{"id":17358,"date":"2025-10-15T16:37:33","date_gmt":"2025-10-15T19:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17358"},"modified":"2025-10-15T16:38:05","modified_gmt":"2025-10-15T19:38:05","slug":"baque-mulher-celebra-10-anos-de-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/10\/15\/baque-mulher-celebra-10-anos-de-resistencia\/","title":{"rendered":"Baque Mulher celebra 10 anos de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Coletivo de maracatu une ancestralidade, empoderamento feminino e arte em uma d\u00e9cada de atua\u00e7\u00e3o na cidade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Mahyara Luiza<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os tambores do maracatu ecoaram fortemente no m\u00eas de setembro no K\u00eania Clube, em Joinville. O motivo: a celebra\u00e7\u00e3o dos 10 anos do Baque Mulher Joinville, coletivo que, al\u00e9m de difundir a cultura afro-brasileira, tornou-se uma importante rede de apoio e fortalecimento feminino na cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Criado em Recife e espalhado por diferentes estados brasileiros, o Baque Mulher nasceu como um movimento de mulheres que encontram no maracatu n\u00e3o apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mas tamb\u00e9m uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social. Em Joinville, o grupo se consolidou como uma rede de apoio e acolhimento, reunindo mulheres de diferentes idades, cores e trajet\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os tambores e o cortejo simb\u00f3lico, o coletivo mostra que \u00e9 poss\u00edvel fazer pol\u00edtica, cultura e resist\u00eancia por meio da arte. O maracatu de baque virado, principal linguagem do Baque Mulher, tem ra\u00edzes profundas na hist\u00f3ria do Brasil. Essa manifesta\u00e7\u00e3o surgiu ligada \u00e0s antigas coroa\u00e7\u00f5es de reis e rainhas do Congo, realizadas por pessoas negras escravizadas e seus descendentes em Pernambuco. O cortejo, acompanhado por um conjunto percussivo, simboliza poder, dignidade e resist\u00eancia. Hoje, mesmo diante de mudan\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es, o maracatu segue como um instrumento de preserva\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira e de den\u00fancia contra o racismo estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>A festa aconteceu na tarde do dia 13 de setembro e teve clima popular, com distribui\u00e7\u00e3o de pipoca e algod\u00e3o-doce, contando tamb\u00e9m com comidas t\u00edpicas como o acaraj\u00e9, al\u00e9m de uma programa\u00e7\u00e3o que misturou ritmos e tradi\u00e7\u00f5es de diversos estados e regi\u00f5es do pa\u00eds. A bateria da escola de samba Pr\u00edncipes do Samba abriu o evento, seguida pelo forr\u00f3 de Dona Chica, pelo maracatu das batuqueiras do Baque Mulher, e outras atra\u00e7\u00f5es. Durante toda a solenidade, uma int\u00e9rprete de Libras esteve presente para acompanhar as falas e apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A cerim\u00f4nia de abertura tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o da presidenta da Pr\u00edncipes do Samba, Ana Paula, que fez quest\u00e3o de parabenizar e saudaro coletivo. \u201cO Baque Mulher e a escola de samba representam a inten\u00e7\u00e3o de manter viva uma tradi\u00e7\u00e3o, uma resist\u00eancia e a ancestralidade. Estar aqui, celebrando esses 10 anos, refor\u00e7a que o feminismo transforma a sociedade. Estou muito feliz de abrir este evento e de ver que a nossa escola faz parte desse legado\u201d, declarou ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro momento de destaque foi a presen\u00e7a de Mestra Joana Cavalcante, Patrim\u00f4nio Vivo de Pernambuco e primeira mulher a liderar uma na\u00e7\u00e3o de maracatu. Sua participa\u00e7\u00e3o simboliza a liga\u00e7\u00e3o entre as ra\u00edzes pernambucanas do movimento e a atua\u00e7\u00e3o do Baque Mulher em Joinville.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Desafios e resist\u00eancia em Joinville<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria do Baque Mulher em Joinville n\u00e3o foi constru\u00edda sem desafios. Para Sara Silva, que participa do coletivo desde o in\u00edcio, a entrada no grupo aconteceu em um momento de transforma\u00e7\u00e3o pessoal. \u201cEu j\u00e1 acompanhava o grupo misto de maracatu, mas nunca tinha tocado. Em 2015, eu tive uma beb\u00ea e minha vida mudou de cabe\u00e7a pra baixo. Vi no Baque Mulher a oportunidade de construir um mundo melhor para ela, e encontrei novos sentidos para a minha vida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, o coletivo atravessou diferentes fases, marcado pela chegada e partida de integrantes. Para Sara, os encontros com batuqueiras e batuqueiros de Recife, considerados os fundadores dessa tradi\u00e7\u00e3o, e a presen\u00e7a constante da mestra Joana foram alguns dos momentos mais marcantes dessa trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Clarice Acordi, uma das organizadoras da celebra\u00e7\u00e3o, destaca a import\u00e2ncia do projeto Baque Mulher Joinville: 10 anos de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p> \u201cO projeto de dez anos foi constru\u00eddo coletivamente, e busca fortalecer nossa presen\u00e7a nas periferias e ampliar o acesso de mulheres a espa\u00e7os de express\u00e3o e resist\u00eancia&#8221;<\/p><cite>Clarice Acordi.<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas mesmo com conquistas importantes, manter o maracatu ativo em Joinville exige persist\u00eancia. De acordo com Sara, o coletivo enfrenta dificuldades por ser um movimento feminista e ligado ao candombl\u00e9, e destaca que al\u00e9m do machismo, a intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 um grande incomodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das barreiras, o Baque Mulher consolidou-se como espa\u00e7o de acolhimento, luta e cultura. \u201cA minha vida mudou completamente. Aqui a gente tem entrega, \u00e9 algo espiritual tamb\u00e9m, porque voc\u00ea v\u00ea sentido em coisas que n\u00e3o via antes. Eu aprendi sobre coletividade, solidariedade e ganhei a esperan\u00e7a de que podemos construir um mundo melhor de m\u00e3os dadas\u201d acrescentou Sara.<\/p>\n\n\n\n<p>Dez anos ap\u00f3s sua chegada a Joinville, o Baque Mulher segue presente nas ruas com tambores que carregam mem\u00f3ria, identidade e luta. Para suas integrantes, cada ensaio e cada apresenta\u00e7\u00e3o reafirmam que manter essa tradi\u00e7\u00e3o viva tamb\u00e9m \u00e9 um ato pol\u00edtico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coletivo de maracatu une ancestralidade, empoderamento feminino e arte em uma d\u00e9cada de atua\u00e7\u00e3o na cidade Por Mahyara Luiza Os tambores do maracatu ecoaram fortemente no m\u00eas de setembro no K\u00eania Clube, em Joinville. 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