{"id":15681,"date":"2024-07-24T14:59:45","date_gmt":"2024-07-24T17:59:45","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15681"},"modified":"2024-07-24T15:02:20","modified_gmt":"2024-07-24T18:02:20","slug":"resenhando-a-arte-da-adaptacao-analisando-orgulho-e-preconceito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/07\/24\/resenhando-a-arte-da-adaptacao-analisando-orgulho-e-preconceito\/","title":{"rendered":"Resenhando | A arte da adapta\u00e7\u00e3o, analisando \u201cOrgulho e Preconceito\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Bem-vindo ao Resenhando! Uma s\u00e9rie de tr\u00eas textos que vai analisar tr\u00eas filmes de romance adaptados de livros, aqueles que voc\u00ea simplesmente n\u00e3o pode perder na vida. Este \u00e9 apenas o primeiro texto de uma trinca incr\u00edvel, ent\u00e3o depois de se deliciar com este, n\u00e3o esque\u00e7a de conferir os outros dois. Prometo que voc\u00ea vai adorar! Ent\u00e3o, prepara a pipoca, pega o controle remoto e liga a TV, porque depois dessas resenhas, voc\u00ea vai correr para assistir aos filmes!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por: Hayana Ribas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOrgulho e Preconceito\u201d (\u201cPride and Prejudice\u201d) \u00e9 um filme lan\u00e7ado em 2005, sob a dire\u00e7\u00e3o do cineasta brit\u00e2nico Joe Wright, hoje est\u00e1 dispon\u00edvel nos servi\u00e7os de streaming, Netflix, Amazon Prime Video e Telecine. Este longa-metragem \u00e9 uma das v\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es do famoso romance hom\u00f4nimo da escritora inglesa Jane Austen, publicado em 1813. A hist\u00f3ria se desenrola na Inglaterra no final do s\u00e9culo XVIII e gira em torno da fam\u00edlia Bennet, composta por um casal e suas cinco filhas.<\/p>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o do famoso romance mant\u00e9m fielmente a ess\u00eancia do livro original. O filme consegue transmitir a hist\u00f3ria de forma eficiente, preservando o frescor e a atmosfera do romance. Isso resulta em uma adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica exemplar, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel ser fiel ao material original e ainda criar um \u00f3timo filme. Embora as adapta\u00e7\u00f5es n\u00e3o precisem seguir exatamente suas fontes, mas quando o objetivo \u00e9 a fidelidade art\u00edstica, este filme \u00e9 um excelente exemplo de como fazer isso bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo presente no trabalho de Jane Austen est\u00e1 neste filme: a trama principal e as rela\u00e7\u00f5es entre os personagens, o subtexto que revela o comportamento da \u00e9poca e desafia seus valores, a delicadeza e o charme que criam a atmosfera daquele universo, e os in\u00fameros di\u00e1logos espirituosos e mordazes dos personagens.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A complexidade e constru\u00e7\u00e3o dos personagens<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A primeira sequ\u00eancia de cenas \u201cOrgulho e Preconceito\u201d revela grande parte da din\u00e2mica do filme e das personalidades dos membros da fam\u00edlia Bennet. Elizabeth (Lizzy) \u00e9 vista sozinha lendo um livro, logo depois entra em sua casa de classe m\u00e9dia-alta indo ao encontro do restante da fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma de suas irm\u00e3s toca piano, outras duas correm rindo, e seus pais discutem a chegada de um homem rico e solteiro na cidade. A c\u00e2mera de Wright \u00e9 h\u00e1bil em explorar as v\u00e1rias nuances de cada personagem: Jane \u00e9 mostrada de maneira isolada, como uma figura mais calma e distinta; Mary, que aparece pouco no filme, mas \u00e9 descrita no livro como mais reclusa e menos fr\u00edvola, \u00e9 vista apenas de costas; as outras duas irm\u00e3s representam a futilidade, sempre preocupadas com homens e riquezas; al\u00e9m, \u00e9 claro da matriarca da fam\u00edlia Bennet, que trata as filhas como neg\u00f3cios a serem trabalhados visando o casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso \u00e9 mostrado em poucos minutos de filme. Lizzy \u00e9 apresentada como a \u00fanica personagem com &#8220;algo a dizer&#8221;. Embora Mary e a irm\u00e3 mais velha, Jane, tamb\u00e9m n\u00e3o se encaixem no padr\u00e3o de futilidade, apenas Lizzy tem uma profundidade subjetiva a ser explorada. Ela se destaca naquele ambiente de elite, repleto de bailes e jantares, como uma figura singular, com fina ironia e respostas r\u00e1pidas que surgem nos di\u00e1logos.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro faz um excelente trabalho com os di\u00e1logos, preservando o tom \u201cantigo\u201d sem torn\u00e1-los chatos, ao adicionar ironia e vivacidade. Temos di\u00e1logos descontra\u00eddos e sarc\u00e1sticos, e outros mais sentimentais e profundos, especialmente nas cenas entre Lizzy e Sr. Darcy na segunda metade do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>O jeito e a presen\u00e7a marcante de Lizzy n\u00e3o \u00e9 resultado de uma busca incessante por empoderamento feminino, mas sim de uma abordagem sutil articulada pelo roteiro, dire\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o. Keira Knightley, que a interpreta, possui uma delicadeza que combina perfeitamente com a aud\u00e1cia da personagem, criando uma atua\u00e7\u00e3o que cativa o espectador e desperta nossa afei\u00e7\u00e3o por ela. Knightley consegue ser doce sem parecer melosa e desafia as conven\u00e7\u00f5es de sua \u00e9poca sem adotar uma postura r\u00edgida. Sua interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 moderna o suficiente para ser contestadora, mas ainda cl\u00e1ssica para exalar feminilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o de seu par rom\u00e2ntico, temos o Sr. Darcy, interpretado por Matthew Macfadyen, que desempenha seu papel com destreza, embora ele n\u00e3o tenha o mesmo carisma de Knightley, o que, acredito que contribui para seu sucesso. Seu personagem \u00e9 estabelecido atrav\u00e9s de um tom meio ranzinza, que inicialmente provoca a repulsa de Lizzy. No entanto, \u00e9 justamente atrav\u00e9s desses conflitos que a reviravolta do filme ocorre, desenvolvendo o romance entre o casal.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois pontos, a primeira impress\u00e3o negativa de Lizzy sobre Darcy e a segunda impress\u00e3o positiva, s\u00e3o elementos centrais do filme e do livro. Uma das ideias de t\u00edtulo para o romance de Jane Austen era \u201cPrimeiras Impress\u00f5es\u201d, refletindo esses sentimentos. No entanto, o t\u00edtulo final foi \u201cOrgulho e Preconceito\u201d, onde Lizzy representa o preconceito com que v\u00ea Darcy, e ele, o orgulho com que encara Lizzy. Essas primeiras impress\u00f5es s\u00e3o moldadas pela aud\u00e1cia de Lizzy e a frieza de Darcy. Acredito que o filme, seja mais do que um simples romance, \u00e9 uma hist\u00f3ria sobre quest\u00f5es morais, sociais e sentimentais que est\u00e3o interligadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1080\" height=\"1035\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_3771.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15685\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Elementos t\u00e9cnicos e visuais&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em termos t\u00e9cnicos, a produ\u00e7\u00e3o de \u201cOrgulho e Preconceito\u201d, sendo uma obra de \u00e9poca repleta de graciosidade, demanda um cuidado meticuloso com sua est\u00e9tica visual. A fotografia \u00e9 diversificada, destacando-se pelos planos que capturam cores e tonalidades distintas, especialmente nos cen\u00e1rios internos bem iluminados. A dire\u00e7\u00e3o de arte, ao retratar as elites da \u00e9poca, \u00e9 deslumbrante, com decora\u00e7\u00f5es e figurinos fabulosos que emanam a eleg\u00e2ncia do per\u00edodo hist\u00f3rico retratado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 montagem, destaca-se o plano sequ\u00eancia mencionado no in\u00edcio do texto, que introduz o filme e situa perfeitamente os personagens. Al\u00e9m disso, chamam a aten\u00e7\u00e3o momentos como o plano detalhe de Darcy segurando a m\u00e3o de Lizzy ao sair de uma carruagem e os movimentos de c\u00e2mera durante as dan\u00e7as nos bailes ao longo do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico problema do filme \u00e9 como o romance entre Jane e o Sr. Bingley \u00e9 tratado, sem desenvolvimento suficiente entre eles. Isso faz com que o epis\u00f3dio em que ela est\u00e1 doente na casa dele seja apresentado de maneira abrupta e fora de contexto na trama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o Sr. Bingley \u00e9 retratado de forma simplista, como uma caricatura de um homem bobo e incapaz de se expressar. Apesar disso, esses pontos n\u00e3o diminuem a for\u00e7a da adapta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 repleta de ternura e delicadeza, capturando com precis\u00e3o a ess\u00eancia da \u00e9poca e colocando em destaque os sentimentos dos personagens principais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"984\" height=\"640\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_3770.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15686\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saiba mais sobre o filme<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Nome: \u201c<\/strong>Orgulho e Preconceito\u201d (\u201cPride &amp; Prejudice\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ano:<\/strong> 2005<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pa\u00eds: <\/strong>Fran\u00e7a\/Reino Unido\/Estados Unidos<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>Joe Wright<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roteiro: <\/strong>Joe Wright, Emma Thompson, Deborah Moggach, Jane Austen (livro)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elenco:<\/strong> Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Donald Sutherland, Brenda Blethyn, Rosamund Pike, Jena Malone, Talulah Riley, Carey Mulligan, Claudie Blakley, Judi Dench, Tom Hollander, Kelly Reilly, Rupert Friend, Simon Woods, Penelope Wilton, Peter Wight, Tamzin Merchant, Roy Holder<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 127 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota no Rotten Tomatoes: <\/strong>87% de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde assistir: <\/strong>Netflix, Amazon Prime Video e Telecine.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem-vindo ao Resenhando! 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