{"id":16114,"date":"2024-11-07T15:04:33","date_gmt":"2024-11-07T18:04:33","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16114"},"modified":"2024-11-07T15:04:34","modified_gmt":"2024-11-07T18:04:34","slug":"hortas-comunitarias-e-agricultura-organica-sustentabilidade-ao-alcance-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/11\/07\/hortas-comunitarias-e-agricultura-organica-sustentabilidade-ao-alcance-de-todos\/","title":{"rendered":"Hortas comunit\u00e1rias e agricultura org\u00e2nica: sustentabilidade ao alcance de todos?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Benef\u00edcios e desafios da agricultura org\u00e2nica no Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Lara Donnola Rodrigues <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 um direito previsto na <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11346.htm\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>, assim como o acesso gratuito \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. No entanto, a realidade do acesso a esses direitos varia significativamente. Segundo dados do m\u00f3dulo Seguran\u00e7a Alimentar da PNAD Cont\u00ednua, divulgados pelo IBGE em abril de 2024, um em cada quatro domic\u00edlios brasileiros apresentou algum grau de inseguran\u00e7a alimentar em 2023, o que significa que os moradores n\u00e3o sabiam se teriam comida suficiente ou adequada na mesa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o relat\u00f3rio, ao todo, cerca de 64,1 milh\u00f5es de pessoas viviam nesses domic\u00edlios, das quais 11,9 milh\u00f5es enfrentavam uma situa\u00e7\u00e3o extremamente grave, enquanto outras 8,6 milh\u00f5es estavam \u00e0 beira da fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de colaborar para mudar esse quadro, um grupo de volunt\u00e1rios formou o projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pertim_org?igsh=Zmx0YXdvc2gycDRq\">Pertim<\/a>, uma horta comunit\u00e1ria agroecol\u00f3gica. \u201cO objetivo foi plantar agroflorestas sociais para criar seguran\u00e7a e autonomia alimentar atrav\u00e9s da agricultura regenerativa\u201d, informou a jornalista Bianca Villanova, uma das volunt\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos, v\u00e1rios volunt\u00e1rios abriram canteiros, adubaram e passaram a cultivar alimentos org\u00e2nicos, revezando-se para cuidar do local, que fica em Campinas &#8211; S\u00e3o Paulo, na Comunidade Menino Chor\u00e3o. Inicialmente, a a\u00e7\u00e3o ocorreu no contexto da pandemia de Covid-19. \u201cNa \u00e9poca, o cen\u00e1rio era de muita fome, muitas pessoas enfrentavam dificuldades para se alimentar. Ent\u00e3o n\u00f3s come\u00e7amos doando algumas cestas de org\u00e2nicos para comunidades carentes\u201d, informou a comunicadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, na pandemia, 48,1 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o tinham acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, como apontou o Panorama Regional da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, divulgado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 2023. Isso representa 22,4% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil. Al\u00e9m disso, conforme o relat\u00f3rio, o n\u00famero de brasileiros que t\u00eam dificuldades em manter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um ano trabalhando no cultivo e doa\u00e7\u00e3o de alimentos, os volunt\u00e1rios do projeto Pertim perceberam que apenas a doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era suficiente. \u201cO nosso foco nunca foi s\u00f3 a seguran\u00e7a alimentar, mas sim proporcionar a autonomia alimentar, para que as pessoas pudessem ter acesso \u00e0 comida que elas desejassem, comida local, de qualidade e tudo mais\u201d, informou Villanova. No entanto, alcan\u00e7ar esse objetivo ainda \u00e9 uma realidade distante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios para manter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator essencial para garantir a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, conforme a Lei Org\u00e2nica da Sa\u00fade, que regulamenta o SUS. Segundo um <a href=\"https:\/\/www.fsp.usp.br\/site\/noticias\/mostra\/34527\">estudo<\/a> da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, a popula\u00e7\u00e3o brasileira atinge apenas cerca de 30% das recomenda\u00e7\u00f5es para uma dieta saud\u00e1vel. Entre as principais causas dessa situa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a crescente desigualdade social, junto \u00e0 alta nos pre\u00e7os dos alimentos, o que leva ao aumento no consumo de industrializados ultraprocessados, que s\u00e3o mais baratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro <a href=\"https:\/\/www.famed.ufu.br\/acontece\/2023-02-pesquisa-mostra-faces-da-desigualdade-no-consumo-alimentar-no-brasil\">estudo<\/a> realizado pela Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia apontou que 30% de brasileiros escolarizados relataram consumo di\u00e1rio de alimentos in natura, enquanto entre os menos escolarizados esse percentual caiu para apenas 20,4%. A pesquisa identificou que, se todos os brasileiros consumissem alimentos in natura com a mesma frequ\u00eancia que aqueles com maior escolaridade (37%), haveria um aumento de aproximadamente 7% no consumo desses alimentos na popula\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o custo de produtos org\u00e2nicos no mercado s\u00e3o muito mais altos, Bianca Villanova enxerga as hortas comunit\u00e1rias como uma alternativa para democratizar o acesso a alimentos saud\u00e1veis a todas as classes sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1600\" height=\"1066\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/c6f7ce2d-44bd-447f-b645-4a1adda12a65.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16116\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/c6f7ce2d-44bd-447f-b645-4a1adda12a65.jpg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/c6f7ce2d-44bd-447f-b645-4a1adda12a65-1536x1023.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Freepik.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impactos na comunidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cAs hortas comunit\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o apenas espa\u00e7os para cultivar alimentos saud\u00e1veis, s\u00e3o tamb\u00e9m lugares de conviv\u00eancia, aprendizado e integra\u00e7\u00e3o\u201d, disse Villanova. Al\u00e9m de ser uma solu\u00e7\u00e3o para democratizar o acesso a esses alimentos, ela afirma que iniciativas como a do projeto Pertim, podem garantir comida de qualidade na mesa das fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A volunt\u00e1ria observou diversos impactos positivos que a horta comunit\u00e1ria teve na comunidade. \u201cO espa\u00e7o se tornou um ponto de encontro e conviv\u00eancia, onde eventos como mutir\u00f5es aproximaram pessoas do centro urbano e da periferia, criando uma ponte entre diferentes contextos socioecon\u00f4micos\u201d, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p>Villanova informou que isso permitiu \u00e0 comunidade o acesso a novos recursos e apoios, como de m\u00e9dicos, advogados e outros profissionais, que passaram a contribuir com suas habilidades. \u201cAl\u00e9m disso, a horta gerou renda pontual para algumas mulheres, que preparavam refei\u00e7\u00f5es durante os eventos e tamb\u00e9m produziam e vendiam pamonhas, valorizando um produto tradicional feito por m\u00e3os perif\u00e9ricas\u201d, salientou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As parcerias, especialmente com outras organiza\u00e7\u00f5es, facilitaram o acesso a recursos e promoveram trocas de conhecimentos importantes, fortalecendo o projeto e suas possibilidades de expans\u00e3o. Segundo a comunicadora, o trabalho realizado tamb\u00e9m incentivou algumas pessoas a continuar plantando, e elas mant\u00eam o cultivo com entusiasmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O avan\u00e7o da seguran\u00e7a alimentar no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora os dados de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar ainda sejam preocupantes, a PNAD tamb\u00e9m aponta que a seguran\u00e7a alimentar nos domic\u00edlios brasileiros voltou a crescer no ano passado. Em 2023, 72,4% dos domic\u00edlios brasileiros, equivalentes a 56,7 milh\u00f5es de resid\u00eancias, estavam em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar (tinham acesso permanente \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse percentual representa um aumento de 9,1 pontos percentuais em compara\u00e7\u00e3o com a \u00faltima pesquisa do IBGE sobre o tema, a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) de 2017-2018, que registrou 63,3% dos lares do pa\u00eds em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a alimentar. De acordo com o IBGE, essa melhora est\u00e1 ligada a fatores como investimento em programas sociais e recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que alimentos org\u00e2nicos ainda s\u00e3o inacess\u00edveis?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar da evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, o Brasil ainda continua no Mapa da Fome da ONU. O \u00f3rg\u00e3o aponta que um dos maiores problemas est\u00e1 na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas alimentares nos munic\u00edpios. Portanto, essa quest\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade do prefeito e dos vereadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Villanova considera que o maior obst\u00e1culo para tornar os alimentos org\u00e2nicos acess\u00edveis no Brasil est\u00e1 no sistema socioecon\u00f4mico e pol\u00edtico, que prioriza o agroneg\u00f3cio e os latif\u00fandios, em detrimento dos pequenos agricultores familiares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A comunicadora destaca que o apoio financeiro a esses agricultores \u00e9 insuficiente, e que os subs\u00eddios, que s\u00e3o comuns em outros pa\u00edses, n\u00e3o existem aqui, dificultando a transi\u00e7\u00e3o do modelo convencional para o org\u00e2nico. \u201cO lobby das grandes empresas agroqu\u00edmicas influencia pol\u00edticas que favorecem o uso de agrot\u00f3xicos, complicando ainda mais a expans\u00e3o do cultivo org\u00e2nico\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela experi\u00eancia que teve trabalhando na \u00e1rea, Bianca declara que o mercado tamb\u00e9m \u00e9 injusto com os produtores, pois a maior parte do lucro fica com empresas intermedi\u00e1rias que processam e distribuem os produtos, enquanto o agricultor recebe pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda exijam organiza\u00e7\u00e3o e investimento, Villanova acredita que uma das solu\u00e7\u00f5es est\u00e1 em facilitar o acesso a recursos e subs\u00eddios para pequenos agricultores. Al\u00e9m de fomentar iniciativas como hortas comunit\u00e1rias, que podem ajudar a fornecer alimentos org\u00e2nicos acess\u00edveis em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benef\u00edcios e desafios da agricultura org\u00e2nica no Brasil Por Lara Donnola Rodrigues A alimenta\u00e7\u00e3o adequada \u00e9 um direito previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, assim como o acesso gratuito \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. No entanto, a realidade do acesso a esses direitos varia significativamente. Segundo dados do m\u00f3dulo Seguran\u00e7a Alimentar da PNAD Cont\u00ednua, divulgados pelo IBGE [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[852],"tags":[357,1780,1854,48,942,1006],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16114"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16114"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16118,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16114\/revisions\/16118"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}