{"id":16192,"date":"2024-11-27T14:54:45","date_gmt":"2024-11-27T17:54:45","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16192"},"modified":"2024-11-27T14:54:46","modified_gmt":"2024-11-27T17:54:46","slug":"geracao-z-transforma-sexualidade-e-redefine-relacionamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/11\/27\/geracao-z-transforma-sexualidade-e-redefine-relacionamentos\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o Z transforma sexualidade e redefine relacionamentos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Jovens de 18 a 24 anos praticam menos sexo e enfrentam novos desafios emocionais e sociais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Rodrigo Santana<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um fen\u00f4meno crescente tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de estudiosos e profissionais de sa\u00fade: o apag\u00e3o sexual na Gera\u00e7\u00e3o Z, que engloba jovens nascidos entre 1997 e 2012. Ao contr\u00e1rio de gera\u00e7\u00f5es anteriores, essa faixa et\u00e1ria demonstra um distanciamento significativo do sexo, refletindo uma diminui\u00e7\u00e3o no interesse e na pr\u00e1tica sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo &#8220;apag\u00e3o sexual&#8221; refere-se \u00e0 queda na frequ\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es sexuais, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do desejo e ao aumento do n\u00famero de jovens que se identificam como assexuados ou optam por uma vida sexual mais moderada. Um estudo recente da Universidade de Yale, liderado pela pesquisadora Kyung Mi Lee, revela que os membros da Gera\u00e7\u00e3o Z se envolvem em menos relacionamentos sexuais e um n\u00famero crescente se identifica como assexual ou busca outras formas de prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos da Gera\u00e7\u00e3o Z, ter uma vida sexual satisfat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 mais visto como uma prioridade. Eles concentram suas energias em \u00e1reas como carreira, sa\u00fade mental e desenvolvimento pessoal. A estudante Isabela (nome fict\u00edcio), 19, observa que, enquanto para a gera\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e o sexo era um tabu, nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, como a dos <em>millennials<\/em>, houve uma maior liberdade. &#8220;Apesar dessa liberdade, a atitude em rela\u00e7\u00e3o ao sexo ainda \u00e9 influenciada por comportamentos conservadores, que eu descreveria como &#8216;quase de freira'&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Isabela nota um padr\u00e3o nos relacionamentos de sua irm\u00e3 de 28 anos, que participa de relacionamentos mais casuais, mas com certo comprometimento. Sua irm\u00e3 teve sua primeira experi\u00eancia sexual aos 20 anos, sempre com pessoas que j\u00e1 conhecia. Para Isabela, essa abordagem \u00e9 casual, mas ainda carrega um fundo de afeto. Ela, no entanto, ainda n\u00e3o teve nenhuma experi\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre aplicativos de namoro, Isabela compartilha sua experi\u00eancia negativa com o Tinder, que descreve como traum\u00e1tica devido \u00e0 abordagem de muitos homens, que costumam iniciar conversas com cantadas desrespeitosas. &#8220;Muitas vezes, parece que eles s\u00f3 buscam aten\u00e7\u00e3o ou sexo casual, sem o desejo de estabelecer uma conex\u00e3o mais profunda&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste, Mateus (nome fict\u00edcio), 25, publicit\u00e1rio e fot\u00f3grafo, acredita que pessoas de gera\u00e7\u00f5es anteriores est\u00e3o mais maduras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida sexual. Para ele, como jovem gay, o sexo surgiu mais tarde devido \u00e0 repress\u00e3o familiar. Mateus v\u00ea a falta de interesse sexual como uma escolha consciente ou uma mudan\u00e7a de prioridades, mas que pode gerar consequ\u00eancias para a sa\u00fade mental, levando \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de isolamento emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nascido no interior, nunca estive em um relacionamento est\u00e1vel e me sinto inseguro quanto \u00e0 minha apar\u00eancia&#8221;, revela. Embora use aplicativos de relacionamento, ele confessa que est\u00e1 em um per\u00edodo de desintoxica\u00e7\u00e3o. &#8220;Usava aplicativos como o Grindr mais para saber quem estava ao meu redor do que para colocar em pr\u00e1tica meus desejos&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de Isabela, Mateus compreende sua vida sexual de maneira mais definida, j\u00e1 tendo v\u00e1rias experi\u00eancias e entendendo melhor seus desejos e parafilias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perspectiva psicol\u00f3gica e implica\u00e7\u00f5es emocionais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga e gestalt-terapeuta Suane Souza analisa as complexidades da Gera\u00e7\u00e3o Z, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, ao lidar com pacientes em terapia. Ela destaca que muitos jovens n\u00e3o buscam experimentar ou sair de suas zonas de conforto, representando uma resist\u00eancia \u00e0s normatividades sociais, como a heteronormatividade e a monogamia compuls\u00f3ria. \u201cQuando voc\u00ea n\u00e3o experimenta, n\u00e3o descobre o que realmente gosta, e acaba sendo dominado pela normatividade\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Suane observa que a vis\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es anteriores sobre o conservadorismo da Gera\u00e7\u00e3o Z pode ser, na verdade, uma adapta\u00e7\u00e3o mais passiva \u00e0s normas sociais. Ela argumenta que a fluidez sexual, frequentemente associada a essa gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o predominante quanto se discute. \u201cAs pessoas est\u00e3o mais preocupadas em se identificar com r\u00f3tulos, como demisexual ou sapiossexual, do que em vivenciar suas sexualidades de forma mais aberta\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foco na identifica\u00e7\u00e3o, segundo Suane, est\u00e1 ligado \u00e0 influ\u00eancia da internet e das redes sociais, onde muitos tentam definir sua sexualidade de forma autocentrada, distantes das experi\u00eancias diretas. Em rela\u00e7\u00e3o aos aplicativos de namoro, ela menciona a discrep\u00e2ncia entre a persona virtual e a realidade, em que a \u201cperformatividade\u201d se torna comum. \u201cAs pessoas criam uma imagem de si mesmas que n\u00e3o conseguem sustentar pessoalmente. Isso pode ser uma forma de autoprote\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as intera\u00e7\u00f5es virtuais s\u00e3o mais control\u00e1veis e seguras\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Suane tamb\u00e9m destaca que a acelera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es digitais reflete uma tend\u00eancia social onde tudo precisa ser mais r\u00e1pido, incluindo as intera\u00e7\u00f5es sexuais. A pandemia, segundo a psic\u00f3loga, intensificou esse processo. \u201cDurante o isolamento, as intera\u00e7\u00f5es virtuais aumentaram. A pandemia acelerou a virtualiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es e trocas sexuais, que j\u00e1 era uma tend\u00eancia, mas se intensificou durante o isolamento social\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jovens de 18 a 24 anos praticam menos sexo e enfrentam novos desafios emocionais e sociais Por Rodrigo Santana Um fen\u00f4meno crescente tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de estudiosos e profissionais de sa\u00fade: o apag\u00e3o sexual na Gera\u00e7\u00e3o Z, que engloba jovens nascidos entre 1997 e 2012. 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