{"id":16331,"date":"2024-12-13T16:29:17","date_gmt":"2024-12-13T19:29:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16331"},"modified":"2024-12-13T16:29:18","modified_gmt":"2024-12-13T19:29:18","slug":"a-imigracao-venezuelana-no-sul-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/12\/13\/a-imigracao-venezuelana-no-sul-do-brasil\/","title":{"rendered":"A imigra\u00e7\u00e3o venezuelana no Sul do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em busca de uma vida melhor, venezuelanos enfrentam desafios ao recome\u00e7ar no Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Yasmin Rech<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2019, a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR) divulgou um dado alarmante: 79,5 milh\u00f5es de pessoas haviam sido for\u00e7adas a deixar seus pa\u00edses devido a guerras, persegui\u00e7\u00f5es e crises econ\u00f4micas. Dentre esses, muitos eram venezuelanos que, diante da grave crise que assolava a Venezuela, buscaram ref\u00fagio no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2018 e 2023, cerca de 24 mil imigrantes chegaram a Santa Catarina, estado localizado no Sul do Brasil, de acordo com a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida. Joinville se destacou como a cidade com o segundo maior n\u00famero de refugiados. Esse movimento migrat\u00f3rio se intensificou no \u00faltimo ano, com mais de 192 mil venezuelanos entrando no Brasil em 2024, o que representa um aumento de 18% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Ang\u00e9lica Marquez, uma venezuelana que vive no estado do Paran\u00e1 h\u00e1 quatro anos, \u00e9 um exemplo dessa busca por um novo come\u00e7o. Ao lado de seus dois filhos e esposo, ela deixou a Venezuela em busca de uma vida melhor. &#8220;Se para a classe alta estava dif\u00edcil, imagina para n\u00f3s&#8221;, afirma, relembrando os tempos em que o sal\u00e1rio mal cobria as necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em busca de um futuro melhor para seus filhos, Maria chegou ao Brasil h\u00e1 seis anos e enfrentou dificuldades no Norte do pa\u00eds. &#8220;Em Manaus, h\u00e1 pouco trabalho&#8221;, explica. Hoje, ela trabalha como diarista em Curitiba e, apesar dos desafios, se sente grata pela oportunidade. &#8220;O Brasil abriu as portas para n\u00f3s&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil. Como muitos outros imigrantes, Maria enfrentou o preconceito, mas escolheu ignor\u00e1-lo. &#8220;Meu esposo, no trabalho, escuta certas coisas que doem, mas a gente n\u00e3o se importa&#8221;, relata. Mesmo assim, ela mant\u00e9m a esperan\u00e7a de um futuro melhor para seus filhos, que j\u00e1 est\u00e3o na escola. &#8220;Sinto falta do meu pa\u00eds, da nossa l\u00edngua e cultura, mas nos adaptamos. Tudo deu certo&#8221;, declara.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Solidariedade vem dos projetos sociais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A jornada dos imigrantes venezuelanos \u00e9 dif\u00edcil, mas pessoas como Silvana Aparecida Serafim Campos, pastora e fundadora do projeto <em>Amigas do Bem Curitiba<\/em>, dedicam tempo e esfor\u00e7os para ajudar os refugiados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Criado em 2019, o projeto come\u00e7ou com a simples arrecada\u00e7\u00e3o de roupas de inverno para uma venezuelana gr\u00e1vida. Hoje, atende a cerca de 100 fam\u00edlias, a maioria composta por imigrantes venezuelanos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"297\" height=\"394\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8649.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16332\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Silvana Srafim&nbsp;Campos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cAt\u00e9 encontrarem trabalho, eles ficam na casa de algum conhecido. Depois, quando conseguem um emprego, normalmente alugam uma casa\u201d, explica Silvana. Segundo ela, a maior parte dos refugiados trabalham como diaristas e pedreiros, at\u00e9 conseguirem regularizar sua situa\u00e7\u00e3o e serem contratados com carteira assinada. \u201cEles aceitam qualquer trabalho, qualquer sal\u00e1rio. O importante \u00e9 estar trabalhando\u201d, diz Silvana.<\/p>\n\n\n\n<p>Silvana tamb\u00e9m menciona as dificuldades ao chegarem ao Brasil. \u201cEles enfrentam uma fila quilom\u00e9trica na imigra\u00e7\u00e3o, onde podem passar at\u00e9 tr\u00eas dias dormindo na rua. Depois, mesmo estabilizados no pa\u00eds, demoram cerca de 30 dias para conseguirem a documenta\u00e7\u00e3o que garante que n\u00e3o ser\u00e3o deportados\u201d, explica, destacando a precariedade do processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8648.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16333\" style=\"width:414px;height:396px\" width=\"414\" height=\"396\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Silvana Srafim&nbsp;Campos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A luta pela regulariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos venezuelanos no Brasil tamb\u00e9m \u00e9 tema de preocupa\u00e7\u00e3o para especialistas. \u201cMuitos venezuelanos entram pelo Peru, \u00e9 mais f\u00e1cil entrar por l\u00e1. Eles ficam um tempo e, depois, v\u00e3o descendo at\u00e9 chegar ao Sul do Brasil &#8220;, detalha Valdete Daufemback, historiadora e professora da Faculdade Ielusc.<\/p>\n\n\n\n<p>Valdete tamb\u00e9m aponta as dificuldades da regulariza\u00e7\u00e3o. \u201cPara se legalizar, eles precisam ir \u00e0 Pol\u00edcia Federal e pegar o visto. Depois, o processo de naturaliza\u00e7\u00e3o pode ser demorado e burocr\u00e1tico\u201d, explica. Ela destaca a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para os imigrantes, o que os deixa vulner\u00e1veis a situa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. \u201cEles muitas vezes acabam trabalhando em empregos prec\u00e1rios, como nos frigor\u00edficos e na constru\u00e7\u00e3o civil, aceitando qualquer sal\u00e1rio porque n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Valdete tamb\u00e9m fala sobre o papel das igrejas no processo de acolhimento e apoio aos venezuelanos. \u201cElas s\u00e3o as que mais ajudam na documenta\u00e7\u00e3o e na busca por emprego. Mas o governo, embora permita a entrada desses imigrantes, n\u00e3o oferece a seguran\u00e7a necess\u00e1ria\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>A migra\u00e7\u00e3o venezuelana para o Sul do Brasil \u00e9 resultado da busca por um futuro melhor. Em meio \u00e0s dificuldades e aos preconceitos, a esperan\u00e7a de um recome\u00e7o \u00e9 o que essas fam\u00edlias tanto procuram. Pessoas como Maria Ang\u00e9lica Marquez, que apesar de todos os desafios, continuam a acreditar que &#8220;tudo vai dar certo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"420\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8650-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16336\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: David Mercado\/Reuters.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em busca de uma vida melhor, venezuelanos enfrentam desafios ao recome\u00e7ar no Brasil Por Yasmin Rech No final de 2019, a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR) divulgou um dado alarmante: 79,5 milh\u00f5es de pessoas haviam sido for\u00e7adas a deixar seus pa\u00edses devido a guerras, persegui\u00e7\u00f5es e crises econ\u00f4micas. 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