{"id":17387,"date":"2025-10-21T16:51:22","date_gmt":"2025-10-21T19:51:22","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17387"},"modified":"2025-10-21T16:51:24","modified_gmt":"2025-10-21T19:51:24","slug":"depressao-pos-parto-desafia-maes-e-expoe-falhas-no-cuidado-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/10\/21\/depressao-pos-parto-desafia-maes-e-expoe-falhas-no-cuidado-publico\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o p\u00f3s-parto desafia m\u00e3es e exp\u00f5e falhas no cuidado p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Enquanto pol\u00edticas ignoram a sa\u00fade mental materna, iniciativas comunit\u00e1rias oferecem amparo real \u00e0s m\u00e3es<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por J\u00falia Gava<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de um filho, embora marcada por expectativas de alegria, pode trazer desafios psicol\u00f3gicos e emocionais para a m\u00e3e. No Brasil, 20% a 25% das mulheres tendem a desenvolver <strong>depress\u00e3o p\u00f3s-parto<\/strong>, segundo a<strong> Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz)<\/strong>. A condi\u00e7\u00e3o, que vai al\u00e9m da \u201ctristeza passageira\u201d, afeta profundamente o bem-estar dessas mulheres. Apesar da dimens\u00e3o do problema, a <strong>sa\u00fade mental materna<\/strong> segue fora da lista de prioridades em Joinville, aponta o obstetra <strong>Jo\u00e3o Schaefer<\/strong>. Nesse vazio, surgem iniciativas como o <strong>Mamateia<\/strong>, em <strong>Joinville<\/strong>. Uma comunidade criada por m\u00e3es, com grupos que entendem que a vida materna tem seus desafios e conquistas e, acima de tudo, mostra que ningu\u00e9m precisa enfrentar o percurso sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga perinatal, <strong>Tatiana Perin<\/strong>, espa\u00e7os como o Mamateia cumprem hoje um papel que deveria ser sustentado por <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong>. \u201cAli as m\u00e3es descobrem que n\u00e3o est\u00e3o isoladas. O cuidado entre pares \u00e9 transformador, porque rompe o sil\u00eancio e ajuda a buscar ajuda especializada\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>psic\u00f3loga<\/strong> explica que, nos primeiros dias, \u00e9 comum que a mulher viva o chamado <strong>baby blues<\/strong>, um quadro tempor\u00e1rio de instabilidade emocional. \u201c\u00c9 caracterizado por choro f\u00e1cil, irritabilidade, ansiedade e inseguran\u00e7a, geralmente desaparecendo em at\u00e9 duas semanas. \u00c9 intenso, mas passageiro\u201d, esclarece. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a depress\u00e3o p\u00f3s-parto apresenta sintomas mais profundos e duradouros, como tristeza persistente, culpa, vazio e dificuldade em estabelecer v\u00ednculo com o beb\u00ea. \u201cA m\u00e3e feliz o tempo todo \u00e9 um mito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Mulheres enfrentam press\u00e3o do puerp\u00e9rio<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A empres\u00e1ria <strong>Gabriella Palma<\/strong>, 30, viveu o turbilh\u00e3o das primeiras semanas p\u00f3s-parto. \u201cNada me preparou para o <strong>puerp\u00e9rio<\/strong>. Nos primeiros 15 dias chorei sem motivo, senti medo, inseguran\u00e7a. Cheguei a pensar: \u2018o que eu fiz com a minha vida?\u2019 O amor foi sendo constru\u00eddo aos poucos\u201d, conta. <\/p>\n\n\n\n<p>Gabriella teve apoio da fam\u00edlia e de seu obstetra, fundamentais para que n\u00e3o se sentisse desamparada. Hoje, um m\u00eas ap\u00f3s o parto, deixa um recado: \u201cEssa melancolia inicial passa. Mas, se n\u00e3o passar, procure ajuda. E quem est\u00e1 por perto precisa ficar atento. Nos primeiros dias, o foco \u00e9 sobreviver&#8221;. A professora <strong>Jociane Antunes<\/strong>, 44, teve seu segundo filho h\u00e1 17 anos e relembra sua experi\u00eancia. \u201cNa \u00e9poca, senti que estava isolada. Os postos de sa\u00fade davam orienta\u00e7\u00f5es gerais, mas ningu\u00e9m olhou para o meu estado emocional. Hoje vejo que pouco mudou, ainda faltam pol\u00edticas de acompanhamento psicol\u00f3gico real para as m\u00e3es\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Jo\u00e3o Schaefer<\/strong> avalia a rede de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade em Joinville. Apesar de haver hospitais com acolhimento especializado e grupos de apoio, como psic\u00f3logos e ambulat\u00f3rios de alto risco, ele alerta que o volume de casos de depress\u00e3o p\u00f3s-parto supera a capacidade do sistema. \u201cMuitas mulheres n\u00e3o t\u00eam acompanhamento adequado e a sa\u00fade mental<strong> <\/strong>materna n\u00e3o recebe prioridade equivalente ao <strong>pr\u00e9-natal f\u00edsico<\/strong>. Avan\u00e7amos no pr\u00e9-natal, mas precisamos ampliar protocolos, acesso a psic\u00f3logos e psiquiatras. N\u00e3o podemos deixar essas mulheres isoladas\u201d, avalia. A maternidade ainda carece de acolhimento real. Entre sil\u00eancios e idealiza\u00e7\u00f5es, muitas mulheres vivem o puerp\u00e9rio. Falar sobre esse per\u00edodo \u00e9 reconhecer a mulher al\u00e9m do papel de m\u00e3e. \u201cMudar o mundo come\u00e7a por mudar a forma como acolhemos a mulher na gesta\u00e7\u00e3o e no p\u00f3s-parto\u201d, afirma Schaefer.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Foto-de-Thiago-Santos-4-scaled-e1761075666837-1006x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17390\" style=\"width:514px;height:523px\" width=\"514\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Foto-de-Thiago-Santos-4-scaled-e1761075666837-1006x1024.jpg 1006w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Foto-de-Thiago-Santos-4-scaled-e1761075666837-1509x1536.jpg 1509w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Foto-de-Thiago-Santos-4-scaled-e1761075666837-295x300.jpg 295w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Foto-de-Thiago-Santos-4-scaled-e1761075666837-768x782.jpg 768w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Foto-de-Thiago-Santos-4-scaled-e1761075666837.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gabriella Palma e Doutor Jo\u00e3o | Cr\u00e9ditos: J\u00falia Gava<\/figcaption><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto pol\u00edticas ignoram a sa\u00fade mental materna, iniciativas comunit\u00e1rias oferecem amparo real \u00e0s m\u00e3es Por J\u00falia Gava A chegada de um filho, embora marcada por expectativas de alegria, pode trazer desafios psicol\u00f3gicos e emocionais para a m\u00e3e. 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