{"id":15712,"date":"2024-08-07T16:18:18","date_gmt":"2024-08-07T19:18:18","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15712"},"modified":"2024-08-07T16:18:19","modified_gmt":"2024-08-07T19:18:19","slug":"joinville-comemora-os-200-anos-da-imigracao-alema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/08\/07\/joinville-comemora-os-200-anos-da-imigracao-alema\/","title":{"rendered":"Joinville comemora os 200 anos da imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por: Isabelle Buzzi e Larissa Piske<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 200 anos, ap\u00f3s uma viagem de seis meses, a embarca\u00e7\u00e3o Argus ancorou com os primeiros 269 imigrantes, no dia 25 de julho de 1824, em S\u00e3o Leopoldo, Rio Grande do Sul, dando in\u00edcio ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica. A embarca\u00e7\u00e3o foi a primeira de quase 40 que vieram at\u00e9 1830. Quatro anos depois, em 1828, os primeiros imigrantes chegaram ao estado de Santa Catarina. O objetivo era atrair a popula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas rurais para criar col\u00f4nias agr\u00edcolas, desenvolver o minif\u00fandio e iniciar a industrializa\u00e7\u00e3o &#8211; um projeto de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, conhecido como Patriarca da Independ\u00eancia. Empobrecidos pelas Guerras Napole\u00f4nicas e pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, n\u00e3o foi dif\u00edcil agenciar gente interessada em construir uma nova vida no Brasil.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a historiadora e professora Valdete Daufemback, os imigrantes que aqui se instalaram passaram por adversidades no come\u00e7o, enfrentando dificuldades, principalmente, com a agricultura, por ser uma regi\u00e3o diferente das quais estavam acostumados. \u201cAlgumas lideran\u00e7as foram at\u00e9 o Rio de Janeiro conversar com Dom Pedro II e pedir recursos para sobreviverem\u201d, conta a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos problemas enfrentados no in\u00edcio, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, durante o governo de Get\u00falio Vargas e sua alian\u00e7a com os Estados Unidos em combate ao Nazismo e o Facismo, os descendentes de alem\u00e3es sofreram uma persegui\u00e7\u00e3o. Uma das proibi\u00e7\u00f5es foi o uso da l\u00edngua alem\u00e3, podendo falar somente em portugu\u00eas. Segundo a historiadora Priscila Ferreira Perazzo, em Joinville, cerca de 200 pessoas foram presas em um hospital psiqui\u00e1trico desativado entre 1942 a 1945. Nessa \u00e9poca, muitas escolas e clubes alem\u00e3es foram fechados, como foi o caso da \u201cDeutsche Schule zu Joinville\u201d, fundada em 1866, que atualmente se chama DS Hub e pertence \u00e0 Faculdade Ielusc.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os, a cultura alem\u00e3 permanece na cidade. Luis Alberto Luckow, \u00e9 joinvilense e descendente de alem\u00e3o. Seu bisav\u00f4 migrou da Alemanha em 1867, saindo de Hamburgo em um navio veleiro com sua esposa e filhos. Tr\u00eas meses depois desembarcou em S\u00e3o Francisco do Sul e logo veio para Joinville trabalhar em olaria e construir seu futuro. Para Luis e sua fam\u00edlia, a busca por objetivos e o trabalho honesto s\u00e3o os legados deixados pelos seus antepassados que vieram conquistar novas oportunidades.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Joinville, a tradi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 est\u00e1 na religi\u00e3o, nas constru\u00e7\u00f5es e nos eventos e reuni\u00f5es dos grupos folcl\u00f3ricos, como o Grupo Windm\u00fchle. O que iniciou como uma ideia de jovens das \u00e1reas rurais da cidade no dia 28 de maio de 1988, se tornou o grupo mais antigo em atividade, com apresenta\u00e7\u00f5es em todo o estado de Santa Catarina. De acordo com Daniela Kr\u00fcger Holz, coordenadora de Marketing, o nome escolhido foi uma homenagem \u00e0 cidade. \u201cO nome (Windm\u00fchle) significa em alem\u00e3o \u2018moinho de vento\u2019, em refer\u00eancia ao p\u00f3rtico, que identifica a cidade, e tamb\u00e9m \u00e0 Sociedade L\u00edrica, casa do grupo h\u00e1 mais de 30 anos\u201d, conta Daniela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo, dividido nas categorias master, adulto e infantil, re\u00fane mais de 66 integrantes entre descendentes de imigrantes e de outras origens, mas, sobretudo, pessoas que amam a dan\u00e7a, gastronomia, m\u00fasica, idioma e atividades culturais relacionadas aos costumes germ\u00e2nicos. Diferente de outros grupos folcl\u00f3ricos alem\u00e3es que utilizam o traje b\u00e1varo, o traje t\u00edpico do Windm\u00fchle relembra as roupas usadas na regi\u00e3o de Hessen, da onde vieram os imigrantes da maior parte das fam\u00edlias integrantes e a mesma regi\u00e3o de onde vieram os primeiros colonizadores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15713\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Grupo Windm\u00fchle. Cr\u00e9ditos: arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cParar n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dever que temos com a sociedade e com os nossos antepassados\u201d, para a coordenadora, a miss\u00e3o do grupo vai al\u00e9m da cultura, \u00e9 uma responsabilidade em manter viva as tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura e hist\u00f3ria de todo local pode ser contada tamb\u00e9m pelos sabores. A forte coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e9 vista na gastronomia de Joinville, com destaque para as \u00e1reas rurais que mais receberam imigrantes alem\u00e3es na metade de 1800, como Pirabeiraba. Na rota tur\u00edstica da cidade est\u00e1 o Restaurante Colonial Gute K\u00fcche que, em alem\u00e3o, significa \u201cboa cozinha\u201d. Um sonho de um motorista, Renato Schramm, com sua esposa e contadora, Dolores. Com mais de 30 anos de hist\u00f3ria, Gute K\u00fcche foi um dos primeiros locais a oferecer \u201cbuffet de caf\u00e9 colonial\u201d nesta regi\u00e3o da cidade. Hoje quem cuida do restaurante \u00e9 a filha, Carla Schramm, com seus filhos &#8211; um sonho que atravessou gera\u00e7\u00f5es. \u201cTemos muitos clientes adultos que vinham ao restaurante quando eram crian\u00e7as e podem resgatar mem\u00f3rias das suas fam\u00edlias. E isso \u00e9 muito legal, ver essas crian\u00e7as crescerem e virarem adultos\u201d, compartilha Carla.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/unnamed-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15714\" style=\"width:684px;height:455px\" width=\"684\" height=\"455\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carla Schramm, administradora do Restaurante Colonial Gute K\u00fcche. Cr\u00e9ditos: arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No card\u00e1pio do local \u00e9 poss\u00edvel encontrar famosos nomes da culin\u00e1ria alem\u00e3, como marreco com repolho roxo, schwartzauer (sopa preta) e eisbein (joelho de porco), servido com bockwurst, chucrute, batata e raiz fortes. \u201cHoje o p\u00fablico est\u00e1 mais acostumado com comidas de preparo r\u00e1pido, como lanches, por\u00e7\u00f5es e pizzas. A maior parte dos nossos clientes s\u00e3o de Curitiba.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Rodrigo Bornholdt, c\u00f4nsul honor\u00e1rio da Alemanha em Joinville, um dos principais legados da imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e9 a forte \u00e9tica, que resultou no desenvolvimento da ind\u00fastria na cidade e em outras regi\u00f5es de Santa Catarina. \u201cAs quest\u00f5es de trabalho e disciplina s\u00e3o caracter\u00edsticas da cultura alem\u00e3. Principalmente pelo imigrante alem\u00e3o ter chegado ao Brasil alfabetizado independentemente da sua classe social, gra\u00e7as \u00e0 ideia de Lutero de que ao lado de cada igreja luterana, deveria existir uma escola.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o entre Brasil e Alemanha vai al\u00e9m dos la\u00e7os do passado. Desde 2015, os pa\u00edses s\u00e3o parceiros estrat\u00e9gicos, adicionando o Brasil em uma seleta lista formada por apenas 7 pa\u00edses. Segundo o c\u00f4nsul, o pa\u00eds \u00e9 um importante aliado, atraindo investimentos para todas as regi\u00f5es, principalmente para a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, Nordeste e Sudeste, com destaque para S\u00e3o Paulo &#8211; que possui o maior n\u00famero de empresas alem\u00e3s fora da Alemanha. \u201cEles t\u00eam tamb\u00e9m um olhar muito especial hoje para o sul do pa\u00eds pela proximidade cultural e seus descendentes\u201d, compartilhou Bornholdt. Esta aproxima\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para o incentivo do interc\u00e2mbio de estudantes. Um exemplo \u00e9 o projeto de envio de profissionais da \u00e1rea de panifica\u00e7\u00e3o de Joinville para capacita\u00e7\u00e3o na Baviera, que ocorre desde 1991.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Isabelle Buzzi e Larissa Piske H\u00e1 200 anos, ap\u00f3s uma viagem de seis meses, a embarca\u00e7\u00e3o Argus ancorou com os primeiros 269 imigrantes, no dia 25 de julho de 1824, em S\u00e3o Leopoldo, Rio Grande do Sul, dando in\u00edcio ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica. A embarca\u00e7\u00e3o foi a primeira de quase 40 que vieram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":15713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[88],"tags":[90,271,485],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15712"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15717,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15712\/revisions\/15717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}