{"id":16175,"date":"2024-12-04T14:59:53","date_gmt":"2024-12-04T17:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16175"},"modified":"2024-12-05T17:24:54","modified_gmt":"2024-12-05T20:24:54","slug":"quem-esta-roubando-o-sol-das-praias-e-prejudicando-a-sua-saude-no-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/12\/04\/quem-esta-roubando-o-sol-das-praias-e-prejudicando-a-sua-saude-no-verao\/","title":{"rendered":"Quem est\u00e1 roubando o sol das praias e prejudicando a sua sa\u00fade no ver\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Entenda como os pr\u00e9dios altos est\u00e3o bloqueando o sol na orla e quais s\u00e3o os impactos negativos desse efeito<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por J\u00falia Gava<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Santa Catarina, um estado famoso por suas praias paradis\u00edacas, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a sombra possa substituir o sol na areia. No entanto, isso tem acontecido em algumas praias do litoral catarinense. Balne\u00e1rio Cambori\u00fa e Itaja\u00ed j\u00e1 enfrentam problemas devido ao sombreamento nas orlas das praias. A falta de luz solar prejudica as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias da areia e aumenta a sobrevida dos pat\u00f3genos, como bact\u00e9rias e v\u00edrus, que causam doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>O sombreamento nas praias ocorre quando pr\u00e9dios altos bloqueiam a luz solar, gerando sombras na orla. Isso pode impactar o ecossistema local, alterar o clima, prejudicar a vegeta\u00e7\u00e3o e as esp\u00e9cies que dependem do sol, al\u00e9m de afetar negativamente a experi\u00eancia dos visitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ec\u00f3logo Marinho e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, destaca a necessidade de redobrar os cuidados sanit\u00e1rios em praias afetadas pela sombra gerada pelos pr\u00e9dios altos, pois a menor incid\u00eancia de luz solar favorece o crescimento de microrganismos causadores de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMicrorganismos, como bact\u00e9rias, que causam desde diarreias at\u00e9 doen\u00e7as mais graves, podem sobreviver por mais tempo na areia do que na \u00e1gua do mar. A radia\u00e7\u00e3o ultravioleta do sol controla essas bact\u00e9rias, limitando seu tempo de vida na praia\u201d, explica o professor. \u201cNo entanto, pr\u00e9dios altos bloqueiam a luz solar, o que aumenta a sobreviv\u00eancia desses pat\u00f3genos e, consequentemente, a contamina\u00e7\u00e3o das praias.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fauna e flora das \u00e1reas costeiras&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Fernando Joner, bi\u00f3logo, professor e pesquisador da UFSC, a falta de luminosidade adequada pode afetar a biodiversidade nas praias e influenciar o desaparecimento de algumas esp\u00e9cies de restinga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA falta de luz durante parte do dia afeta a reprodu\u00e7\u00e3o e os ambientes de vertebrados, aves, r\u00e9pteis e anf\u00edbios. Isso resulta em uma vegeta\u00e7\u00e3o de restinga empobrecida, com menos biodiversidade do que em \u00e1reas com mais horas de luz.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"736\" height=\"589\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/a4858c43-5e07-487c-bd4c-2a119567d7fd.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16176\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Leonardo Modesto.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cidades verticalizadas&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com Paulo Horta, uma cidade verticalizada, ou seja, com muitos pr\u00e9dios altos e grande densidade populacional, pode gerar ambientes pouco adequados ou desconfort\u00e1veis para a vida humana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm ver\u00e3o quente e \u00famido pode sobrecarregar o corpo humano, aumentando o risco de doen\u00e7as. Por isso, \u00e9 importante planejar \u00e1reas de ref\u00fagio com pontos de hidrata\u00e7\u00e3o e arrefecimento, para preservar a sa\u00fade e a vida\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, \u00e9 essencial que cidades verticalizadas \u00e0 beira-mar sejam encaradas como um grande desafio no gerenciamento costeiro, sendo preciso pensar em solu\u00e7\u00f5es inteligentes para adaptar e reduzir os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"479\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/3daf6f07-82be-4950-9e12-47fd3bd865c5-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16277\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: NSC Total.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto para os turistas&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O aumento de pr\u00e9dios altos ao longo da orla de Balne\u00e1rio Cambori\u00fa tem gerado debates sobre a falta de luz solar nas praias. Embora os edif\u00edcios sejam um atrativo visual e tur\u00edstico, h\u00e1 quem questione se esse crescimento vertical realmente compensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nicoly Daumann, estudante de Medicina e turista em Balne\u00e1rio Cambori\u00fa, afirma: \u201cEsteticamente, os pr\u00e9dios s\u00e3o bonitos e deixam a cidade famosa, mas n\u00e3o acho que vale a pena, principalmente por conta da falta de luz do sol. Praia sem sol n\u00e3o tem gra\u00e7a, por isso acabo escolhendo ir a outras praias da regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto especialistas e turistas debatem os impactos das sombras projetadas pelos pr\u00e9dios nas praias, uma construtora anuncia planos de erguer o arranha-c\u00e9u residencial mais alto do mundo em Balne\u00e1rio Cambori\u00fa. A cidade j\u00e1 abriga 8 dos 10 pr\u00e9dios mais altos do Brasil. Segundo a prefeitura da cidade, o projeto foi aprovado, e a obra est\u00e1 autorizada a come\u00e7ar. O edif\u00edcio, com mais de 500 metros de altura, ser\u00e1 constru\u00eddo \u00e0 beira-mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda como os pr\u00e9dios altos est\u00e3o bloqueando o sol na orla e quais s\u00e3o os impactos negativos desse efeito Por J\u00falia Gava Em Santa Catarina, um estado famoso por suas praias paradis\u00edacas, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a sombra possa substituir o sol na areia. No entanto, isso tem acontecido em algumas praias do litoral catarinense. 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