{"id":17489,"date":"2025-11-03T17:26:08","date_gmt":"2025-11-03T20:26:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17489"},"modified":"2025-11-03T17:26:10","modified_gmt":"2025-11-03T20:26:10","slug":"o-caminho-que-a-cidade-nao-ve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/11\/03\/o-caminho-que-a-cidade-nao-ve\/","title":{"rendered":"O caminho que a cidade n\u00e3o v\u00ea\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Desafios de acesso \u00e0s feiras locais para os Guaranis Mbya<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Ana Fid\u00eancio e Caroline Kolling<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 principalmente nas manh\u00e3s dos fins de semana que as feiras de artesanato tomam as ruas do centro da cidade de Joinville. O que antes era um cen\u00e1rio comum como uma rua tomada por palmeiras ou a entrada para o ponto mais alto da cidade, transforma-se em um mosaico de cores e formas entre os passos apressados dos moradores e visitantes que comp\u00f5em um retrato da cidade em movimento. No entanto, em meio a uma diversidade de produtos e rostos, um grupo costuma estar ausente: os ind\u00edgenas Guarani Mbya.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o dez Aldeias Ind\u00edgenas Guarani em torno de Joinville e Araquari, segundo o site da arquidiocese de Joinville, localizadas em \u00e1reas distantes dos centros onde acontecem as feiras. O deslocamento, depende do transporte p\u00fablico irregular ou de caronas solid\u00e1rias. \u201cEstou precisando muito ir \u00e0 cidade vender artesanato, mas estou sem dinheiro pra ir, os alimentos j\u00e1 est\u00e3o acabando&#8230; Para n\u00f3s \u00e9 bem dif\u00edcil, se vou de \u00f4nibus pago onze reais para ir e mais onze para voltar, porque a passagem subiu, est\u00e1 cara. Se n\u00e3o, pago cento e cinquenta reais de carro, ida e volta\u201d. Conta Kretxu (Joana Maria de Oliveira), artes\u00e3 e agente de comunica\u00e7\u00e3o da aldeia Jabuticabeira em Araquari.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3638ffc9-5619-4742-90d9-658127bce423.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17491\" style=\"width:616px;height:462px\" width=\"616\" height=\"462\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trabalho da artes\u00e3 Kretxu <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>As artes\u00e3s enfrentam dificuldades para participar das feiras, mesmo quando conseguem chegar at\u00e9 elas, pois muitos desses eventos n\u00e3o permitem a presen\u00e7a de crian\u00e7as. Essa restri\u00e7\u00e3o acaba impedindo que as m\u00e3es participem plenamente das atividades. De acordo com Kerexu (Patr\u00edcia), algumas m\u00e3es deixam de comparecer por serem impedidas de levar seus filhos. A artes\u00e3 da aldeia Tarum\u00e3 Mirim acrescenta que, embora em alguns casos as crian\u00e7as fiquem com o pai ou com tias, isso \u00e9 pouco comum, porque, na cultura ind\u00edgena n\u00e3o \u00e9 habitual deixar os filhos sob os cuidados de outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Entre fronteiras culturais e desafios locais<\/em>\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A arte ind\u00edgena, apesar de carregar s\u00edmbolos sagrados e m\u00faltiplos significados culturais, n\u00e3o \u00e9 valorizada fora das comunidades. Esse descompasso entre esfor\u00e7o e reconhecimento se reflete nos pre\u00e7os, que s\u00e3o considerados altos por quem desconhece o trabalho envolvido. \u201cAcham que \u00e9 muito caro, mas artesanato ind\u00edgena \u00e9 feito \u00e0 m\u00e3o e leva dias para terminar algumas pe\u00e7as. N\u00f3s n\u00e3o usamos m\u00e1quinas, mas isso n\u00e3o \u00e9 valorizado l\u00e1 fora\u201d, comenta Kerexu. \u201cTodos os artesanatos feitos por n\u00f3s, \u00e9 tudo sagrado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a coordenadora da Pastoral Indigenista, Helena Spricigo, apesar da Constitui\u00e7\u00e3o Federal garantir o respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social, aos costumes e \u00e0 cultura, esse direito, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 aplicado. \u201cA luta por direitos \u00e9 como andar sobre um precip\u00edcio, onde cada avan\u00e7o \u00e9 fr\u00e1gil e constantemente amea\u00e7ado\u201d, compara Helena. Al\u00e9m disso, a coordenadora refor\u00e7a que o preconceito n\u00e3o se limita a olhares desconfiados, mas se manifesta institucionalmente e estruturalmente, dificultando o reconhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o das culturas ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o site oficial da prefeitura de Joinville, at\u00e9 o m\u00eas de setembro j\u00e1 ocorreram mais 130 feiras, contabilizando somente aquelas organizadas exclusivamente pela SIOP (Servi\u00e7o de Incentivo \u00e0s Organiza\u00e7\u00f5es Produtivas). Esses eventos permitem que as artes\u00e3s ind\u00edgenas comercializem seus produtos sem custos, mas se tornam um gasto porque o caminho at\u00e9 a cidade exige longas viagens e refei\u00e7\u00f5es pagas.<br>Um total de 169 fam\u00edlias do povo ind\u00edgena Guarani Mbya distribui-se entre Araquari, Balne\u00e1rio Barra do Sul, S\u00e3o Francisco do Sul, al\u00e9m de seis fam\u00edlias da etnia Deni, que residem em Joinville.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desafios de acesso \u00e0s feiras locais para os Guaranis Mbya Por Ana Fid\u00eancio e Caroline Kolling \u00c9 principalmente nas manh\u00e3s dos fins de semana que as feiras de artesanato tomam as ruas do centro da cidade de Joinville. 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