{"id":17051,"date":"2025-09-12T14:05:51","date_gmt":"2025-09-12T17:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17051"},"modified":"2025-09-29T16:52:21","modified_gmt":"2025-09-29T19:52:21","slug":"sete-corpo-manifesto-nas-pistas-de-joinville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/09\/12\/sete-corpo-manifesto-nas-pistas-de-joinville\/","title":{"rendered":"SETE, CORPO-MANIFESTO NAS PISTAS DE JOINVILLE"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Ana Caroliny de Paula Alexandre e Beatriz Rodrigues<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao pensar em um DJ, muitas vezes a imagem que nos vem \u00e0 mente \u00e9 a de algu\u00e9m atr\u00e1s das pick-ups conduzindo festas pela madrugada, mas, em determinados espa\u00e7os de Joinville, ser DJ vai muito al\u00e9m disso. Numa cidade marcada pelo conservadorismo e pelo orgulho do trabalho nas ind\u00fastrias, a presen\u00e7a de uma DJ travesti t\u00e3o expressiva como Sete Doc \u00e9 mais do que entretenimento, \u00e9 resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Sete, a noite n\u00e3o \u00e9 somente lazer, \u00e9 espa\u00e7o de encontro e express\u00e3o. A cena noturna, especialmente em locais marginais e alternativos, historicamente fortaleceu identidades. Para muitas pessoas LGBTQIAP+, esses lugares foram e continuam sendo ref\u00fagios de aceita\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. \u201cA pista \u00e9 onde muita gente consegue ser quem \u00e9, sem precisar pedir desculpa por existir\u201d, diz Sete. Marcos da luta queer, como Stonewall, surgiram em contextos noturnos. Ali, corpo, est\u00e9tica, som e afeto se misturam em algo que vai muito al\u00e9m do entretenimento. \u201cA forma como eu consigo gritar \u00e9 apenas existindo, fazendo do meu corpo a minha tela\u201d, afirma. \u201cQuando eu toco, quero que cada pessoa sinta que existe um lugar pra ela na pista, que ela faz parte daquilo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O orgulho por ocupar esses espa\u00e7os convive com a consci\u00eancia de que a exclus\u00e3o ainda persiste. O corpo, a presen\u00e7a e a narrativa pessoal se transformam em material est\u00e9tico e pol\u00edtico. Sete questiona como corpos gordos e trans s\u00e3o percebidos. Ela cita o curta-metragem \u201cCorpo Gordo\u201d, que produziu como um dos trabalhos mais importantes da sua vida. \u201cFoi uma coragem que eu n\u00e3o sei de onde tirei. Esse curta \u00e9 minha obra de arte. Claro que j\u00e1 faz anos e algumas falas eu mudaria pra deixar mais atual, mas foi grandioso poder falar da minha experi\u00eancia de vida. Antes de ser uma travesti, eu sempre fui gorda. \u00c9 sobre o que eu falo de melhor, \u00e9 natural pra mim&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Solange Alves, amiga e observadora da trajet\u00f3ria de Sete, comenta: \u201cA evolu\u00e7\u00e3o dela come\u00e7ou quando percebeu que podia colocar nos sets algo que fizesse as pessoas se conectarem com a m\u00fasica e com ela. A marca dela n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que toca, mas tamb\u00e9m a representatividade que traz como mulher gorda e trans. Isso transforma a pista, cria poder visual e hipnotiza quem est\u00e1 dan\u00e7ando&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Pista-SE7E-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17052\" style=\"width:661px;height:441px\" width=\"661\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Pista-SE7E-scaled.jpg 2560w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Pista-SE7E-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Pista-SE7E-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Bibiana Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Sete conquistou espa\u00e7o em duas das principais casas da cidade, estabelecendo-se como residente. Cada resid\u00eancia \u00e9 um marco de reconhecimento. \u201cAinda \u00e9 pouco. Precisamos de novas casas pra ter concorr\u00eancia, ter oportunidades vastas\u201d, avalia Sete.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua est\u00e9tica, roupas, gestos e m\u00fasica se fundem em uma linguagem que n\u00e3o precisa de tradu\u00e7\u00e3o, visto que existir, ocupar e celebrar em plenitude j\u00e1 \u00e9 uma mensagem. Ao subir no palco, Sete desafia as estruturas que ainda insistem em definir quem pode ou n\u00e3o ocupar determinados espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o presente j\u00e1 mostra conquistas importantes, o futuro parece cheio de possibilidades: \u201cTer meu nome como artista principal em eventos, acredito que seja a principal meta de carreira. E claro, me manter e viver bem com meu ganho sendo artista, sendo a DJ SE7E\u201d, planeja ao falar sobre o futuro. Ela mesma percebe o movimento da cena: \u201cEu vejo hoje uma expans\u00e3o de pessoas conseguindo mostrar seus trabalhos, cada um tendo seu tempo pra poder ser grande\u201d. Em Joinville, Sete \u00e9 um contraponto vibrante \u00e0 rigidez e ao sil\u00eancio que tantas vezes marcam a cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana Caroliny de Paula Alexandre e Beatriz Rodrigues Ao pensar em um DJ, muitas vezes a imagem que nos vem \u00e0 mente \u00e9 a de algu\u00e9m atr\u00e1s das pick-ups conduzindo festas pela madrugada, mas, em determinados espa\u00e7os de Joinville, ser DJ vai muito al\u00e9m disso. 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