{"id":15718,"date":"2024-08-08T15:36:37","date_gmt":"2024-08-08T18:36:37","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15718"},"modified":"2024-08-08T15:36:39","modified_gmt":"2024-08-08T18:36:39","slug":"resenhando-a-importancia-da-autoaceitacao-e-o-impacto-cultural-de-com-amor-simon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/08\/08\/resenhando-a-importancia-da-autoaceitacao-e-o-impacto-cultural-de-com-amor-simon\/","title":{"rendered":"Resenhando | A import\u00e2ncia da autoaceita\u00e7\u00e3o e o impacto cultural de &#8216;Com Amor, Simon&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Bem-vindo ao Resenhando! Uma s\u00e9rie de tr\u00eas textos que vai analisar tr\u00eas filmes de romance adaptados de livros, aqueles que voc\u00ea simplesmente n\u00e3o pode perder na vida. Este \u00e9 o terceiro texto de uma trinca incr\u00edvel, ent\u00e3o depois de se deliciar com este, n\u00e3o esque\u00e7a de conferir os outros dois. Prometo que voc\u00ea vai adorar! Ent\u00e3o, prepara a pipoca, pega o controle remoto e liga a TV, porque depois dessas resenhas, voc\u00ea vai correr para assistir aos filmes!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por: Hayana Ribas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Simon \u00e9 um adolescente do ensino m\u00e9dio, aparentemente normal e at\u00e9 acima da m\u00e9dia. Ele tem uma fam\u00edlia harmoniosa, pais incr\u00edveis e amigos leais. No entanto, Simon guarda um segredo: ele \u00e9 gay. Para ele, sair do arm\u00e1rio \u00e9 uma verdadeira tortura, pois teme a rea\u00e7\u00e3o dos amigos, a decep\u00e7\u00e3o dos pais e os coment\u00e1rios na escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, uma carta an\u00f4nima aparece no blog da escola, assinada por algu\u00e9m chamado Blue, que revela ser gay. Simon se identifica com o texto e decide se corresponder por e-mail com Blue, usando endere\u00e7os an\u00f4nimos. Come\u00e7a ent\u00e3o uma troca de mensagens entre dois estranhos que compartilham o medo de serem quem s\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo Simon acaba se apaixonando, mas quando os e-mails s\u00e3o vazados no blog da escola, seu segredo \u00e9 exposto para todos. E o pior de tudo \u00e9 que Blue desaparece depois que sua identidade \u00e9 revelada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Representatividade em pauta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Com Amor, Simon&#8221;, \u00e9 baseado no livro &#8220;Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens&#8221;, e apresenta uma abordagem direta, por\u00e9m frequentemente negligenciada: retratar a vida cotidiana de um adolescente, repleta de novas experi\u00eancias t\u00edpicas da idade, sob a perspectiva LGBTQIAP+.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos produtores de conte\u00fado, roteiristas e diretores ainda enfrentam desafios ao tentar equilibrar a representa\u00e7\u00e3o adequada da vida de um personagem LGBTQIAP+. \u00c9 crucial mostrar que sua experi\u00eancia vai al\u00e9m da orienta\u00e7\u00e3o sexual, mas tamb\u00e9m reconhecer como isso influencia sua vida di\u00e1ria e perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme atinge precisamente esse ponto ao contar a hist\u00f3ria de Simon (interpretado por Nick Robinson), um adolescente que est\u00e1 conhecendo sua rela\u00e7\u00e3o com sua homossexualidade. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o reduz a vida do protagonista a esse aspecto, mas tamb\u00e9m n\u00e3o hesita em dar a devida import\u00e2ncia a essa parte fundamental de sua identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O longa acerta no tom, em grande parte gra\u00e7as ao diretor Greg Berlanti. Apesar de n\u00e3o ser muito famoso no cinema, sendo este apenas o terceiro filme que ele dirigiu, Berlanti \u00e9 uma figura importante na televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor tem bastante experi\u00eancia em se comunicar com adolescentes e jovens adultos de maneira aut\u00eantica, gra\u00e7as ao seu trabalho como produtor de s\u00e9ries populares como \u201cArrow\u201d, \u201cThe Flash\u201d, \u201cSupergirl\u201d, \u201cRiverdale\u201d, \u201cLegends of Tomorrow\u201d e \u201cRaio Negro\u201d. Essa bagagem profissional se reflete positivamente em &#8220;Com Amor, Simon&#8221;, onde ele acerta ao capturar a linguagem e as refer\u00eancias culturais da juventude, sem criar situa\u00e7\u00f5es artificiais ou exageradas.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme se destaca ao n\u00e3o retratar o protagonista em um cen\u00e1rio idealizado. Enquanto Simon enfrenta desafios na escola, ele tamb\u00e9m comete erros e faz escolhas question\u00e1veis em outras \u00e1reas de sua vida. Esses eventos se desdobram como uma bola de neve, onde tentativas de resolver uma situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel acabam criando novos problemas, o que \u00e9 muito bem explorado na trama. A confus\u00e3o simples de Simon reflete a t\u00edpica imaturidade da adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme conversa diretamente com o p\u00fablico LGBTQIAP+, que se identifica com situa\u00e7\u00f5es-chave apresentadas com a mesma leveza e naturalidade encontrada em narrativas sobre jovens heterossexuais. Al\u00e9m disso, o p\u00fablico fora desse espectro tamb\u00e9m encontra momentos de identifica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a adolesc\u00eancia e quest\u00f5es que surgem com ela como, valores de amizade, curiosidade, descobertas e conflitos emocionais s\u00e3o universais e usados como o principal plano de fundo da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Com-amor-Simon.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15719\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A amizade e a fam\u00edlia como os pilares da vida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A amizade e os desafios enfrentados pelo grupo de Simon, Leah (interpretada por Katherine Langford), Abby (Alexandra Shipp) e Nick (Jorge Lendeborg Jr.) s\u00e3o retratados de maneira genu\u00edna e cativante para o p\u00fablico. Langford, especialmente, surpreende positivamente ao interpretar uma personagem que, embora compartilhe paralelos com seu papel mais conhecido como Hannah Baker em &#8220;13 Reasons Why&#8221;, apresenta uma nova profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme tamb\u00e9m proporciona cenas emocionantes de forma natural &#8211; a sensibilidade nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais \u00e9 genu\u00edna. &#8220;Com Amor, Simon&#8221; acerta ao n\u00e3o retratar a orienta\u00e7\u00e3o sexual do protagonista como uma descoberta s\u00fabita. O processo de autoconhecimento \u00e9 mostrado como cont\u00ednuo, mas n\u00e3o \u00e9 o ponto central da hist\u00f3ria. O filme foca no momento em que Simon interage pela primeira vez com o mundo exterior, destacando como o receio dele em se assumir reflete mais sobre a sociedade e as pessoas ao seu redor do que sobre ele pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa contradi\u00e7\u00e3o entre o receio de se abrir e a vontade de desafiar conceitos preestabelecidos que moldaram sua vida cria intera\u00e7\u00f5es profundamente envolventes ao longo do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar a din\u00e2mica familiar de Simon: Jennifer Garner interpreta Emily, uma m\u00e3e moderna que conduz com maestria um dos momentos mais emocionantes do filme em um di\u00e1logo crucial com seu filho. Este di\u00e1logo, para mim, o ponto alto da narrativa, reconcilia o passado de Simon com seu presente, em uma cena que exala a necessidade de sermos livres.<\/p>\n\n\n\n<p>Josh Duhamel, no papel do pai Jack, interpreta um estere\u00f3tipo comum de pai que comete erros ocasionalmente, sem querer. \u00c9 verdade que sua atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o alcan\u00e7a a mesma fluidez e intensidade de Garner, mas n\u00e3o compromete a mensagem de seu personagem e adiciona um toque divertido \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com Amor, Simon&#8221; n\u00e3o tenta reinventar a roda, mas tamb\u00e9m n\u00e3o for\u00e7a uma abordagem pouco convencional. O filme entrega o que promete com um roteiro simples e sincero, levando o p\u00fablico por uma montanha-russa de romance, drama e com\u00e9dia, ou melhor, uma roda-gigante. A pr\u00f3pria decis\u00e3o de contar uma hist\u00f3ria sem grandes pretens\u00f5es j\u00e1 \u00e9 um passo significativo para avan\u00e7ar nas quest\u00f5es de representatividade LGBTQIAP+.<\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia e a constru\u00e7\u00e3o do filme s\u00e3o muito boas e bem pensadas. &#8220;Com Amor, Simon&#8221; \u00e9 moderno, atual e voltado para o p\u00fablico jovem, mas consegue emocionar tamb\u00e9m os adultos e estimular reflex\u00f5es. O diretor do filme \u00e9 abertamente gay, e os produtores possuem experi\u00eancia em filmes adolescentes de sucesso, como &#8220;A Culpa \u00e9 das Estrelas&#8221;, o que acredito que ajude muito na constru\u00e7\u00e3o e resultado final da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme faz uma cr\u00edtica sutil, mas impactante, quando questiona por que os heterossexuais n\u00e3o precisam se declarar. \u00c9 uma cena c\u00f4mica e realista que desafia aqueles que n\u00e3o aceitam as escolhas dos outros. &#8220;Com Amor, Simon&#8221; \u00e9 muito importante, transmitindo uma mensagem clara e contempor\u00e2nea: n\u00e3o ao preconceito!<\/p>\n\n\n\n<p>Berlanti acerta ao capturar a linguagem e intensidade de todas as situa\u00e7\u00f5es do filme, resultando em uma experi\u00eancia leve e emp\u00e1tica para o p\u00fablico. A mensagem de &#8220;todo mundo merece uma grande hist\u00f3ria de amor&#8221; em &#8220;Com Amor, Simon&#8221; destaca como aceitar e respeitar essa ideia deveria ser algo \u00f3bvio e simples.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"502\" height=\"600\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Cena-de-Com-amor-Simon.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15720\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saiba mais sobre o filme<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Nome: \u201c<\/strong>Com Amor, Simon\u201d (\u201cLove, Simon\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ano:<\/strong> 2017<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pa\u00eds: <\/strong>EUA<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>Greg Berlanti<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roteiro:<\/strong> Becky Albertalli, Isaac Aptaker, Elizabeth Berger<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elenco:<\/strong> Sean O&#8217;donnell, Alex Sgambati, Patrick Donohue, Roy Coulter, Tyson Love, James Sterling, Josh Royston, Jodi Houck, Abigail Houck, Collin Mchugh, J\u00f6nah-Blain\u00e9 Bowling, Briana Estevez, Joshua Mikel, Natalia Tureta, Baz Ma, Samantha Bulka, Christian Ojore Mayfield, Mandy Fason, Alyssa Riley Burrell, Haroon Khan, Cassady Mcclincy, Terayle Hill, Tyler Chase, David Copeland Brown Jr., Nancy De Mayo, Colton Haynes, Mackenzie Lintz, Joey Pollari, Clark Moore, Drew Starkey, Natasha Rothwell, Tony Hale, Skye Mowbray, Talitha Bateman, Logan Miller, Miles Heizer, Keiynan Lonsdale, Jorge Lendeborg Jr., Alexandra Shipp, Katherine Langford, Nye Reynolds, Bryson Pitts, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Nick Robinson.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> 127 minutos<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota no Rotten Tomatoes: <\/strong>92% de aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde assistir: <\/strong>Netflix e Disney+.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem-vindo ao Resenhando! 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