{"id":17630,"date":"2025-11-21T16:16:08","date_gmt":"2025-11-21T19:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17630"},"modified":"2025-11-21T16:16:10","modified_gmt":"2025-11-21T19:16:10","slug":"novo-incinerador-de-residuos-reacende-debate-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/11\/21\/novo-incinerador-de-residuos-reacende-debate-ambiental\/","title":{"rendered":"Novo incinerador de res\u00edduos reacende debate ambiental"},"content":{"rendered":"\n<p>Unidade de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (URE) levanta questionamentos sobre emiss\u00f5es poluentes em Joinville<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Danielly Vieira<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No final de setembro, Joinville inaugurou a Unidade de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (URE), uma parceria entre a Prefeitura e a Secretaria de Meio Ambiente. A usina \u00e9 a primeira da Am\u00e9rica Latina a transformar res\u00edduos s\u00f3lidos em energia renov\u00e1vel. O investimento foi de R$127 milh\u00f5es, e a estrutura tem capacidade para incinerar at\u00e9 110 toneladas de materiais por dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto come\u00e7ou a ser visto em dezembro de 2023, quando a C\u00e2mara de Vereadores de Joinville (CVJ) promoveu uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre a instala\u00e7\u00e3o da usina na cidade. No primeiro momento, o investimento previsto era de R$115 milh\u00f5es, com prazo de seis anos para constru\u00e7\u00e3o da unidade. Mas em apenas tr\u00eas anos, a usina iniciou a sua opera\u00e7\u00e3o em Joinville.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a audi\u00eancia, a doutora em Qu\u00edmica S\u00f4nia Corina Hess alertou para os riscos ambientais. Segundo ela, a unidade produzir\u00e1 44 toneladas de combust\u00edvel para queima. \u201cVai haver, sim, grande emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de cinzas perigosas\u201d, afirmou S\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destacou ainda que o Decreto n\u00ba 10.936\/2022 n\u00e3o prioriza a redu\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem, os chamados 3Rs, antes da incinera\u00e7\u00e3o, o que contraria as diretrizes de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, Joinville conta com apenas nove empreendimentos de reciclagem em parceria com a Ambiental. Entre eles est\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Catadores e Recicladores de Joinville (Assecrejo), onde trabalha Silvaneide Jesus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConsegui pagar a reabilita\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do meu filho trabalhando aqui. J\u00e1 fazem tr\u00eas meses que ele saiu e, gra\u00e7as a Deus, est\u00e1 empregado\u201d, contou Silvaneide Jesus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para que os res\u00edduos sejam reciclados, \u00e9 necess\u00e1rio que estejam limpos, sem contamina\u00e7\u00e3o por gordura, restos de alimentos ou mat\u00e9ria org\u00e2nica. De acordo com Cristiane Gon\u00e7alves, respons\u00e1vel pelo apoio t\u00e9cnico da associa\u00e7\u00e3o. Pap\u00e9is laminados, roupas, comida, o que chega sujo n\u00e3o pode passar pela triagem e segue para o incinerador. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, o material recicl\u00e1vel \u00e9 pesado e vendido para empresas, e o lucro \u00e9 dividido entre os 18 associados da cooperativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mensalmente, entre 75 e 95 toneladas de materiais passam pela triagem da Assecrejo. Apesar disso, a cidade n\u00e3o possui controle sobre todo o volume recicl\u00e1vel coletado. \u201cAt\u00e9 onde sabemos, os caminh\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o pesados pela Ambiental, empresa respons\u00e1vel pela coleta seletiva da cidade\u201d, afirma Cristiane.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maria de Oliveira Filha, recicladora h\u00e1 mais de 20 anos, relata situa\u00e7\u00f5es perigosas, mas comuns no galp\u00e3o da triagem dos res\u00edduos recicl\u00e1veis. \u201cJ\u00e1 encontramos cobras e at\u00e9 animais mortos no meio do lixo. Nem tudo \u00e9 lixo, tem material recicl\u00e1vel no meio. As pessoas misturam tudo. Se fosse separado corretamente, seria melhor para todos\u201d, argumenta Maria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o ambiental como solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em pa\u00edses europeus, a incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos \u00e9 utilizada apenas como \u00faltima alternativa. A Su\u00e9cia, por exemplo, possui mais de 30 usinas, investe desde cedo em educa\u00e7\u00e3o ambiental, oferece incentivos fiscais para empresas que utilizam materiais recicl\u00e1veis e aplica altos impostos sobre a queima de res\u00edduos que poderiam ser reaproveitados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse processo foi ignorado aqui, e ele \u00e9 essencial\u201d, critica Cristiane Gon\u00e7alves, respons\u00e1vel pelo apoio t\u00e9cnico da Assecrejo. Segundo ela, em Joinville n\u00e3o houve di\u00e1logo pr\u00e9vio entre Prefeitura, cooperativas e hortas comunit\u00e1rias antes da instala\u00e7\u00e3o do incinerador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ambientalista Otanir Mattiola refor\u00e7a a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o ambiental: \u201cEntre o incinerador e o aterro sanit\u00e1rio, eu tenho d\u00favidas sobre o que seria melhor. Mas entre o incinerador e a reciclagem ou compostagem, n\u00e3o h\u00e1 o que discutir. S\u00f3 que, para isso ser realizado e dar certo, a popula\u00e7\u00e3o precisa de educa\u00e7\u00e3o ambiental.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Florian\u00f3polis, desde 2022, a Prefeitura realiza pagamento por compostagem comunit\u00e1ria. Mais de 50 toneladas de restos de alimentos s\u00e3o reaproveitadas mensalmente. \u201c\u00c9 um modelo interessante, porque o res\u00edduo volta para o ciclo sustent\u00e1vel. J\u00e1 em Joinville, at\u00e9 restos de poda ainda v\u00e3o para o aterro\u201d, destaca Mattiola.<\/p>\n\n\n\n<p>A inaugura\u00e7\u00e3o da URE em Joinville reacendeu o debate sobre o equil\u00edbrio entre gera\u00e7\u00e3o de energia e pr\u00e1ticas de sustentabilidade. Especialistas e cooperativas destacam que, sem educa\u00e7\u00e3o ambiental e incentivo \u00e0 reciclagem, a incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos pode gerar impactos ambientais significativos, enquanto oportunidades de reaproveitamento e compostagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A inaugura\u00e7\u00e3o da URE em Joinville reacendeu o debate sobre o equil\u00edbrio entre gera\u00e7\u00e3o de energia e pr\u00e1ticas de sustentabilidade. Especialistas e cooperativas destacam que, sem educa\u00e7\u00e3o ambiental e incentivo \u00e0 reciclagem, a incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos pode gerar impactos ambientais significativos, enquanto oportunidades de reaproveitamento e compostagem ainda n\u00e3o s\u00e3o plenamente aproveitadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Unidade de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (URE) levanta questionamentos sobre emiss\u00f5es poluentes em Joinville Por Danielly Vieira No final de setembro, Joinville inaugurou a Unidade de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (URE), uma parceria entre a Prefeitura e a Secretaria de Meio Ambiente. A usina \u00e9 a primeira da Am\u00e9rica Latina a transformar res\u00edduos s\u00f3lidos em energia renov\u00e1vel. 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