{"id":16240,"date":"2024-12-01T12:45:17","date_gmt":"2024-12-01T15:45:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16240"},"modified":"2024-12-01T12:45:19","modified_gmt":"2024-12-01T15:45:19","slug":"do-norte-ao-sul-uma-jornada-de-sabores-e-sonhos-amazonicos-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/12\/01\/do-norte-ao-sul-uma-jornada-de-sabores-e-sonhos-amazonicos-em-joinville\/","title":{"rendered":"Do Norte ao Sul: uma jornada de sabores e sonhos amaz\u00f4nicos em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Beatriz de S\u00e1<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando cheguei \u00e0 porta do restaurante <em>Sabores do Norte<\/em>, na rua Marqu\u00eas de Maric\u00e1 76, no bairro Vila Nova em Joinville, o aroma que sa\u00eda de l\u00e1 me abra\u00e7ou de imediato. Era um cheiro familiar, de temperos e especiarias t\u00edpicas, que me transportou por um breve instante para Bel\u00e9m, minha terra natal. O lugar parecia um pequeno ref\u00fagio da Amaz\u00f4nia, bem no cora\u00e7\u00e3o de Santa Catarina, com suas paredes decoradas por quadros que celebravam o dialeto nortista, prateleiras repletas de potes de tucupi, especiarias e pequenas lembran\u00e7as da nossa cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>A dona do restaurante chamada Beatriz, estava atr\u00e1s do balc\u00e3o quando me viu entrar. Seu sorriso j\u00e1 mostrava o calor genu\u00edno que os paraenses sabem oferecer. Ela falava com uma tranquilidade contagiante, explicando o card\u00e1pio do dia a um trio de senhoras rec\u00e9m-chegadas \u00e0 cidade. Ao me notar, parou por um momento e me cumprimentou com um \u201cSeja bem-vinda!\u201d que soou como m\u00fasica para meus ouvidos. Eu, que tamb\u00e9m sou paraense e me chamo Beatriz, n\u00e3o pude deixar de sorrir diante da coincid\u00eancia. Ela riu, ajeitou os cabelos e me convidou a sentar \u00e0 mesa, como se j\u00e1 nos conhec\u00eassemos h\u00e1 muito tempo. O destino, com seu jeito misterioso, nos uniu aqui, em Joinville, em busca de recome\u00e7os e novos sonhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz, como tantas outras hist\u00f3rias de quem vem de longe, carrega com ela um passado de desafios e escolhas dif\u00edceis. Ela chegou a Joinville h\u00e1 quase oito anos, buscando melhores oportunidades para a fam\u00edlia. A vida no Sul n\u00e3o era f\u00e1cil, especialmente porque seu trabalho tomava muito do seu tempo, e os filhos, que estavam crescendo, precisavam de sua presen\u00e7a. Foi ent\u00e3o que ela teve a ideia de usar o que sabia fazer de melhor: cozinhar. Ela come\u00e7ou com um delivery de pratos t\u00edpicos do Norte, aos finais de semana, com o cora\u00e7\u00e3o voltado para a sua fam\u00edlia e para a saudade de casa. \u201cEra uma forma de estar perto de casa e, ao mesmo tempo, apresentar um pedacinho do nosso mundo para o Sul,\u201d ela conta com um sorriso nost\u00e1lgico.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso foi t\u00e3o grande que logo n\u00e3o cabia mais apenas na cozinha de sua casa. O boca a boca fez o restaurante crescer, e, com isso, surgiu o desejo de um ponto f\u00edsico. Em junho de 2024, Beatriz e sua equipe participaram de uma festa junina em Joinville, e foi ali que ela percebeu que seu neg\u00f3cio era mais do que comida. Era um peda\u00e7o da cultura amaz\u00f4nica sendo compartilhado. \u201cA comida do Par\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tempero. Ela carrega hist\u00f3rias, ra\u00edzes, e eu queria que as pessoas sentissem isso,\u201d diz ela, com os olhos brilhando de orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 2024, o <em>Sabores do Norte<\/em> ganhou sua pr\u00f3pria casa, e hoje, aqui estou, observando com admira\u00e7\u00e3o a maneira como Beatriz fala do seu restaurante, com tanto amor e cuidado. Ela nos convida para saborear a verdadeira culin\u00e1ria paraense, com pratos como o vatap\u00e1, mani\u00e7oba, tacac\u00e1 e a\u00e7a\u00ed, que se tornaram os favoritos de muitos que ainda se encantam com os sabores ex\u00f3ticos. \u201c\u00c9 um desafio trazer tudo o que a gente precisa aqui. No Par\u00e1, \u00e9 f\u00e1cil encontrar tudo, mas aqui, a log\u00edstica \u00e9 um obst\u00e1culo. Mas n\u00e3o podemos abrir m\u00e3o do sabor original. A qualidade vem de cada ingrediente, e eu n\u00e3o abro m\u00e3o disso,\u201d diz com firmeza, com um brilho nos olhos que s\u00f3 as grandes hist\u00f3rias de luta podem ter.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"847\" height=\"867\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/foto-familia-sabores-do-norte.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16241\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao redor, um ambiente acolhedor, e uma cliente entra, sorridente, indo direto at\u00e9 a geladeira pegar o famoso &#8220;chopp&#8221; \u2013 que em outros lugares pode ser chamado de sacol\u00e9, chup chup, dindin, entre outras muitas op\u00e7\u00f5es de nomes. Ela \u00e9 vizinha de loja de Beatriz, uma cliente fiel que encontrou ali um canto de amizade. O restaurante, com seu card\u00e1pio t\u00edpico, tornou-se um local de acolhimento n\u00e3o apenas para os paraenses, mas para qualquer pessoa que tenha o cora\u00e7\u00e3o aberto para a cultura do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversando com Beatriz, perguntei sobre o impacto que o restaurante teve em sua vida e em sua fam\u00edlia. Ela suspirou, com os olhos um pouco marejados, e me contou que o sucesso do <em>Sabores do Norte<\/em> foi, antes de tudo, um grande ato de uni\u00e3o familiar. No in\u00edcio, o marido tinha medo de arriscar, mas ela foi firme em sua ideia e conseguiu convenc\u00ea-lo. \u201cJuntamos tudo o que t\u00ednhamos e seguimos em frente. Cada passo foi dado com muito medo, mas tamb\u00e9m com muita f\u00e9,\u201d ela diz, com a voz carregada de emo\u00e7\u00e3o. A fam\u00edlia, que sempre esteve ao seu lado, se uniu no projeto, e hoje, todos compartilham dessa vit\u00f3ria di\u00e1ria. \u201cAgora pensamos no futuro, em expandir. Quem sabe, levar os sabores do Norte para mais cidades de Santa Catarina,\u201d ela afirma, com os olhos fixos no horizonte, como quem j\u00e1 visualiza o pr\u00f3ximo passo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu quero que as pessoas sintam a Amaz\u00f4nia aqui, em cada prato, em cada detalhe. O restaurante n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comida, \u00e9 uma experi\u00eancia. \u00c9 um pedacinho da nossa hist\u00f3ria compartilhada com quem vier at\u00e9 aqui,\u201d diz Beatriz, com um sorriso que transborda de carinho. Ela conta com a ajuda de sua fam\u00edlia e de fornecedores que se tornaram parceiros fi\u00e9is para manter o sabor aut\u00eantico e a qualidade da comida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na frente do restaurante, uma pequena frase escrita em uma placa resume a miss\u00e3o do <em>Sabores do Norte<\/em>: \u201cUm Pedacinho do Par\u00e1 na sua mesa.\u201d Uma frase simples, mas que carrega todo o acolhimento que Beatriz e sua equipe querem oferecer a cada um que entra ali. \u201cTrazer de volta a saudade de casa para a mesa, esse \u00e9 o nosso objetivo,\u201d ela diz com um brilho no olhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao me despedir, com um sorriso no rosto e o cora\u00e7\u00e3o aquecido, Beatriz me convida para sua festa de comemora\u00e7\u00e3o de um ano de <em>Sabores do Norte<\/em>. \u201cVem, mana, vai ser legal!\u201d diz ela, com aquele tom de voz que s\u00f3 quem \u00e9 paraense reconhece, aquele tom que mistura amizade e acolhimento. E assim, com a risada leve e cheia de gentilezas, me despe\u00e7o de Beatriz, sabendo que, como ela, tamb\u00e9m carrego um pedacinho do Norte em mim. Mesmo estando t\u00e3o distante, o sabor e a energia da nossa terra est\u00e3o sempre presentes.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover is-light\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"708\" height=\"877\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-16242\" alt=\"\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/foto-sabores-do-norte.png\" data-object-fit=\"cover\"\/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Beatriz de S\u00e1 Quando cheguei \u00e0 porta do restaurante Sabores do Norte, na rua Marqu\u00eas de Maric\u00e1 76, no bairro Vila Nova em Joinville, o aroma que sa\u00eda de l\u00e1 me abra\u00e7ou de imediato. 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