{"id":16511,"date":"2025-04-30T17:32:16","date_gmt":"2025-04-30T20:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16511"},"modified":"2025-04-30T17:32:18","modified_gmt":"2025-04-30T20:32:18","slug":"ainda-estou-aqui-e-para-sempre-estara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/04\/30\/ainda-estou-aqui-e-para-sempre-estara\/","title":{"rendered":"Ainda Estou Aqui &#8211; e para sempre estar\u00e1!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Resenha cr\u00edtica por Guilherme Beck Scolari<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, \u00e9 um cruel retrato de um tempo que, embora pol\u00eamico e muito distorcido na modernidade, nos lembra daqueles que muito sofreram e at\u00e9 hoje sentem o pesar e a crueldade da ditadura militar brasileira, seja pela tortura, perda de entes queridos e amigos ou pela demora, e at\u00e9 muitas vezes aus\u00eancia, de uma retifica\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra, baseada em fatos reais, assim como na obra de mesmo nome escrita por Marcelo Rubens Paiva, retrata o endurecimento da ditadura militar brasileira na d\u00e9cada de 70.<\/p>\n\n\n\n<p>No Rio de Janeiro, a fam\u00edlia Paiva \u2013 Rubens, Eunice e seus cinco filhos &#8211; vive \u00e0 beira da praia em uma casa de portas abertas para os amigos. Um dia, Rubens \u00e9 levado por militares \u00e0 paisana e desaparece, levando sua esposa, Eunice \u2013 interpretada por Fernanda Torres &#8211; a ter de enfrentar a ang\u00fastia de n\u00e3o saber o paradeiro de seu marido, assim como o cotidiano da fam\u00edlia em meio ao governo militar no per\u00edodo ditatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais me surpreendeu no longa, al\u00e9m da j\u00e1 muito comentada performance de Fernanda Torres, \u00e9 o poder da sugest\u00e3o implementada por Walter Salles na dire\u00e7\u00e3o do longa. O multifacetado trabalho sonoro, assim como a explora\u00e7\u00e3o aprofundada da linguagem cinematogr\u00e1fica na constru\u00e7\u00e3o das cenas a partir do enquadramento, cortes e da cinematografia, comp\u00f5em um longa-metragem de primeira. O longa \u00e9 um excelente exemplo de uma das mais famosas regras do cinema, se \u00e9 que podemos assim cham\u00e1-la: &#8220;show, don&#8217;t tell&#8221;, ou, no portugu\u00eas bem dito: Mostre, n\u00e3o fale. O uso da linguagem cinematogr\u00e1fica \u00e9 mais importante do que a exposi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de forma falada em um roteiro bem constru\u00eddo. Ao inv\u00e9s de colocar dois personagens falando sobre que sentem, um bom diretor usa artif\u00edcios como a cinematografia, planos mais longos e um uso contido da trilha sonora para exaltar os sentimentos de seus personagens &#8211; por exemplo. Walter Salles demonstra dominar a linguagem da hist\u00f3ria que quer contar com maestria, elevando as performances de seu elenco com cenas intensas, muito bem iluminadas por uma dire\u00e7\u00e3o de arte \u00edmpar &#8211; com direito a uma das melhores recria\u00e7\u00f5es de \u00e9poca que j\u00e1 vi no cinema. Acho um crime a n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o de Walter Salles como melhor diretor pela academia.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande estrela, Fernanda Torres, imprime um tormento de emo\u00e7\u00f5es em uma performance contida, por\u00e9m brilhante. \u00c9 comum associarmos atua\u00e7\u00f5es marcantes com gritos, choro e longos discursos. A for\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o de Fernanda est\u00e1 em sua sutileza ao demonstrar emo\u00e7\u00f5es conflitantes em meio a acontecimentos traum\u00e1ticos. O grau de complexidade do trabalho da atriz est\u00e1 nos ricos detalhes que esta imprime em sua personagem. Um olhar, um sorriso em falso, a preocupa\u00e7\u00e3o impressa em um semblante traumatizado criam uma atua\u00e7\u00e3o rica em seu peso e detalhes. A atriz concretiza seu nome na hist\u00f3ria do cinema nacional, mesmo n\u00e3o tendo conquistado a estatueta do Oscar, que, todos sabemos, era muito mais do que merecida.- talvez o Oscar que n\u00e3o mere\u00e7a nossa querida Fernanda Torres!<\/p>\n\n\n\n<p>Selton Mello tamb\u00e9m est\u00e1 \u00f3timo, conquistando o p\u00fablico com seu charme caracter\u00edstico. N\u00e3o por isso, seu trabalho pode ser considerado simplista ou f\u00e1cil; seguindo uma fidedignidade com a figura de Marcelo Rubens Paiva, o ator traz para o filme o motor que servir\u00e1 como motivador para a trama.<\/p>\n\n\n\n<p>O ritmo pode ser um pouco estafante, pois, ao enfatizar a claustrofobia e ang\u00fastia dos personagens, a trama pede por um ritmo mais lento. Mesmo n\u00e3o enjoando ou pecando em excesso, o filme pode ser um pouco cansativo para o espectador mais casual \u2013 caso a hist\u00f3ria n\u00e3o lhe prenda desde o princ\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, gostaria de indicar o longa a todos, pois seu retrato hist\u00f3rico, juntamente ao belo uso da linguagem cinematogr\u00e1fica e performances fant\u00e1sticas, fazem de Ainda Estou Aqui uma experi\u00eancia brutal e avassaladora para todos que se interessam em voltar um pouco no tempo para uma \u00e9poca cruel, fria e melanc\u00f3lica do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Filma\u00e7o, gravado eternamente na hist\u00f3ria do Brasil como nosso primeiro Oscar!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXegNdr7lTxHkq05ZjcopkLUYCV07NL-igP8bCvrWtfADcDFWzAEjs4_zqQ2BJWDo4FnZA1A_myz2DUb_62O19ucJK3LuvdrDegPRG7IUCpgZhbDsgUmTxrt1c9fEDvUwo7Ai-v8xA?key=XEn-ao9H4Q0tagKBpedX8B5z\" alt=\"\" style=\"width:572px;height:322px\" width=\"572\" height=\"322\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Sony Pictures Entertainment<br><\/figcaption><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha cr\u00edtica por Guilherme Beck Scolari Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, \u00e9 um cruel retrato de um tempo que, embora pol\u00eamico e muito distorcido na modernidade, nos lembra daqueles que muito sofreram e at\u00e9 hoje sentem o pesar e a crueldade da ditadura militar brasileira, seja pela tortura, perda de entes queridos e amigos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16512,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1987,42,88,20,1580,1598],"tags":[269,1976,1985,90,299,1986,1988,1309],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16511"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16511"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16513,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16511\/revisions\/16513"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}