{"id":16960,"date":"2025-09-09T17:09:24","date_gmt":"2025-09-09T20:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=16960"},"modified":"2025-09-10T17:13:32","modified_gmt":"2025-09-10T20:13:32","slug":"descendentes-italianos-em-joinville-mantem-viva-a-tradicao-e-a-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/09\/09\/descendentes-italianos-em-joinville-mantem-viva-a-tradicao-e-a-cultura\/","title":{"rendered":"Descendentes italianos em Joinville mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o e a cultura"},"content":{"rendered":"\n<p>Da agricultura \u00e0s festas, a presen\u00e7a italiana segue marcando a identidade de Joinville.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Priscila Pereira<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Cerca de 25 % da popula\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 descendente de italianos. Da travessia transatl\u00e2ntica \u00e0s festas comunit\u00e1rias, a heran\u00e7a italiana em Joinville se revela na agricultura, na gastronomia e nas mem\u00f3rias de fam\u00edlias que enfrentaram dificuldades, mas mantiveram vivas suas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As travessias, promessas e adapta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;De acordo com o Arquivo P\u00fablico de Santa Catarina, a imigra\u00e7\u00e3o italiana para o estado come\u00e7ou em 1875, com auge entre 1885 e 1894, quando 8.941 italianos desembarcaram. O censo de 1920 registrava 8.062 imigrantes nascidos na It\u00e1lia vivendo em SC, cerca de 1,4 % do total brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Em Joinville, segundo o Arquivo Hist\u00f3rico de Joinville (AHJ), chegaram fam\u00edlias vindas principalmente do V\u00eaneto, Trentino, Lombardia e Emilia-Romagna, atra\u00eddas por promessas de terras, ferramentas, escola e assist\u00eancia religiosa. Conforme destaca a historiadora Maria Thereza Elisa B\u00f6bel no livro \u201cJoinville: Os Pioneiros\u201d, a realidade foi bem diferente: floresta fechada, poucos recursos e um cotidiano de dificuldades.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;\u00c9 nesse contexto que se inserem hist\u00f3rias como a da fam\u00edlia de Ricardo Prade, representante comercial que nasceu em Ascurra, mas vive em Joinville desde os anos 1980. Seu bisav\u00f4 saiu da prov\u00edncia de Belluno e partiu de G\u00eanova em dezembro de 1885, chegando ao Rio de Janeiro em janeiro de 1886. \u201cO que a gente sabe \u00e9 que eles foram enganados. Prometeram terra, ferramentas, comida e escola, mas encontraram mata virgem e pouqu\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vida dura, mas enraizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Os italianos se espalharam por diferentes regi\u00f5es de Joinville. Muitos se estabeleceram em \u00e1reas rurais, como Vila Nova e Pirabeiraba, onde o cultivo do arroz se tornou uma marca identit\u00e1ria. Outros migraram para a cidade, atuando como pedreiros, carpinteiros, sapateiros e pequenos comerciantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Para Terezinha V\u00eamiane, dona de casa e descendente de italianos, a mem\u00f3ria dos av\u00f3s \u00e9 marcada pela luta: \u201cEles vieram de embarca\u00e7\u00e3o, a viagem foi longa e sofrida. Chegaram acreditando nas promessas, mas nada do que falaram se cumpriu. Tudo que conquistaram foi com muita dificuldade. Constru\u00edram suas casas de madeira, carro\u00e7as e, aos poucos, foram se misturando com brasileiros, portugueses e outros imigrantes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;A fala de Terezinha traduz uma experi\u00eancia coletiva: a chegada cheia de ilus\u00f5es, a adapta\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e, ao mesmo tempo, a resili\u00eancia em transformar a terra e se integrar \u00e0 comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tradi\u00e7\u00f5es que ecoam at\u00e9 hoje<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16962\" style=\"width:418px;height:279px\" width=\"418\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1.png 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1-1536x1023.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Apresenta\u00e7\u00e3o italiana no evento VinVeneto em Joinville<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A presen\u00e7a italiana n\u00e3o est\u00e1 apenas nos arquivos ou nos relatos de fam\u00edlias, mas no cotidiano de Joinville. A culin\u00e1ria carrega pratos como polenta, tortei e sopa de agnolini, al\u00e9m do vinho artesanal. A arquitetura preserva casas de pedra e telhados inclinados. E a tradi\u00e7\u00e3o oral manteve por muito tempo o dialeto talian, que aos poucos foi substitu\u00eddo pelo portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Mas, acima de tudo, a cultura se revela no modo de viver. \u201cItaliano \u00e9 alegre, gosta de festa, de amizade. Se vai para uma festa, ela s\u00f3 termina no outro dia\u201d, diz Terezinha, com um sorriso. Ela tamb\u00e9m lembra dos casamentos de tr\u00eas dias, conhecidos como <strong>quebra cacos<\/strong>: \u201cNa sexta come\u00e7ava a festa, no s\u00e1bado era o casamento e s\u00f3 terminava no domingo, com muita comida que ainda sobrava.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Essas lembran\u00e7as atravessam gera\u00e7\u00f5es e s\u00e3o refor\u00e7adas por eventos comunit\u00e1rios que continuam reunindo descendentes e mantendo vivas as tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VinVeneto: tradi\u00e7\u00e3o viva em Joinville<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16963\" style=\"width:402px;height:268px\" width=\"402\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-2.png 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-2-1536x1023.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Terezinha em frente ao painel de fotos do evento VinVeneto<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>&nbsp;Criada em 1990, a VinVeneto se tornou a principal festa italiana de Joinville. Realizada inicialmente at\u00e9 2003, depois transformada em baile no Clube Gl\u00f3ria, voltou em 2023 com sua 16\u00aa edi\u00e7\u00e3o, reunindo gastronomia, m\u00fasica, dan\u00e7a e mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Segundo reportagem do O Munic\u00edpio Joinville, a festa busca valorizar as fam\u00edlias descendentes, com pratos t\u00edpicos, vinhos e apresenta\u00e7\u00f5es culturais que remetem \u00e0 It\u00e1lia. Para Ricardo Prade, que j\u00e1 foi diretor do evento, a VinVeneto \u00e9 mais que um encontro: \u201cEu participei de quase&nbsp; todas as festas e fui diretor em uma das edi\u00e7\u00f5es. A retomada em 2023 foi emocionante. \u00c9 a continuidade de uma hist\u00f3ria que precisa ser contada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Terezinha V\u00eamiane tamb\u00e9m se emociona ao falar da festa. Para ela, a VinVeneto \u00e9 um elo entre passado e presente: \u201cQuando vi a dan\u00e7a italiana, os passinhos dos jovens, os sorrisos, chorei lembrando dos meus pais dan\u00e7ando. Foi como reviver um peda\u00e7o da minha inf\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que gastronomia e dan\u00e7a, a VinVeneto reafirma a import\u00e2ncia da imigra\u00e7\u00e3o italiana em Joinville. \u00c9 a prova de que tradi\u00e7\u00e3o, cultura e mem\u00f3ria se renovam a cada gera\u00e7\u00e3o, mantendo viva uma heran\u00e7a que faz parte da identidade da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;A imigra\u00e7\u00e3o italiana em Joinville revela a trajet\u00f3ria de fam\u00edlias que enfrentaram promessas n\u00e3o cumpridas, mas conseguiram transformar dificuldades em cultura, trabalho e identidade. Entre documentos hist\u00f3ricos, lembran\u00e7as familiares e festas como a VinVeneto, a heran\u00e7a italiana segue presente na vida da cidade de Joinville.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da agricultura \u00e0s festas, a presen\u00e7a italiana segue marcando a identidade de Joinville. Por Priscila Pereira &nbsp;&nbsp;Cerca de 25 % da popula\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 descendente de italianos. Da travessia transatl\u00e2ntica \u00e0s festas comunit\u00e1rias, a heran\u00e7a italiana em Joinville se revela na agricultura, na gastronomia e nas mem\u00f3rias de fam\u00edlias que enfrentaram dificuldades, mas mantiveram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[97,88,20,78,2007],"tags":[1577,90,53,57,48,34,2110],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16960"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16960"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16979,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16960\/revisions\/16979"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}