{"id":16865,"date":"2025-08-13T17:13:13","date_gmt":"2025-08-13T20:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16865"},"modified":"2025-08-25T17:08:57","modified_gmt":"2025-08-25T20:08:57","slug":"anora-de-sean-baker-agora-oscarizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/08\/13\/anora-de-sean-baker-agora-oscarizado\/","title":{"rendered":"Anora, de Sean Baker, agora Oscarizado!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Resenha cr\u00edtica por Guilherme Beck Scolari <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma hist\u00f3ria t\u00e3o antiga quanto o tempo, a base do vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2025, Anora, remonta \u00e0 manjada estrutura de Cinderela, mas, \u00e9 claro, com um toque diferente. No distorcido conto do diretor Sean Baker, n\u00e3o h\u00e1 um Pr\u00edncipe Encantado &#8211; existem apenas interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Tive o prazer de assistir Anora antes do Oscar, em uma noite junto de minha namorada. N\u00f3s rimos, nos divertimos e ficamos emocionados com a sensual e provocante dram\u00e9dia protagonizada por Mickey Madison.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito o que absorver de sua atua\u00e7\u00e3o; seus di\u00e1logos s\u00e3o extremamente afiados, e sua performance certamente tem v\u00e1rias camadas. Ela traz certa inoc\u00eancia &#8211; acentuada pelo qu\u00e3o jovem a atriz parece &#8211; que contrasta muito bem com os elementos mais sexuais do filme. Voc\u00ea sabe que ela n\u00e3o \u00e9 completamente ing\u00eanua, mas h\u00e1 uma vulnerabilidade convidativa a ser explorada. Ani, como \u00e9 apelidada no longa, \u00e9 uma mulher que s\u00f3 consegue enxergar seu valor atrav\u00e9s do prazer sexual que proporciona aos outros. Ao criar sua protagonista, Baker nos convida a participar de um conto sobre amor, autoestima e, claro, interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, n\u00e3o acredito que a atua\u00e7\u00e3o de Madison seja superior \u00e0 de Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui ou at\u00e9 mesmo \u00e0 de Demi Moore em A Subst\u00e2ncia, mas os mist\u00e9rios que permeiam as mentes dos votantes do Oscar continuam no ar. Ainda assim, o que Mickey entrega aqui \u00e9 digno de premia\u00e7\u00f5es, e talvez em um ano mais fraco para a categoria de melhor atriz, sua vit\u00f3ria seria muito mais celebrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Anora \u00e9 claramente dividido em tr\u00eas segmentos bem distintos: O Conto de Fadas, A Fuga e A Separa\u00e7\u00e3o. Cada parte tem uma maneira \u00fanica de fazer a hist\u00f3ria avan\u00e7ar, mas, felizmente, Baker consegue criar um fluxo natural ao longo de todo o filme, garantindo um ritmo agrad\u00e1vel que nunca me cansou. No entanto, senti falta de um maior desenvolvimento da psicologia da protagonista, indo al\u00e9m de sua carreira na prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Visualmente, este \u00e9 um dos projetos mais ambiciosos de Baker. Embora n\u00e3o tenha usado um iPhone para filmar tudo &#8211; como fez em Tangerine -, ele definitivamente faz as atua\u00e7\u00f5es brilharem com seu estilo naturalista e seus longos planos-sequ\u00eancia. Todos os atores russos entregam performances fascinantes, com Yura Borisov oferecendo uma performance muito sutil, que agrega bastante \u00e0 experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que me surpreendeu foi o timing c\u00f4mico. O segundo ato do filme me fez gargalhar por um bom tempo e, felizmente, as outras pessoas na minha sess\u00e3o tamb\u00e9m se divertiram (o que sempre torna tudo mais agrad\u00e1vel). O humor inocente e, \u00e0s vezes, at\u00e9 bobo utiliza a fisicalidade e a pr\u00f3pria linguagem do filme para entreter o espectador. Esse contraste com as cenas mais \u00edntimas cria uma atmosfera muito singular, tornando o longa diferente de qualquer outra com\u00e9dia que j\u00e1 assisti.<\/p>\n\n\n\n<p>A trilha sonora se encaixa perfeitamente no filme, e h\u00e1 um excelente uso do sil\u00eancio tamb\u00e9m. As m\u00fasicas parecem bagun\u00e7adas e desorganizadas, combinando perfeitamente com os personagens e a hist\u00f3ria, fortalecendo a identidade do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um n\u00edvel emocional, fui brutalmente impactado pela \u00faltima cena do filme. At\u00e9 ent\u00e3o, estava gostando do que via, mas somente nos \u00faltimos minutos tudo clicou para mim. A sensa\u00e7\u00e3o foi como assistir a um dos melhores twists de Shyamalan &#8211; de repente, tudo fez sentido! Fiquei arrepiado, pois, tematicamente, o final mostra um lado extremamente vulner\u00e1vel da protagonista, enriquecendo-a como personagem e trazendo seu arco para uma conclus\u00e3o extremamente satisfat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado? Um filme fant\u00e1stico!<\/p>\n\n\n\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o final: 4.5\/5 \u2b50<\/p>\n\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/images-9.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16867\" style=\"width:336px;height:224px\" width=\"336\" height=\"224\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos da imagem: Neon<\/figcaption><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha cr\u00edtica por Guilherme Beck Scolari Em uma hist\u00f3ria t\u00e3o antiga quanto o tempo, a base do vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2025, Anora, remonta \u00e0 manjada estrutura de Cinderela, mas, \u00e9 claro, com um toque diferente. No distorcido conto do diretor Sean Baker, n\u00e3o h\u00e1 um Pr\u00edncipe Encantado &#8211; existem apenas interesses. 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