{"id":15645,"date":"2024-07-13T21:00:24","date_gmt":"2024-07-14T00:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15645"},"modified":"2025-01-24T09:42:31","modified_gmt":"2025-01-24T12:42:31","slug":"tornar-se-mulher-e-a-violencia-de-genero-como-projeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/07\/13\/tornar-se-mulher-e-a-violencia-de-genero-como-projeto\/","title":{"rendered":"Tornar-se mulher \u00e9 a viol\u00eancia de g\u00eanero como projeto"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Elisa Moraes e Yasmin Pohlmann<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O segundo volume da obra O Segundo Sexo, escrito por Simone de Beauvoir (1908-1986), emplaca uma das frases mais emblem\u00e1ticas do movimento feminista internacional com uma reflex\u00e3o que motiva estudiosos do mundo inteiro a compreenderem o fen\u00f4meno do g\u00eanero sob uma outra \u00f3tica: \u201cn\u00e3o se nasce mulher, torna-se mulher\u201d. Provocativa como a pr\u00f3pria complexidade do pensamento da autora, a frase prop\u00f5e a compreens\u00e3o do g\u00eanero como uma composi\u00e7\u00e3o de diversas determina\u00e7\u00f5es moldadas pela sociedade. O movimento de \u201cdesnaturalizar\u201d o acontecimento do ser Mulher significa negar a posi\u00e7\u00e3o de Mulher como uma determina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e entend\u00ea-la como um conceito produzido e reproduzido coletiva e individualmente pelas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o se nasce mulher, torna-se mulher&#8221; \u00e9 um pensamento cl\u00e1ssico de Simone de Beauvoir para dizer que h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o social imposta \u00e0s mulheres. \u201cA sociedade nos imp\u00f5e determinadas caracter\u00edsticas, vai nos moldando no dia a dia. N\u00e3o \u00e9 assim que nascemos, a gente torna-se mulher atrav\u00e9s dos estere\u00f3tipos que nos s\u00e3o colocados: essas correntes que a gente pensa sempre em quebrar\u201d, afirma Ane Wisbeck, que foi professora por 33 anos, sindicalista e \u00e9 ativista no Movimento Feminista da Diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito da Mulher implica compreender suas m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es ao longo de diferentes lugares, tempos hist\u00f3ricos e contextos culturais. A divis\u00e3o dos pap\u00e9is de g\u00eanero varia significativamente entre culturas, etnias e per\u00edodos hist\u00f3ricos, n\u00e3o sendo resultado de um projeto isolado com autoria determinada, mas sim de complexas rela\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas e eventos hist\u00f3ricos que moldaram o tecido social contempor\u00e2neo. Esses padr\u00f5es hist\u00f3ricos fundamentais contribu\u00edram para a estrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo e da divis\u00e3o social do trabalho. Para Ane, que tamb\u00e9m \u00e9 sobrevivente da viol\u00eancia dom\u00e9stica, as institui\u00e7\u00f5es ainda perpetuam esses pap\u00e9is de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cSob um olhar cr\u00edtico, quando eu penso nas institui\u00e7\u00f5es, elas nos mant\u00eam e sempre querem nos manter nessa posi\u00e7\u00e3o de sermos subalternas e subjugadas. N\u00f3s temos as institui\u00e7\u00f5es religiosas, as governamentais, a familiar e todos os espa\u00e7os que n\u00f3s estamos, que n\u00f3s ocupamos, as pol\u00edticas, ainda \u00e9 muito fundamentado o machismo estrutural, resultado daquele patriarcado. As institui\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o fundamentalistas e ali, se Deus criou assim, assim ser\u00e1. E assim, n\u00f3s devemos obedi\u00eancia ao marido, ao homem. As governamentais, com o capitalismo que n\u00f3s temos, nos colocam ainda na mesma posi\u00e7\u00e3o de sermos subjugadas ao homem, de estarmos ajudando o homem e de sermos um. Uma m\u00e3o de obra barata. Dentro das institui\u00e7\u00f5es familiares, o patriarcado ainda \u00e9 fort\u00edssimo, onde o abuso sexual de crian\u00e7as adolescentes \u00e9 naturalizado, onde a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 naturalizada. Ent\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es, do jeito que est\u00e3o constitu\u00eddas, elas insistem em nos colocar nessa posi\u00e7\u00e3o de inferioridade e nos aniquilam.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Neste contexto, diversos movimentos sociais  surgem com o intuito de debater, conscientizar e lutar pela garantia e manuten\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres e pela constru\u00e7\u00e3o de uma realidade igualit\u00e1ria. O feminismo surgiu no s\u00e9culo XIX como uma das ferramentas de organiza\u00e7\u00e3o social, protagonizado por mulheres e fundamental aos avan\u00e7os hist\u00f3ricos na luta pela igualdade de g\u00eanero. Para Ane, os movimentos sociais t\u00eam esse papel de movimentar a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O olhar da cultura sob a Mulher<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"873\" height=\"1146\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/1000059000.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15646\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Joinville, Thuani Stolf utiliza a arte para propor uma nova forma de ser e de enxergar a mulher no mundo atrav\u00e9s do seu espet\u00e1culo de palha\u00e7aria intitulado \u201cQuem inventou o Tabu?\u201d. Nele, Thuani desenvolve uma personagem livre e questionadora que conta as suas interpreta\u00e7\u00f5es acerca da hist\u00f3ria da opress\u00e3o feminina e seus impactos na sa\u00fade mental da mulher, promovendo um espa\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o e autoconhecimento para os espectadores.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;E como o espet\u00e1culo reflete tudo isso, \u00e9 pela experi\u00eancia de estar em contato com uma mulher palha\u00e7a que est\u00e1 \u00e0 vontade com os seus buracos, tanto no sentido do prazer quanto no sentido da falta, da solid\u00e3o, da car\u00eancia, da d\u00favida, da tristeza e tamb\u00e9m no lugar da festividade, da celebra\u00e7\u00e3o, da satisfa\u00e7\u00e3o, do \u00eaxtase. A experi\u00eancia do espet\u00e1culo \u00e9 para as pessoas vivenciarem sensa\u00e7\u00f5es, respira\u00e7\u00f5es, movimentos, como se n\u00e3o existisse esses tabus. Como se a gente estivesse num espa\u00e7o al\u00e9m. Para fora dessa separa\u00e7\u00e3o que foi criada sobre a sexualidade e proporcionar para as pessoas um ambiente seguro, confort\u00e1vel e feliz sobre a sexualidade tamb\u00e9m, de um lugar leve, de um lugar que \u00e0s vezes a gente s\u00f3 se permite viver l\u00e1 dentro da gente ou dentro de casa, ou em quatro paredes e aqui a gente pode vivenciar isso juntos, de uma forma leve e divertida ent\u00e3o a minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 refletir todos esses tabus para uma experi\u00eancia positiva de sexualidade bem longe da pornografia, \u00f3bvio, e bem perto de uma humanidade \u00edntegra e livre de verdade.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Thuani, \u00e9 a sociedade civil organizada que tenta quebrar os paradigmas do patriarcado, do machismo, do racismo e da LGBTfobia. \u201cFazem apenas 200 anos e, dentro de um contexto hist\u00f3rico \u00e9 pouco, que n\u00f3s temos direitos garantidos pela legisla\u00e7\u00e3o\u201d, completa a artista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elisa Moraes e Yasmin Pohlmann O segundo volume da obra O Segundo Sexo, escrito por Simone de Beauvoir (1908-1986), emplaca uma das frases mais emblem\u00e1ticas do movimento feminista internacional com uma reflex\u00e3o que motiva estudiosos do mundo inteiro a compreenderem o fen\u00f4meno do g\u00eanero sob uma outra \u00f3tica: \u201cn\u00e3o se nasce mulher, torna-se mulher\u201d. 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