u00eancia \u00e9 crescer ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na capital catarinense, h\u00e1 uma Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher, que atua investigando os casos de maior complexidade e de abrang\u00eancia estadual, dando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos crimes. Em Santa Catarina h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o em 100% dos casos de feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma boa not\u00edcia tamb\u00e9m \u00e9 que  os grupos reflexivos para homens autores de viol\u00eancia contra mulheres est\u00e3o em crescimento no estado.  De acordo com dados preliminares da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, que ser\u00e3o divulgados na \u00edntegra no come\u00e7o do pr\u00f3ximo semestre, houve um aumento de 34,37% na exist\u00eancia dos grupos, que saltaram de 32, em 2022, para 43 atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento vai ao encontro de uma das atualiza\u00e7\u00f5es feitas na Lei Maria da Penha (Lei n\u00ba 13.984\/2020), em 2020, que estabelece ao agressor a obrigatoriedade de frequentar centros de educa\u00e7\u00e3o e de reabilita\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de fazer acompanhamento psicossocial.<\/p>\n\n\n\n<p>Fornecer apoio e orienta\u00e7\u00e3o adequados a esses homens contribui para ajud\u00e1-los a mudar seus padr\u00f5es de comportamento e para interromper o ciclo de viol\u00eancia.  Embora o caminho \u00e0 frente possa ser longo e desafiador, promover uma cultura de responsabilidade e respeito m\u00fatuo \u00e9 um passo importante em dire\u00e7\u00e3o a um futuro onde a viol\u00eancia contra a mulher seja coisa do passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Por Guilherme Miranda e Mateus Oliveira Quando o assunto \u00e9 viol\u00eancia contra a mulher, \u00e9 inevit\u00e1vel confrontar uma realidade: o maior culpado \u00e9 o homem. No entanto, apenas personalizar a culpa n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio refletir sobre as ra\u00edzes desse problema. 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