{"id":16055,"date":"2024-10-22T15:40:07","date_gmt":"2024-10-22T18:40:07","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16055"},"modified":"2024-10-30T11:50:46","modified_gmt":"2024-10-30T14:50:46","slug":"cirio-de-nazare-a-fe-que-move-distancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/10\/22\/cirio-de-nazare-a-fe-que-move-distancias\/","title":{"rendered":"C\u00edrio de Nazar\u00e9: A F\u00e9 que move dist\u00e2ncias"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Por Beatriz de S\u00e1<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No segundo domingo de outubro, quando o sol come\u00e7a a nascer em Bel\u00e9m, o meu cora\u00e7\u00e3o bate mais forte, mesmo estando a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Aqui, na parte debaixo do mapa, assisto ao C\u00edrio de Nazar\u00e9 pela tela da televis\u00e3o, mais uma vez, com os olhos marejados e a alma conectada \u00e0quela multid\u00e3o que invade as ruas da minha cidade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a saudade que fala mais alto, mas tamb\u00e9m a for\u00e7a dessa f\u00e9 que sinto se estender atrav\u00e9s do tempo e do espa\u00e7o, alcan\u00e7ando meu peito onde quer que eu esteja.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver Bel\u00e9m se transformar para receber o C\u00edrio \u00e9 algo que sempre me tocou profundamente. As ruas ganham cores, as casas se enfeitam com cartazes, e o cheiro das comidas t\u00edpicas invade a vizinhan\u00e7a, como se cada esquina fizesse quest\u00e3o de lembrar que o amor \u00e0 Nossa Senhora de Nazar\u00e9 est\u00e1 em cada detalhe. \u00c9 o pato no tucupi, a mani\u00e7oba, aquele creme de cupua\u00e7u que refresca o paladar servido de aromas quentes, al\u00e9m do sol de rachar que ilumina todo o estado&#8230; S\u00e3o sabores que v\u00e3o muito al\u00e9m do paladar, s\u00e3o mem\u00f3rias vivas de uma inf\u00e2ncia marcada pelo calor dos encontros familiares e pelo abra\u00e7o apertado dos amigos e de todos que queiram participar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto falta de caminhar pelas ruas repletas de gente, de ver o mar de fi\u00e9is movendo-se como se fosse um s\u00f3 corpo, todos guiados pela mesma devo\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os se entrela\u00e7am, os olhares se encontram, e h\u00e1 uma troca silenciosa de esperan\u00e7a. Pessoas que muitas vezes nem se conhecem se sa\u00fadam com um sorriso, um aceno ou um simples \u201cFeliz C\u00edrio\u201d. Ali, a f\u00e9 n\u00e3o precisa ser explicada, ela \u00e9 vivida, compartilhada, e sentida em cada passo, em cada ora\u00e7\u00e3o sussurrada enquanto a Berlinda avan\u00e7a lentamente entre a multid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado de c\u00e1, onde o C\u00edrio n\u00e3o chega, eu ainda sinto o pulsar de Bel\u00e9m. \u00c9 como se fosse um sopro que aquece, porque me faz lembrar que n\u00e3o importa onde eu esteja, o C\u00edrio sempre me encontra. Ele chega atrav\u00e9s das lembran\u00e7as, da imagem da Santa que carrego comigo, e da emo\u00e7\u00e3o que me invade quando vejo a corda humana, carregada de promessas e l\u00e1grimas de gratid\u00e3o que se misturam no banho de \u00e1guas jogadas pelos fi\u00e9is como uma forma de abrandar os passos descal\u00e7os e calejados de cada promesseiro. Vejo a Berlinda bem focada, toda enfeitada com seu manto reluzente e o rio humano que se forma ao redor e nas ruas da cidade a gritos de f\u00e9. A f\u00e9 \u00e9 uma corrente que nos conecta e nos leva para mais perto de casa, mesmo que apenas por alguns instantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem nunca viveu o C\u00edrio de Nazar\u00e9, eu digo: Se permita, um dia, sentir essa for\u00e7a que \u00e9 capaz de unir milh\u00f5es de cora\u00e7\u00f5es em uma s\u00f3 voz. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser religioso para se deixar tocar pela grandiosidade desse momento. Basta ter f\u00e9, ou, pelo menos, acreditar na beleza do encontro e na for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o. Porque o C\u00edrio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para os devotos, mas para todos que desejam vivenciar uma experi\u00eancia de amor e gratid\u00e3o, uma manifesta\u00e7\u00e3o que atravessa gera\u00e7\u00f5es e faz de Bel\u00e9m um solo sagrado, onde a f\u00e9 se mistura ao ar e se torna quase palp\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>E enquanto eu vejo tudo pela televis\u00e3o, com o cora\u00e7\u00e3o pulsando junto ao mar de gente que inunda as ruas, compreendo que a f\u00e9 \u00e9, acima de tudo, um caminho de volta para casa. E nesse caminho, o C\u00edrio me alcan\u00e7a, me abra\u00e7a e me faz sentir de novo as batidas de Bel\u00e9m dentro de mim que fa\u00e7o quest\u00e3o de manifestar aonde quer que eu v\u00e1. O C\u00edrio \u00e9 algo que nenhuma explica\u00e7\u00e3o poder\u00e1 explicar, mas um dia, se voc\u00ea quiser entender, viva um dia de C\u00edrio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image_processing20200201-29235-10kbj62.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16056\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Elielson Pereira.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Beatriz de S\u00e1 No segundo domingo de outubro, quando o sol come\u00e7a a nascer em Bel\u00e9m, o meu cora\u00e7\u00e3o bate mais forte, mesmo estando a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Aqui, na parte debaixo do mapa, assisto ao C\u00edrio de Nazar\u00e9 pela tela da televis\u00e3o, mais uma vez, com os olhos marejados e a alma conectada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,1580],"tags":[1753,1387,1581],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16055"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16055"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16057,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16055\/revisions\/16057"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}