{"id":16816,"date":"2025-07-04T17:38:46","date_gmt":"2025-07-04T20:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16816"},"modified":"2025-07-04T17:38:48","modified_gmt":"2025-07-04T20:38:48","slug":"planoreal-a-moeda-da-resistencia-em-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/07\/04\/planoreal-a-moeda-da-resistencia-em-joinville\/","title":{"rendered":"PlanoReal: a moeda da resist\u00eancia em Joinville"},"content":{"rendered":"\n<p>Com m\u00fasicas autorais e cheias de autenticidade, a banda vem ganhando espa\u00e7o no cen\u00e1rio joinvilense. Um som que nasce do conflito, e floresce na liberdade de se expressar e ser ouvido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Camila Schatzmann Gomes e Maria Eduarda Ribeiro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem diga que punk \u00e9 apenas barulho, contudo, esses cinco garotos est\u00e3o em cena para provar que na realidade \u00e9 muito mais que isso. \u00c9 uma jun\u00e7\u00e3o de sonhos, hist\u00f3rias, posicionamentos, express\u00f5es e liberdade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a a PlanoReal, banda joinvilense formada por Jo\u00e3o Italik (19), Vitor Weber (20), Caio Mafra (17), Lucas Duarte (23) e Pedro Dias (23). Juntos, eles atuam como uma for\u00e7a de resist\u00eancia, quebrando barreiras e desafiando preconceitos na cena underground da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A primeira fa\u00edsca<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A PlanoReal n\u00e3o nasceu organizada, e nem precisava. A banda surgiu da vontade de Jo\u00e3o Italik, vocalista, de fazer m\u00fasica, l\u00e1 em dezembro de 2021. No primeiro ano, o grupo ainda se apresentava com covers e sons soltos. Mas, ao perceber a necessidade de compor e criar uma identidade pr\u00f3pria, Jo\u00e3o enfrentou receios, conversas dif\u00edceis e passou por uma reformula\u00e7\u00e3o completa, at\u00e9 encontrar quem realmente topasse caminhar com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo in\u00edcio, a banda seguiu nesse caminho, algo mais levado na brincadeira, durante um ano, fazendo os primeiros shows, tocando covers, sem um g\u00eanero definido, uma coisa meio bagun\u00e7ada\u201d, explica o vocalista. \u201cE eu sempre estive numa \u00e2nsia de fazer m\u00fasica. Criei a banda junto com eles para isso. Algo que levo muito a s\u00e9rio na forma\u00e7\u00e3o atual \u00e9 o di\u00e1logo e isso era algo que faltava naquela \u00e9poca. A gente nunca sentou para conversar, tipo: beleza, por que a gente tem essa banda?\u201d, continuou. \u201cE eu queria fazer m\u00fasica. Depois de muito conflito, de muita coisa que n\u00e3o tava rolando nem fechando, porque eu estava come\u00e7ando a compor as primeiras m\u00fasicas, tentando entregar algo para as pessoas e os outros integrantes acabavam tendo medo, precisei ter essa conversa mais dura e alguns acabaram saindo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas inerentes, pensamentos alinhados. Para uma banda \u201cfuncionar\u201d \u00e9 preciso ter sintonia e o vocalista compartilhou seu ponto de vista sobre o assunto. \u201cUma coisa que as pessoas que querem fazer banda precisam entender \u00e9 que a parada \u00e9 sobre concess\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 olhar para o cara que est\u00e1 na sua frente e falar que \u00e0s vezes a gente n\u00e3o \u00e9 igual, mas precisamos fazer algo que fa\u00e7a sentido juntos.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXf2yjg3ycvu6RrnDyIVMS60BJAexcFLxLtXlPP5Hd7qRV8cpTLz7exu5LW_JGRfVD99JFIq6Ki5Hi1i0Hr7HXQWLMvA4lGakKEuEFz_ESgtiB3RvUBvsDwwSEyQQOVVfZ4Xo0hvCA?key=p72gXKNAmbShcQ7_SCwjDw\" alt=\"\" style=\"width:351px;height:376px\" width=\"351\" height=\"376\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto pot: Maria Eduarda Ribeiro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Mais que uma moeda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O nome PlanoReal surgiu em um desses momentos de brainstorming em grupo, no melhor estilo, cheio de ideias aleat\u00f3rias, discord\u00e2ncias e, claro, algumas sugest\u00f5es question\u00e1veis. \u201cPlanoReal \u00e9 um nome interessante que eu acabei sugerindo pra eles. A gente estava naquela discuss\u00e3o de qual seria um nome legal, muitos nomes ruins foram citados\u201d, brinca Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o, curiosamente, veio de um lugar improv\u00e1vel: um podcast sobre economia brasileira. Jo\u00e3o conta que, muitas bandas se inspiram em nomes de m\u00fasicas, seguindo o mesmo pensamento o vocalista estava navegando pelo Spotify em busca de nomes, olhando playlists e influ\u00eancias, quando se deparou com um podcast sobre o Plano Real, aquele que instituiu a moeda brasileira atual. \u201c\u00c9 engra\u00e7ado, porque depois que sugeri o nome, percebi quantas pessoas com menos de 18 anos nem sabem o que foi o Plano Real. Usam o real no dia a dia, mas n\u00e3o sabem que antes disso existia cruzeiro, cruzado e isso \u00e9 muito louco\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma escolha est\u00e9tica, o nome acabou ganhando significado dentro da proposta pol\u00edtica e cr\u00edtica da banda. \u201cA gente tem uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica muito clara, definimos muito bem isso e fazemos muita cr\u00edtica social em nossas m\u00fasicas. E o Plano Real foi uma medida econ\u00f4mica que, embora v\u00e1 contra o caminho que a gente acredita como ideal, especialmente esse liberalismo ferrenho que o Brasil vem seguindo desde os anos 90, tamb\u00e9m teve um impacto real na vida das pessoas. Muita gente conseguiu comprar o primeiro carro, a primeira casa, e esse plano controlou a infla\u00e7\u00e3o de uma maneira que antes era quase imposs\u00edvel. Foi uma tentativa de mudan\u00e7a e isso, de alguma maneira, acaba conversando com o que acreditamos. Sabemos que n\u00e3o vamos fazer uma revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 com punk, mas a gente sabe que est\u00e1 tentando e essa tentativa pode gerar frutos bons, nem que seja para uma pessoa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00fasica que inspira &#8211; sonhos que florescem&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como falar de m\u00fasica sem falar de inspira\u00e7\u00f5es. Cada batida tocada, cada melodia criada e cada letra desenvolvida derivam de uma sucess\u00e3o de ideias inspiradas por algo ou algu\u00e9m. Para a PlanoReal n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>A banda consolida seu estilo musical com foco no presente, mas considerando todo o seu passado e hist\u00f3ria como banda. \u201cA m\u00fasica que a gente faz ela acabou sendo colocada meio que por conta do passado da banda. Por causa das nossas antigas escolhas\u201d, explica Jo\u00e3o. \u201c\u00c9 porque em algum momento a gente decidiu que gostava de m\u00fasica e as m\u00fasicas que a gente ouvia nessa \u00e9poca fazem muita diferen\u00e7a para o que a gente faz hoje.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas o impacto de cada integrante e sua individualidade \u00e9 not\u00e1vel. Embora sigam o mesmo estilo, a mistura de percep\u00e7\u00f5es transforma a cria\u00e7\u00e3o das ideias em uma grande mistura, e o que era comum se torna algo mais complexo e aut\u00eantico. \u201cAcho que essa \u00e9 a parada mais legal que tem, acho que \u00e9 por isso que o nosso som vai pra um lugar t\u00e3o \u00fanico. N\u00e3o que a gente seja a banda mais original que existe, mas isso \u00e9 muito legal\u201d, cita Pedro. \u201cPodemos chamar de uma grande salada de fruta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De forma fragmentada, cada detalhe gera algo novo e a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento torna cada integrante singular e pronto para explorar sua singularidade nas performances da banda. Quando Vitor iniciou na PlanoReal, ainda n\u00e3o sabia tocar guitarra. Ele havia come\u00e7ado as aulas h\u00e1 pouco mais de duas semanas, mas se sentiu motivado a fazer parte daquilo. \u201cEm outubro de 2022 eu comecei a conversar com o Vitor de volta porque ele \u00e9 um amigo de inf\u00e2ncia. Um dia ele foi em um show da banda, se inspirou e comprou uma guitarra\u201d contou Jo\u00e3o. \u201cMesmo que ele n\u00e3o soubesse tocar, eu j\u00e1 tinha visto uma parada nele que eu sabia que era esse cara que eu precisava do meu lado.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXd90v8qod37Ta1TVMoYmqNftixi1YlB_Iyh71IzBif14dZ2aCwCCGlOo0atjgZC_ia6qEVKyMN6Daoco9ckWdqaVZlc-unjaPq4jJBSJLy43X6t9QE463V0tQie8myXbFAIUJvkRQ?key=p72gXKNAmbShcQ7_SCwjDw\" alt=\"\" style=\"width:366px;height:507px\" width=\"366\" height=\"507\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vitor Weber e Jo\u00e3o Italik, guitarrista e vocalista da PlanoReal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Segundo Jo\u00e3o, vocalista, as principais bandas que influenciam no estilo musical da PlanoReal s\u00e3o refer\u00eancias como: Charlie Brown, Dead Fish, Sugar Kane, No\u00e7\u00e3o de Nada, Taking Back Sunday e bandas de hardcore japon\u00eas, valorizando principalmente a proposta \u00fanica que a m\u00fasica japonesa desenvolve.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sou f\u00e3 das bandas por causa do caminho que elas trilharam. Eu me conecto com elas, porque eu vejo que \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar uma carreira de banda sem gerar grana. Porque a gente sabe que faz um som diferente, mas tamb\u00e9m que a gente consegue ser feliz de alguma maneira\u201d comenta Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXerq2x00CMa1AW1M-bUe2wdcPU9NcTeXI8BZGqf-_upD_i2wUG4kqS9UtgVAh77QAYYfDdseoNHi_s_HXmW4_PL7BUC9gR4Q-gBAMOg_bfcwf2qU4OKAUQdV6gUd3JM2PWu11OAEg?key=p72gXKNAmbShcQ7_SCwjDw\" alt=\"\" style=\"width:446px;height:300px\" width=\"446\" height=\"300\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Da esqueda para a direita na imagem: Pedro, Caio e Jo\u00e3o.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Cinco identidades um mesmo prop\u00f3sito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A PlanoReal \u00e9 definida por seus integrantes como uma banda de hardcore mel\u00f3dico, ainda que o r\u00f3tulo n\u00e3o seja uma preocupa\u00e7\u00e3o para eles. \u201cSe algu\u00e9m ouvir e quiser chamar de punk, tudo bem. Para mim, o que importa mesmo \u00e9 que a m\u00fasica cause algo nas pessoas, mesmo que seja \u00f3dio. Porque a m\u00fasica vai estar causando algo, gerando algo em quem a escuta\u201d, comenta Jo\u00e3o, vocalista. E essa vis\u00e3o coletiva se manifesta de forma singular em cada membro da banda.<\/p>\n\n\n\n<p>A base \u00e9 a mesma: fazer barulho com prop\u00f3sito. Mas cada um contribui a partir de viv\u00eancias e refer\u00eancias pr\u00f3prias, formando um som carregado de identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o, al\u00e9m de vocalista, \u00e9 a alma l\u00edrica da banda. Suas composi\u00e7\u00f5es refletem o peso das escolhas e a busca por autenticidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro, guitarrista, traz ao som da PlanoReal o peso emocional de quem aprendeu a amar a m\u00fasica dentro de casa. \u201cMeu pai talvez seja meu m\u00fasico favorito\u201d, diz. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 um toque mais t\u00e9cnico e teatral, vindo de \u00eddolos como Synyster Gates, do Avenged Sevenfold. \u201cQuis tocar guitarra por causa dele, ele \u00e9 uma grande refer\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas, baterista, tem o olhar visual e energ\u00e9tico do palco. Come\u00e7ou na guitarra aos seis anos, mas se encontrou de vez quando viu Dave Grohl atr\u00e1s da bateria. \u201cTem um bagulho muito visual com ele, parece muito legal tocando\u201d, explica. O gosto musical \u00e9 diverso, com ra\u00edzes no Nirvana, banda que marcou sua adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXe3sDcqOGaA_z4tQ1GAUstJ5lKsKIEiUJMQdj4M5UHJa4exg1I07Aa-SKP9XdUW3gc8hWYcLvQTtsr6yiwh_h4kyJeL6b8UB8qUYtlCZc1Hy2pn-bJt7dnDQzXDT2N_HLqEsuxIBA?key=p72gXKNAmbShcQ7_SCwjDw\" alt=\"\" style=\"width:438px;height:311px\" width=\"438\" height=\"311\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pedro Dias e Lucas Duarte, guitarrista e baterista da PlanoReal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Caio, baixista, \u00e9 quem traz uma densidade mais experimental para a banda. Suas refer\u00eancias v\u00e3o do underground brasileiro \u00e0 m\u00fasica instrumental. \u201c\u00c9 tipo uma escadinha que vai evoluindo\u201d, comenta, ao citar nomes como Ana Mazzotti, Fusion Maru Band, Ch\u00e3o de Taco e Chococorn and the Sugarcanes. O som que ele consome reflete tamb\u00e9m o que cria e carrega uma proposta sensorial: \u201cParece que voc\u00ea est\u00e1 sendo elevado. Tu pode escutar tanto de forma passiva quanto ativa que tu vai ficar impressionado de qualquer jeito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Vitor, guitarrista, v\u00ea a m\u00fasica como um espelho da identidade humana. Influenciado por nomes como Charlie Brown Jr., Angra e tamb\u00e9m pelo universo do jazz fusion, ele se reconectou com a m\u00fasica depois de um tempo afastado. \u201cCom o passar do tempo eu fui esquecendo um pouco o lance da m\u00fasica e fui indo por um outro caminho. Mas em algum momento da minha vida foi muito importante voltar\u201d, comenta. \u201cCharlie Brown \u00e9 uma refer\u00eancia minha n\u00e3o tanto por causa da m\u00fasica em si, mas pela personalidade de todos da banda e como eles colocavam aquilo na m\u00fasica de certa forma.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ideia da m\u00fasica Lixo ou luxo, do Brown, de que uma pessoa nunca \u00e9 uma coisa s\u00f3 a todo momento e sim uma mistura de v\u00e1rias coisas fluindo ao mesmo tempo. me guia. A gente nunca \u00e9 uma coisa s\u00f3. Eu acho que essa no\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 guia minha vida, mas tamb\u00e9m guia na minha m\u00fasica. Tudo o que eu toco na m\u00fasica \u00e9 a partir dessa no\u00e7\u00e3o, do lixo e luxo. Tudo que eu puder fazer que soe amb\u00edguo, soe dif\u00edcil de distinguir a caracter\u00edstica principal eu gosto mais\u201d, resume.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfKEJCHO7_5KMfrPASprGzl0eDiaDwzrSQuiyIlSPPB2iTbnVvA1euVVQU3oCgAkpMGu7TxYjP139wm_mF0GyG_0monV4wj1GDb_kbu5GBNegJ7Oj2Y6OXFsKtRqU3zc5mle09plA?key=p72gXKNAmbShcQ7_SCwjDw\" alt=\"\" style=\"width:366px;height:507px\" width=\"366\" height=\"507\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Caio Mafra e Vitor Weber, baixista e guitarrista da PlanoReal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Cinco trajet\u00f3rias diferentes, mas uma mesma verdade: fazer m\u00fasica que reflita o que eles s\u00e3o, mesmo quando \u00e9 dif\u00edcil definir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A gente toca, mas voc\u00eas escutam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fazer m\u00fasica em Joinville tamb\u00e9m \u00e9 atravessar outros caminhos, nem sempre t\u00e3o inspiradores. Para a PlanoReal, estar inserida na cena underground da cidade significou, desde o in\u00edcio, encarar de frente a realidade velada de um cen\u00e1rio fragmentado, onde cada grupo parece viver em sua bolha. \u201cJoinville tem toda uma cultura de segrega\u00e7\u00e3o, de panela, uma coisa que n\u00e3o \u00e9 falada, \u00e9 tudo velado\u201d, comenta Jo\u00e3o. Ainda assim, a banda encontrou na contram\u00e3o disso uma motiva\u00e7\u00e3o: se aproximar das pessoas, criar conex\u00f5es reais e se manter acess\u00edvel. \u201cParte do que a gente gosta de fazer \u00e9 estar junto das pessoas\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante de desafios estruturais, como a pouca valoriza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica autoral e a dificuldade em formar p\u00fablico, a banda acredita na for\u00e7a da comunidade. \u201cTem que ter senso de comunidade. N\u00e3o porque a gente \u00e9 bonzinho, mas porque a gente n\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o. Isso de estrelinha n\u00e3o existe, porque a gente n\u00e3o sobrevive sozinho\u201d, diz Jo\u00e3o. Lucas refor\u00e7a: \u201cAinda mais em Joinville\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, parcerias como a com a banda Scumbags mostram que \u00e9 poss\u00edvel sim haver troca verdadeira, onde uma fortalece a outra. Mas o cen\u00e1rio ainda \u00e9 duro, especialmente quando o espa\u00e7o do artista precisa disputar aten\u00e7\u00e3o com a sociabilidade desinteressada de quem vai ao show. Pedro conta que j\u00e1 esteve em eventos lotados, mas em que o p\u00fablico pedia para a banda abaixar o volume porque o som atrapalhava a conversa. \u201cIsso acontece com muita frequ\u00eancia\u201d, comenta Vitor. \u201cE para quem t\u00e1 tocando, \u00e9 muito frustrante. Porque o som numa determinada altura anima de um jeito muito louco.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Eles tamb\u00e9m apontam para um elitismo velado dentro da pr\u00f3pria cena underground. \u201cA gente sempre tentou fazer um som acess\u00edvel para todas as pessoas. E isso, pelo menos no underground, nunca soou bem\u201d, observa Vitor. A cr\u00edtica \u00e9 clara: h\u00e1 uma romantiza\u00e7\u00e3o do som pesado como algo mais leg\u00edtimo ou conceituado, quando na verdade, muitas vezes, tudo o que algu\u00e9m precisa \u00e9 de uma m\u00fasica que abrace, que chegue primeiro e depois, talvez, venha o peso. Os integrantes refor\u00e7am suas vontades de serem essa \u201cporta de entrada\u201d para as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse desejo de aproxima\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se manifesta no modo como eles enxergam o pr\u00f3prio papel: tornar o que fazem acess\u00edvel para os mais jovens, criar identifica\u00e7\u00e3o al\u00e9m da m\u00fasica. \u201cA gente quer trazer a juventude para voltar a dominar o espa\u00e7o de sair de casa, se reunir, conversar, trocar ideias\u201d, diz Jo\u00e3o. Mas isso n\u00e3o vir\u00e1 de cobran\u00e7as. \u201cEssa coisa de \u2018apoia a cena sen\u00e3o a cena morre\u2019 soa como esmola. O p\u00fablico precisa querer estar ali\u201d, refletem. O caminho, segundo eles, est\u00e1 na comunica\u00e7\u00e3o direta com as pessoas e na constru\u00e7\u00e3o de uma presen\u00e7a que ultrapasse os palcos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu era adolescente, tudo o que eu queria era descobrir algo assim. Mas eu n\u00e3o fazia ideia se existia na cidade\u201d, conta Lucas. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que ainda h\u00e1 muita gente em Joinville que pensa da mesma forma, acreditando que nada acontece, que n\u00e3o existem bandas, que n\u00e3o h\u00e1 cena. \u201cSe a gente n\u00e3o chegou nessas pessoas, temos que trabalhar mais para dar um jeito de chegar\u201d, diz Jo\u00e3o. \u201cTornar o neg\u00f3cio mais acess\u00edvel para o m\u00e1ximo de pessoas. \u00c9 assim que isso tem que crescer\u201d, refor\u00e7a Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vitor conclui com um olhar mais estrutural sobre a cidade: \u201cJoinville \u00e9 gigante, poderia parecer uma capital, mas tem aura de interior\u201d. E talvez esteja a\u00ed o grande paradoxo: um espa\u00e7o cheio de potencial, mas que ainda n\u00e3o aprendeu a se reconhecer como vivo, musical e criativo. A PlanoReal tenta, dia ap\u00f3s dia, mudar isso.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXeioEvVAjvtlmCHLBF6yBLO_JzVvniNdHAB_3sttKZM0_e5sUKbatl98FIWy6poG6ed1svuUX7sOwBKIGmAmNW1O_PGLozl0Nr7ghdDelBoNvzh2O58yUpJyC6oe0LDqPKUUqypCw?key=p72gXKNAmbShcQ7_SCwjDw\" alt=\"\" style=\"width:374px;height:561px\" width=\"374\" height=\"561\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Banda PlanoReal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Parado no mesmo lugar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ada no dia 27 de junho, <em>\u201cIn\u00e9rcia\u201d<\/em> \u00e9 a nova faixa da PlanoReal, e talvez tamb\u00e9m o sentimento de muita gente. A letra, composta por Pedro e Jo\u00e3o, fala sobre estar parado num lugar que j\u00e1 n\u00e3o faz sentido, vivendo uma rotina que n\u00e3o empolga, esperando por algo que nem se sabe bem o que \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem romantizar o caos, a m\u00fasica \u00e9 quase como um empurr\u00e3o. Ela traduz com sinceridade aquela fase em que tudo parece igual demais, em que o mundo gira e a gente fica. In\u00e9rcia combina melodia marcante com versos que soam como um desabafo coletivo, sobre o cansa\u00e7o de viver no piloto autom\u00e1tico e o desejo urgente de romper com o que j\u00e1 n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>A faixa surgiu de forma natural, num momento comum entre ensaios. \u201cA gente estava ensaiando para o show ao vivo do nosso primeiro disco e, em algum momento, eu peguei a guitarra e toquei o que hoje \u00e9 o refr\u00e3o e a intro da m\u00fasica\u201d, lembra Pedro. A ideia foi guardada, mas voltou \u00e0 tona durante a constru\u00e7\u00e3o do novo EP da banda, ainda em produ\u00e7\u00e3o. Foi ali que \u201c<em>In\u00e9rcia\u201d<\/em> ganhou forma, com espa\u00e7o para que cada integrante contribu\u00edsse com o que tem de mais pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a primeira m\u00fasica escrita de forma coletiva desde a chegada de Pedro e Caio, marcando um momento importante na trajet\u00f3ria da banda. Antes deles, a PlanoReal j\u00e1 tinha um disco lan\u00e7ado, mas <em>\u201cIn\u00e9rcia\u201d<\/em> representa uma nova fase, em que todos constroem juntos. O processo partiu da estrutura inicial criada por Pedro e, aos poucos, a m\u00fasica foi ganhando corpo: Caio trouxe uma linha de baixo sobre a guitarra, Vitor comp\u00f4s o solo e Lucas trouxe ideias marcantes na bateria. \u201cEssa m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 uma regra, mas ela resume bastante como \u00e9 o nosso processo de cria\u00e7\u00e3o\u201d, explica Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo uma cria\u00e7\u00e3o conjunta, quem escuta com aten\u00e7\u00e3o consegue identificar a digital de cada um nos timbres, nas escolhas e nas inten\u00e7\u00f5es. \u201cAs refer\u00eancias de cada um aparece. D\u00e1 para perceber de onde veio cada parte\u201d, comenta a banda. E essa \u00e9 uma das for\u00e7as da PlanoReal: fazer m\u00fasica como grupo, mas sem apagar a individualidade de quem a comp\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>O lan\u00e7amento marca um novo momento da banda, que segue fiel ao seu hardcore mel\u00f3dico, mas aposta em um lirismo cada vez mais visceral e honesto. Em breve, \u201c<em>In\u00e9rcia\u201d<\/em> estar\u00e1 acompanhada de outras faixas que continuam explorando essa mesma inquieta\u00e7\u00e3o: de existir, de resistir e, acima de tudo, de seguir criando.<\/p>\n\n\n\n<p>Assista ao v\u00eddeo oficial da m\u00fasica no canal da banda no youtube <strong><em>(planoreal)<\/em><\/strong> ou escute <em>\u201cIn\u00e9rcia\u201d <\/em>no spotify atrav\u00e9s do link: <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/3zATHKF7vP67QvVwJJHFjp?si=hkJJKuDQQGONXB_aPRLWrg\">SPOTIFY &#8211; PLANOREAL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com m\u00fasicas autorais e cheias de autenticidade, a banda vem ganhando espa\u00e7o no cen\u00e1rio joinvilense. Um som que nasce do conflito, e floresce na liberdade de se expressar e ser ouvido. 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