{"id":16365,"date":"2024-12-18T13:56:32","date_gmt":"2024-12-18T16:56:32","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16365"},"modified":"2024-12-18T13:56:34","modified_gmt":"2024-12-18T16:56:34","slug":"estigmas-sobre-o-hiv-geram-dificuldades-na-busca-por-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2024\/12\/18\/estigmas-sobre-o-hiv-geram-dificuldades-na-busca-por-tratamento\/","title":{"rendered":"Estigmas sobre o HIV geram dificuldades na busca por tratamento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No Brasil, a doen\u00e7a afeta um milh\u00e3o de pessoas, sendo a maioria do sexo masculino<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Milena Natali<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, 1\u00ba de dezembro, a sociedade global volta os olhos para uma doen\u00e7a que, apesar dos avan\u00e7os no tratamento e preven\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 cercada de estigma e discrimina\u00e7\u00e3o. Com mais de 36 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV, a luta contra a patologia enfrenta desafios n\u00e3o apenas m\u00e9dicos, mas tamb\u00e9m sociais e legais, que dificultam o progresso.<\/p>\n\n\n\n<p>A rotula\u00e7\u00e3o de pessoas LGBTQIAPN+ e outros grupos marginalizados, como trabalhadores do sexo, continua sendo um obst\u00e1culo. Embora as taxas de infec\u00e7\u00e3o e mortalidade tenham ca\u00eddo nos \u00faltimos anos, os avan\u00e7os s\u00e3o lentos e a desigualdade de g\u00eanero \u00e9 um fator que impede o acesso igualit\u00e1rio aos cuidados e tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o infectologista e professor universit\u00e1rio C\u00e9sar Hornburg, o medo do preconceito \u00e9 um dos principais agentes que impedem as pessoas de realizar testes e buscar tratamento. \u201cA estigmatiza\u00e7\u00e3o da pessoa com HIV ainda \u00e9 uma realidade em muitas partes do mundo, e isso tem um impacto direto na sa\u00fade p\u00fablica\u201d. Ele destaca que, apesar de os tratamentos antirretrovirais serem eficazes, muitos ainda n\u00e3o t\u00eam acesso a eles devido a barreiras sociais e pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 confirmada pela jaraguaense Ana Caroline de Souza Mello, que se diagnosticou com HIV h\u00e1 cinco anos. \u201cEu demorei para fazer o teste porque tinha medo de ser discriminada. At\u00e9 hoje, algumas pessoas me olham de forma diferente quando sabem que sou soropositiva. O estigma ainda \u00e9 muito forte e isso me impede de ser completamente aberta sobre minha condi\u00e7\u00e3o\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>De &#8220;praga&#8221; a quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A historiadora Maria Helena Costa, especializada em estudos sobre direitos humanos e sa\u00fade p\u00fablica, lembra que a luta contra a AIDS tem uma longa trajet\u00f3ria. \u201cNos anos 1980 e 1990, a doen\u00e7a era vista como uma praga, muitas vezes associada ao medo e ao preconceito contra a comunidade gay. Embora hoje a medicina tenha avan\u00e7ado, o estigma ainda permanece em muitas sociedades\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m aponta que a campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o e os avan\u00e7os na medicina s\u00e3o frutos de d\u00e9cadas de luta. &#8220;O movimento das comunidades afetadas, como as organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos LGBTQIAPN+, foi importante para trazer a doen\u00e7a para o centro do debate sobre sa\u00fade p\u00fablica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da epidemia, o acesso ao diagn\u00f3stico era bastante restrito, assim como as formas de preven\u00e7\u00e3o, ou seja, muitas pessoas morriam e n\u00e3o sabiam que era em decorr\u00eancia do HIV. Em 1996, o Brasil foi um dos primeiros pa\u00edses, dentre os de baixa e m\u00e9dia renda, a fornecer tratamento gratuito para pessoas que viviam com AIDS, atrav\u00e9s do Servi\u00e7o \u00danico de Sa\u00fade (SUS). O pa\u00eds tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV), com mais da metade (64%) das pessoas recebendo TARV \u2013 segundo os dados mais atuais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das conquistas serem not\u00e1veis, ainda h\u00e1 muito a ser feito. A UNAIDS, Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids, alerta que o combate precisa de um esfor\u00e7o coordenado para garantir que as popula\u00e7\u00f5es marginalizadas, como homens que possuem rela\u00e7\u00e3o com homens, trabalhadores do sexo e pessoas trans, recebam o apoio necess\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a crescente oferta de testes r\u00e1pidos, como os autotestes, e o acesso a medicamentos antirretrovirais, a preven\u00e7\u00e3o continua sendo uma das principais ferramentas na luta contra o HIV. &#8220;A preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser vista apenas como uma responsabilidade individual, mas como um compromisso social&#8221;, diz o m\u00e9dico C\u00e9sar Hornburg. Ele ressalta que a educa\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o uso de preservativos e a import\u00e2ncia do teste regular s\u00e3o essenciais para reduzir a transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o caminho para erradicar a AIDS passa pela implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam o acesso universal \u00e0 sa\u00fade, sem discrimina\u00e7\u00e3o. A luta n\u00e3o \u00e9 apenas contra o HIV, mas tamb\u00e9m contra as desigualdades sociais e o estigma persistente que ainda afetam aqueles que mais necessitam de apoio e cuidado. \u00c9 essencial que a sociedade enfrente esses desafios de forma integrada, promovendo a inclus\u00e3o e a solidariedade, para que todos possam ter o direito \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1014\" height=\"1482\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_8799-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16367\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Anna Bibow.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a doen\u00e7a afeta um milh\u00e3o de pessoas, sendo a maioria do sexo masculino Por Milena Natali No Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, 1\u00ba de dezembro, a sociedade global volta os olhos para uma doen\u00e7a que, apesar dos avan\u00e7os no tratamento e preven\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 cercada de estigma e discrimina\u00e7\u00e3o. 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