{"id":17283,"date":"2025-10-07T15:17:31","date_gmt":"2025-10-07T18:17:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17283"},"modified":"2025-10-07T15:39:49","modified_gmt":"2025-10-07T18:39:49","slug":"ser-quem-sou-e-resistencia-trajetoria-de-larissa-stephanie-a-candidata-mais-jovema-disputar-em-santa-catarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/10\/07\/ser-quem-sou-e-resistencia-trajetoria-de-larissa-stephanie-a-candidata-mais-jovema-disputar-em-santa-catarina\/","title":{"rendered":"\u201cSer quem sou \u00e9 resist\u00eancia\u201d: trajet\u00f3ria de Larissa Stephanie, a candidata mais jovem a disputar em Santa Catarina"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Giulia Kojikovski e Bianca Costa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estalo veio cedo. No ensino fundamental, Larissa assistiu, perplexa, \u00e0 cobertura de um feminic\u00eddio brutal em Joinville. A v\u00edtima, jovem como ela, foi esquartejada ap\u00f3s sair para uma festa. O que mais a marcou foi a rea\u00e7\u00e3o social. \u201cDiziam que ela merecia, por beber, por usar certa roupa. Eu pensei: ent\u00e3o eu tamb\u00e9m mere\u00e7o morrer, s\u00f3 por querer viver minha vida?\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-03-at-10.02.41-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17285\" style=\"width:450px;height:300px\" width=\"450\" height=\"300\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Larissa Stephanie durante discurso em um de seus movimentos, arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Foi nesse inc\u00f4modo que Larissa encontrou a pol\u00edtica. Passou a seguir p\u00e1ginas feministas no Facebook e logo se engajou em atos p\u00fablicos. Trabalhava o dia inteiro, estudava \u00e0 noite, mas arrumava tempo para protestar. \u201cUm dia vi uma manifesta\u00e7\u00e3o do Passe Livre passando em frente \u00e0 loja onde eu trabalhava. Sa\u00ed correndo, entrei no ato de uniforme. Quando voltei, minhas colegas estavam de cara fechada. Ali senti que ser de esquerda vinha com um pre\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pre\u00e7o aumentou em 2022, quando disputou a elei\u00e7\u00e3o para deputada estadual, sendo a candidata mais jovem daquele ano. \u201cAs mulheres jovens enfrentam dupla deslegitima\u00e7\u00e3o: por serem mulheres e por serem consideradas inexperientes. Durante a campanha, os ataques eram di\u00e1rios. Recebi convites sexuais em troca de votos, fotos de homens desnudos e at\u00e9 amea\u00e7as f\u00edsicas. A gente j\u00e1 sabe que n\u00e3o ser\u00e1 bem-recebida nesses espa\u00e7os, mas quando a viol\u00eancia \u00e9 t\u00e3o direta, o impacto emocional \u00e9 forte&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-03-at-10.02.41-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17286\" style=\"width:350px;height:467px\" width=\"350\" height=\"467\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luiza (\u00e0 esquerda) e Larissa (\u00e0 direita) posando juntas, arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Apesar das dores, Larissa segue inspirada por nomes como Manuela D\u2019\u00c1vila, Erika Hilton e por mulheres de sua fam\u00edlia. \u201cMinha av\u00f3 e minha m\u00e3e me ensinaram o que \u00e9 resist\u00eancia.\u201d A amiga de inf\u00e2ncia, Luiza Bonessi Borgmann, 24 anos, confirma: \u201cNa escola, ela j\u00e1 defendia os outros, sempre participativa. Quando virou candidata, vi de perto o quanto se entrega. \u00c9 uma pot\u00eancia pol\u00edtica real\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Larissa, a pol\u00edtica n\u00e3o se resume a elei\u00e7\u00f5es. \u201cSe organize, participe do coletivo, da associa\u00e7\u00e3o de bairro, do partido. Querem que a gente acredite que pol\u00edtica n\u00e3o vale a pena. Mas \u00e9 assim que tudo continua do jeito que est\u00e1, beneficiando poucos. A pol\u00edtica salvou minha vida e pode salvar a de muita gente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua rede de apoio \u00e9 fundamental. A m\u00e3e, Lucimar Nunes da Silva, diz que o in\u00edcio na pol\u00edtica foi um susto, mas n\u00e3o uma surpresa. \u201cEla sempre foi determinada, \u00e9 uma guerreira\u201d. O namorado, Rodrigo Lucas Pereira, acompanha de perto. \u201cEla \u00e9 uma mulher foda. Amar, lutar, se doar, tudo nela \u00e9 intenso. Claro que d\u00f3i ver os ataques, mas eu dou o suporte que posso\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-03-at-10.02.42.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17287\" style=\"width:358px;height:478px\" width=\"358\" height=\"478\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-03-at-10.02.42.jpeg 1200w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-03-at-10.02.42-1152x1536.jpeg 1152w\" sizes=\"(max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Larissa com sua m\u00e3e e av\u00f3, arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Larissa segue com os p\u00e9s na rua e o cora\u00e7\u00e3o no futuro. Sua trajet\u00f3ria come\u00e7ou nos corredores da escola e nas manifesta\u00e7\u00f5es de mochila e uniforme, mas hoje ecoa em espa\u00e7os maiores. \u201cA pol\u00edtica n\u00e3o foi feita para mim, disseram. Mas decidi ocupar esse lugar mesmo assim. Porque ser quem sou j\u00e1 \u00e9 resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Giulia Kojikovski e Bianca Costa O estalo veio cedo. No ensino fundamental, Larissa assistiu, perplexa, \u00e0 cobertura de um feminic\u00eddio brutal em Joinville. A v\u00edtima, jovem como ela, foi esquartejada ap\u00f3s sair para uma festa. O que mais a marcou foi a rea\u00e7\u00e3o social. \u201cDiziam que ela merecia, por beber, por usar certa roupa. 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