{"id":16801,"date":"2025-06-30T18:52:46","date_gmt":"2025-06-30T21:52:46","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16801"},"modified":"2025-06-30T18:52:47","modified_gmt":"2025-06-30T21:52:47","slug":"relacoes-na-era-digital-porque-o-album-regina-de-nill-ainda-e-muito-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/06\/30\/relacoes-na-era-digital-porque-o-album-regina-de-nill-ainda-e-muito-atual\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00f5es na era digital: porqu\u00ea o \u00e1lbum Regina, de niLL, ainda \u00e9 muito atual"},"content":{"rendered":"\n<p><em>De mensagem no WhatsApp \u00e0 saudades da m\u00e3e, o rapper embarca em uma viagem intimista sobre a modernidade l\u00edquida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Pedro Simm<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2017, o chamado \u201cAno L\u00edrico\u201d dentro da cultura Hip Hop, o rap brasileiro tem vivenciado uma ascens\u00e3o do estilo. Com o crescimento de um estilo musical, \u00e9 natural que existam subdivis\u00f5es dentro do pr\u00f3prio g\u00eanero, e com o Rap n\u00e3o foi diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que antes se resumia a ritmo e poesia em cima de batidas marcantes agora se torna algo mais complexo. Trap, drill, plug, grime, boombap e lo-fi s\u00e3o alguns dos g\u00eaneros derivados do hip-hop, sendo o primeiro o de maior sucesso, vide artistas como Veigh, Ryu, Matu\u00ea, Teto, Oruam, entre muitos outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 cheio de artistas que se destacam nas mais diversas vertentes, mas tem um em espec\u00edfico que se aventura e passeia por todos os ritmos. Eu estou falando do Davi de Andrade, mais conhecido como niLL.<\/p>\n\n\n\n<p>O rapper tem 32 anos e nasceu em Jundia\u00ed, cidade pr\u00f3xima da capital paulista. Desde a inf\u00e2ncia o artista carrega um forte la\u00e7o com a fam\u00edlia, e no seu segundo \u00e1lbum, e talvez o mais intimista, \u201cRegina\u201d, ele deixa isso claro. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o nome do \u00e1lbum faz refer\u00eancia a falecida m\u00e3e<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00e1lbum \u00e9 de 2017 mas segue sendo muito atual. Traz pegadas de rap, trap e lo-fi, com uma est\u00e9tica inconfund\u00edvel para quem escuta, e relaciona a fam\u00edlia com a viv\u00eancia adulta e a modernidade, aprofundando muito a quest\u00e3o da tecnologia e das rela\u00e7\u00f5es, e como esses dois temas se entrela\u00e7am.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O artista trabalha muito o conceito de modernidade l\u00edquida, apontando diversas vezes como as redes sociais aproximam e afastam os la\u00e7os. Como isso o incomoda e est\u00e1 presente no dia a dia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16802\" style=\"width:515px;height:343px\" width=\"515\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-1-1.png 1920w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-1-1-1536x1024.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 515px) 100vw, 515px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em Regina, niLL se conecta com mem\u00f3rias profundas. J\u00e1 na introdu\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, na faixa intitulada \u201c<strong>452\u201d<\/strong> &#8211; um interl\u00fadio &#8211; ele mostra essa conex\u00e3o familiar. Na m\u00fasica, um conjunto de \u00e1udios da irm\u00e3 e da sobrinha acompanhados de uma batida calma trazem uma mistura de sensa\u00e7\u00f5es nost\u00e1lgicas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo n\u00e3o conhecendo o artista ou sua hist\u00f3ria, sentimos uma identifica\u00e7\u00e3o quase que familiar, como se ele passasse pra n\u00f3s exatamente o que ele sentiu enquanto produzia o \u00e1lbum. Nessa faixa, sua irm\u00e3 diz que vai enviar um \u00e1udio porque \u201co pacote de dados j\u00e1 vai acabar\u201d e logo depois pergunta se ele vai vir jantar.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma s\u00fatil, ele conecta a quest\u00e3o da modernidade, da fluidez, com o iminente fim do pacote de dados com algo singelo, algo aconchegante, que \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 em saber se ele estaria presente para a janta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda faixa, <strong>WIFI<\/strong>, nILL nos traz uma energia mais tranquila, com aspectos da recente vida adulta dele, mas sempre estabelecendo uma forma de contato com a m\u00e3e, Regina. Isso pode ser visto no trecho \u201cSabe, m\u00e3e, era tudo verdade, contamos hist\u00f3rias dentro de boates, e s\u00e3o s\u00f3 quest\u00e3o de fases, n\u00e3o d\u00e1 pra apertar o pause, ainda preciso ligar no SAC.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele conta pra m\u00e3e que \u00e9 verdade, que ele est\u00e1 vivendo a vida e fazendo coisas que talvez ela n\u00e3o se orgulhasse. Mas tamb\u00e9m diz que tudo \u00e9 quest\u00e3o de fases, talvez se referindo \u00e0s fases rebeldes e das eventuais discuss\u00f5es com a m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m diz que n\u00e3o d\u00e1 pra apertar o pause, querendo dizer que queria ter aproveitado mais os momentos, mas que a vida adulta, a correria, o trabalho n\u00e3o permitem isso. Claro, tamb\u00e9m \u00e9 uma refer\u00eancia aos videogames, atrelando as fases e o pause, elementos padr\u00f5es de jogos, \u00e0 vida real. E ele ainda precisa ligar no SAC, para reclamar que esse bot\u00e3o pra pausar a vida ainda n\u00e3o foi inserido.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma curiosidade nas m\u00fasicas do niLL \u00e9 que ele tamb\u00e9m produz muitas delas, desde a batida at\u00e9 a mixagem. Ele carrega o pseud\u00f4nimo de O Adotado, se referindo \u00e0 pr\u00f3pria ado\u00e7\u00e3o, para assinar as faixas que produz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de \u201c<strong>Jovens Telas Trincadas\u201d<\/strong>, produzida por ele mesmo.Nessa faixa ele mostra essa depend\u00eancia e dificuldade de construir uma rela\u00e7\u00e3o na era do celular e do digital. Mostra como nos apegamos \u00e0s efemeridades das redes sociais, brigamos, compramos e vivemos atrav\u00e9s de telas, trincadas, igual nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez essa seja de fato a m\u00fasica em que o ouvinte mais consiga se relacionar, porque fala sobre a ang\u00fastia de s\u00f3 ver uns aos outros pela tela do celular. E que rapidamente uma rela\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar a outra, mas que todas elas podem se acabar repentinamente, igual o pacote de dados de internet, ou o pr\u00f3prio celular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante que ele encerra a m\u00fasica novamente com um \u00e1udio da sobrinha, cantando um verso em que diz que ama o tio, que tudo na vida vai acontecer, mas encerra dizendo \u201cpara, para, para. quebrou o seu celular\u201d. \u00c9 um momento aut\u00eantico que condiz muito com o conceito do \u00e1lbum.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, a presen\u00e7a desse \u00e1udios no \u00e1lbum inteiro, todos org\u00e2nicos e de situa\u00e7\u00f5es reais d\u00e3o ainda mais conceito ao \u00e1lbum, porque se misturam totalmente com a ideia que ele quer passar. S\u00e3o momentos aut\u00eanticos, puros, mas igualmente digitais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16803\" style=\"width:511px;height:325px\" width=\"511\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-2.png 1575w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-2-1536x977.png 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-2-136x86.png 136w\" sizes=\"(max-width: 511px) 100vw, 511px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem do alb\u00fam Regina, no Youtube<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A \u00faltima faixa, \u201c<strong>Tchau, Regina<\/strong>\u201d \u00e9 talvez a mais melanc\u00f3lica e ao mesmo tempo mais libertadora, porque se trata de uma despedida. niLL fala diretamente com a m\u00e3e, fala que o tempo passa e o que fica \u00e9 a saudade, e que ficou faltando um abra\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse parte se conecta com todo mundo que j\u00e1 viveu ou vive um luto e nos lembra da sensa\u00e7\u00e3o dolorosa que \u00e9 a saudade de algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 mais presente. niLL acerta o ouvinte como um soco na boca do est\u00f4mago, emocionando at\u00e9 os cora\u00e7\u00f5es mais duros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim da faixa, ele diz que n\u00e3o deu adeus a m\u00e3e e sim um te vejo mais tarde, mantendo vivo a ideia e as lembran\u00e7as da m\u00e3e, tanto na mem\u00f3ria quanto na discografia. Porque agora Regina est\u00e1 eternizada, para niLL e para os mais de 360 mil ouvintes mensais. E acredito que muitos tenham uma Regina na vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recomendo escutar esse \u00e1lbum de cabo a rabo, ou seja, do come\u00e7o ao fim, na ordem cronol\u00f3gica das faixas. \u00c9 uma experi\u00eancia \u00fanica, sonora e sentimental, e tenho certeza que far\u00e1 voc\u00ea questionar pontos sobre a tecnologia e as rela\u00e7\u00f5es modernas. Considero o \u00e1lbum como atemporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea pode ouvir Regina, de niLL, em todas as plataformas de streaming de \u00e1udio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De mensagem no WhatsApp \u00e0 saudades da m\u00e3e, o rapper embarca em uma viagem intimista sobre a modernidade l\u00edquida Por Pedro Simm Desde 2017, o chamado \u201cAno L\u00edrico\u201d dentro da cultura Hip Hop, o rap brasileiro tem vivenciado uma ascens\u00e3o do estilo. 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