{"id":17368,"date":"2025-10-16T15:40:31","date_gmt":"2025-10-16T18:40:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17368"},"modified":"2025-10-16T15:40:33","modified_gmt":"2025-10-16T18:40:33","slug":"manifestacoes-politicas-ganham-espaco-em-shows-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/10\/16\/manifestacoes-politicas-ganham-espaco-em-shows-no-brasil\/","title":{"rendered":"Manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ganham espa\u00e7o em shows no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Bandas de rock t\u00eam transformado seus palcos em espa\u00e7os de manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante apresenta\u00e7\u00f5es no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Jo\u00e3o Guilherme<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, grupos como Dead Fish e CPM 22 levaram mensagens de contesta\u00e7\u00e3o a grandes festivais, refor\u00e7ando a presen\u00e7a da milit\u00e2ncia e da consci\u00eancia social no ambiente musical.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o festival The Town, em setembro de 2025, o p\u00fablico que acompanhava o show da banda CPM 22 entoou gritos de \u201csem anistia\u201d. Badau\u00ed, vocalista do grupo, respondeu: \u201cA voz do povo tem poder, n\u00e3o \u00e9 verdade?\u201d. A declara\u00e7\u00e3o fez refer\u00eancia ao debate sobre a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos envolvidos nos atos antidemocr\u00e1ticos de 8 de janeiro, em Bras\u00edlia, e foi recebida com aplausos pelas milhares de pessoas presentes no aut\u00f3dromo de Interlagos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro epis\u00f3dio, em agosto deste ano, no festival I Wanna Be, em Curitiba, a banda de hardcore Dead Fish levou ao palco bandeiras em apoio \u00e0 Palestina. O gesto chamou aten\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 escalada do conflito no Oriente M\u00e9dio. Para o analista de tr\u00e1fego pago Vitor Nat\u00e3 Gil, 33, presente ao show, a manifesta\u00e7\u00e3o foi bem recebida pelo p\u00fablico: \u201cGalera vibrou junto em apoio o tempo todo, n\u00e3o s\u00f3 pr\u00f3-Palestina, mas em outras causas. O p\u00fablico do Dead Fish \u00e9 politizado, assim como a banda, faz parte do show\u201d. Nas redes sociais o posicionamento gerou rea\u00e7\u00f5es divididas e discuss\u00f5es acaloradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas manifesta\u00e7\u00f5es refletem tanto o contexto pol\u00edtico global quanto as tens\u00f5es internas da sociedade brasileira. Enquanto o apoio \u00e0 Palestina insere a cena musical em um debate de geopol\u00edtica internacional, o grito por \u201csem anistia\u201d retoma quest\u00f5es nacionais ligadas \u00e0 mem\u00f3ria da ditadura e \u00e0 crise democr\u00e1tica recente. Em ambos os casos, a m\u00fasica funciona como canal de express\u00e3o coletiva, traduzindo em gestos art\u00edsticos quest\u00f5es de alta complexidade e refor\u00e7ando a pot\u00eancia simb\u00f3lica da cultura como instrumento pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-16-at-15.29.36.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17369\" style=\"width:332px;height:590px\" width=\"332\" height=\"590\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-16-at-15.29.36.jpeg 899w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/WhatsApp-Image-2025-10-16-at-15.29.36-864x1536.jpeg 864w\" sizes=\"(max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rodrigo Lima (Dead Fish) com a bandeira da Palestina<br>Foto por: Vitor Nat\u00e3 Gil<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. Parte dos f\u00e3s veem nesses atos uma forma leg\u00edtima de cidadania e engajamento. Para eles, o palco \u00e9 um espa\u00e7o ampliado de fala e visibilidade. Mas outros criticam o uso do espet\u00e1culo para discursos pol\u00edticos, defendendo que shows devem ser momentos de lazer, e n\u00e3o de milit\u00e2ncia. H\u00e1 quem diga que a politiza\u00e7\u00e3o excessiva pode afastar admiradores, como afirma Gabriel Weis, 28, coordenador de Marketing.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um novo impasse: ao longo da hist\u00f3ria, artistas enfrentaram resist\u00eancia ao se posicionar politicamente, mas tamb\u00e9m conquistaram reconhecimento por se alinhar a causas sociais e humanit\u00e1rias. A m\u00fasica, nesse sentido, sempre transitou entre o entretenimento e a interven\u00e7\u00e3o, ocupando lugar importante na forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e no debate social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00fasica e pol\u00edtica: conex\u00f5es no palco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seja projetando palavras de ordem em megafestivais ou empunhando bandeiras em turn\u00eas menores, as bandas brasileiras mostram que a m\u00fasica segue sendo ve\u00edculo de express\u00e3o pol\u00edtica. Entre aplausos, vaias, curtidas e cr\u00edticas, cada gesto reafirma a for\u00e7a simb\u00f3lica do palco, e a ideia de que arte e pol\u00edtica seguem entrela\u00e7adas na vida p\u00fablica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e pol\u00edtica no Brasil \u00e9 antiga e atravessa diferentes gera\u00e7\u00f5es de artistas. Durante a ditadura militar, nomes como Geraldo Vandr\u00e9 e Chico Buarque se tornaram \u00edcones da resist\u00eancia ao regime, transformando can\u00e7\u00f5es em formas de den\u00fancia, coragem e esperan\u00e7a coletiva. Nos anos 1980 e 1990, o punk e o hardcore deram voz \u00e0 juventude diante das desigualdades e instabilidades pol\u00edticas, inspirando novas formas de engajamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, em meio \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o e \u00e0 for\u00e7a das redes sociais, os gestos pol\u00edticos nos palcos ganham novas dimens\u00f5es e repercuss\u00e3o imediata. Uma frase ou bandeira erguidas diante do p\u00fablico rapidamente se espalham por v\u00eddeos e postagens, alcan\u00e7ando o debate nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tradi\u00e7\u00e3o mostra que a m\u00fasica, al\u00e9m de entretenimento, ocupa papel simb\u00f3lico, cultural e social relevante. O palco, nesse contexto, continua sendo espa\u00e7o de resist\u00eancia e interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre palco e consci\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cantor e compositor Jesus Lumma defende que a arte vai muito al\u00e9m do simples entretenimento, \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de pensar, agir e provocar transforma\u00e7\u00f5es sociais profundas. Para ele, artistas conscientes do impacto de suas vozes t\u00eam o dever de se posicionar diante das injusti\u00e7as e n\u00e3o podem se omitir por medo de perder espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cMinha arte n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o do mercado, mas do povo brasileiro\u201d, afirma o artista.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Destacando que quem se cala ser\u00e1 lembrado pela hist\u00f3ria, pelo sil\u00eancio que escolheu e pela aus\u00eancia de coragem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bandas de rock t\u00eam transformado seus palcos em espa\u00e7os de manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante apresenta\u00e7\u00f5es no Brasil Por Jo\u00e3o Guilherme Nos \u00faltimos meses, grupos como Dead Fish e CPM 22 levaram mensagens de contesta\u00e7\u00e3o a grandes festivais, refor\u00e7ando a presen\u00e7a da milit\u00e2ncia e da consci\u00eancia social no ambiente musical. 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