{"id":16792,"date":"2025-06-30T16:05:26","date_gmt":"2025-06-30T19:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16792"},"modified":"2025-06-30T16:05:27","modified_gmt":"2025-06-30T19:05:27","slug":"superacao-e-cuidado-no-enfrentamento-da-leucemia-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/06\/30\/superacao-e-cuidado-no-enfrentamento-da-leucemia-infantil\/","title":{"rendered":"Supera\u00e7\u00e3o e cuidado no enfrentamento da leucemia infantil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Trajet\u00f3ria de Isabella exp\u00f5e os desafios do tratamento e a import\u00e2ncia da solidariedade para salvar vidas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Camila Bosco e Caroline de Apolin\u00e1rio<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro choro de um filho ao nascer \u00e9 o momento mais emocionante na vida de muitas mulheres que desejam ser m\u00e3es, uma onda de emo\u00e7\u00e3o imaginando o melhor que est\u00e1 por vir. Tudo acontece pensando nas primeiras vezes: o primeiro passo, o primeiro abra\u00e7o, as roupinhas delicadas preparadas com carinho e, principalmente, o olhar doce e inocente que muda o mundo de quem cuida.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o cerca de nove meses planejando a maior mudan\u00e7a da vida. A gesta\u00e7\u00e3o traz ang\u00fastia, alegria, ansiedade, al\u00e9m das dores inevit\u00e1veis. Apesar de ser frequentemente romantizada \u2014 principalmente por m\u00e3es de primeira viagem \u2014, a maternidade real envolve muito mais do que aparece nas fotos. \u00c0s vezes, o cansa\u00e7o \u00e9 disfar\u00e7ado com maquiagem, os medos s\u00e3o calados por receio de julgamento. E tudo bem. Ser m\u00e3e \u00e9, essencialmente, viver uma montanha-russa de emo\u00e7\u00f5es genu\u00ednas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, o futuro surpreende de um jeito diferente, com planos que nunca foram feitos e mudan\u00e7as na rotina que chegam sem aviso pr\u00e9vio. Quando um diagn\u00f3stico aparece, tudo muda. \u00c9 como uma viagem planejada. Separar as roupas, as passagens, o lugar e a hora certa \u2014 mas, do dia para a noite, a fam\u00edlia acaba em outro pa\u00eds, com uma programa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se encaixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim que a vida da fam\u00edlia de Dulcy Silva mudou. Em 2018, sua filha Isabella Silva, com apenas 4 anos, foi diagnosticada com leucemia linfobl\u00e1stica aguda \u2014 um tipo de c\u00e2ncer que atinge os gl\u00f3bulos brancos do sangue, afetando c\u00e9lulas jovens chamadas linfoblastos. Na \u00e9poca, entre 80% e 85% da medula \u00f3ssea j\u00e1 estava comprometida, o que indicava um tipo agressivo da doen\u00e7a. A not\u00edcia caiu como um terremoto silencioso: sem aviso, sem preparo. \u201cA palavra que define aquele momento \u00e9 esperan\u00e7a\u201d, resume a m\u00e3e, olhando para tr\u00e1s com os olhos de quem ainda guarda tudo na mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cFicar de m\u00e3os atadas foi o pior\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nos meses seguintes ao diagn\u00f3stico, a vida virou uma sequ\u00eancia de exames, interna\u00e7\u00f5es e procedimentos. \u201cO tratamento da Bella foi dos quatro aos sete anos, mais ou menos. Ela n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do tamanho do desafio que estava passando, sabe? Mas hoje, quando a gente conversa, ela fala: \u2018eu fui corajosa, n\u00e9, m\u00e3e?\u2019. E eu sempre respondo que sim. Ela foi forte, foi uma guerreira, \u00e9 o meu exemplo\u201d, explica Dulcy.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dos per\u00edodos mais cr\u00edticos do tratamento, Isabella precisou receber plaquetas a cada 8 horas. O problema \u00e9 que o Hemosc de Joinville, o maior banco de sangue do estado de Santa Catarina, n\u00e3o tinha o material necess\u00e1rio em estoque. E Dulcy, que queria fazer tudo pela filha, n\u00e3o era compat\u00edvel para doa\u00e7\u00e3o. \u201cEu fiquei completamente desesperada. Ficar de m\u00e3os atadas foi o pior. Eu recebi at\u00e9 mensagem de pessoas pedindo desculpas porque n\u00e3o conseguiam doar. Mas ver minha filha precisando e eu n\u00e3o poder ajudar&#8230; n\u00e3o tem dor maior.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse momento que nasceu uma corrente de solidariedade. Dulcy criou uma p\u00e1gina no Facebook e escreveu um apelo sincero: pediu, implorou por doa\u00e7\u00f5es. \u201cDesespero de m\u00e3e\u201d, define. A publica\u00e7\u00e3o se espalhou rapidamente. Amigos do trabalho, pais de alunos da escola de Isabella, familiares, desconhecidos \u2014 todos se mobilizaram. Um m\u00e9dico que acompanhava a situa\u00e7\u00e3o, levou o pedido at\u00e9 o batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, e os policiais foram doar. \u201cFoi uma corrente linda. Os pais dos colegas da escola tamb\u00e9m foram, muitos amigos, conhecidos de conhecidos&#8230; foi uma movimenta\u00e7\u00e3o local muito forte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o cresceu a ponto de alcan\u00e7ar uma p\u00e1gina no Rio de Janeiro. Ofereceram fazer uma vaquinha para ajudar financeiramente, mas Isabella s\u00f3 fez um pedido: queria mensagens dos seus jogadores favoritos. E elas vieram. V\u00eddeos de apoio chegaram de atletas do Fluminense, do Joinville Esporte Clube \u2014 como o jogador Leko \u2014, do cantor Vitor Kley e at\u00e9 de Thiago Silva, zagueiro da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira que atuava no Paris Saint-Germain. Cada mensagem era como um refor\u00e7o emocional para uma menina que, apesar da pouca idade, enfrentava algo gigante.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o Hemosc teve seus estoques abastecidos. Isabella recebeu as plaquetas de que precisava, e muitas outras crian\u00e7as tamb\u00e9m foram beneficiadas. \u201cA m\u00eddia tem um poder gigante e isso mostra que o gesto de uma pessoa pode salvar vidas, n\u00e3o s\u00f3 no hospital infantil, mas em todos os hospitais do Brasil\u201d, conta a m\u00e3e de Isabella.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pandemia, medo e resist\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A luta de Dulcy Silva e sua fam\u00edlia n\u00e3o terminou com o diagn\u00f3stico. Em 2020, a pandemia da Covid-19 trouxe novos desafios. Isabella fazia parte do grupo de risco por conta da baixa imunidade, e Dulcy, al\u00e9m de acompanhar a filha nas idas ao hospital, tamb\u00e9m cuidava do pequeno Jo\u00e3o, o ca\u00e7ula da fam\u00edlia, que na \u00e9poca tinha apenas 8 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltar ao trabalho, segundo ela, virou rotina. \u201cA prioridade era proteger os dois\u201d, conta. \u201cEu via minha filha ser reanimada, ser levada para a UTI, e ainda tinha um beb\u00ea em casa. Era um medo constante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Foram anos de tratamento intenso, de 2018 a 2022 \u2014 um per\u00edodo marcado por incertezas, medo e muita for\u00e7a. Hoje, com 10 anos, Isabella est\u00e1 fora do tratamento, mas continua em acompanhamento anual. \u201cEla pode ser o que quiser\u201d, afirma Dulcy, com orgulho. \u201cDepois de tudo que ela passou, o mundo \u00e9 pequeno pra ela. Se nem o c\u00e2ncer parou minha filha, n\u00e3o vai ser o mundo que vai parar. Eu tenho orgulho dela. Ela \u00e9 minha fortaleza. E eu estarei sempre aqui. Nunca vou soltar a m\u00e3o dela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento que ficou, segundo Dulcy, \u00e9 de gratid\u00e3o. Ela diz que a ficha demora a cair, mas que \u00e9 grata a Deus, \u00e0 equipe m\u00e9dica, \u00e0 fam\u00edlia, aos amigos do hospital e do trabalho. \u201cCada mensagem, cada doa\u00e7\u00e3o, cada gesto foi essencial\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a m\u00e3e de Isabella reconhece que a experi\u00eancia transformou completamente sua forma de ver a vida. \u201cTanto eu quanto a Bella crescemos com tudo isso\u201d, diz. \u201cAprendi o que \u00e9 f\u00e9, mas tamb\u00e9m entendi que ter f\u00e9 n\u00e3o impede que a gente perca a esperan\u00e7a. E s\u00e3o coisas diferentes. Falar de f\u00e9 \u00e9 dif\u00edcil, porque por mais que voc\u00ea tenha f\u00e9, \u00e0s vezes voc\u00ea j\u00e1 perdeu a esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16793\" style=\"width:406px;height:540px\" width=\"406\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem.jpg 1204w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-1156x1536.jpg 1156w\" sizes=\"(max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Registro da Primeira Comunh\u00e3o de Isabella Silva. Foto: Arquivo Pessoal | Dulcy Silva<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Doar salva vidas \u2014 todos os dias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Depois de viver isso de perto, Dulcy se tornou uma voz ativa pela conscientiza\u00e7\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o de sangue e plaquetas. Ela reconhece que campanhas existem e que as pessoas sabem da import\u00e2ncia, mas a falta de iniciativa ainda \u00e9 grande. \u201cTodo mundo sabe que \u00e9 importante, mas poucos tiram um tempo para doar. E a\u00ed, quando algu\u00e9m pr\u00f3ximo precisa, o estoque est\u00e1 vazio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o gesto deve se tornar parte da rotina da sociedade. \u201cN\u00e3o espere que algu\u00e9m da sua fam\u00edlia precise. Doe antes. Porque pode ser o sangue de algu\u00e9m que vai salvar a vida de uma crian\u00e7a, de um idoso, de um desconhecido.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre como doar, acesse o site do Hemosc:<a href=\"https:\/\/www.hemosc.org.br\/\"> <\/a><a href=\"http:\/\/www.hemosc.org.br\">www.hemosc.org.br<\/a> ou entre em contato atrav\u00e9s do telefone (47) 3305-7500.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trajet\u00f3ria de Isabella exp\u00f5e os desafios do tratamento e a import\u00e2ncia da solidariedade para salvar vidas Por Camila Bosco e Caroline de Apolin\u00e1rio O primeiro choro de um filho ao nascer \u00e9 o momento mais emocionante na vida de muitas mulheres que desejam ser m\u00e3es, uma onda de emo\u00e7\u00e3o imaginando o melhor que est\u00e1 por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,20,4,127,2007,17,11],"tags":[363,1577,2064,108,57,48,34,2063,18,1848],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16792"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16795,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16792\/revisions\/16795"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}