{"id":15693,"date":"2024-08-01T15:57:23","date_gmt":"2024-08-01T18:57:23","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15693"},"modified":"2024-08-08T14:49:59","modified_gmt":"2024-08-08T17:49:59","slug":"resenhando-para-todos-os-garotos-que-ja-amei-um-conto-moderno-sobre-amor-e-autodescoberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/08\/01\/resenhando-para-todos-os-garotos-que-ja-amei-um-conto-moderno-sobre-amor-e-autodescoberta\/","title":{"rendered":"Resenhando | \u201cPara todos os garotos que j\u00e1 amei\u201d um conto moderno sobre amor e autodescoberta"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Bem-vindo ao Resenhando! Uma s\u00e9rie de tr\u00eas textos que vai analisar tr\u00eas filmes de romance adaptados de livros, aqueles que voc\u00ea simplesmente n\u00e3o pode perder na vida. Este \u00e9 o segundo texto de uma trinca incr\u00edvel, ent\u00e3o depois de se deliciar com este, n\u00e3o esque\u00e7a de conferir os outros dois. Prometo que voc\u00ea vai adorar! Ent\u00e3o, prepara a pipoca, pega o controle remoto e liga a TV, porque depois dessas resenhas, voc\u00ea vai correr para assistir aos filmes!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por: Hayana Ribas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar a estrutura de roteiros cinematogr\u00e1ficos, autores destacam frequentemente a cl\u00e1ssica narrativa de &#8220;menino conhece menina&#8221;\/&#8221;menina conhece menino&#8221;, uma f\u00f3rmula recorrente em com\u00e9dias rom\u00e2nticas onde um encontro transforma drasticamente a vida dos envolvidos. Essa abordagem persiste em filmes e s\u00e9ries contempor\u00e2neos, servindo para muitos como o ideal de relacionamento. No entanto, &#8220;Para Todos os Garotos que J\u00e1 Amei&#8221; desafia esse padr\u00e3o do &#8220;amor perfeito&#8221; e outros convencionalismos.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme original da Netflix \u00e9 baseado no livro de mesmo nome escrito por Jenny Han, e segue a jornada de Lara Jean (Lana Condor), uma jovem sonhadora cheia de amores plat\u00f4nicos. Em vez de lidar com eles ou tentar conquistar os garotos, ela opta por guardar seus sentimentos, escrevendo cartas apaixonadas que mant\u00e9m escondidas em seu quarto. Esse paralelo \u00e9 intrigante: Lara Jean guarda suas declara\u00e7\u00f5es em uma caixa, assim como esconde seus sentimentos no fundo do cora\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, seguindo uma estrutura cl\u00e1ssica de jornada do her\u00f3i, seu mundo comum \u00e9 subitamente abalado quando todas as cartas s\u00e3o misteriosamente enviadas, for\u00e7ando-a a enfrentar as consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Condor brilha ao retratar uma protagonista insegura e ador\u00e1vel. A cada interesse rom\u00e2ntico que surge ou conversa que se faz necess\u00e1ria, Lara Jean questiona e reconstr\u00f3i seus conceitos sobre o amor. Como filha do meio em uma fam\u00edlia de tr\u00eas irm\u00e3s, ela carrega o peso de ter perdido a m\u00e3e na inf\u00e2ncia, um trauma que permeia tudo: apesar de sua natureza rom\u00e2ntica, ela evita se entregar completamente aos relacionamentos por medo de perder aqueles que ama, assim como aconteceu com sua m\u00e3e. Ao abordar um conflito t\u00e3o profundo atrav\u00e9s de situa\u00e7\u00f5es cotidianas, &#8220;Para Todos os Garotos que j\u00e1 Amei&#8221; cria empatia com o p\u00fablico, que pode n\u00e3o concordar com a timidez da protagonista, mas certamente compreende suas raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Acima de tudo, o filme aborda a import\u00e2ncia de compreender as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. Lara Jean n\u00e3o acorda em um dia ensolarado e v\u00ea todos os seus problemas desaparecerem como num conto de fadas. Ela gradualmente constr\u00f3i sua confian\u00e7a, superando antigos traumas e aprendendo a ver a si mesma como algu\u00e9m digno de amor e capaz de amar os outros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1133\" height=\"2015\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Cena-de-para-todos-os-garotos-que-ja-amei.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15697\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Cena-de-para-todos-os-garotos-que-ja-amei.jpg 1133w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Cena-de-para-todos-os-garotos-que-ja-amei-864x1536.jpg 864w\" sizes=\"(max-width: 1133px) 100vw, 1133px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A import\u00e2ncia da representatividade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora possa parecer mais um filme adolescente clich\u00ea, a produ\u00e7\u00e3o pode surpreender. Lara Jean n\u00e3o se encaixa no t\u00edpico estere\u00f3tipo de perdedora dos filmes americanos, ela n\u00e3o sofre bullying e n\u00e3o sonha em entrar para o grupo das garotas populares da escola. Al\u00e9m disso, ela foge do padr\u00e3o das protagonistas que estamos acostumados a ver: Lara Jean \u00e9 de ascend\u00eancia asi\u00e1tica, como a autora do livro, e se destaca por seus looks e acess\u00f3rios \u00fanicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 certamente um dos aspectos distintivos do filme dirigido por Susan Johnson: ser protagonizado por uma atriz asi\u00e1tica. Lana Condor, conhecida por pap\u00e9is menores como Jubileu em \u201cX-Men: Apocalipse\u201d (2016) e Li em \u201cO Dia do Atentado\u201d (2016), foi escolhida para estrelar o projeto, marcando sua ascens\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ainda mais not\u00e1vel considerar que quase todos os est\u00fadios de Hollywood interessados na adapta\u00e7\u00e3o exigiram uma atriz caucasiana para o papel principal. No entanto, Han resistiu a essas press\u00f5es e manteve os direitos at\u00e9 que a Netflix, a gigante do streaming, se interessou em dar continuidade ao projeto. O resultado foi um dos maiores sucessos da plataforma, que gerou duas sequ\u00eancias: \u201cPara Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Voc\u00ea\u201d (2020) e \u201cPara Todos os Garotos: Agora e Para Sempre\u201d (2021).<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um lembrete para aqueles que subestimam a import\u00e2ncia da representatividade. Embora esse elemento nunca seja o foco da trama, as origens familiares da protagonista s\u00e3o apresentadas de forma natural. Filha de um casal inter-racial, seu pai, interpretado por John Corbett \u00e9 apresentado como um homem branco, enquanto sua m\u00e3e \u00e9 uma mulher asi\u00e1tica, Lara Jean enfrenta a quest\u00e3o de sua identidade de maneira sutil. A presen\u00e7a de dois interesses amorosos com diferentes origens \u00e9tnicas, incluindo sua paix\u00e3o por um rapaz negro, destaca o debate sobre diversidade sem ser imediato. Esse equil\u00edbrio \u00e9 um grande acerto do filme.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Est\u00e9tica e trilha sonora: uma homenagem aos anos 80<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das coisas que achei mais fascinantes nesta adapta\u00e7\u00e3o foi como ela consegue ser ao mesmo tempo diferente e fiel ao livro. Certos enredos do livro foram deixados de lado, algumas cenas no filme n\u00e3o existem no livro, e outras foram modificadas. No entanto, os leitores t\u00eam a impress\u00e3o de que a fidelidade ainda, sim, est\u00e1 ali. \u00c9 como se a ess\u00eancia do livro estivesse magicamente preservada, e conclu\u00ed que isso se deve \u00e0 sua alma, que reside em seus personagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto em que o filme se destaca \u00e9 na sua fotografia e trilha sonora. Tudo nele evoca a est\u00e9tica das com\u00e9dias rom\u00e2nticas dos anos 80, proporcionando uma sensa\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssico instant\u00e2neo que nos faz sentir nostalgia por aquelas hist\u00f3rias simples e ador\u00e1veis que tanto amamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros trinta minutos do filme prometem captar a aten\u00e7\u00e3o do espectador. Enquanto a vida da personagem se desenrola diante de n\u00f3s, a dire\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica cuidadosa de Susan Johnson lembra os filmes cl\u00e1ssicos. As cores s\u00e3o harmonizadas de maneira a destacar o cen\u00e1rio, com posicionamentos cenogr\u00e1ficos que s\u00e3o meticulosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica marcante do filme \u00e9 o dinamismo. Os frequentes cortes conferem uma movimenta\u00e7\u00e3o interessante \u00e0 c\u00e2mera, contribuindo n\u00e3o apenas para o enquadramento, mas tamb\u00e9m para uma atua\u00e7\u00e3o mais detalhista e sistem\u00e1tica. Dessa forma, o filme ganha for\u00e7a em seu ritmo, al\u00e9m de acertar no timing dos al\u00edvios c\u00f4micos, que n\u00e3o se prolongam demais. Anna Cathcart, que interpreta a irm\u00e3 mais nova de Lara Jean, Kitty, se destaca especialmente nesse aspecto, sendo habilmente explorada para o humor. Al\u00e9m disso, Cathcart impressiona com sua s\u00f3lida atua\u00e7\u00e3o e di\u00e1logos genuinamente divertidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os aspectos t\u00e9cnicos do filme s\u00e3o dignos de elogio especial. Desde a dire\u00e7\u00e3o de arte, a cargo de Steve Scott, at\u00e9 o figurino concebido por Rafaella Rabinovich, cada detalhe \u00e9 meticulosamente pensado para enfatizar o contraste entre o mundo real e o confort\u00e1vel mundo de fantasia onde Lara Jean reside. Um exemplo claro disso \u00e9 o quarto da protagonista, um espa\u00e7o repleto de tons de rosa e roxo que evoca um ambiente digno de uma princesa, embora n\u00e3o seja perfeito, o quarto \u00e9 bagun\u00e7ado com roupas e pertences espalhados pelo ch\u00e3o. Essa mistura de cores e detalhes reflete a confus\u00e3o interna da protagonista, tornando o ambiente ao mesmo tempo belo e revelador.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para Todos os Garotos que J\u00e1 Amei&#8221; n\u00e3o buscou ser sensacional ou inovador, ao contr\u00e1rio, transformou o simples em algo sincero e o trouxe para nosso tempo. Sem her\u00f3is machistas ou mocinhas que precisam mudar totalmente o visual para conquistar o garoto dos sonhos mais popular. N\u00e3o h\u00e1 atores perfeitos de capa de revista, apenas pessoas comuns, bonitas de um jeito poss\u00edvel. Peter \u00e9 popular, mas n\u00e3o \u00e9 o mais especial nem o conquistador. Ele \u00e9 apenas um garoto. Lara Jean \u00e9 quieta e t\u00edmida, mas n\u00e3o \u00e9 motivo de chacota nem boba. Ningu\u00e9m muda por ningu\u00e9m, eles aprendem um com o outro. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica, com todo o seu encanto &#8220;imposs\u00edvel&#8221; na vida real, mas ainda assim, relacion\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Para-todos-os-garotos-que-ja-amei.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15698\" style=\"width:733px;height:412px\" width=\"733\" height=\"412\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saiba mais sobre o filme<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Nome:<\/strong> Para Todos os Garotos que J\u00e1 Amei (To All the Boys I&#8217;ve Loved Before)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ano:<\/strong> 2018<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pa\u00eds: <\/strong>EUA<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>Susan Johnson<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roteiro:<\/strong> Sofia Alvarez<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elenco:<\/strong> Janel Parrish, Lana Condor, Noah Centineo, Andrew Bachelor<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 100 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota no Rotten Tomatoes:<\/strong> 96% de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde assistir: <\/strong>Netflix.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem-vindo ao Resenhando! 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