{"id":16184,"date":"2024-11-19T15:49:22","date_gmt":"2024-11-19T18:49:22","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16184"},"modified":"2024-11-19T16:19:08","modified_gmt":"2024-11-19T19:19:08","slug":"dia-da-consciencia-negra-reforca-luta-contra-igualdade-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/11\/19\/dia-da-consciencia-negra-reforca-luta-contra-igualdade-racial\/","title":{"rendered":"Dia da Consci\u00eancia Negra refor\u00e7a luta contra desigualdade racial"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Cidade fortalece movimentos pela valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Maria Eduarda Alecrim<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Dia da Consci\u00eancia Negra, celebrado em 20 de novembro, foi escolhido para homenagear a resist\u00eancia e a luta de Zumbi dos Palmares, o l\u00edder do Quilombo dos Palmares, s\u00edmbolo da resist\u00eancia negra no Brasil colonial. Zumbi representa a luta por liberdade e igualdade racial, valores que seguem atuais e inspiram movimentos negros em todo o pa\u00eds. Este ano, pela primeira vez, Joinville celebra essa data como feriado oficial, um marco importante para a cidade e suas lutas antirracistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Movimento Negro Maria Laura, criado em 2015 em homenagem \u00e0 professora reconhecida na cidade por seu trabalho em defesa da educa\u00e7\u00e3o e dos direitos da popula\u00e7\u00e3o negra, o feriado \u00e9 um marco importante para conscientizar que o racismo \u00e9 um problema de toda a sociedade, n\u00e3o apenas da popula\u00e7\u00e3o negra. Rhuan Carlos Fernandes, cofundador do movimento, enxerga o feriado como um ponto de partida para um debate mais profundo. \u201cEsse feriado n\u00e3o surgiu apenas de uma decis\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o deve ser visto apenas como um dia de descanso, mas \u00e9 fruto da mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento negro em todo o pa\u00eds. Ainda temos muito o que conquistar, mas essa vit\u00f3ria \u00e9 um recado importante para a sociedade\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da data, o movimento organizou eventos ao longo do m\u00eas de novembro, n\u00e3o apenas para celebrar, mas tamb\u00e9m para conscientizar. O dia 20 contar\u00e1 com atividades como rodas de samba e um amistoso de futebol em parceria com o time antirracista Seneg\u00e3o, al\u00e9m de encontros e palestras em escolas e espa\u00e7os p\u00fablicos. \u201cNossa cultura e uni\u00e3o s\u00e3o nossas maiores armas contra o racismo e as opress\u00f5es\u201d, pontua Rhuan.<\/p>\n\n\n\n<p>A reflex\u00e3o sobre o impacto do feriado tamb\u00e9m levanta cr\u00edticas. Ainda segundo o cofundador do movimento, o feriado, apesar de importante, \u00e9 apenas um passo. \u201cO Dia da Consci\u00eancia Negra precisa ser um momento de reflex\u00e3o para toda a sociedade, mas o feriado n\u00e3o \u00e9 a ferramenta mais importante, uma ferramenta importante seria por exemplo, reforma agr\u00e1ria, educa\u00e7\u00e3o integral, valoriza\u00e7\u00e3o dos professores, isso seria uma ferramenta. Feriado \u00e9 uma possibilidade, mas ele por si s\u00f3 n\u00e3o gera mudan\u00e7as\u201d, acrescenta Rhuan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento Negro Maria Laura indica a necessidade de mudan\u00e7as em Joinville para alcan\u00e7ar a igualdade racial. Entre suas demandas principais est\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade e inclusiva, defendendo a expans\u00e3o de institutos federais e universidades p\u00fablicas e a cria\u00e7\u00e3o de planos antirracistas nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, luta pela implementa\u00e7\u00e3o de cotas raciais no servi\u00e7o p\u00fablico. No setor cultural, o movimento prop\u00f5e expandir a Lei de Cultura, promovendo a valoriza\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a afro-brasileira e incentivando a cria\u00e7\u00e3o de eventos e atividades que fortale\u00e7am a representatividade negra. Na \u00e1rea de servi\u00e7os p\u00fablicos, o movimento se posiciona contra a terceiriza\u00e7\u00e3o, defendendo o fortalecimento da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social, especialmente para atender as necessidades da comunidade negra.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso ao lazer e ao esporte tamb\u00e9m \u00e9 essencial, visto como uma forma de inclus\u00e3o e resist\u00eancia. Por meio de eventos e pr\u00e1ticas esportivas, o movimento cria espa\u00e7os de uni\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o. Por fim, o grupo destaca a necessidade de uma maior participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da comunidade negra em Joinville, incentivando a atua\u00e7\u00e3o ativa nas decis\u00f5es da cidade para promover a igualdade racial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es, o movimento aponta desafios cont\u00ednuos, incluindo a falta de implementa\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/03, que estabelece o ensino de hist\u00f3ria afro-brasileira nas escolas. \u201cAinda h\u00e1 muito a ser feito. Em Joinville, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui um plano de promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial, e as escolas precisam de suporte para abordar essa hist\u00f3ria em sala de aula\u201d, critica Rhuan.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Avan\u00e7os e desafios para a transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Joinville defende que avan\u00e7os est\u00e3o sendo feitos. A pasta aponta que a quest\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais \u00e9 incentivada em todas as escolas e CEIs da rede ao longo do ano. Desde mar\u00e7o, a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Municipal de Educa\u00e7\u00e3o para Promo\u00e7\u00e3o de Igualdade Racial tem trabalhado para inspirar a comunidade escolar a desenvolver projetos que abordem a diversidade \u00e9tnica. Em 2024, a secretaria adotou uma postura mais robusta ao incluir diretrizes de educa\u00e7\u00e3o antirracista nos Mapas de Progress\u00e3o da Aprendizagem, al\u00e9m de aderir \u00e0 Pol\u00edtica Nacional de Equidade e Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais e Educa\u00e7\u00e3o escolar Quilombola. Apesar dessas iniciativas, movimentos como o Maria Laura ressaltam que a verdadeira transforma\u00e7\u00e3o exige uma pol\u00edtica educacional que possa ir al\u00e9m de semin\u00e1rios e orienta\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A resist\u00eancia afro-brasileira e sua import\u00e2ncia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para a historiadora Valdete Daufemback, o Dia da Consci\u00eancia Negra, em 20 de novembro, ultrapassa uma simples data comemorativa. Ele marca uma escolha da popula\u00e7\u00e3o afrodescendente no Brasil em homenagem a Zumbi dos Palmares, l\u00edder do Quilombo dos Palmares, como uma forma de resist\u00eancia contra o dia 13 de maio, conhecido pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e que \u00e9 associado \u00e0 princesa Isabel. \u201cO feriado do dia 20 de novembro legitima a data que os pr\u00f3prios afrodescendentes escolheram como o dia da resist\u00eancia negra\u201d, explica Valdete. Por outro lado, a historiadora acredita que, por si s\u00f3, o feriado n\u00e3o \u00e9 capaz de provocar uma mudan\u00e7a profunda. \u201cEu n\u00e3o acredito que o feriado v\u00e1 mudar muito; o que faz a diferen\u00e7a de verdade \u00e9 o movimento, a resist\u00eancia di\u00e1ria, as conquistas e os direitos assegurados. O feriado traz visibilidade, mas o impacto real vir\u00e1 das lutas di\u00e1rias\u201d, ressalta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A luta pela mem\u00f3ria&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A historiadora salienta que pol\u00edticas p\u00fablicas foram essenciais para valorizar a cultura afro-brasileira em Joinville, trazendo \u00e0 tona uma hist\u00f3ria muitas vezes ignorada. Ela lembra que, por volta de 2009, a cidade passou a apoiar manifesta\u00e7\u00f5es culturais como o carnaval e a implementar medidas voltadas \u00e0 igualdade racial, como a cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Igualdade Racial. \u201cFoi um momento em que a cidade come\u00e7ou a admitir que existiram pessoas escravizadas aqui, que foram sepultadas no cemit\u00e9rio da imigra\u00e7\u00e3o. Com isso, a popula\u00e7\u00e3o afro come\u00e7ou a encontrar espa\u00e7o para se mostrar e manifestar\u201d, explica Valdete.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ela observa que Joinville ainda enfrenta desafios para construir uma mem\u00f3ria mais inclusiva. Segundo a historiadora, a cidade teve poucas documenta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre a escravid\u00e3o, e isso se relaciona com uma pol\u00edtica de \u201cbranqueamento\u201d no passado, dificultando o reconhecimento da popula\u00e7\u00e3o negra como parte da hist\u00f3ria local. Valdete aponta que muitas pessoas de origem afrodescendente, que chegaram a Joinville recentemente em busca de oportunidades, evitam participar de movimentos por receio de exclus\u00e3o no trabalho, o que refor\u00e7a a necessidade de uma comunidade unida e fortalecida. \u201cEssa resist\u00eancia \u00e9 constru\u00edda com quem tem ra\u00edzes mais antigas na regi\u00e3o. A Consci\u00eancia Negra, em Joinville, ganhou mais for\u00e7a nos \u00faltimos 20 anos e cada passo nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que a cultura afro-brasileira seja vista e valorizada\u201d, conclui a historiadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Celebra\u00e7\u00f5es do Dia da Consci\u00eancia Negra em Joinville<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Joinville ir\u00e1 celebrar o primeiro Dia da Consci\u00eancia Negra como feriado com uma s\u00e9rie de atividades organizadas em v\u00e1rios Centros de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS) ao longo do m\u00eas de novembro. As iniciativas buscam promover o letramento racial e conscientizar a comunidade sobre a relev\u00e2ncia da data.<\/p>\n\n\n\n<p>No CRAS Adhemar Garcia, um encontro aberto est\u00e1 agendado para o dia 13 de novembro, \u00e0s 9h. O CRAS Aventureiro realizar\u00e1 o grupo \u201cMulheres que Contam e Reescrevem sua Hist\u00f3ria\u201d nas manh\u00e3s de 13 e 27 de novembro, \u00e0s 9h, enquanto o CRAS Comasa far\u00e1 uma homenagem no dia 13, \u00e0s 14h, contando com a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias atendidas. O CRAS Floresta organizar\u00e1 rodas de conversa em escolas, discutindo temas relacionados ao letramento racial, e o CRAS Morro do Meio exibir\u00e1 filmes e realizar\u00e1 conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos CRAS do Paranaguamirim, Parque Guarani e Pirabeiraba tamb\u00e9m ocorrer\u00e3o atividades de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o tema. O evento principal ocorrer\u00e1 no dia 20 de novembro, a partir das 10h, quando ser\u00e1 promovida uma imers\u00e3o cultural na Casa da Cultura, no endere\u00e7o na rua Dona Francisca, 800, no bairro Sagua\u00e7u,organizada pelo Conselho Municipal de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial de Joinville (COMPIR), com atividades como exposi\u00e7\u00f5es, apresenta\u00e7\u00f5es culturais e atividades educativas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"960\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CONSCIENCIA-NEGRA.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16185\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Membro do Movimento Negro leva representatividade na educa\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade fortalece movimentos pela valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira Por Maria Eduarda Alecrim O Dia da Consci\u00eancia Negra, celebrado em 20 de novembro, foi escolhido para homenagear a resist\u00eancia e a luta de Zumbi dos Palmares, o l\u00edder do Quilombo dos Palmares, s\u00edmbolo da resist\u00eancia negra no Brasil colonial. 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