{"id":17713,"date":"2025-12-02T19:39:15","date_gmt":"2025-12-02T22:39:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/?p=17713"},"modified":"2025-12-02T19:39:17","modified_gmt":"2025-12-02T22:39:17","slug":"a-jornada-que-virou-jardim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/index.php\/2025\/12\/02\/a-jornada-que-virou-jardim\/","title":{"rendered":"A jornada que virou jardim"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Bruna Borges, Guilherme Miranda e Adryan Dal Negro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 era primavera quando decidimos ir at\u00e9 l\u00e1. Para chegar percorremos um longo caminho e, aos poucos, o barulho urbano de buzinas e motores de carros foram dando espa\u00e7o ao canto dos p\u00e1ssaros, ao barulho que os pneus fazem ao passar por uma estrada de terra e ao som do vento contornando as \u00e1rvores. Deveria ser umas 9 horas da manh\u00e3 quando paramos em frente ao port\u00e3o de madeira e, mesmo de dentro do carro, j\u00e1 fomos muito bem recebidos pelos canarinhos amarelos que pousaram sobre o parabrisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um lugar onde predomina o verde, \u00e1rvores altas, flores por todo canto e um lago gigante que embelezava ainda mais o espa\u00e7o. O respons\u00e1vel por dar vida a esse lugar \u00e9 Oraci Reinheimer, que nos recebeu vestindo seu avental verde de jardineiro e que, com muita gentileza e calma, contou como o orquid\u00e1rio se formou.<\/p>\n\n\n\n<p>Joinville cresceu como polo industrial, ganhando o apelido de Manchester Catarinense. Mas a mesma cidade que ergueu f\u00e1bricas tamb\u00e9m ficou conhecida como Cidade das Flores, devido \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de cultivo&nbsp; trazida por seus colonizadores europeus, especialmente alem\u00e3es, su\u00ed\u00e7os e noruegueses, que tinham o h\u00e1bito de cultivar jardins. \u00c9 nesse cen\u00e1rio que o Orquid\u00e1rio Reinheimer se apresenta como um dos ref\u00fagios onde essa tradi\u00e7\u00e3o permanece viva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O seu primeiro contato com a natureza come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia. Nascido em Tuparendi, no Rio Grande do Sul, cresceu na ro\u00e7a, botando a m\u00e3o na terra e ajudando os pais em tudo. Desde pequeno aprendeu a cuidar, plantar e colher. Quando completou sete anos, a fam\u00edlia se mudou para a zona urbana. O pai, que nunca estudou, queria que os filhos tivessem a oportunidade que ele n\u00e3o teve. Quatro anos depois, outra decis\u00e3o transformou o rumo da vida de Oraci, onde aos 11 anos, se mudou para o Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O incentivo deu certo. O garoto seguiu estudando, terminou o ensino m\u00e9dio e encontrou no semin\u00e1rio um caminho para continuar aprendendo. L\u00e1, o contato com os livros se misturou a um encontro inesperado, um padre o convidou a ajudar nos cuidados de suas orqu\u00eddeas e, assim, nasceu uma paix\u00e3o que o acompanharia para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Formado em Letras em 1987, j\u00e1 professor, Oraci manteve as orqu\u00eddeas como hobby. No Paran\u00e1, cultivou as primeiras cole\u00e7\u00f5es, montou seu orquid\u00e1rio e foi ampliando o espa\u00e7o aos poucos, sempre com dedica\u00e7\u00e3o. Se casou, construiu uma fam\u00edlia numerosa com cinco filhos e, com sua esposa, tamb\u00e9m professora, dividiu uma vida dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Perto da aposentadoria, veio a decis\u00e3o de recome\u00e7ar e se mudar para Joinville, a tal cidade das flores. A escolha pelo recanto na Estrada Bonita n\u00e3o foi acaso. Ali, em meio \u00e0 mata e ao turismo rural, encontraram o lugar ideal para viver e compartilhar o que amam. \u201cN\u00e3o fazia sentido ter as plantas s\u00f3 para mim. Eu queria que as pessoas pudessem sentir o mesmo que eu sinto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mudan\u00e7a, roupas e m\u00f3veis ficaram em segundo plano. O que chegou primeiro foi um caminh\u00e3o carregado de plantas. O orquid\u00e1rio, que j\u00e1 existia no Paran\u00e1, renasceu em terras catarinenses. Aos poucos, foi crescendo, se abrindo ao p\u00fablico e se transformando na grande sala de aula de Oraci.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o dia dele come\u00e7a cedo. \u00c0s cinco horas da manh\u00e3, o chimarr\u00e3o e a leitura marcam o in\u00edcio da rotina. Depois, vem o caf\u00e9 e, enfim, o trabalho com as plantas. Ao lado da esposa, que cuida da horta de onde tiram boa parte dos alimentos da casa, ele passa horas preparando jardins, observando flores e recebendo visitantes. \u201cQuando a gente est\u00e1 dentro do orquid\u00e1rio, esquece do mundo. A natureza nos reconecta com a nossa ess\u00eancia. N\u00f3s somos natureza.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para se reconectar com essa ess\u00eancia, fomos caminhar pelo orquid\u00e1rio e,\u00a0 logo de cara, vemos uma pequena lojinha de madeira que anuncia o espa\u00e7o onde acontecem as vendas das orqu\u00eddeas. Mas o pequeno espa\u00e7o guarda tamb\u00e9m\u00a0 parte da hist\u00f3ria de Oraci, em forma de medalhas e trof\u00e9us conquistados ao longo dos anos em competi\u00e7\u00f5es de flores.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.37-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17717\" style=\"width:489px;height:367px\" width=\"489\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.37-1.jpeg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.37-1-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 489px) 100vw, 489px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Bruna Borges<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na prateleira mais alta, o maior deles se destaca, dourado e reluzente. \u00c9 o pr\u00eamio da 15\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o Sul-Brasileira de Orqu\u00eddeas e Plantas Ornamentais, onde Oraci conquistou o primeiro lugar em duas categorias: campe\u00e3o geral do evento e campe\u00e3o do grupo espec\u00edfico da Catleya. A vencedora foi a Cattleya Nobilior FA, lembrada por ele com carinho: \u201cEra uma planta muito bonita, parece que ela se preparou para a festa\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.17.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17715\" style=\"width:522px;height:392px\" width=\"522\" height=\"392\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Adryan Dal Negro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Com a experi\u00eancia de quem j\u00e1 participou de muitas disputas, Oraci nos revela os bastidores desse universo. \u201cA gente cuida muito da planta para se preparar antes de uma competi\u00e7\u00e3o, mas chega no dia e ela pode n\u00e3o florescer. A\u00ed a exposi\u00e7\u00e3o passa e voc\u00ea n\u00e3o participa, \u00e0s vezes voc\u00ea leva a flor que acha a mais linda e descobre que tem melhores\u2026 ou ent\u00e3o acontece o contr\u00e1rio. \u00c9 uma competi\u00e7\u00e3o muito improv\u00e1vel. Mas \u00e9 uma coisa muito bacana, muito legal de participar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E quem pensa que o julgamento \u00e9 simples se engana. Segundo ele, os avaliadores olham tudo: a planta, a flor, a arma\u00e7\u00e3o da flor, a textura, o n\u00famero de flores e de hastes florais, al\u00e9m da qualidade do vegetal, do vaso e at\u00e9 do substrato. S\u00e3o de dez a doze crit\u00e9rios avaliados com rigor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda dentro da casinha de madeira, uma estante exibe outro orgulho de Oraci, o livro Vida Saud\u00e1vel, escrito por ele e publicado em 48 mil exemplares. De fala serena, o professor comenta com satisfa\u00e7\u00e3o sobre a obra, que trata da qualidade de vida sob a \u00f3tica de Hip\u00f3crates, o pai da medicina: \u201cQue teu alimento seja teu rem\u00e9dio e teu rem\u00e9dio seja teu alimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao voltar para fora, vemos que flores de todos os lados enfeitam o espa\u00e7o, formando um tipo de labirinto em uma extensa floresta, mas a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a de estar perdido, querendo encontrar a sa\u00edda, e sim de se sentir calmo e querer cada vez mais descobrir o que nos espera no pr\u00f3ximo ponto. Ali dentro, a variedade impressiona. S\u00e3o mais de 4.200 exemplares de orqu\u00eddeas, de cores e esp\u00e9cies diversas que deixam seu aroma pelo ar. Entre elas, a Cattleya Walkeriana, chamada popularmente de feiticeira, dona de uma linda cor roxa, com p\u00e9talas arredondadas e s\u00e9palas bem fechadas, que formam uma &#8220;gota&#8221; distintiva no topo, com um labelo plano e, em algumas vers\u00f5es, um formato de &#8220;cora\u00e7\u00e3o&#8221;. A flor ocupa um lugar especial no cora\u00e7\u00e3o de Oraci, que fala dela com um carinho particular. Em outro canto, mini orqu\u00eddeas florescem em cascas de coco, prova da criatividade aplicada ao cultivo. \u201cAqui n\u00f3s aplicamos a teoria de Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.56.14.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17719\" style=\"width:448px;height:597px\" width=\"448\" height=\"597\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Adryan Dal Negro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Cada vaso parece carregar uma hist\u00f3ria, e Oraci conhece todas. A forma como descreve cada detalhe faz dele um verdadeiro dicion\u00e1rio vivo das plantas. \u201cDeixe as plantas tocarem em voc\u00ea, para sentir a boa energia que elas passam\u201d. A paix\u00e3o \u00e9 tamanha que contagia at\u00e9 os visitantes, que n\u00e3o escondem a admira\u00e7\u00e3o por sua dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre tantas curiosidades compartilhadas por Oraci durante a visita, uma em especial se destacou: o processo de cruzamento das orqu\u00eddeas. A bi\u00f3loga Cynthia Hering Rinnert, doutora em Biodiversidade Vegetal, explica melhor que, nas orqu\u00eddeas, o p\u00f3len n\u00e3o aparece como um \u201cpozinho\u201d, mas em pequenas massas chamadas pol\u00ednias. \u201cCom um palito, removemos essas pol\u00ednias de uma flor e as depositamos no estigma de outra. Depois, \u00e9 esperar a forma\u00e7\u00e3o do fruto, que pode carregar de milhares a milh\u00f5es de sementes min\u00fasculas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Cynthia, as caracter\u00edsticas da nova planta dependem da combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica herdada. Genes dominantes tendem a se manifestar com mais facilidade, enquanto os recessivos podem permanecer escondidos. Por isso, alguns cruzamentos trazem resultados relativamente previs\u00edveis, especialmente quando as plantas j\u00e1 v\u00eam sendo selecionadas por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Mas, quando se trata de esp\u00e9cies diferentes, a natureza costuma reservar boas surpresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de gerar plantas \u00fanicas, os h\u00edbridos ampliam a diversidade dentro do orquid\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 em cores e formas, mas tamb\u00e9m em resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as. \u201cEu, pessoalmente, gosto mais das esp\u00e9cies puras, mas os h\u00edbridos encantam muito o p\u00fablico. Eles revelam possibilidades novas que surpreendem at\u00e9 quem j\u00e1 est\u00e1 habituado a esse universo\u201d, completa a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos, no orquid\u00e1rio, o resultado de um cruzamento entre a Cattleya Golden Acclaim e a Cattleya Calif\u00f3rnia Apricot, que nos chamou muita aten\u00e7\u00e3o pela sua cor, composta por tons amarelos, vermelhos e alaranjados. Para nossa surpresa, ela tem um nome que homenageia um dos maiores pilotos de F\u00f3rmula 1 da hist\u00f3ria: Cattleya Ayrton Senna. Recebeu esse nome por suas cores remeterem \u00e0s mesmas presentes no capacete do piloto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.18.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17716\" style=\"width:621px;height:466px\" width=\"621\" height=\"466\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Adryan Dal Negro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na maioria das vezes nem imaginamos a quantidade de conhecimento que essas plantas t\u00eam a nos oferecer. Mas temos a certeza que se quisermos nos aprofundar um pouco mais nesse universo das flores, temos a oportunidade dentro do Orquid\u00e1rio Reinheimer. O espa\u00e7o abre aos s\u00e1bados e domingos para turistas e curiosos que percorrem a Estrada Bonita. Durante a semana, s\u00f3 com agendamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>De professor a presidente<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se dentro do orquid\u00e1rio Oraci vimos a beleza das flores, fora dele existe uma miss\u00e3o que se amplia. Em 2016, quando chegou em Joinville, ele j\u00e1 trazia consigo uma rede de amigos orquid\u00f3filos espalhados por Joinville e cidades vizinhas, como Jaragu\u00e1 do Sul e Pomerode. O convite para integrar a AJAO &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Joinvilense de Amadores de Orqu\u00eddeas n\u00e3o demorou para chegar at\u00e9 sua porta.&nbsp; Mesmo assim, Oraci preferiu se estabilizar antes de assumir compromissos, mas em 2018 n\u00e3o resistiu e&nbsp; se tornou parte da associa\u00e7\u00e3o. Alguns anos se passaram, e em 2024, ele foi escolhido para presidente, cargo que exerce hoje com o mesmo cuidado e carinho que dedica \u00e0s suas plantas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o \u00e9 quase t\u00e3o antiga quanto a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o orquid\u00f3fila no nosso pa\u00eds. Fundada em 1938, soma 87 anos de hist\u00f3ria e \u00e9 considerada uma das&nbsp; mais antigas nesse segmento. Mais do que reunir colecionadores e produtores, ela preserva uma cultura, uma forma de olhar para a natureza e de partilhar esse olhar com a comunidade. \u00c9 a entidade respons\u00e1vel por organizar a nossa querid\u00edssima Festa das Flores, o evento floricultur\u00edstico mais antigo do Brasil, que ano ap\u00f3s ano transforma Joinville em um grande e lindo jardim que atrai gente de todos os cantos.<\/p>\n\n\n\n<p>Oraci, com um sorriso no rosto conta que \u00e9 um trabalho muito bonito, que vem marcando gera\u00e7\u00f5es. Para ele, presidir a AJAO vai al\u00e9m da gest\u00e3o, \u00e9 tentar mostrar que as flores carregam li\u00e7\u00f5es humanas, solidariedade, sensibilidade, delicadeza. \u201cO orquid\u00f3filo \u00e9 uma pessoa determinada, com valores muito fortes e arraigados. Administrar uma entidade assim exige jogo de cintura, porque \u00e9 preciso agradar, convencer, evoluir. Confesso que \u00e9 um desafio muito grande, mas n\u00f3s temos uma diretoria muito forte, que se re\u00fane mensalmente para planejar cada passo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a associa\u00e7\u00e3o se estrutura em tr\u00eas grandes pilares: a sede, localizada na subida do Mirante; os eventos, com destaque para a Festa das Flores; e o Pal\u00e1cio das Orqu\u00eddeas, projeto em andamento junto \u00e0 prefeitura, que busca criar um espa\u00e7o permanente para celebrar a cultura e beleza das flores em Joinville.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre todos os eventos, a Festa das Flores \u00e9, sem d\u00favida, o maior desafio. O planejamento come\u00e7a no in\u00edcio de cada ano e envolve desde o projeto paisag\u00edstico at\u00e9 a venda de ingressos, passando pela montagem dos estandes e pela log\u00edstica que d\u00e1 vida ao evento. Esse ano a festa chegou \u00e0 sua 85\u00aa edi\u00e7\u00e3o, onde durante os seis dias, a beleza e a exuber\u00e2ncia das quase 30 mil plantas, entre orqu\u00eddeas, flores e ornamentais que fizeram parte da exposi\u00e7\u00e3o, impactaram os cerca de 60 mil visitantes que prestigiaram o evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos joinvilenses que aproveitaram o feriado prolongado para passear entre as flores, fazer compras e aproveitar a programa\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos palcos, cerca de 10 mil turistas de diversas regi\u00f5es do Brasil e de pa\u00edses vizinhos vieram conhecer porque Joinville \u00e9 conhecida como a Cidade das Flores. Entre as excurs\u00f5es recebidas, estavam caravanas dos estados do Par\u00e1 ao Rio Grande do Sul, al\u00e9m de grupos do Paraguai e Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201c\u00c9 muito prazeroso organizar, porque&nbsp; a gente v\u00ea a alegria, o espanto das pessoas. \u00c9 uma gratifica\u00e7\u00e3o enorme proporcionar esse momento para a vida delas, foi emocionante ver a admira\u00e7\u00e3o, o sorriso e a alegria de adultos e crian\u00e7as que se encantaram com a beleza e as atra\u00e7\u00f5es da nossa festa. E j\u00e1 esperamos por todos, em 2026\u201d, finaliza Oraci Reinheimer.<\/p>\n\n\n\n<p>Com sua trajet\u00f3ria entrela\u00e7ada \u00e0 terra, \u00e0s palavras e \u00e0s flores, Oraci nos lembra que nenhuma vida floresce sozinha. Seu trabalho ultrapassa os limites de um jardim, ele inspira, preserva tradi\u00e7\u00f5es, forma novas gera\u00e7\u00f5es e transforma conhecimento em afeto compartilhado. Ao olhar para suas orqu\u00eddeas, percebemos que cada flor carrega um pouco de sua hist\u00f3ria, e cada visitante sai levando um pouco de sua ess\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O orquid\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas um destino tur\u00edstico\u00a0 \u00e9 um convite a desacelerar, a sentir e a reencontrar o que, muitas vezes, esquecemos em meio ao concreto: a beleza que nasce da paci\u00eancia, a for\u00e7a que habita no sil\u00eancio e o florescer constante que a vida nos oferece. E, assim como as orqu\u00eddeas que renascem a cada esta\u00e7\u00e3o, a paix\u00e3o de Oraci segue desabrochando, perpetuando a certeza de que enquanto houver algu\u00e9m disposto a cultivar seus sonhos, a Cidade das Flores continua, ano ap\u00f3s ano, florescendo dentro de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.37.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17718\" style=\"width:584px;height:438px\" width=\"584\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.37.jpeg 1600w, https:\/\/revidigital.ielusc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-17.54.37-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Bruna Borges<\/figcaption><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruna Borges, Guilherme Miranda e Adryan Dal Negro J\u00e1 era primavera quando decidimos ir at\u00e9 l\u00e1. 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