{"id":15861,"date":"2024-09-19T12:24:17","date_gmt":"2024-09-19T15:24:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15861"},"modified":"2024-09-19T12:24:19","modified_gmt":"2024-09-19T15:24:19","slug":"santa-catarina-implementa-libras-como-primeira-lingua-para-surdos-nas-escolas-estaduais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/09\/19\/santa-catarina-implementa-libras-como-primeira-lingua-para-surdos-nas-escolas-estaduais\/","title":{"rendered":"Santa Catarina implementa LIBRAS como primeira l\u00edngua para surdos nas escolas estaduais"},"content":{"rendered":"\n<p>Nova lei busca assegurar que alunos surdos tenham uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade com a L\u00edngua Brasileira de Sinais como base<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00c9llen Gerber<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Santa Catarina sancionou, em 29 de julho, a Lei 173\/2024, que torna obrigat\u00f3ria a oferta da L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira l\u00edngua para alunos surdos na rede estadual, da educa\u00e7\u00e3o infantil ao ensino superior. O ensino da L\u00edngua Portuguesa escrita ser\u00e1 a segunda l\u00edngua, com o objetivo de promover uma educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e a inclus\u00e3o dos alunos, garantindo acesso ao conte\u00fado educacional em sua l\u00edngua nativa.A comunidade surda no Brasil \u00e9 diversa, composta por pessoas que se comunicam por Libras, aqueles que utilizam a l\u00edngua portuguesa e os bil\u00edngues, que compreendem os dois idiomas. Oficialmente reconhecida como l\u00edngua de instru\u00e7\u00e3o pela Lei n\u00ba 10.436, de 24 de abril de 2002, a linguagem de sinais possui sua pr\u00f3pria gram\u00e1tica e estrutura, diferenciando-se do portugu\u00eas. Como l\u00edngua visual-espacial, utiliza sinais, express\u00f5es faciais e o espa\u00e7o ao redor para transmitir significado, refletindo sua riqueza e complexidade.Segundo o censo de 2010 do IBGE, 9,7 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam defici\u00eancia auditiva, e cerca de 2,7 milh\u00f5es apresentam defici\u00eancia severa ou profunda, podendo ter Libras como principal meio de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<ul><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A comunidade surda, segundo a Lei, contempla:<\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>Pessoas surdas;<\/li>\n\n\n\n<li>Pessoas surdocegas;<\/li>\n\n\n\n<li>Pessoas com defici\u00eancia auditiva sinalizante;<\/li>\n\n\n\n<li>Pessoas surdas com altas habilidades ou superdota\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Pessoas com outras defici\u00eancias associadas \u00e0 surdez.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/1000071957.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15862\" style=\"width:368px;height:246px\" width=\"368\" height=\"246\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios da comunidade surda<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os e a conquista da lei, ainda h\u00e1 resist\u00eancia \u00e0 inclus\u00e3o de Libras em muitas escolas. Lisiane Vandebruck, m\u00e3e da Yasmin de 10 anos, conta que a filha, que nasceu com defici\u00eancia auditiva severa bilateral, foi submetida a uma prova oral na escola e tirou zero. Ela relata a frustra\u00e7\u00e3o de ver a filha ser avaliada de uma maneira que n\u00e3o leva em conta sua condi\u00e7\u00e3o e destaca a falta de prepara\u00e7\u00e3o da escola para lidar com a inclus\u00e3o de alunos com defici\u00eancia auditiva. Os desafios n\u00e3o s\u00e3o destacados somente na hist\u00f3ria da pequena Yasmin. Dayane Gomes, de 31 anos, profissional de RH e atriz, relembra as dificuldades de ser a \u00fanica surda em uma sala de ouvintes: &#8220;A escola foi muito dif\u00edcil para mim, pois eu vivia sozinha com todos os ouvintes&#8221;. Na 5\u00aa s\u00e9rie, a atriz ingressou em uma sala bil\u00edngue e depois retornou \u00e0 turma de ouvintes com um int\u00e9rprete, destacando a import\u00e2ncia desse apoio em sua forma\u00e7\u00e3o escolar. Adriana Klug \u00e9 int\u00e9rprete h\u00e1 mais de 20 anos e ressalta que os obst\u00e1culos v\u00e3o desde a falta de comunica\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia at\u00e9 a aus\u00eancia de int\u00e9rpretes nas empresas que contratam apenas pela cota. Ela relata casos cr\u00edticos como de um surdo que faleceu devido ao uso incorreto de medicamentos. Em um caso ainda mais grave, um surdo foi acusado de abuso devido \u00e0 falta de compreens\u00e3o. \u201c\u00c9 de suma import\u00e2ncia o trabalho do int\u00e9rprete. A ponte entre as pessoas que n\u00e3o usam libras e os surdos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Expectativas com a nova lei<\/h2>\n\n\n\n<p>Clery Dreher, professora universit\u00e1ria de libras, int\u00e9rprete e tradutora h\u00e1 quase 30 anos, fala sobre as expectativas da nova lei. \u201cEu t\u00f4 otimista que agora vai funcionar. \u00c9 uma boa iniciativa, mas o m\u00e9todo precisa ser eficiente para que tenha continuidade\u201d. Clery conta que dedicou a vida profissional aos surdos e reflete sobre empatia: \u201cPrecisamos colocar em primeiro lugar o ser humano e n\u00e3o sua caracter\u00edstica. Precisamos conviver ali juntos e ter esse respeito com a comunidade surda, com a cultura deles que \u00e9 diferente da nossa\u201d.A luta por direitos e a promo\u00e7\u00e3o da cultura surda t\u00eam sido cont\u00ednua, com organiza\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es desempenhando um papel indispens\u00e1vel na defesa dos surdos. Paulo S\u00e9rgio Suld\u00f3vski, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia &#8211; CONEDE\/SC, destaca a import\u00e2ncia de discutir leis de acessibilidade nos conselhos representativos de pessoas com defici\u00eancia antes da aprova\u00e7\u00e3o. Ele expressa o receio do Conselho de que a medida se torne \u201clei de gaveta\u201d. Paulo diz que os surdos j\u00e1 t\u00eam esse direito garantido pela Lei Brasileira de Inclus\u00e3o e pela Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e que essa nova lei vem para refor\u00e7ar esses direitos.Diante da implementa\u00e7\u00e3o da nova lei, a Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o pretende garantir os recursos necess\u00e1rios adequados para as escolas e para os profissionais atuantes. \u201cForam realizadas a\u00e7\u00f5es ao longo deste ano para alinhar estrat\u00e9gias que melhorem a oferta do ensino aos estudantes surdos. Al\u00e9m disso, para auxiliar os profissionais que atuam nas escolas estaduais e contribuir com o processo de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua s\u00e3o oferecidas capacita\u00e7\u00f5es anuais espec\u00edficas para esses profissionais\u201d, explica a Secretaria.Entre as a\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m est\u00e3o o levantamento de estudantes surdos nos munic\u00edpios e a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais especializados. &#8220;Estamos conduzindo um levantamento de estudantes surdos em todos os munic\u00edpios do Estado para qualificar a oferta do atendimento&#8221;, afirma a Secretaria. A capacita\u00e7\u00e3o de professores tamb\u00e9m \u00e9 uma prioridade, mas o principal desafio \u00e9 a falta de profissionais habilitados para atender \u00e0 demanda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova lei busca assegurar que alunos surdos tenham uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade com a L\u00edngua Brasileira de Sinais como base Por \u00c9llen Gerber O governo de Santa Catarina sancionou, em 29 de julho, a Lei 173\/2024, que torna obrigat\u00f3ria a oferta da L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira l\u00edngua para alunos surdos na rede [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[88,4,1837],"tags":[57,34],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15861"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15861"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15861\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16041,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15861\/revisions\/16041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}