{"id":16459,"date":"2025-04-07T16:26:20","date_gmt":"2025-04-07T19:26:20","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16459"},"modified":"2025-04-07T16:38:34","modified_gmt":"2025-04-07T19:38:34","slug":"a-bailarina-de-um-passo-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/04\/07\/a-bailarina-de-um-passo-so\/","title":{"rendered":"A bailarina de um passo s\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Leonardo Budal Arins <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sempre l\u00e1, parada em sua mesma posi\u00e7\u00e3o graciosa. Foi feita para simbolizar a paix\u00e3o da cidade pela dan\u00e7a. A \u00e1gua corre, tecendo sua formosa saia transl\u00facida. Por horas, dias, anos, ela permanecer\u00e1 est\u00e1tica, como se&nbsp; preparasse para seu pr\u00f3ximo passo, para a pr\u00f3xima apresenta\u00e7\u00e3o que nunca vir\u00e1. Em local de destaque, como uma boa bailarina, em cima de um pedestal e com um nome de pra\u00e7a esquisito \u2013 Pra\u00e7a Bailarina Liselott Trinks \u2013, at\u00e9 parece dan\u00e7arina do estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, assim como as bailarinas de verdade, essa tamb\u00e9m precisa manter um sorriso para o seu p\u00fablico. S\u00f3 que, no caso das dan\u00e7arinas de verdade, a de concreto escovado, nunca descansa. Sua apresenta\u00e7\u00e3o nunca acaba, as cortinas nunca se fecham para Liselott Trinks, que ver\u00e1 Joinville (ou uma parte dela) envelhecer. Com o tempo. Ela criar\u00e1 rachaduras, sua beleza desaparecer\u00e1, deixar\u00e1 de ser novidade, e seu espet\u00e1culo n\u00e3o mais ser\u00e1 visto como algo novo. Entretanto, ainda assim, sua apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encerrar\u00e1, pois ela continuar\u00e1 em seu pedestal, pronta para o pr\u00f3ximo passo que nunca vir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ind\u00fastria e dan\u00e7a unidas em uma est\u00e1tua de tamanho real de uma cidad\u00e3 pouco conhecida pelo p\u00fablico menos culto. Como algo t\u00e3o delicado como a dan\u00e7a pode se misturar com algo bruto, pesado e prejudicial a todos como a ind\u00fastria? Acho que, no final, eu entendo o motivo. Quando foi a \u00faltima vez que vistes uma bailarina real, em seu habitat, o palco? Pouqu\u00edssimos joinvilenses podem dizer que s\u00e3o ass\u00edduos espectadores de apresenta\u00e7\u00f5es de bal\u00e9 cl\u00e1ssico. E quantas oportunidades Joinville tem dado a seus bailarinos? Muito trabalho duro tem que ser feito para ser aceito no Teatro Bolshoi, o orgulho da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como muito empenho e vontade foram postos para colocar nossa bailarina de mentira de p\u00e9, muito esfor\u00e7o \u00e9 gasto pelas nossas bailarinas, que sonham em sair do concreto e da pris\u00e3o de um passo s\u00f3, e enfim poder completar sua apresenta\u00e7\u00e3o, como uma verdadeira artista. Imagino quantos sonhos permanecem congelados sobre uma dura camada de pedra rija.<\/p>\n\n\n\n<p>A bailarina de mentira \u00e9 o s\u00edmbolo do congelamento cultural joinvilense. Ela representa os sonhos de muita gente que est\u00e1 presa em uma coreografia infinita, onde n\u00e3o se v\u00ea o final. Nossa bailarina n\u00e3o gira, n\u00e3o pula, n\u00e3o faz o pli\u00e9 e certamente n\u00e3o \u00e9 capaz de realizar uma bela apresenta\u00e7\u00e3o para saciar a fome que todos que moram na cidade sentem \u2014 fome de uma pra\u00e7a que represente sonhos verdadeiros, e n\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de um mundo onde bailarinas n\u00e3o dan\u00e7am.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Leonardo Budal Arins Sempre l\u00e1, parada em sua mesma posi\u00e7\u00e3o graciosa. Foi feita para simbolizar a paix\u00e3o da cidade pela dan\u00e7a. A \u00e1gua corre, tecendo sua formosa saia transl\u00facida. Por horas, dias, anos, ela permanecer\u00e1 est\u00e1tica, como se&nbsp; preparasse para seu pr\u00f3ximo passo, para a pr\u00f3xima apresenta\u00e7\u00e3o que nunca vir\u00e1. 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