{"id":16090,"date":"2024-10-31T12:53:24","date_gmt":"2024-10-31T15:53:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16090"},"modified":"2024-10-31T12:54:44","modified_gmt":"2024-10-31T15:54:44","slug":"gravidez-na-adolescencia-a-jornada-da-maternidade-precoce-como-desafio-social-e-de-saude-publica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/10\/31\/gravidez-na-adolescencia-a-jornada-da-maternidade-precoce-como-desafio-social-e-de-saude-publica-no-brasil\/","title":{"rendered":"Gravidez na adolesc\u00eancia: a jornada da maternidade precoce como desafio social e de sa\u00fade p\u00fablica no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Hayana Ribas <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando descobri que estava gr\u00e1vida, eu tinha acabado de fazer 17 anos. Foi um choque. Eu n\u00e3o esperava, n\u00e3o era aquilo que eu tinha planejado para mim\u201d, confessa Thalissa dos Santos Falau, de 19 anos, m\u00e3e do pequeno Noah, de um ano e seis meses. Quantas vezes hist\u00f3rias como essa se repetem entre adolescentes que se deparam com a maternidade antes do esperado?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As press\u00f5es sociais para que as mulheres se tornem m\u00e3es s\u00e3o persistentes e universais. Perguntas como &#8220;Quando o beb\u00ea vem?&#8221;, ou coment\u00e1rios como &#8220;Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 na idade, hein!&#8221; s\u00e3o comuns e muitas vezes refletem expectativas culturais e familiares. Contudo, se de um lado h\u00e1 uma cobran\u00e7a constante para que as mulheres abracem a maternidade, do outro, o julgamento e a cr\u00edtica emergem rapidamente quando isso acontece precocemente, como no caso de uma gravidez na adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Thalissa \u00e9 uma das jovens que viveu essa realidade. Hoje, ela n\u00e3o consegue imaginar sua vida sem o filho, descrevendo a maternidade como um amor inexplic\u00e1vel. No entanto, sua jornada, como a de mais de 200 mil adolescentes que enfrentam a gravidez precoce no Brasil, teve in\u00edcio com susto, incertezas e muitos desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>A gravidez na adolesc\u00eancia continua sendo uma preocupa\u00e7\u00e3o relevante para a sa\u00fade p\u00fablica no Brasil e em muitos outros pa\u00edses ao redor do mundo. Dados do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) indicam que, apesar de uma queda gradual nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Brasil ainda tem uma das maiores taxas da Am\u00e9rica Latina. Este fen\u00f4meno representa n\u00e3o apenas uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, mas tamb\u00e9m um desafio social e econ\u00f4mico para muitas fam\u00edlias e comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, aproximadamente 380 mil nascimentos foram de m\u00e3es com at\u00e9 19 anos, representando 14% do total de partos no Brasil. No ano anterior, essa taxa foi de 14,7%, e em 2018, de 15,5%. Esses dados s\u00e3o provenientes do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Nascidos Vivos, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e foram analisados no projeto &#8220;Gravidez e Maternidade na Adolesc\u00eancia &#8211; um estudo da Coorte de 100 milh\u00f5es de Brasileiros&#8221;, desenvolvido por especialistas do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para a Sa\u00fade (CIDACS-Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos apontam que diversos fatores influenciam essas estat\u00edsticas, como desigualdade socioecon\u00f4mica, acesso limitado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual, e falta de informa\u00e7\u00e3o sobre m\u00e9todos contraceptivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma pesquisa do CIDACS mostra ainda que, em 2020, a maior concentra\u00e7\u00e3o de nascidos vivos de m\u00e3es adolescentes ocorreu nas regi\u00f5es Norte (21,3%) e Nordeste (16,9%), seguidas pelo Centro-Oeste (13,5%), Sudeste (11%) e Sul (10,5%), refletindo tamb\u00e9m a vulnerabilidade social dessas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o racial tamb\u00e9m foi destacada no estudo. Em 2020, entre os nascidos vivos de m\u00e3es ind\u00edgenas, 28,2% eram de adolescentes. Entre as mulheres pardas que se tornaram m\u00e3es, 16,7% dos beb\u00eas eram de adolescentes, enquanto entre as m\u00e3es pretas, esse n\u00famero foi de 13%. Para as m\u00e3es brancas, 9,2% eram adolescentes. Com base nesses dados, o CIDACS ressalta que a gravidez na adolesc\u00eancia deve ser tratada sob uma perspectiva de sa\u00fade coletiva, com \u00eanfase nas desigualdades e suas consequ\u00eancias na sa\u00fade das adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impactos na vida das jovens<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A gravidez precoce pode ter efeitos significativos na vida das jovens e de suas fam\u00edlias. Adolescentes que engravidam enfrentam desafios como a interrup\u00e7\u00e3o dos estudos, o que frequentemente limita suas oportunidades de trabalho e crescimento profissional. Al\u00e9m disso, a maternidade em idade precoce est\u00e1 relacionada a um maior risco de complica\u00e7\u00f5es na sa\u00fade, tanto para a m\u00e3e quanto para o beb\u00ea, como partos prematuros e baixo peso ao nascer.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo momento que descobri, que vi o positivo, eu fiquei sem ch\u00e3o, eu s\u00f3 sabia chorar, eu fiquei muito nervosa, veio um misto de emo\u00e7\u00f5es. Era uma inseguran\u00e7a, um medo, um susto, porque eu n\u00e3o esperava, n\u00e3o era o que eu estava querendo naquele momento, eu fiquei sem conseguir aceitar aquilo\u201d, conta Thalissa. O impacto emocional tamb\u00e9m \u00e9 profundo. Muitas jovens relatam sentimentos de isolamento social e a necessidade de assumir responsabilidades para as quais, em muitos casos, n\u00e3o est\u00e3o preparadas. \u201cLevou um tempo para eu aceitar, para eu pensar, botar minha cabe\u00e7a no lugar, porque eu tinha muito medo, eu fiquei muito insegura naquele momento. Pensei, \u2018Ser\u00e1 que eu vou conseguir? Ser\u00e1 que eu vou dar conta mesmo?\u2019. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, eu t\u00e3o nova, passou muita coisa na minha cabe\u00e7a. Mas depois com o tempo tudo foi se encaixando e eu aceitei numa boa\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Bruna Tolotti Colognese, 35 anos, p\u00f3s-graduada em Terapia Cognitivo-Comportamental, explica o profundo abalo emocional que a gravidez na adolesc\u00eancia pode causar. Segundo ela, a imaturidade emocional e cognitiva dessas jovens desempenha um papel significativo no processo. &#8220;A adolescente ainda n\u00e3o tem a maturidade emocional e cognitiva para ser m\u00e3e, para cuidar de outro ser humano. Isso impacta bastante, pois ela acaba tendo que amadurecer antes do tempo, antes do esperado. H\u00e1 quest\u00f5es comuns em qualquer gesta\u00e7\u00e3o, como ansiedade, medo e ambival\u00eancia \u2014 aquele sentimento de &#8216;eu quero esse beb\u00ea&#8217;, mas, ao mesmo tempo, &#8216;eu n\u00e3o quero&#8217;, porque tenho medo, porque n\u00e3o sei como ser\u00e1. Qualquer gestante experimenta isso, ent\u00e3o imagine como isso \u00e9 potencializado em uma adolescente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos desafios naturais da maternidade, a fase da adolesc\u00eancia, por si s\u00f3, j\u00e1 envolve emo\u00e7\u00f5es intensificadas, o que agrava ainda mais o cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Lembrando que, na adolesc\u00eancia, as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais afloradas. O adolescente tem mais dificuldade de controlar e compreender as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o a ansiedade que uma m\u00e3e adulta vivenciaria durante a gesta\u00e7\u00e3o, a adolescente vai sentir de forma muito mais intensa. E essas emo\u00e7\u00f5es fazem parte do processo gestacional&#8221;, destaca a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da inseguran\u00e7a e do medo naturais que surgem nas jovens durante esse per\u00edodo t\u00e3o delicado, \u00e9 fundamental destacar outro fator relevante: a maternidade solo. Esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o comum entre muitas jovens que enfrentam a gravidez precoce. A possibilidade de assumir sozinha a responsabilidade de criar um filho pode gerar um sentimento avassalador de inseguran\u00e7a e incerteza. Al\u00e9m dos desafios emocionais e financeiros, as m\u00e3es solo muitas vezes enfrentam o estigma social e a falta de suporte familiar ou comunit\u00e1rio. Nesse cen\u00e1rio, a sobrecarga mental e f\u00edsica \u00e9 ainda maior, uma vez que precisam equilibrar suas pr\u00f3prias transi\u00e7\u00f5es para a vida adulta enquanto assumem o papel de principal cuidadora de um novo ser.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s \u00e9ramos novos, eu tinha 17 e o pai do nen\u00ea tinha 19 anos. Como n\u00e3o foi planejado por n\u00f3s, foi um susto para ele tamb\u00e9m quando descobriu que ia ser pai, mexeu muito com o nosso psicol\u00f3gico, nossa vida ia mudar totalmente. A gente chegou dar um tempo, terminar nosso relacionamento, e isso mexeu bastante comigo. Eu pensei, \u2018nossa, t\u00f4 gr\u00e1vida, t\u00e3o nova e ainda vou ser m\u00e3e solo\u2019. Isso mexeu muito comigo, mexeu com a minha cabe\u00e7a. Mas, enfim, depois de sete meses separados, n\u00f3s conversamos, analisamos o que precisava mudar e decidimos tentar mais uma vez, estamos juntos at\u00e9 hoje\u201d, relata Thalissa.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, apontou um aumento de 17% no n\u00famero de m\u00e3es solo na \u00faltima d\u00e9cada. Em 2012, eram 9,6 milh\u00f5es, n\u00famero que ultrapassou 11 milh\u00f5es em 2022. Destas, 72,4% vivem apenas com os filhos, sem contar com uma rede de apoio pr\u00f3xima. Al\u00e9m disso, mais da metade dessas mulheres n\u00e3o completou o ensino m\u00e9dio ou superior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuerendo ou n\u00e3o, a minha gravidez afetou os meus planos de vida e a minha educa\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o consegui completar o meu ensino m\u00e9dio. Quando eu descobri que eu estava gr\u00e1vida, eu estava no segundo ano do ensino m\u00e9dio, eu quis continuar estudando para eu n\u00e3o ficar t\u00e3o em casa. A escola em si ela me apoiou bastante, foram muito queridos comigo, mas depois de um tempo aconteceram algumas coisas dentro de sala de aula com professores que me chatearam bastante, me deixaram bem triste e foi a\u00ed que decidi abandonar os estudos e n\u00e3o terminei\u201d, revela Thalissa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os desafios enfrentados por Thalissa durante a gravidez, a interrup\u00e7\u00e3o dos estudos foi um dos mais marcantes. Embora tenha encontrado apoio inicial da escola, situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis envolvendo a falta de empatia de alguns professores contribu\u00edram para sua decis\u00e3o de abandonar o ensino m\u00e9dio. O impacto emocional dessa falta de acolhimento revelou a import\u00e2ncia de um ambiente educacional mais preparado e sens\u00edvel \u00e0s jovens gestantes, como ela mesma defende.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o conclu\u00ed o meu segundo ano, por motivos de professores n\u00e3o terem uma empatia. N\u00e3o digo todos os professores, alguns em espec\u00edfico. Em vez de eles me ajudarem, eles estavam me caluniando. Uma situa\u00e7\u00e3o muito chata aconteceu durante uma aula, fiquei bastante chateada. Acredito que as escolas devem preparar melhor os professores, terem mais conversas com eles sobre o assunto, treinamentos, para terem mais empatia e cuidado com as adolescentes gr\u00e1vidas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O preconceito que assombra&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O preconceito enfrentado por adolescentes gr\u00e1vidas \u00e9 uma realidade que gera cicatrizes profundas, tanto emocionalmente quanto socialmente. Muitas vezes, essas jovens s\u00e3o julgadas de forma dura, sendo vistas como irrespons\u00e1veis ou imaturas, o que agrava ainda mais a situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel em que se encontram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que um dos maiores desafios, que me deixou bem chateada, foi as pessoas julgando. As pessoas falando de mim por a\u00ed, pela cidade, eu descobrindo meninas da minha idade falando de mim. Falas do tipo \u2018isso \u00e9 rid\u00edculo, \u00e9 horr\u00edvel\u2019, \u2018olha a idade, porque n\u00e3o se cuidou?\u2019, \u2018sua vida acabou\u2019. Isso foi algo que mexeu bastante comigo e que me pegou bastante durante a minha gesta\u00e7\u00e3o, foi a coisa que mais mexeu com a minha cabe\u00e7a\u201d, conta a jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>Coment\u00e1rios negativos e olhares de reprova\u00e7\u00e3o vindos de familiares, amigos, ou at\u00e9 desconhecidos, tornam o processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidez mais dif\u00edcil, fazendo com que elas se sintam isoladas e culpadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que a sociedade, sim, ela realmente precisa ter mais empatia e ser mais acolhedora com as meninas que est\u00e3o gr\u00e1vidas na adolesc\u00eancia ou que s\u00e3o m\u00e3es solos, hoje em dia tem muito julgamento. Essa vez foi comigo, mas a gente n\u00e3o sabe, outro dia pode ser com a filha de outra pessoa tamb\u00e9m, ningu\u00e9m est\u00e1 livre de um dia n\u00e3o acontecer com algu\u00e9m da fam\u00edlia. As pessoas deveriam ser mais acolhedoras e pensar um pouco mais no pr\u00f3ximo e nos sentimentos do outro, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 uma escolha nossa estar passando por&nbsp; aquilo naquele momento, simplesmente aconteceu e voc\u00ea tem que aceitar\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Para romper esse ciclo de julgamento, especialistas afirmam que se faz necess\u00e1rio promover mais di\u00e1logos abertos e conscientizar sobre a necessidade de acolhimento, garantindo que essas jovens tenham o suporte necess\u00e1rio para enfrentar a gravidez de forma digna e sem preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o sexual e preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O debate sobre a necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o sexual abrangente nas escolas continua a ser uma pauta importante. Especialistas defendem que deve ir al\u00e9m da abordagem sobre biologia e reprodu\u00e7\u00e3o, abordando temas como rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis, respeito m\u00fatuo, e a import\u00e2ncia do consentimento. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recomenda que programas educativos com essas caracter\u00edsticas sejam implementados como uma das maneiras mais eficazes de prevenir a gravidez precoce.<\/p>\n\n\n\n<p>Programas de conscientiza\u00e7\u00e3o e campanhas de preven\u00e7\u00e3o, como o Programa Sa\u00fade na Escola (PSE), t\u00eam sido fundamentais para melhorar o acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre contraceptivos e sa\u00fade reprodutiva entre adolescentes. Por\u00e9m, especialistas apontam que esses esfor\u00e7os precisam ser mais intensos e melhor distribu\u00eddos, especialmente nas regi\u00f5es mais afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o adianta, a escola ainda \u00e9, \u00e0s vezes, o \u00fanico espa\u00e7o em que o adolescente vai ter acesso a essa informa\u00e7\u00e3o (educa\u00e7\u00e3o sexual e preven\u00e7\u00e3o). Porque por mais que o mundo tenha mudado e as pessoas est\u00e3o mais, talvez, \u2018liberais\u2019, em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento sexual, falar sobre isso com os filhos ainda \u00e9 um tabu. Por isso que a escola acaba sendo um lugar para a gente levar informa\u00e7\u00e3o de qualidade, informa\u00e7\u00e3o correta, porque esse \u00e9 outro problema das redes sociais, a gente tem acesso a muita informa\u00e7\u00e3o, mas o quanto dessa informa\u00e7\u00e3o tem qualidade, a\u00ed j\u00e1 \u00e9 bem questionado\u201d, explica Bruna.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas e desafios futuros<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Diversas iniciativas governamentais t\u00eam buscado enfrentar o problema da gravidez na adolesc\u00eancia, como a distribui\u00e7\u00e3o gratuita de m\u00e9todos contraceptivos nas unidades do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para apoiar adolescentes gr\u00e1vidas a continuar seus estudos. No entanto, a implementa\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas muitas vezes enfrenta obst\u00e1culos, como a falta de infraestrutura e o estigma social em torno da gravidez precoce.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas sugerem que as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam ser refor\u00e7adas e integradas com a\u00e7\u00f5es que melhorem a qualidade de vida dos jovens. A promo\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e o combate \u00e0 pobreza s\u00e3o aspectos essenciais para garantir que as adolescentes tenham maior controle sobre suas decis\u00f5es reprodutivas e perspectivas de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que, de acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto de 2021, realizada por acad\u00eamicos da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) com o apoio da Anis, organiza\u00e7\u00e3o de defesa dos direitos das mulheres, 52% das brasileiras que relataram ter realizado um aborto o fizeram antes dos 19 anos. O fen\u00f4meno conhecido como aborto de repeti\u00e7\u00e3o, que ocorre quando uma mulher passa por duas ou mais interrup\u00e7\u00f5es, foi identificado em 21% dos casos. Al\u00e9m disso, uma em cada sete mulheres no Brasil j\u00e1 passou por um aborto at\u00e9 os 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; A gravidez na adolesc\u00eancia \u00e9 um problema complexo e multifacetado que envolve quest\u00f5es de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a social. A redu\u00e7\u00e3o das taxas de gravidez precoce no Brasil depende de esfor\u00e7os conjuntos do governo, da sociedade e da pr\u00f3pria fam\u00edlia. Somente com o fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas, educa\u00e7\u00e3o sexual adequada e suporte emocional \u00e0s adolescentes ser\u00e1 poss\u00edvel diminuir os impactos negativos desse fen\u00f4meno e criar um futuro mais promissor para as jovens brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds em desenvolvimento, garantir o bem-estar de suas adolescentes \u00e9 um passo fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e equitativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tive um apoio gigantesco da minha fam\u00edlia que foi o essencial para mim. A minha m\u00e3e, ela estava comigo quando eu fiz o teste, ela ficou comigo, me apoiou desde aquele momento at\u00e9 o final da minha gesta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 hoje. N\u00e3o s\u00f3 ela como a minha fam\u00edlia inteira, me deram carinho, amor, me acolheram. Eu n\u00e3o sei explicar, eles me passavam uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e3o maravilhosa, eu me sentia t\u00e3o bem\u201d, conta Thalissa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A vida depois da maternidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ser m\u00e3e \u00e9 enfrentar medos profundos, mas tamb\u00e9m \u00e9 descobrir uma for\u00e7a que se acreditava inexistente, um desejo ardente de proteger e guiar. A maternidade \u00e9 um caminho de entrega, aprendizado e gratid\u00e3o, onde cada desafio se torna uma oportunidade de crescimento, e a vida, com todas as suas imperfei\u00e7\u00f5es, se torna um presente inestim\u00e1vel. \u00c9 nessa trajet\u00f3ria que Thalissa encontrou n\u00e3o apenas a mudan\u00e7a em sua vida, mas tamb\u00e9m a raz\u00e3o pela qual cada dia vale a pena ser vivido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maternidade \u00e9 uma coisa muito louca, ela muda voc\u00ea de um jeito que voc\u00ea nem imagina que voc\u00ea iria mudar. Durante a gesta\u00e7\u00e3o, voc\u00ea imagina tudo de um jeito, mas depois que o nen\u00ea nasce, que vai passando os dias, que voc\u00ea vai evoluindo junto com ele, voc\u00ea vai evoluindo como m\u00e3e, voc\u00ea vai criando um sentimento inexplic\u00e1vel. Voc\u00ea n\u00e3o consegue mais se imaginar sendo a mesma pessoa de antes, como eu vivi tanto tempo sendo aquela pessoa, sem esse serzinho do meu lado? \u00c9 uma coisa muito louca, porque voc\u00ea cria um amor, um cuidado, uma prote\u00e7\u00e3o, hoje em dia, eu n\u00e3o me vejo mais sendo a pessoa de antes, sem o Noah. Mesmo eu sendo uma m\u00e3e nova, ele me traz uma luz, uma alegria inexplic\u00e1vel que eu nunca senti antes, \u00e9 um amor t\u00e3o puro, um amor t\u00e3o verdadeiro que hoje em dia a gente s\u00f3 pensa em evoluir, em crescer, em ter a nossa fam\u00edlia, ter as coisinhas assim. Tu n\u00e3o pensa mais s\u00f3 em voc\u00ea, agora \u00e9 a tua fam\u00edlia, \u00e9 crescer, evoluir.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as meninas que est\u00e3o passando por essa experi\u00eancia, eu digo que eu sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, no in\u00edcio a gente n\u00e3o aceita, a ficha demora para cair, dias, meses, a gente n\u00e3o entende o porqu\u00ea de a gente ser escolhido naquele momento, mas depois que voc\u00ea tem o teu filho no colo, que voc\u00ea v\u00ea aqueles olhinhos, ou quando ele d\u00e1 o primeiro sorrisinho para voc\u00ea, voc\u00ea vai ver que tudo que voc\u00ea passou valeu a pena, porque n\u00e3o tem coisa melhor no mundo do que voc\u00ea receber o amor do teu filho, um amor t\u00e3o verdadeiro, \u00e9 uma coisa inexplic\u00e1vel. Hoje eu agrade\u00e7o a Deus por ter me escolhido, por ter me capacitado em ser m\u00e3e, porque eu acho que eu nunca senti a felicidade e o amor que eu sinto hoje em dial\u201d, conclui Thalissa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1068\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16091\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/unnamed.jpg 1068w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/unnamed-1025x1536.jpg 1025w\" sizes=\"(max-width: 1068px) 100vw, 1068px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Thalissa e Noah atualmente. Cr\u00e9ditos: Encantos Fotografia.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hayana Ribas \u201cQuando descobri que estava gr\u00e1vida, eu tinha acabado de fazer 17 anos. Foi um choque. 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