{"id":17118,"date":"2025-09-17T16:24:02","date_gmt":"2025-09-17T19:24:02","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17118"},"modified":"2025-10-20T18:29:10","modified_gmt":"2025-10-20T21:29:10","slug":"dona-tereza-fez-do-mar-sustento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/09\/17\/dona-tereza-fez-do-mar-sustento\/","title":{"rendered":"Dona Tereza fez do mar sustento"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Pescadora artesanal, Tereza Guetzsinger Castilho abasteceu a clientela de Joinville com peixe fresco at\u00e9 os 83 anos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Yasmin Rech<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Santa Catarina, a pesca artesanal \u00e9 respons\u00e1vel pelo sustento de aproximadamente 25 mil fam\u00edlias e mant\u00e9m vivas mais de 330 comunidades pesqueiras espalhadas pelo litoral, segundo a Secretaria de Agricultura e Pecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito al\u00e9m de uma simples atividade econ\u00f4mica, a pesca artesanal representa um modo de vida enraizado na hist\u00f3ria. Para essas comunidades, o mar, os rios e os manguezais n\u00e3o s\u00e3o apenas fontes de alimento e renda, mas verdadeiros espa\u00e7os de tradi\u00e7\u00e3o e cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, Tereza Guetzsinger Castilho, conhecida como Dona Tereza, tornou-se uma figura respeitada \u00e0s margens da Ba\u00eda da Babitonga, entre Joinville e S\u00e3o Francisco do Sul, onde ganhou fama por vender o \u201cmelhor baiacu da regi\u00e3o\u201d, pescado, limpo e preparado pelas suas pr\u00f3prias m\u00e3os calejadas pelo tempo. Dona Tereza faleceu aos 83 anos, em 24 de outubro de 2024, em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es causadas pela inala\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a de fog\u00e3o a lenha. Por\u00e9m, deixou como legado um exemplo de resist\u00eancia feminina e dedica\u00e7\u00e3o em uma atividade marcada historicamente pela predomin\u00e2ncia masculina.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a filha, Marisl\u00e9ia Castilho, que vive em Joinville, a m\u00e3e encontrou na pesca a maior de suas alegrias. \u201cMinha m\u00e3e come\u00e7ou a pescar depois que se aposentou, quando foi morar na comunidade ribeirinha, onde viveu. Ela pescava h\u00e1 mais de 30 anos\u201d, recorda. <\/p>\n\n\n\n<p>A rotina era puxada, mas nunca desanimava Dona Tereza. \u201cEla acordava \u00e0s 5h da manh\u00e3, olhava a mar\u00e9 e empurrava sozinha a bateira para o mar. Ficava at\u00e9 depois do meio-dia pescando baiacu com duas ou tr\u00eas varas. Comprava camar\u00e3o para isca e voltava com o barco carregado\u201d, conta Marisl\u00e9ia. \u201cEu nunca obriguei a minha m\u00e3e a vir morar em Joinville, porque sabia que ela era muito ativa. Aquilo era a sa\u00fade e a alegria dela\u201d, lembra Marisl\u00e9ia.<\/p>\n\n\n\n<p>Determinada, n\u00e3o se intimidava nem diante das adversidades. \u201cEla ia pegar caranguejo sozinha, atravessava rio, subia em p\u00e9 de goiaba no mangue com 83 anos. N\u00e3o tinha dia ruim para ela. A alegria dela era pescar\u201d, diz a filha, lembrando da coragem, energia e teimosia que a definiam. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a idade avan\u00e7ada, a pescadora se manteve ativa e independente. \u201cEla ainda pegava a bateira dela, remava, vendia o peixe. No fim, um vizinho passou a acompanh\u00e1-la, mas parar de pescar nunca foi uma op\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A fama era mais do que merecida, conquistando ao longo dos anos uma clientela fiel, formada por moradores e comerciantes que confiavam plenamente na qualidade do seu trabalho. \u201cEra o melhor baiacu da Ribeira. Todo mundo comprava com ela porque sabiam que era bem limpo, sem erro\u201d, afirma Sidnei Marcos Santana, cliente de longa data. \u201cO peixe era sempre fresco, rec\u00e9m pescado. E limpar baiacu n\u00e3o \u00e9 para qualquer um, exige t\u00e9cnica e cuidado. Ela fazia isso como ningu\u00e9m\u201d, completa.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de pescar para moradores, Dona Tereza tamb\u00e9m fornecia regularmente para clientes em Joinville, incluindo grandes restaurantes. \u201cEla vendia o baiacu para o pessoal daqui, para restaurantes ali no Espinheiro. Ela mesma limpava e entregava o peixe j\u00e1 pronto para ser preparado\u201d, relembra Marisl\u00e9ia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-16-at-21.35.49-e1758136831360.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17127\" style=\"width:545px;height:679px\" width=\"545\" height=\"679\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-16-at-21.35.49-e1758136831360.jpeg 721w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-16-at-21.35.49-e1758136831360-241x300.jpeg 241w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Marisl\u00e9ia Castilho<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong><em>As mulheres na pesca artesanal<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria de Dona Tereza se entrela\u00e7a com a de tantas outras mulheres que sustentam a pesca artesanal em Santa Catarina, um setor onde a presen\u00e7a feminina cresce e rompe barreiras hist\u00f3ricas. <\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o Brasil, as mulheres j\u00e1 representam quase metade das pessoas que vivem da pesca. Segundo dados do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura, divulgados em mar\u00e7o de 2025, elas correspondem a 49,56% do total de profissionais que atuam diretamente com atividades ligadas \u00e0s \u00e1guas. S\u00e3o 781.596 pescadoras artesanais registradas, al\u00e9m de cerca de 30 mil mulheres envolvidas com a pesca amadora e esportiva. <\/p>\n\n\n\n<p>No litoral norte catarinense, a relev\u00e2ncia dessa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 comprovada tamb\u00e9m pelos n\u00fameros. Somente Joinville e S\u00e3o Francisco do Sul produziram juntas 1.460 toneladas de pescado em 2024, conforme levantamento do Observat\u00f3rio Agro Catarinense. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do impacto econ\u00f4mico, a pesca artesanal \u00e9 parte da identidade cultural da regi\u00e3o, mantendo viva a liga\u00e7\u00e3o entre as comunidades e os recursos que o mar oferece.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>Essas mulheres, muitas vezes invisibilizadas no imagin\u00e1rio coletivo, ocupam pap\u00e9is de extrema import\u00e2ncia no setor pesqueiro. Elas est\u00e3o presentes em todas as etapas da cadeia produtiva: desde a captura, passando pela limpeza, conserva\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do pescado.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Em Santa Catarina, a Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina (Epagri), com apoio do governo estadual, tem se destacado nesse esfor\u00e7o atrav\u00e9s do projeto Mulheres em <br>A\u00e7\u00e3o Flor-E-Ser. Desde 2019, mais de 600 mulheres, entre agricultoras e pescadoras, foram capacitadas em \u00e1reas como gest\u00e3o, lideran\u00e7a, organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e t\u00e9cnicas produtivas. O projeto promove n\u00e3o apenas a autonomia financeira, mas tamb\u00e9m o empoderamento social dessas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla sempre foi alegre e n\u00e3o dependia dos outros. A felicidade dela era pescar. E eu deixei ela aproveitar at\u00e9 o \u00faltimo dia\u201d, resume a filha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pescadora artesanal, Tereza Guetzsinger Castilho abasteceu a clientela de Joinville com peixe fresco at\u00e9 os 83 anos Por Yasmin Rech Em Santa Catarina, a pesca artesanal \u00e9 respons\u00e1vel pelo sustento de aproximadamente 25 mil fam\u00edlias e mant\u00e9m vivas mais de 330 comunidades pesqueiras espalhadas pelo litoral, segundo a Secretaria de Agricultura e Pecu\u00e1ria. 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