{"id":16440,"date":"2025-03-31T16:59:56","date_gmt":"2025-03-31T19:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16440"},"modified":"2025-03-31T17:14:47","modified_gmt":"2025-03-31T20:14:47","slug":"quando-lembrancas-partem-mas-o-amor-permanece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/03\/31\/quando-lembrancas-partem-mas-o-amor-permanece\/","title":{"rendered":"Quando lembran\u00e7as partem, mas o amor permanece"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Alzheimer afeta 1,2 milh\u00e3o de brasileiros. Nesta reportagem, voc\u00ea vai conhecer desafios e implica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a no cotidiano, al\u00e9m da escassez de pol\u00edticas p\u00fablicas em Joinville, onde estima-se que pelo menos 6,3 mil pessoas sofram de algum tipo de dem\u00eancia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Diogo de Oliveira, Ana J\u00falia Dagnoni Zanotto e Dyeimine Senn<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Alzheimer, uma das principais causas de dem\u00eancia no mundo, desafia n\u00e3o apenas os pacientes, mas tamb\u00e9m aqueles que dedicam suas vidas a cuidar deles. Em Joinville, a cidade mais populosa de Santa Catarina, o envelhecimento acelerado da popula\u00e7\u00e3o evidencia a urg\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e redes de apoio voltadas a quem enfrenta essa jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Brasil tinha cerca de 34 milh\u00f5es de pessoas com 60 anos ou mais em 2020, n\u00famero que deve dobrar at\u00e9 2060. Acompanhando esse envelhecimento, a doen\u00e7a de Alzheimer j\u00e1 afeta mais de 1,2 milh\u00e3o de brasileiros, com preval\u00eancia de at\u00e9 30% entre os idosos com mais de 85 anos. Joinville n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o a essa realidade, e hist\u00f3rias como a de Hilda Dagnoni, a dona Hilda, falecida no \u00faltimo s\u00e1bado (7), aos 90 anos, revelam os impactos humanos por tr\u00e1s dessas estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>&#8220;Quando eu disse que estava fazendo a reportagem, minha av\u00f3 disse: &#8216;Que bom minha filha, capricha!\u2019&#8221; <\/p>\n\n\n\n<p><em>Ana J\u00falia Dagnoni Zanotto, 20 anos, rep\u00f3rter e neta<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Entre mem\u00f3rias perdidas, o amor permanece<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Hilda nasceu em uma \u00e9poca em que a vida rural era a norma para muitas fam\u00edlias. Entre as mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia vividas em um s\u00edtio e as lembran\u00e7as nebulosas do presente, ela luta contra o Alzheimer h\u00e1 cinco anos. Sua filha Vilma Dagnoni, cuidadora principal, descreve a rotina como um ato de amor repleto de desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 cansativo. \u00c0s vezes, ela me pergunta onde est\u00e1 meu pai, que faleceu h\u00e1 mais de 20 anos. Voc\u00ea responde como se fosse a primeira vez, tentando n\u00e3o deixar a dor transparecer\u201d, relata. Essa dedica\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada por milhares de familiares que enfrentam o desgaste f\u00edsico e emocional de cuidar de um ente querido com Alzheimer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Alzheimer e seus cuidados: a hist\u00f3ria de Dona Hilda e seus cuidadores\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3xFSREhNBZc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Necessidade de uma rede de cuidados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas alertam que o sistema p\u00fablico de sa\u00fade ainda n\u00e3o est\u00e1 preparado para lidar com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa com Alzheimer. Scarlet Murara, coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer (ABRAz) em Joinville, destaca que o diagn\u00f3stico precoce e o suporte emocional aos cuidadores s\u00e3o essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que as fam\u00edlias saibam que n\u00e3o est\u00e3o sozinhas. A ABRAz oferece grupos de apoio e orienta\u00e7\u00e3o, mas precisamos de mais pol\u00edticas p\u00fablicas para suprir a demanda crescente\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto algumas cidades oferecem servi\u00e7os especializados, como equipes de cuidados paliativos, ainda h\u00e1 uma grande desigualdade no acesso. Em muitas regi\u00f5es, a espera por uma consulta especializada pode levar meses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impactos nas cuidadoras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados recentes, <strong>entre 60% e 70% dos cuidadores de pacientes com Alzheimer s\u00e3o mulheres<\/strong>, muitas vezes filhas ou esposas dos pacientes. Al\u00e9m do desgaste f\u00edsico, essas mulheres frequentemente enfrentam dificuldades financeiras e negligenciam sua pr\u00f3pria sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente deixa de viver a nossa vida para viver a deles. \u00c9 muito amor, mas tamb\u00e9m muito sofrimento\u201d, diz <strong>Maria Clara<\/strong>, uma cuidadora que participa dos grupos de apoio em Joinville. Relatos como o dela refor\u00e7am a necessidade de programas de suporte psicol\u00f3gico e capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra <strong>Leandro Prates de Lima<\/strong> destaca que o impacto emocional e f\u00edsico em quem cuida de pessoas com Alzheimer \u00e9 imenso. Para evitar que cuidadores adoe\u00e7am, ele sugere atividades como:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Psicoterapia de apoio:<\/strong>&nbsp; ajuda a cuidadora a lidar com o desgaste emocional e a culpa, comuns nessa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua:<\/strong> informa\u00e7\u00e3o sobre a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e manejo de sintomas comportamentais auxilia no planejamento e reduz a sensa\u00e7\u00e3o de sobrecarga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m do suporte emocional, os cuidadores necessitam de:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o interdisciplinar:<\/strong> profissionais da sa\u00fade, como m\u00e9dicos, psic\u00f3logos e terapeutas ocupacionais podem orientar sobre pr\u00e1ticas adequadas de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rede de apoio comunit\u00e1ria:<\/strong> grupos de apoio oferecem um espa\u00e7o para compartilhar experi\u00eancias e aprender estrat\u00e9gias pr\u00e1ticas de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es em vista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Joinville, projetos liderados por ONGs t\u00eam desempenhado um papel crucial. Grupos de apoio, eventos de conscientiza\u00e7\u00e3o e campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o ajudam a aliviar a carga das fam\u00edlias. Entretanto, especialistas destacam que a solu\u00e7\u00e3o definitiva passa por pol\u00edticas p\u00fablicas robustas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as propostas est\u00e3o a amplia\u00e7\u00e3o de equipes de cuidados paliativos, a capacita\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade e o incentivo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de redes comunit\u00e1rias de suporte. Al\u00e9m disso, \u00e9 essencial desmistificar o Alzheimer, promovendo a empatia e o engajamento social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><\/strong>A hist\u00f3ria de Dona Hilda, de Vilma e de tantos outros que enfrentam o Alzheimer diariamente remontam ao fato de que, apesar da perda de mem\u00f3ria, o amor e o cuidado s\u00e3o eternos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um pode contribuir para que pacientes e cuidadores tenham acesso a uma vida digna, seja participando de grupos de apoio, doando para organiza\u00e7\u00f5es que promovem a conscientiza\u00e7\u00e3o ou simplesmente acolhendo as hist\u00f3rias dessas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impactos do Alzheimer no c\u00e9rebro e principais sintomas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o neurodegenerativa progressiva que provoca a morte de c\u00e9lulas cerebrais<\/strong>, afetando gravemente fun\u00e7\u00f5es cognitivas, como <strong>mem\u00f3ria, linguagem, planejamento e percep\u00e7\u00e3o espacial.<\/strong> Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o principal sintoma inicial \u00e9 a perda de mem\u00f3ria recente, acompanhada de esquecimentos frequentes e repeti\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias. Com a progress\u00e3o da doen\u00e7a, surgem dificuldades de orienta\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de tarefas simples do cotidiano. Nos casos avan\u00e7ados, o paciente pode perder completamente a autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o impacto emocional e funcional \u00e9 significativo n\u00e3o apenas para o paciente, mas tamb\u00e9m para a fam\u00edlia. Altera\u00e7\u00f5es comportamentais, como irritabilidade e apatia, s\u00e3o comuns e agravam os desafios do cuidado. <strong>Estima-se que, no Brasil, 1,2 milh\u00e3o de pessoas convivam com a doen\u00e7a, e cerca de 100 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 essencial para retardar a progress\u00e3o dos sintomas. Terapias ocupacionais, atividades f\u00edsicas e suporte multiprofissional s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es eficazes e est\u00e3o dispon\u00edveis gratuitamente pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Essas a\u00e7\u00f5es, conforme destaca o Minist\u00e9rio, ajudam a preservar a qualidade de vida do paciente e de seus cuidadores.<\/p>\n\n\n\n<p>No gr\u00e1fico a seguir, voc\u00ea entender\u00e1 como o Alzheimer impacta o c\u00e9rebro e quais s\u00e3o os principais sintomas dessa doen\u00e7a neurodegenerativa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Grafico_-Impacto-no-cerebro.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-16442\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Grafico_-Sintomas-do-Alzheimer.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16443\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Grafico_-Sintomas-do-Alzheimer.png 1080w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Grafico_-Sintomas-do-Alzheimer-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Envelhecimento em Joinville: desafios e cuidados com a popula\u00e7\u00e3o idosa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Joinville, maior cidade de Santa Catarina, enfrenta desafios crescentes relacionados ao envelhecimento populacional. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, 13,9% dos habitantes t\u00eam 60 anos ou mais, totalizando 85.925 pessoas. Esse n\u00famero representa um aumento expressivo em rela\u00e7\u00e3o a 2010, quando a popula\u00e7\u00e3o idosa era de 45.404. Com a expans\u00e3o dessa faixa et\u00e1ria, surgem quest\u00f5es cruciais sobre sa\u00fade, bem-estar e estruturas de cuidado na cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Grafico-Demencia-no-Brasil.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16444\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o joinvilense reflete uma tend\u00eancia nacional: entre 2010 e 2022, a popula\u00e7\u00e3o idosa brasileira cresceu 56%. Em Joinville, esse aumento trouxe consigo desafios, como o impacto das dem\u00eancias, incluindo Alzheimer. <strong>Dados nacionais estimam que 8,5% da popula\u00e7\u00e3o idosa brasileira convivam nessas condi\u00e7\u00f5es, com taxas ligeiramente menores no Sul (7,3%).<\/strong> Isso significa que, aproximadamente 6,3 mil idosos em Joinville podem enfrentar algum tipo de dem\u00eancia, exigindo cuidados especializados e suporte adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de infraestrutura, Joinville possui limita\u00e7\u00f5es significativas. N\u00e3o h\u00e1 lares de idosos inteiramente p\u00fablicos. O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/betanialar\/\">Lar Bet\u00e2nia<\/a>, que funciona em parceria p\u00fablico-privada, atende cerca de 50 idosos, mas \u00e9 insuficiente diante da crescente demanda. Al\u00e9m disso, a cidade conta com uma rede de institui\u00e7\u00f5es privadas, como o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tercadaserra\/\">Residencial Ter\u00e7a da Serra<\/a> e o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lar.aconchego_\/\">Lar Aconchego<\/a>, que oferecem servi\u00e7os especializados, mas com custos elevados. Esses desafios colocam em evid\u00eancia a necessidade de ampliar tanto os servi\u00e7os p\u00fablicos quanto as pol\u00edticas de apoio \u00e0s fam\u00edlias e cuidadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos e a sobrecarga dos cuidadores s\u00e3o problemas amplamente discutidos em estudos nacionais. <strong>Em m\u00e9dia, cuidadores familiares, em sua maioria mulheres, dedicam 10 horas di\u00e1rias a essas fun\u00e7\u00f5es, frequentemente sem remunera\u00e7\u00e3o e enfrentando sintomas de ansiedade e depress\u00e3o.<\/strong> Al\u00e9m disso, os gastos m\u00e9dios mensais associados a dem\u00eancias podem ultrapassar R$ 3,8 mil por pessoa, com a maior parte desses custos recaindo sobre as fam\u00edlias. A situa\u00e7\u00e3o em Joinville reflete essas dificuldades e aponta para a necessidade de iniciativas como centros-dia e suporte psicol\u00f3gico para cuidadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aprofundar o tema, documentos como o <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/relatorio_nacional_demencia_brasil.pdf\">Relat\u00f3rio Nacional sobre Dem\u00eancia no Brasil<\/a> destacam propostas que podem ser adaptadas \u00e0 realidade local. Entre elas, est\u00e3o o reconhecimento do tempo de cuidado para a aposentadoria e o incentivo a pesquisas regionais que considerem as especificidades de cada \u00e1rea. Em Joinville, a busca por solu\u00e7\u00f5es inovadoras e sustent\u00e1veis ser\u00e1 essencial para enfrentar os impactos do envelhecimento e garantir um futuro mais digno para os idosos e suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Grafico-Impacto-do-Alzheimer-nas-vidas-dos-idosos-e-suas-familias.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16445\" style=\"width:676px;height:507px\" width=\"676\" height=\"507\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Confira uma entrevista exclusiva com Scarlet Murara, terapeuta ocupacional e presidente da ABRAz (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer) em Santa Catarina:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Reportagem | Alzheimer e Seus Cuidados\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6Z20ygrzzAZCxNZwHlvBeb?si=pkm4Uu1ZQCyJhucTElOuUQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Alzheimer em Joinville<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, n\u00e3o existem dados exatos sobre o n\u00famero de pessoas com Alzheimer em Joinville. No entanto, de acordo com estimativas nacionais, cerca de 8,5% da popula\u00e7\u00e3o idosa no Brasil vive com alguma forma de dem\u00eancia, sendo o Alzheimer a mais comum. No Sul do pa\u00eds, a preval\u00eancia \u00e9 um pouco menor, em torno de 7,3% da popula\u00e7\u00e3o idosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base na proje\u00e7\u00e3o de que Joinville tem aproximadamente 93 mil idosos (pessoas com 60 anos ou mais), <strong>o n\u00famero estimado de pessoas vivendo com dem\u00eancia na cidade pode variar entre 6,8 mil e 7,9 mil.<\/strong> Essa estimativa inclui Alzheimer e outras formas de dem\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa proje\u00e7\u00e3o foi baseada nos dados do Censo 2022 do IBGE, que apontam que 13,9% da popula\u00e7\u00e3o de Joinville (616.317 habitantes em 2022) s\u00e3o idosos (60 anos ou mais). Isso equivale a 85,8 mil idosos na cidade. Para 2024, com uma estimativa populacional de 654.888 habitantes, o n\u00famero de idosos poderia ser projetado para cerca de 93 mil, considerando o aumento proporcional da popula\u00e7\u00e3o e a tend\u00eancia de envelhecimento demogr\u00e1fico. Quanto \u00e0 preval\u00eancia de Alzheimer e outras dem\u00eancias, foi usada a estimativa nacional da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que indica que entre 7,3% (regi\u00e3o Sul) e 8,5% (m\u00e9dia nacional) da popula\u00e7\u00e3o idosa vive com alguma forma de dem\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios e hist\u00f3rias de quem cuida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o Brasil se adapta a essa nova realidade, relatos como o de <strong>Rodrigo Nickel<\/strong>, curitibano que cuidou de sua m\u00e3e, <strong>Doly Heckert Vaz<\/strong>, diagnosticada com Alzheimer, ajudam a lan\u00e7ar luz sobre as dificuldades e necessidades desses cuidadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo compartilha que o cuidado di\u00e1rio exige paci\u00eancia, compreens\u00e3o e compaix\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe uma cartilha para cuidar de algu\u00e9m com Alzheimer, especialmente para quem n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d, explica. Entre os desafios enfrentados est\u00e3o a aceita\u00e7\u00e3o do idoso sobre os cuidados, quest\u00f5es de seguran\u00e7a, como evitar que a pessoa saia de casa sozinha, e adapta\u00e7\u00f5es simples, como esconder rem\u00e9dios ou o botij\u00e3o de g\u00e1s. \u201cMinha m\u00e3e relutava muito no in\u00edcio, especialmente na hora do banho, chegando a ficar agressiva. Tive que aprender a me adaptar \u00e0s necessidades dela e \u00e0s mudan\u00e7as progressivas da doen\u00e7a\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"417\" height=\"316\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/abracados.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16446\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rodrigo e Dona Doly abra\u00e7ados. \/ Cr\u00e9ditos: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Doly Heckert Vaz nasceu em 1939 e come\u00e7ou a apresentar sinais de esclerose nos anos 1980, mas o diagn\u00f3stico de Alzheimer s\u00f3 foi confirmado em 2010, quando tinha 71 anos. Ela faleceu aos 79, ap\u00f3s quase uma d\u00e9cada convivendo com a doen\u00e7a. Rodrigo destaca que estimular a mem\u00f3ria foi fundamental: \u201cEu usava \u00e1lbuns de fotos da fam\u00edlia, incentivava ela a pintar e a contar hist\u00f3rias da vida dela, sempre que poss\u00edvel. Quando perdeu a coordena\u00e7\u00e3o motora, introduzimos fisioterapia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato de Rodrigo ilustra os desafios enfrentados por milhares de fam\u00edlias em Joinville. Com 6,3 mil idosos possivelmente convivendo com dem\u00eancias, incluindo Alzheimer, a cidade ainda carece de estruturas p\u00fablicas espec\u00edficas, como lares de idosos totalmente financiados pelo munic\u00edpio. O Lar Bet\u00e2nia, por exemplo, atende apenas 50 idosos em uma parceria p\u00fablico-privada, enquanto as institui\u00e7\u00f5es particulares representam uma alternativa de alto custo.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo acredita que a sa\u00fade emocional dos cuidadores \u00e9 essencial: \u201cSomos humanos e o emocional fica abalado. Ver o outro t\u00e3o fr\u00e1gil nos faz refletir sobre nossa pr\u00f3pria vulnerabilidade\u201d. Ele sugere a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de suporte psicol\u00f3gico e mais oportunidades de compartilhar conhecimentos atualizados sobre a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto financeiro tamb\u00e9m \u00e9 expressivo. Nacionalmente, o custo mensal de cuidar de um paciente com Alzheimer pode ultrapassar R$ 3,8 mil. Para muitas fam\u00edlias joinvilenses, isso \u00e9 um fardo insustent\u00e1vel, somado ao fato de que os cuidadores, em sua maioria mulheres, dedicam at\u00e9 10 horas di\u00e1rias ao cuidado, muitas vezes sem qualquer suporte formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3rias como a de Rodrigo e Doly s\u00e3o um lembrete poderoso da necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes. Investir em servi\u00e7os especializados, como centros-dia, suporte psicol\u00f3gico e pesquisas regionais, pode transformar a maneira como Joinville enfrenta o envelhecimento de sua popula\u00e7\u00e3o. \u201cA dem\u00eancia exige mais do que cuidados m\u00e9dicos; ela exige empatia e suporte para todos os envolvidos\u201d, conclui Rodrigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alzheimer afeta 1,2 milh\u00e3o de brasileiros. Nesta reportagem, voc\u00ea vai conhecer desafios e implica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a no cotidiano, al\u00e9m da escassez de pol\u00edticas p\u00fablicas em Joinville, onde estima-se que pelo menos 6,3 mil pessoas sofram de algum tipo de dem\u00eancia Por Diogo de Oliveira, Ana J\u00falia Dagnoni Zanotto e Dyeimine Senn O Alzheimer, uma das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16447,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,127,17,1],"tags":[1624,1974,226,48,231,18,1975],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16440"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16440"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16440\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16458,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16440\/revisions\/16458"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}