{"id":15891,"date":"2024-09-25T17:11:14","date_gmt":"2024-09-25T20:11:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=15891"},"modified":"2024-10-21T18:49:13","modified_gmt":"2024-10-21T21:49:13","slug":"cronica-debate-ou-circo-por-beatriz-sa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/09\/25\/cronica-debate-ou-circo-por-beatriz-sa\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica: Debate ou Circo?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Beatriz da Silva de S\u00e1 Dias<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de elei\u00e7\u00e3o, o palco pol\u00edtico se transforma num verdadeiro espet\u00e1culo. Os debates televisivos, que deveriam ser espa\u00e7os de troca de ideias, planejamento e vis\u00e3o de futuro, acabam se convertendo em arenas onde o confronto e o espet\u00e1culo barato roubam a cena. A ret\u00f3rica fica de lado e o circo toma conta.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim das contas, \u00e9 isso que vende. A provoca\u00e7\u00e3o ao concorrente vale mais do que qualquer projeto social, qualquer ideia de melhoria para a cidade, qualquer discuss\u00e3o s\u00e9ria sobre os problemas que afligem a popula\u00e7\u00e3o. A audi\u00eancia sobe, os cliques aumentam, e a pol\u00edtica se torna apenas mais um epis\u00f3dio de uma novela tr\u00e1gica e c\u00f4mica. Os candidatos, ao inv\u00e9s de falarem de suas propostas, discutem como personagens de uma novela ruim, dispostos a destruir n\u00e3o apenas a reputa\u00e7\u00e3o do outro, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate que deveria esclarecer propostas aos eleitores termina com mais um epis\u00f3dio vergonhoso da longa lista de espet\u00e1culos pol\u00edticos no Brasil. Ali, em frente a milh\u00f5es de telespectadores, um retrato desumano do que se tornou a pol\u00edtica: n\u00e3o um campo de ideias, mas de ofensas, amea\u00e7as e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O desatino cresce no mundo todo, mas aqui parece tomar propor\u00e7\u00f5es absurdas, fruto de uma desconex\u00e3o cada vez maior entre os pol\u00edticos e a realidade do cidad\u00e3o comum. Talvez seja esse o verdadeiro abismo: os candidatos, em sua \u00e2nsia de lacrar e polarizar, ignoram as urg\u00eancias que batem \u00e0 porta de cada brasileiro. Em vez de discutir a falta de seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, preferem lan\u00e7ar-se em uma guerra de narrativas grotescas que apenas alimentam o circo virtual das redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pergunta que fica no ar \u00e9 se esse \u00e9 realmente o fundo do po\u00e7o da pol\u00edtica ou apenas uma estrat\u00e9gia bem calculada. Ser\u00e1 que esses candidatos est\u00e3o conscientes de que a melhor maneira de se destacar em um cen\u00e1rio cada vez mais competitivo \u00e9 se afundar na lama? Talvez, para alguns, o choque e a controv\u00e9rsia sejam as \u00fanicas ferramentas que restaram para chamar a aten\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o cansada e descrente. O marketing pol\u00edtico moderno parece ter encontrado nas redes sociais um campo f\u00e9rtil para o extremismo, onde likes e compartilhamentos valem mais do que propostas concretas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds onde tudo acontece r\u00e1pido demais \u2014 das redes sociais \u00e0s manchetes escandalosas \u2014 a pol\u00edtica \u00e9, muitas vezes, relegada ao \u00faltimo plano. Na verdade, ela s\u00f3 surge como uma lembran\u00e7a inc\u00f4moda nas v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, quando, de repente, nossas opini\u00f5es esbarram nas opini\u00f5es dos outros e, como que por m\u00e1gica, percebemos que os outros tamb\u00e9m t\u00eam voz. E \u00e9 nesse choque de vontades que nos damos conta de que, mesmo sem querer, estamos todos jogando o mesmo jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica, que deveria ser um espa\u00e7o de debate e constru\u00e7\u00e3o, torna-se uma guerra de trincheiras, onde cada lado defende sua bandeira como se estivesse em uma batalha final. N\u00e3o h\u00e1 mais di\u00e1logo; h\u00e1 gritos, h\u00e1 memes que zombam da ignor\u00e2ncia alheia e sil\u00eancios que cortam rela\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada brasileiro carrega sua esperan\u00e7a pol\u00edtica. Uns a abra\u00e7am com convic\u00e7\u00e3o, acreditando que sua participa\u00e7\u00e3o pode, de fato, mudar alguma coisa. Outros preferem apertar a m\u00e3o da esperan\u00e7a, como quem firma um acordo t\u00edmido, participando mais por obriga\u00e7\u00e3o do que por cren\u00e7a genu\u00edna. E h\u00e1 aqueles que dizem ter esperan\u00e7a, mas sequer sabem o que ela significa; repetem palavras de ordem, mas n\u00e3o olham com profundidade para o que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que a pol\u00edtica, mesmo sendo um direito e um dever, \u00e9 vista como um fardo. Muitos preferem gastar suas energias postando memes, rindo do caos, porque, afinal, \u00e9 mais f\u00e1cil zombar do que se engajar. \u00c9 mais f\u00e1cil rir do que se informar, do que conhecer quem ir\u00e1 falar por n\u00f3s durante quatro anos ou mais. E assim, o ciclo continua. Para muitos a pol\u00edtica s\u00f3 \u00e9 lembrada nos per\u00edodos de elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 uma esperan\u00e7a que n\u00e3o se dispersa, uma fa\u00edsca que, mesmo em meio ao radicalismo, pode acender algo maior. Ela reside naqueles que, apesar de tudo, ainda acreditam no poder do di\u00e1logo, na for\u00e7a do voto consciente, na import\u00e2ncia de conhecer e escolher seus representantes com responsabilidade. Talvez seja uma minoria. Talvez sejam apenas sussurros em meio ao caos. Mas s\u00e3o esses sussurros que podem, um dia, se tornar o grito de mudan\u00e7a que tanto almejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque, no fim das contas, a pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 apenas sobre os pol\u00edticos e seus eleitores radicais. Ela \u00e9 sobre todos n\u00f3s, sobre o que queremos para o futuro. E essa decis\u00e3o, por mais dif\u00edcil e entediante que pare\u00e7a, est\u00e1 sempre em nossas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo brasileiro, esse tribunal severo e soberano, pode, em seu julgamento silencioso demais ou \u00e0s vezes escandaloso de menos, colocar um fim a essa escalada de \u00f3dio. Ou, quem sabe, optar\u00e1 por perpetuar o caos, atra\u00eddo pela sedu\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo e pela promessa vazia dos que gritam mais alto em busca de alguns anos na cadeira do circo de politicagem brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Beatriz da Silva de S\u00e1 Dias Em tempos de elei\u00e7\u00e3o, o palco pol\u00edtico se transforma num verdadeiro espet\u00e1culo. Os debates televisivos, que deveriam ser espa\u00e7os de troca de ideias, planejamento e vis\u00e3o de futuro, acabam se convertendo em arenas onde o confronto e o espet\u00e1culo barato roubam a cena. 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