{"id":15843,"date":"2024-09-18T15:55:48","date_gmt":"2024-09-18T18:55:48","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15843"},"modified":"2024-09-18T15:55:50","modified_gmt":"2024-09-18T18:55:50","slug":"como-a-falta-de-estrutura-e-professores-afeta-a-qualidade-do-ensino-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/09\/18\/como-a-falta-de-estrutura-e-professores-afeta-a-qualidade-do-ensino-em-joinville\/","title":{"rendered":"Como a falta de estrutura e professores afeta a qualidade do ensino em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Sa\u00eddas antecipadas das aulas comprometem o futuro dos estudantes da rede estadual<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Maria Eduarda Alecrim<\/p>\n\n\n\n<p>Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina, enfrenta desafios em sua rede de ensino estadual. A aus\u00eancia cr\u00f4nica de professores est\u00e1 prejudicando a qualidade do ensino e contribuindo para um aumento na evas\u00e3o escolar. Este problema, que persiste h\u00e1 anos, est\u00e1 afetando diretamente o futuro dos alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o de Santa Catarina revela que 8,7% dos alunos do Ensino M\u00e9dio da rede estadual abandonaram a escola em 2021. Embora os dados precisos sobre o abandono escolar sejam escassos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 clara, a qualidade do ensino est\u00e1 em decl\u00ednio e o n\u00famero de alunos insatisfeitos e desmotivados cresce a cada dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos corredores das escolas estaduais de Joinville, a realidade \u00e9 dura. A aus\u00eancia de professores resulta em aulas reduzidas ou at\u00e9 mesmo canceladas. Maria Clara Dobrotinic (16),&nbsp; estudante do segundo ano do Ensino M\u00e9dio, expressa sua frustra\u00e7\u00e3o com o cen\u00e1rio atual, \u201cuma aula vaga \u00e9 uma perda de tempo e de aprofundamento nos conte\u00fados. \u00c9 um pesadelo chegar na escola e descobrir que a aula foi cancelada\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A aluna compartilha uma experi\u00eancia que exemplifica o problema, \u201cteve uma vez que meus pais ficaram bravos, pois tive apenas duas aulas no dia. Al\u00e9m de ter sa\u00eddo do meu conforto, chego l\u00e1 e n\u00e3o tem aula\u201d. Essa frustra\u00e7\u00e3o constante tem levado Maria Clara a considerar mudar de escola. \u201cMinha maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ter que saber de algo, mas n\u00e3o tive um aprendizado sobre o conte\u00fado porque meu professor faltou e atrasou toda a mat\u00e9ria preparada\u201d. O impacto na vida acad\u00eamica dos alunos \u00e9 palp\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Let\u00edcia da Silveira (16), tamb\u00e9m estudante da rede estadual, atualmente do terceiro ano, refor\u00e7a a falha na cobertura curricular: \u201cA falta de conte\u00fados importantes prejudica minha prepara\u00e7\u00e3o para o Enem (Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio). Fico preocupada com a possibilidade de n\u00e3o estar completamente preparada para os desafios futuros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/professor-sala.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15844\" style=\"width:840px;height:411px\" width=\"840\" height=\"411\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A voz dos pais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Simone Luz (53),&nbsp; m\u00e3e de um aluno da rede estadual de Joinville, expressa uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre o atual estado do ensino. Para ela, o problema vai al\u00e9m da falta de professores: \u201cEducar \u00e9 transmitir saber, dar ensino, instruir, mas grande parte dos professores demonstra falta de controle ao tentar transmitir algo aos alunos\u201d, afirma. Simone acredita que h\u00e1 um desgaste no sistema de ensino, onde grande parte dos educadores, muitas vezes, parecem desatentos aos reais interesses dos estudantes. Ela ressalta a necessidade de uma reciclagem urgente no corpo docente, com foco no desenvolvimento da did\u00e1tica e na comunica\u00e7\u00e3o com os alunos. \u201c\u00c9 extremamente necess\u00e1rio que o professor instrua, mas para tal ele deve ser acolhedor e bom comunicador. S\u00f3 o conhecimento, nos dias atuais, n\u00e3o \u00e9 o suficiente\u201d. Ela acredita que o sucesso na educa\u00e7\u00e3o depende de um ensino que valorize a voz ativa dos estudantes e a capacidade do professor de repassar o conhecimento de forma eficiente. \u201cA principal fonte de sucesso est\u00e1 saindo da sala de aula por n\u00e3o saber repassar conhecimento. Saber para si, n\u00e3o \u00e9 o suficiente\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios enfrentados pelos professores<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Eliane Grossl (43), que leciona Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, j\u00e1 assumiu v\u00e1rias turmas que estavam sem professor. Ela revela que a falta de professores sobrecarrega os educadores existentes e compromete a qualidade das aulas. \u201cLidar com turmas grandes e a aus\u00eancia de colegas torna a tarefa quase insuport\u00e1vel. A sobrecarga reduz a qualidade do ensino e afeta a sa\u00fade emocional dos professores\u201d. Os problemas enfrentados pelos professores s\u00e3o evidentes: sal\u00e1rios injustos sem reajuste a anos, d\u00e9ficit de forma\u00e7\u00e3o continuada de qualidade, condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias e falta de reconhecimento s\u00e3o apenas algumas das quest\u00f5es. Eliane salienta que \u201ca valoriza\u00e7\u00e3o dos professores em Joinville \u00e9 insuficiente. Precisamos urgentemente de reformas que garantam melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios justos. Nos falta autonomia e participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es que afetam o ambiente escolar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica \u00e9 mais do que a falta de professores e de estrutura. Carla Delfino, coordenadora regional do SINTE-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o de SC), denuncia um poss\u00edvel projeto de desmonte da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Em entrevista \u00e0 CNTE (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o), Delfino afirma: \u201cO sucateamento das escolas p\u00fablicas \u00e9 uma estrat\u00e9gia para favorecer as escolas privadas. Quanto mais prec\u00e1ria for a escola p\u00fablica, mais atrativa se torna a educa\u00e7\u00e3o privada para aqueles que podem pagar por ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios enfrentados pelas escolas estaduais em Joinville retratam um sistema que falha em priorizar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e garantir condi\u00e7\u00f5es adequadas para alunos e professores. A situa\u00e7\u00e3o exige a\u00e7\u00e3o imediata para evitar que o futuro dos jovens da cidade continue a ser comprometido pela neglig\u00eancia e pela falta de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentativas de contato com a Coordenadoria Regional de Educa\u00e7\u00e3o de Joinville, para obter uma declara\u00e7\u00e3o oficial sobre a situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tiveram sucesso at\u00e9 o fechamento desta reportagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00eddas antecipadas das aulas comprometem o futuro dos estudantes da rede estadual Maria Eduarda Alecrim Joinville, a maior cidade do estado de Santa Catarina, enfrenta desafios em sua rede de ensino estadual. A aus\u00eancia cr\u00f4nica de professores est\u00e1 prejudicando a qualidade do ensino e contribuindo para um aumento na evas\u00e3o escolar. 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