{"id":16180,"date":"2024-11-18T16:22:10","date_gmt":"2024-11-18T19:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16180"},"modified":"2024-11-18T18:06:26","modified_gmt":"2024-11-18T21:06:26","slug":"dia-nacional-da-umbanda-expoe-raizes-do-racismo-e-intolerancia-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/11\/18\/dia-nacional-da-umbanda-expoe-raizes-do-racismo-e-intolerancia-religiosa\/","title":{"rendered":"Dia Nacional da Umbanda exp\u00f5e ra\u00edzes do racismo e intoler\u00e2ncia religiosa"},"content":{"rendered":"\n<p><em>At\u00e9 julho deste ano, o canal Disque 100 registrou um aumento de 80% nas den\u00fancias por viola\u00e7\u00e3o de cren\u00e7a e religi\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Milena Natali<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 15 de novembro, o Brasil celebrou o Dia Nacional da Umbanda, uma data que representa a rica diversidade cultural do pa\u00eds. Contudo, essa celebra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m serve como um alerta sobre a persist\u00eancia do racismo e da intoler\u00e2ncia religiosa, que continuam a impactar as tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras. Santa Catarina, um estado com uma popula\u00e7\u00e3o predominantemente branca, n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, enfrentando desafios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas religiosas de matriz africana.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, houve um aumento alarmante de 80% nas den\u00fancias de intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil no primeiro semestre de 2024, em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. No total, foram registradas 1.227 den\u00fancias, com religi\u00f5es afro-brasileiras entre as mais atacadas. A umbanda, por exemplo, foi alvo de 75 den\u00fancias, enquanto o candombl\u00e9 registrou 58 casos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estudiosos apontam que o preconceito direcionado \u00e0s religi\u00f5es afro-brasileiras est\u00e1 ligado \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial. O racismo estrutural, que permeia institui\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es sociais, tem historicamente marginalizado essas religi\u00f5es. O soci\u00f3logo Marco Ant\u00f4nio Ribeiro, especialista em religi\u00f5es afro-brasileiras, afirma que \u201ca intoler\u00e2ncia contra a umbanda vai al\u00e9m do desconhecimento religioso, \u00e9 um reflexo direto do racismo que permeia a sociedade&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marco enfatiza que a maioria das ofensas envolvem discursos de \u00f3dio, com o intuito de desumanizar e desqualificar, com a inten\u00e7\u00e3o de ferir a cren\u00e7a e a moral daqueles que praticam. \u201cA demoniza\u00e7\u00e3o dessas religi\u00f5es est\u00e1 associada ao fato de serem majoritariamente praticadas por pessoas negras ou pardas. Precisamos trabalhar na educa\u00e7\u00e3o e na conscientiza\u00e7\u00e3o para quebrar esses estigmas\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Fabiana e Maria, m\u00e3e e filha, ilustra a resili\u00eancia da comunidade umbandista. Fabiana Ravache Mendes, de 45 anos, \u00e9 m\u00e3e de santo em Jaragu\u00e1 do Sul e frequenta o terreiro todos os domingos, participando de giras e realizando trabalhos espirituais voltados ao aux\u00edlio da comunidade. Desde pequena, sua filha, Maria Luiza Venturelli, de 23 anos, acompanha as celebra\u00e7\u00f5es e aprendeu sobre a import\u00e2ncia da umbanda, tornando-se m\u00e9dium.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maria compartilha que, na inf\u00e2ncia, sentia receio de falar sobre sua religi\u00e3o na escola, devido ao medo da rea\u00e7\u00e3o negativa dos colegas, reflexo do preconceito e da falta de conhecimento. \u201cEsse sentimento me acompanhou, mas n\u00e3o diminuiu minha paix\u00e3o pela umbanda, que \u00e9 uma parte fundamental da minha identidade. Hoje, consigo falar abertamente sobre isso\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"829\" height=\"608\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/INTOLERANCIA-RELIGIOSA.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16181\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em m\u00e9dia, s\u00e3o registradas sete den\u00fancias de intoler\u00e2ncia religiosa por dia.&nbsp;<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>F\u00e9 e preconceito&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em Santa Catarina, 53% das v\u00edtimas de intoler\u00e2ncia religiosa no primeiro semestre deste ano eram pessoas negras ou pardas, sendo 60% das den\u00fancias feitas por mulheres. Esses dados revelam um quadro alarmante de discrimina\u00e7\u00e3o que afeta majoritariamente grupos historicamente marginalizados. Contudo, tamb\u00e9m existem sinais de progresso. O di\u00e1logo inter-religioso est\u00e1 crescendo em v\u00e1rias regi\u00f5es, e iniciativas como o Disque 100, do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos, s\u00e3o fundamentais para combater o preconceito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, esse servi\u00e7o registrou mais de 398 mil den\u00fancias, muitas delas relacionadas \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa. Isso indica que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 se mobilizando e se sentindo mais \u00e0 vontade para relatar casos de discrimina\u00e7\u00e3o. Portanto, o fortalecimento de redes de apoio e a promo\u00e7\u00e3o de um ambiente de respeito s\u00e3o essenciais para a transforma\u00e7\u00e3o social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 15 de novembro, a data n\u00e3o deve ser vista apenas como uma comemora\u00e7\u00e3o, mas como uma oportunidade para refletir sobre o racismo estrutural que ainda marginaliza tantos brasileiros.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 julho deste ano, o canal Disque 100 registrou um aumento de 80% nas den\u00fancias por viola\u00e7\u00e3o de cren\u00e7a e religi\u00e3o Por Milena Natali No dia 15 de novembro, o Brasil celebrou o Dia Nacional da Umbanda, uma data que representa a rica diversidade cultural do pa\u00eds. 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